The Great British Fuck Up

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2016 não está sendo um ano fácil no Reino Unido. Para começar, o país decidiu, num voto histórico e apertado, deixar a União Europeia, o que causou a maior crise política da história recente do país, além de muita incerteza e angustia. Como se isso não fosse o suficiente, outra decisão chocante está causando revolta. Em setembro foi anunciado que, a partir de 2017, The Great British Bake Off, o programa de TV mais popular do país, deixará a programação da BBC. A competição de confeiteiros migrará para uma emissora comercial, arriscando assim perder a essência que fez dele um fenômeno.

As duas situações, claro, são bastante diferentes entre si e a comparação tem fins humorísticos. Mas nem tanto assim: o fim da jornada do Bake Off na BBC1 realmente foi uma notícia que, num ano difícil, caiu como água fria na população. Comparações entre a mudança de canal e o Brexit foram lugar comum na mídia e nas redes sociais.

O reality culinário começou sua jornada na BBC2 antes de migrar para o canal principal da emissora pública em 2014, depois de 4 anos de popularidade crescente. Desde então, se estabeleceu como a emissão mais vista do país, obtendo números de audiência que pareciam inimagináveis no cenário fragmentado e concorrido do mundo contemporâneo. A final da temporada passada teve 15.6 milhões de espectadores, de longe a maior audiência de 2015.

Em termos de repercussão, Bake Off ultrapassou o burburinho causado pelo The X Factor em seu ápice, entre 2008 e 2012. Em termos de audiência, também. Como já falei antes, o apelo do programa de competição culinária é oposto ao grandioso show de talento da ITV1: a ausência de drama e exageros.

The Great British Bake Off é um programa relaxante e minimalista, onde os confeiteiros se ajudam entre si, os jurados sempre fazem críticas positivamente construtivas, o cenário é bucólico e em tons pastéis e todo mundo parece estar se divertindo e tirando máximo proveito da experiência. Momentos de tensão ou de conflito são raros e a competição preza por um clima enormemente otimista.

Com sua doçura e celebração da diversidade da população britânica, Bake Off é um antídoto perfeito em tempos de incerteza, xenofobia, recessão e crise política. De fato, a atual temporada, que está sendo exibida pela BBC1 desde o fim de agosto, tem obtido recordes históricos de audiência (algo notável dado os já gigantescos números das temporadas passadas).

A mudança para outro canal coloca em risco toda essa dinâmica, cuidadosamente cultivada pela BBC. Por isso, a notícia foi bastante mal recebida pelo público britânico.

Acabou-se o que era doce?

No dia 12 de setembro, a BBC anunciou, através de um comunicado em tom amargo, que, por decisão da produtora, The Great British Bake Off mudaria de emissora: “Junto com a Love Productions, nós investimos [no programa] e o transformamos no enorme sucesso que ele é hoje. Fizemos uma oferta considerável para mantê-lo na nossa programação mas não chegamos a um acordo monetário. Os recursos da BBC não são infinitos”.

A nota acabava com um apelo: “GBBO é um programa feito pela BBC e temos a esperança de que a produtora mude de ideia para que Bake Off possa continuar sendo exibido sem anúncios na BBC One”.

Mas alas, não era para ser. Algumas horas mais tarde, foi confirmado que o programa mais popular do Reino Unido migraria para o Channel 4. Apesar de também ser um canal público, a emissora é mantida através de publicidade, diferente da BBC cujos recursos são frutos das taxas e do license fee pago pelos cidadãos do país. Sem a necessidade de prestar contas para a população, a emissora ofereceu mais de 25 milhões de libras por ano pelo formato, 10 milhões acima do valor que a Beeb estava disposta a desembolsar. O contrato é válido por 3 anos.

O risco da mudança, porém, era bem claro para todos: modificar a formula ganhadora que transformou o programa em um fenômeno social.

O anúncio da transição mal tinha sido feito e Sue Perkins e Mel Giedoryc, as amadas apresentadoras, confirmaram que não concordavam com a mudança e, por tanto, não continuariam na atração. A dupla, que nunca perde a oportunidade de fazer bem-humorados trocadilhos, divulgou um comunicado em que diziam que não iriam “follow the dough. Dough significa, literalmente, massa de confeitaria mas também é uma gíria para dinheiro.

A decisão firme delas — que não aceitaram nem ouvir a proposta milionária dos donos do formato — foi lamentada mas também bastante elogiada. “Muito respeito as duas”, escreveu o badalado ator e apresentador James Corden no Twitter.

O impacto da notícia ficou ainda mais claro na manhã seguinte: o fim de Bake Off na BBC foi manchete em literalmente todos os periódicos, desde os tabloides como The Sun, Mirror e Daily Mail até os títulos mais sérios e respeitáveis, como o The Guardian e o The Times.

Na semana seguinte, a cartada final: Mary Berry, a celebrada cozinheira e a mais querida dentre os jurados, também confirmou que não iria continuar no programa por lealdade a BBC. Novamente, a decisão causou frustração mas o consenso foi que ela fez a coisa certa. “Eu quero que Mary Berry apareça nas notas de 20 libras”, sugeriu um usuário no Twitter (no começo do ano, foi decidido que o pintor William Turner estamparia as notas). Outro usuário reimaginou a oração do Ave Maria e a dedicou a cozinheira televisiva enquanto mais um concluiu que a saída dela do programa era a prova cabal que o apocalipse tinha chegado.

Com a saída de Mary, foi confirmado que o único integrante original que seguiria na atração era o chef Paul Hollywood, indiscutivelmente o menos popular do time.

Sem suas principais estrelas, a questão na mente de todos é: qual o sentido dessa mudança a longo prazo? Vale a pena desembolsar mais de 75 milhões de libras por um formato e, no processo, perder o elenco responsável por fazer com que o programa seja tão valioso?

São perguntas que a maior parte do público preferiria que não estivessem sequer sendo feitas. Mas, mesmo a contragosto, a partir de 2017 elas serão respondidas.

Read more: Por ser, de longe, o maior programa da TV britânica, a mudança de canal do GBO causou uma controvérsia brutal. Mas o mercado televisivo britânico é enormemente competitivo e feroz e casos como esse não são tão raros. Leia mais  para saber de algumas disputas recentes.

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De olho nas paradas da Europa: Reino Unido

O impacto do streaming

O Reino Unido, assim como os EUA, está sempre a frente do resto do mundo quando o assunto são tendências do consumo de musica. Enquanto, até hoje, o resto da Europa ainda está fazendo a transição para o digital, o país adotou quase de imediato o iTunes, inaugurando uma nova era nas paradas já a partir de 2004. Da mesma forma, a população rapidamente migrou para o streaming e, esse ano, o Spotify e Apple Music se consolidaram como os principais métodos de consumo de música do país.

Um dos efeitos colaterais da adoção em massa do streaming foi que a parada de singles ficou muito menos dinâmica. Antes, ela refletia o que as pessoas estavam comprando e, apesar de que algumas músicas ocupavam o topo por meses, existe um certo limite de tempo que uma música pode ser a mais vendida. Hoje em dia, porém, com o crescimento das plataformas pagas de reprodução, ela reflete principalmente o que as pessoas estão ouvindo. E, nesse caso, o tempo que o público leva para superar uma música é muito, muito maior.

Em 2015, a essa altura do ano, 20 músicas tinham encabeçado a parada de singles britânica. Em 2014, 32. Em 2016, com o streaming totalmente consolidado, chegamos a outubro com apenas oito músicas chart toppers.

Quase todos os número 1 são músicas que foram hits globais. A maior de todas foi, unsurprisingly, One Dance de Drake que ocupou o topo por históricas 15 semanas.  Ao longo de todo o mês de setembro, a parada foi encabeçada por Closer dos Chainsmokers com Halsey, assim como todo o resto do universo. Outros sucessos desse ano incluíram I Took A Pill In Ibiza de Mike Posner; Love Yourself de Justin Bieber; Cold Water do Major Lazer (com Bieber e MØ); o primeiro single do ex-1D ZAYN, Pillow Talk e 7 Years, da banda dinamarquesa Lukas Graham.

Um comeback inesperado

Mas, no meio de um monte de sucesso que refletiu com exatidão as paradas de grande parte do resto do mundo, um number 1 hit atípico emergiu na última semana: Say You Won’t Let Me Go de James Arthur.

Em termos de melodia e letra, a música se adequa a um gênero que eu chamo de Ed Sheeran/Sam Smith pop, também conhecida como white guy with a guitar: acústica, com produção minimalista e letra pseudo sentimental. Dado o sucesso de Sheeran, Smith e afins, ninguém duvida da rentabilidade do gênero. Mesmo assim, o sucesso imediato da canção é enormemente impressionante, afinal o intérprete está longe de ser um nome gigantesco ou com grande buzz em torno dele. De fato, ele tem uma história bem complicada.

James Arthur foi o vencedor da nona temporada do The X Factor, em 2012. Naquele então, o programa já não era mais o fenômeno imparável de alguns anos antes mas seguia sendo um sucesso bem maior do que é hoje em dia. Com seu jeitinho nice edgy guy next door, Arthur se destacou, ganhou a edição e seu winning single, Impossible, um cover da música de Shont’elle, foi um enorme hit não só no Reino Unido mas também no resto da Europa. Isso foi um fato inédito e bastante surpreendente, dado que a finalidade da canção do vencedor é ser um novelty hit esquecível com alcance limitado aos países onde o programa é exibido (Reino Unido e Irlanda).

Mas a música de James Arthur foi bem mais longe. Para começar, foram vendidas 1.3 milhão de unidades no Reino Unido, um recorde histórico para um ganhador do programa. Dado que The X Factor estava longe do seu ápice, era extremamente notável que ele superou  lançamentos de nomes como Leona Lewis (a ganhadora do programa com mais buzz da história) e Alexandra Burke (vencedora da temporada com maior audiência, cujo lançamento do single físico coincidiu com as super promoções de falência da Woolworths, o que impulsionou ainda mais as vendas do seu terrível cover de Hallelujah).

Mais do que isso: a canção foi um enorme sucesso na Austrália assim como na França, Alemanha, Suécia, Suíça, Espanha, Itália e demais países do continente europeu onde o programa que revelou Arthur não é nem sequer exibido. Impulsionado pela canção, o cantor embarcou numa turnê pela Europa cuja venda de ingressos superou todas as expectativas.

Tudo parecia estar encaminhado para o rapaz se tornar um dos mais bem sucedidos ganhadores do X Factor. Mas não foi exatamente o que aconteceu: naturalmente, o burburinho em torno dele diminuiu com o sumiço dele da mídia para preparar seu primeiro álbum mas, quando voltou, foi por péssimos motivos: ele falou mal do programa que o lançou e, pior, do One Direction, a cria mais bem sucedida da atração (e com um fanbase bm intensa). Depois, lançou um rap amador que usava queer (homossexual) como ofensa e atacou os que se ofenderam com o ato. Alvo de muitas críticas, teve uma gigantesca meltdown no Twitter.

A situação pegou tão mal que o iTunes aceitou devolver o dinheiro daqueles que tinham comprado o álbum antes da controvérsia e, desapontados com o comportamento do rapaz, estavam arrependidos.

No fim, as vendas do CD de lançamento dele (menos de 300 mil unidades) não justificaram tamanha bad publicity e e ele acabou sendo liberado do seu contrato com a SYCO, o selo de Simon Cowell dentro da Sony.

Parecia o end of the road para James Arthur. Tudo indicava que ele se juntaria aos outros vencedores do The X Factor cujas carreiras, que pareciam ser cheias de potencial, empacaram. Se nem Leona Lewis, ganhadora da terceira temporada, conseguiu uma carreira longeva — mesmo depois do álbum de lançamento mais vendidos da história do Reino Unido e um single, Bleeding Love, que atingiu o topo até nos EUA — as chances dele se reerguer eram poucas.

Mas,  no dia 9 de setembro, sem nenhuma expectativa, ele lançou Say You Won’t Let Me Go. Todos os olhares estavam em Perfect Illusion, o lead single do novo álbum de Lady Gaga (que fracassou alias) mas, sem performance na TV ou apoio da rádio, foi James Arthur que se estabeleceu na segunda posição do iTunes enquanto Gaga desmoronava no top 10.

Com promoção mínima e poucos streamings no Spotify, que não incluiu a canção em quase nenhuma das suas principais playlists, a canção debutou oficialmente na 25ª posição. Dado que uma estreia no top 40 já seria uma vitória, foi um resultado espetacular.

A semana seguinte seria marcada pelo grande retorno, depois de três anos, de Emeli Sandé — cujo álbum anterior vendeu 2.5 milhões de unidades no Reino Unido — e um novo lançamento do DJ superstar Calvin Harris. Mas quem se consolidou no primeiro lugar no iTunes e deslanchou em streaming? James Arthur, que subiu 23 posições na parada e finalizou sua segunda semana no top 2. Finalmente, essa semana, a canção atingiu o topo no Spotify, desbancando, depois de 1 mês, o smash hit Closer.

A tendência é que as vendas e os streams só aumentem agora que a canção finalmente está sendo incluída na alto rotação das principais estações do país e também nas playlists do Spotify.

A SYCO, vendo esse sucesso todo, prontamente recontratou o rapaz, dois anos depois de tê-lo liberado. No dia 28 de outubro, o novo álbum dele, Back from the Edge, chega as lojas e a companhia fará de tudo para que ele vire a estrela global que ele ensaiou ser em 2012. Apesar do comportamento imaturo em 2012 (e de achar a música dele bastante uninspiring), simpatizo com Arthur e espero que ele alcance seu verdadeiro potencial. Estou na torcida para ele não arruinar tudo.

Causando en español: si necesita el reggaeton, ¡dale!

A dominação atual

Um gênero domina as paradas de sucesso do mundo hispânico: o reggaeton. Esteja em Miami ou Madrid; Barcelona ou Cidade do México; Argentina ou Bogota, nada bomba tanto quanto um sucesso do gênero.

Esse monopólio pode ser confirmado com uma olhada no top 50 do Spotify nos principais mercados ibero-americanos. No México, por exemplo, apenas 13 músicas em espanhol aparecem dentre as mais ouvidas, mas 10 dessas são reggaeton. Na Argentina, a dominação é ainda mais evidente: 24 dentre as 28 músicas na língua pátria entre as 50 mais ouvidas pertencem ao gênero. Chile (21/25); Espanha (17/21) e Colômbia (17/19) não ficam atrás.

De certa maneira, esse takeover pode ser comparado com o sertanejo que, no Brasil, se solidificou como, de longe, o estilo mais popular. Até os números no Spotify são similares: 18 das 22 músicas brasileiras no nosso top 50 são de artistas sertanejos.

Além do sertanejo, o reggaeton também tem paralelos com o funk: um estilo assumidamente popular e que muita gente torce o nariz para mas que, na pista, é sempre sucesso garantido.

A origem

Comparações aparte,  a explosão do reggaeton é relativamente recente. O gênero surgiu no Panamá, na década de 1980, antes de chegar em Nova Iorque e, finalmente, em Puerto Rico. Foi na colônia estado-unidense onde o estilo começou a se massificar, com o gigantesco sucesso de Don Omar. A explosão internacional de Gasolina de Daddy Yankee, em 2004, confirmou o reggaeton como um dos principais pilares da música latina.

Enquanto o sucesso de Omar ficou mais restringido ao mercado latino (pelo menos até 2010, com Danza Kuduro),  Gasolina transcendeu barreiras linguísticas e atingiu o top 10 geral da Billboard assim como as paradas europeias e até japonesa. O álbum que continha a música, Barrio Fino, vendeu 1.7 milhão de unidades nos EUA, o maior vendedor latino da década. E Yankee se transformou numa lenda e no rei do reggaeton.

Nenhum dos singles subsequentes teve o alcance internacional de Gasolina, mas o porto-riquenho se transformou num staple na cena latina e suas músicas fazem sucesso até hoje. O triunfo dele também ajudou dezenas de outros grandes nomes do reggaeton — todos de origem porto-riquenha — a emergirem.

A música desses artistas fez a América toda dançar mas a falta de sangue novo no gênero acabou causando uma saturação e Pitbull, com suas produções mais urban top 40, grande partes dela em inglês, se apossou do nicho festeiro no final da década.

Mas Yankee, Wisin, Yandel e demais artistas nunca pararam de produzir hits e se mantiveram consistentes no cenário latino (que, aliás, é bem fiel). Na Espanha, o DJ catalão Juan Magan — o rei do electrolatino — junto a outras dezenas de artistas provenientes das Américas também ajudaram a fazer do ritmo algo completamente inescapável. Mesmo ofuscado, o estilo foi uma presença constante, ajudando a abrir caminho para o atual monopólio.

De San Juan a Medellin

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Enquanto Puerto Rico foi quem deu o ponta pé inicial no fenômeno, foi a Colômbia, especificamente a cidade de Medellín, que elevou o estilo ao seu atual patamar e deu uma nova roupagem ao gênero. O primeiro megastar proveniente dessa nova fase foi J. Balvin.

A hypada publicação americana Fader, que dedicou uma capa ao megastar latino, fez uma boa descrição da diferença entre o colombiano e os anteriores ícones do gênero:

“O reggaeton de Balvin é mais sutil, mais relaxado e mais em linha com o que está acontecendo na cena pop e hip-hop atual. Enquanto Daddy Yankee parecia estar gritando em suas músicas, Balvin canta com uma pronunciação mais suave”, descreve a revista.

“Ao invés de enormes óculos aviadores e bonés largos, Balvin opta por um chapéu de cowboy de abas largas e streetwear direto da passarela de designers badalados como Guillermo Andrade”.

Assim como Kanye e Drake ajudaram a reinventar a cena do rap, Balvin — com seu swagger e estilo — marcou um novo começo na cena do reggaeton. Em 2011, ele começou a emplacar sucessos na Colômbia. Em 2012, Yo Te La Dije e Tranquila estouraram nos EUA, nas Américas e na Espanha. E, em 2013, ele obteve seu primeiro mega blockbuster hit com 6 AM. Seu primeiro álbum, La Familia, foi um grande sucesso e, provando que tinha chegado de verdade,  emplacou logo em seguida outro inescapável hit, Ay, Vamos.

O estilo único de Balvin está diretamente ligado a sua história de vida: nascido numa família de classe alta em Medellín, ele cresceu apaixonado por grunge e Nirvana. Depois,  descobriu Daddy Yankee, sua maior inspiração. Sua família foi a falência e Balvin começou a transitar entre dois mundos, estudando numa escola de elite e vivendo num bairro próximo do gueto. Num intercâmbio para os EUA, ficou fascinado pelo universo do rap e hip-hop e todo o business bilionário em torno do gênero. Voltou para sua cidade natal disposto a fazer do reggaeton um negócio similarmente lucrativo. E, claro, o resto é história.

Balvin aponta Yankee como a figura responsável por fazê-lo se apaixonar pelo reggaeton. O porto-riquenho também tem influência direta em outro dos principais nomes ligados a cena de Medellín, Nicky Jam.

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Nicky Jam

Jam nasceu em Massachusetts mas foi criado em San Juan, Puerto Rico. Seu talento chamou atenção de Daddy Yankee, que o apoiou e o treinou em seus primeiros anos, além de ter colaborado com ele em várias músicas. Não demorou para começar a obter sucesso mas as drogas e uma briga com seu mentor (que estava prestes a estourar com Gasolina) deram fim prematuro a sua carreira, interrompida em 2005.

Com a autoconfiança abalada, Nicky Jam se mudou para Medellín. A cidade era louca por reggaeton mas, antes de Balvin explodir, poucos imaginavam que alguém de lá poderia se tornar um grande astro do gênero. A chegada do porto-riquenho na cidade — com seu sucesso prévio e sua antiga associação com Yankee — causou burburinho e não demorou para as portas começarem a se abrir uma atrás da outra.

A forte cultura musical colombiana (cujo gênero local principal é o vallenato) influenciou Jam a dar mais melodia e romantismo a suas produções. E, depois de anos se preparando, ele finalmente estava pronto para oficialmente retornar. Foi um sucesso de imediato. Em 2014, a repercussão arrebatadora do single Travesuras o colocou na primeira linha. Apesar de ter nascido nos EUA e ter sido criado em San Juan, o sucesso dele era made in Colombia.

Em paralelo a Jam e Balvin, outra cria de Medellín começava a deixar sua marca. Enquanto Travesuras estourava, Maluma, então com 20 anos, conquistava a Colômbia com seu rostinho bonito e se estabelecia como o maior teen idol do país. O sucesso da sua música La Temperatura abriu as portas dos EUA, assim como de outros mercados latinos e da Espanha e deixava claro que ele também não estava para brincadeira. Com a ajuda das redes sociais, o garoto se estabelecia como uma das estrelas mais rentáveis da América Latina.

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Maluma

2015: o ano em que reggaeton virou a norma

Se Travesuras tinha dado nova vida a carreira de Nicky Jam, o porto-riquenho — agora baseado em Medellín — não imaginava o que estava por vir em 2015: seu single subsequente se transformaria num dos maiores sucessos em espanhol da história recente.

El Perdón, que contava com a participação de Enrique Iglesias, inquestionavelmente um dos maiores astros da música latina, passou 1 ano inteiro no topo de absolutamente todos os países de língua hispana (e 30 semanas no topo do Hot 100 Latin dos EUA), acumulou mais de 1 bilhão de views no YouTube e se transformou na música em espanhol mais streamed do Spotify (335mi), transcendendo barreiras e atingindo o top 10 de mercados não latinos como Alemanha, França, Suécia e Holanda. A música cristalizou a posição de Jam dentre os maiores nomes da música latina. O single também significou um renascimento de Enrique Iglesias.

A transição de Iglesias para o reggaeton foi um momento divisor de águas: era um sinal de que o gênero deixava de ser apenas mais um estilo popular para se transformar no estilo principal.

Iglesias é, desde meados dos anos 90, um dos maiores nomes da música em espanhol. Assim como seu pai, Julio, seu repertório era formado por baladas românticas e, logo de cara, ele virou um dos maiores astros da América Latina, com hits como Experiencia Religiosa e Nunca Te Olvidaré antes de crossover para o mercado anglo-saxão com giga hits como Hero e Escape.

Em 2007, Iglesias voltou as paradas com uma série de sucessos em inglês como I Like It e Tonight (I’m Fucking You), quase todos com participação de Pitbull. Para o mercado latino, contudo, ele seguiu apostando em um som mais romântico, obtendo grandes sucessos como Cuando Me Enamoro, uma colaboração com Juan Luis Guerra que ficou 14 semanas em primeiro lugar, assim como duetos com grandes ícones da música romântica como Romeo Santos (Loco) e Marco Antonio Solis (El Perdedor).

Mas, em 2014, o artista espanhol resolveu apostar por algo mais dançante. O resultado foi Bailando, uma colaboração com o grupo Gente de Zona e o artista Descemar Santos, ambos cubanos, que mesclava pop, flamenco e um pouco de reggaeton. Foi um sucesso sem precedentes na carreira do artista, superando todos os seus sucessos anteriores (e isso não era tarefa fácil para alguém que, naquela altura, já tinha passado 104 semanas no topo da parada Latina da Billboard).

Foram 41 semanas ininterruptas no topo da Billboard Latin Tracks, um recorde histórico. Nos EUA, a canção vendeu 3 milhões de unidades. Na Espanha e na América Latina, a música tocou — sem parar — por 1 ano inteiro. O clipe acumulou mais de 1.6 bilhão de visualizações no YouTube, se tornando o vídeo em espanhol mais visto na plataforma (e o nono mais visto no total).

Repetir esse sucesso não seria fácil. Mas daí Iglesias viu um trecho de El Perdón, que Jam estava previewing no Instagram; pediu para participar e o resto é história. A canção fez o impossível e igualou o sucesso histórico da antecessora, dando para Enrique mais um ano ininterrupto no topo das paradas de todos os países hispano e além (a música foi um enorme sucesso em quase toda Europa continental).

O fenômeno da colaboração com Nicky Jam fez com que Enrique finalmente assumisse seu novo papel de reggaetonero. Duele El Corazón, seu follow-up, uma colaboração com Yandel, provavelmente encerrará o ano como o maior hit em espanhol de 2016 (para choque de ninguém).

O cenário atual

Basta ver a diferença de orçamento entre os clipes de reggaeton de 2014 para o presente para constatar que, graças a rentabilidade dos principais nomes do gênero, muita coisa mudou.

Enquanto Iglesias se acomodava e Nicky Jam ascendia, J. Balvin seguia imparável. Depois do sucesso de 6 AM e Ay, Vamos!, Balvin lançou, em julho, o que se tornaria seu maior hit internacional até então: Ginza. A música foi catapultada quase de imediato para o topo de todos os países que falam espanhol (e substituiu El Perdón na Hot 100 Latin, onde ocupou o primeiro lugar por 20 semanas)  e é a segunda canção em espanhol mais ouvida da história do Spotify. No YouTube, são mais de 700 milhões de visualizações (mas ainda não chega nem perto do sucesso de Ay Vamos! na plataforma).

Balvin atingiu um milestone importante quando foi selecionado para fazer parte do jurado do The Voice mexicano. O programa frequentemente atraí nomes gigantes para seu painel, como Alejandro Sanz e Laura Pausini. Sendo assim, a adição de Balvin foi um huge deal e um testamento de sua força no mercado (de quebra, a candidata dele ainda ganhou a edição), consolidando-o como um household name no México, inquestionavelmente o principal mercado hispano-americano (que tem influência direta no que faz sucesso no lucrativo mercado latino dos EUA). Por lá, ele ainda tem tem um contrato milionário com a Pepsi e aparece nas embalagens do refrigerante.

Mais importante, ele segue como um hitmaker impressionante. Otra Vez, sua colaboração com o duo porto-riquenho Zion & Lennox, é atualmente o reggaeton mais badalado na América Latina, no top 5 do Spotify do México, Espanha e Argentina (e disparado em primeiro no Chile e na Colômbia). Seu atual single solo, Safari, acumulou 30 milhões de visualizações no YouTube em uma semana (depois de duas semanas de exclusividade na Apple Music). E o anterior, Bobo, quebrou recorde de views e streams nas principais plataformas.

Assim como Balvin, Nicky Jam também tem o toque de Midas:  depois de 20 semanas ininterruptas em primeiro lugar no Hot Latin Tracks, Ginza foi substituído no topo da Billboard pelo primeiro single pós-El Perdón do porto-riquenho, Hasta El Amanecer. A canção encabeçou a lista por 14 semanas  e quebrou recordes no YouTube  e no Spotify (sendo o single em espanhol de maior sucesso de 2016 em ambas as plataformas).

Sua colaboração com Cosculluela, Te Busco, também está impressionando: apesar de nem sequer ter um clipe ou um lyric video oficial, a canção já tem mais de 300 milhões de views no YouTube e está prestes a penetrar o seleto grupo de músicas em espanhol no Spotify que superaram 100 milhões de streams (apenas 12 canções no idioma atingiram a marca, das quais três são de Jam).

Nada mais natural que tanto o colombiano quanto o porto-riquenho estejam em altíssima demanda. O primeiro colaborou com Pharrell Williams (que cantou em espanhol para a canção Safari) e Justin Bieber (sendo responsável por adicionar alguns versos na versão para o mercado hispânico do giga hit Sorry). O segundo foi acionado por Maná, inquestionavelmente o maior grupo de rock latino , para fazer um remake reggaeton de De Pies a Cabeza, um sucesso de 1992, e também por Sia, que o incluiu na versão latina de Cheap Thrills.

Mas a disputa pelo topo não foi só entre Balvin, Jam e Enrique. O já mencionado Maluma está se provando um fenômeno igualmente potente e, possivelmente, o nome mais rentável de todos. Com seu rosto de proporções perfeitas e seu estilo fashion, o autodenominado Pretty Boy, Dirty Boy emplacou seu primeiro gigantesco hit, Borro Cassette, no começo desse ano. A música atingiu o topo em todos os principais mercados — México, Argentina, Chile, Espanha — e o terceiro lugar nos EUA.

O poder dele ficou claro quando os ingressos de sua turnê foram disponibilizadas. Ele esgotou 5 noites no Luna Park de Buenos Aires em tempo recorde e sua turnê mexicana, incluindo duas noites no lendário Auditorio Nacional da Cidade do México, também estava toda vendida com meses de antecedência. Enquanto Balvin assinou com a Pepsi, Maluma é garoto propaganda da Coca Cola. Nas redes sociais, seus números já superam os de quase todas os outros mega astros latinos. Seus singles são imediatamente adicionados na alta rotação das rádios latinas, além de penetrarem as paradas do Spotify com enorme rapidez.

Seu calibre é tamanho que sua estreia no Brasil foi digna de estrela internacional de primeiro escalão, aparecendo com equal-billing em Sim Ou Não, primeiro single do novo álbum de Anitta, a maior estrela pop do país (Ginza de J. Balvin também fez sucesso aqui graças a uma versão com a participação dela).

Anitta está longe de ser a estrela mais high profile com a qual o colombiano colaborou. Ele aproveitou uma passagem relâmpago por Barcelona para gravar com uma conterrânea que é, inquestionavelmente, a maior estrela da América Latina, Shakira.  Ele também está no próximo single de outro dos principais astros da região, Ricky Martin. E Desde Esa Noche, sua colaboração com Thalia, está bombando.

A velha guarda

Apesar do enorme sucesso da nova geração, Daddy Yankee segue o rei. Já se passaram 12 anos desde seu primeiro giga hit, Gasolina, mas ele segue no topo das paradas. Shaky Shaky, seu atual single, é, junto com Otra Vez, o maior hit reggaeton do o momento. Atualmente, a canção está em primeiro no Spotify da Argentina e no top 10 de todos os demais mercados. O vídeo da canção é a música em espanhol mais popular do YouTube das últimas semanas (quarto vídeo mais visto no total, superando quase todos os lançamentos de artistas anglo-saxões).

Enquanto o som de Yankee é bem batidão, seu arquirrival, Don Omar, é conhecido por seguir uma linha bem mais romântica. Atualmente, se dedica a atuação, fazendo parte da mega franquia Velozes & Furiosos (que fez de Danza Kuduro música tema de seu quinto filme, transformando a canção num mega hit no mundo inteiro).

Apesar de sempre terem posado para mídia como “inimigos”, Yankee e Omar tem, na realidade, uma relação profissional amigável. Esse ano, até fizeram uma turnê em conjunto, The Kingdom, que esgotou as principais arenas dos EUA, incluindo o Madison Square Garden de Nova Iorque, o Staples Center de Los Angeles e a American Airline Arena de Miami.

Além dos dois, outra dupla monopolizou o gênero nos idos dos anos 2000: Wisin & Yandel. Depois de gravar dezenas de sucessos em conjunto, ambos seguiram em carreira solo. Wisin obteve um hit inescapável em 2014, Adrenalina, com a ajuda de J.Lo e Ricky Martin enquanto Yendel fez bonito junto a Daddy Yankee com Moviendo Caderas. Depois, Wisin se juntou a estrela colombiana do pop vallenato, Carlos Vives, no sucesso Notas de Amor e Yandel, sozinho, obteve grande sucesso com Encantadora.

Hit instantâneo

O mercado latino é extremamente fiel. Shakira é capaz de produzir um hit instantâneo no continente hoje em dia quase tão facilmente quanto em 2003. Ricky Martin, Marc Anthony, Chayanne, Maná e Alejandro Sanz seguem enchendo os maiores estádios. Uma vez que o público latino te aceita entre os grandes, ele não vai te abandonar tão facilmente. Mas fidelidade e consistência não significa que eles não são ofuscados pelas novas sensações jovens. Por isso, um remédio foi encontrado: se associar com as tais sensações.

Seguindo o exemplo de Iglesias, todos os principais  nomes da música em espanhol estão se rendendo ao reggaeton.

Lançado em 2015, La Mordidita, de Ricky Martin, foi o maior hit do porto-riquenho na década. O próximo single dele, que será lançado essa sexta, será uma colaboração com Maluma. O lendário cantor colombiano Carlos Vives também frequentemente colabora com o pretty boy colombiano (o fato de dividirem um empresário provavelmente ajuda) e obteve um grande sucesso com Notas de Amor, junto a Wisin e Daddy Yankee. Marc Anthony emprestou seus vocais para La Gozadera, o giga hit do Gente de Zorra que homenageia a América Latina (e, ironicamente, foi um dos maiores hits da história recente não no continente, mas sim na Espanha, atrás apenas de El Perdón). Com Desde Essa Noche, também colaboração com o fenômeno Maluma, Thalía atingiu o topo na Argentina e o top 10 na Espanha pela primeira vez em mais de uma década.

Outra técnica utilizada para maximizar o impacto das canções no mercado latino: regravá-las em estilo reggaeton.

Carlos Baute, popular cantor de origem venezuelana, tem obtido grande sucesso com Amor y Dolor refeito pelo duo porto-riquenho Alex & Fido. A banda romântica mexicana Reik fez sucesso com Ya Me Enteré mas o urban remix, refeito por Nicky Jam, é o que está penetrando o top 10 do Spotify em países onde a versão original não chegou sequer ao top 50 (como Argentina, Chile e Espanha). Como já mencionei antes, até o Maná, não exatamente conhecidos por serem inovadores, se rendeu, relançando uma versão do seu hit de 1992, De Pies à Cabeza com Jam. Vários dos maiores hits internacionais do ano (Cheap Thrill; Sorry; Cold Water) também adicionaram os principais nomes do gênero (Balvin, Jam, Don Omar) em remixes lançados especialmente para o mercado hispânico.

Dos países hispânicos para o mundo

O mais óbvio próximo passo é fazer com que o gênero conquiste de vez o resto do mundo.

Isso inclui, claro, os dois principais mercados de todos, notoriamente resistentes a músicas estrangeiras: os EUA e o Reino Unido (Gasolina e Danza Kuduro foram as únicas duas músicas a atingirem o mainstream nesses dois países).

No Brasil, Anitta, inquestionavelmente o maior nome pop do país, serve como uma embaixadora não oficial do gênero. Com a ajuda dela, Ginza, de J Balvin, obteve sucesso por aqui e Maluma está sendo introduzido em grande estilo pela diva pop . Fica a dúvida se o reggaeton, que já conquistou todo o resto do continente, conseguirá levantar voo em nosso mercado.
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Alguns acreditam que gravar em inglês pode agilizar a conquista do mundo anglo. Nicky Jam, que nasceu nos EUA e Enrique, um ato global, costumam gravar versões em inglês dos seus maiores hits. Apesar de o idioma ter mais alcance, nenhum desses remakes ganhou tração.

Já Balvin declarou que não pretende se render. A aposta dele é que o mundo English-speaking que se entregará ao espanhol (como Pharrell Williams faz no atual single do colombiano ou Drake fez em Odio, do astro da bachata Romeo Santos).

Seja como for, a verdade é que os ventos sopram a favor do reggaeton: os dois maiores sucessos de 2016 foram One Dance de Drake e Work da Rihanna, ambas músicas que, assim como o estilo sensação latino, têm enorme influência jamaicana e caribenha. Repetição e batidas familiares são a porta para o sucesso. Logo, essa onda tropical abre precedentes para músicas com estilo similar — como reggaeton – acontecerem nas rádios e nas paradas mundo afora.

Será que é só questão de tempo até as paradas globais refletirem as da Espanha e da Argentina?

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Causando nas Paradas: Dominação escandinava

O sueco Max Martin é, sem duvida nenhuma, o produtor mais influente e poderoso da música popular moderna, tendo sido responsável tanto pelos hits definidores de Britney Spears e dos Backstreet Boys no fim dos anos 90 quanto pelos sucessos inescapáveis contemporâneos de Taylor Swift, Katy Perry, The Weeknd, Maroon 5 e inúmeros outros. Por sua vez, grande parte do repertório estourado de Rihanna veio dos estúdios dos noruegueses do Stargate.

Baseado apenas nesses dois, já dá para comprovar que a mágica escandinava é elemento essencial no sucesso de 99% dos nomes mais estourados da música pop global. Recentemente, porém, a Escandinávia parece ter cansado de ficar apenas nos bastidores e está começando a invadir o palco principal.

Estrelas provenientes da região estão dominando as paradas dos mercados mais influentes do mundo e, cada vez mais, os charts da Noruega, Dinamarca e, principalmente, da Suécia são indicativas de futuros sucessos internacionais.

A banda dinamarquesa Lukas Graham (capitaneada, coincidentemente, por Lukas Graham) é um grande sucesso na seu país de origem desde o seu debut, em 2012. Mas, no fim de 2015, a música 7 Years virou o primeiro chart-topper deles no país vizinho, Suécia. E, se a Suécia aprovou, grandes chances do resto do mundo também abraçar.

Voila. Essa semana, a música completa 1 mês no topo da parada de singles do Reino Unido, o mercado mais influente da Europa. O single também acaba de alcançar o primeiro lugar no iTunes dos EUA, obviamente o maior mercado fonográfico do universo.

Em dezembro de 2015, antes de 7 Years acontecer mundo afora, a canção já tinha sido desbancada na Escandinávia pelo DJ norueguês Alan Walker. Faded foi o primeiro lançamento de Walker, que tem apenas 18 anos (!!!!), e foi imediatamente para o primeiro lugar das paradas na Suécia, na Dinamarca e em sua Noruega natal.

Com o seu sucesso explosivo instantâneo, Walker demonstra seu potencial para se transformar numa mega estrela da EDM (electronic dance music) junto com outros nomes locais como Kygo (da Noruega), Avicii (o sueco é a maior estrela do gênero) e os aposentados da Swedish House Mafia que foram diretamente responsáveis por dar o gás necessário para transformar a música eletrônica em um dos gêneros mais lucrativos e populares da atualidade.

Depois de estourar na Escandinávia, o DJ começou 2016 alcançando o topo de todos os demais países europeus. Recentemente, chegou ao primeiro lugar na Alemanha, o terceiro maior mercado fonográfico ocidental, onde quebrou o recorde histórico de streaming, com 3.7 milhões de plays em plataformas como Spotify e Deezer em uma semana. No Reino Unido, a música ainda não chegou ao top 20 mas, essa semana, ela foi oficialmente inclusa na playlist da Radio 1, a estação de rádio mais influente do país.

Finalmente temos Zara Larsson. A loira, que parece ter nascido pronta para a fama pop, também tem apenas 18 anos e, através das redes sociais, mostra ser muito mais do que apenas um rostinho bonito, com seu feminismo e defesa de imigrantes e refugiados.

Na sua Suécia natal, ela já é popular faz bastante tempo, tendo sido revelada num programa de talento local e tendo atingido o topo da parada pela primeira vez com a balada Uncover, um gigantesco hit em 2013

Em junho de 2015, ela voltou para o primeiro lugar em seu país: a upbeat Lush Life foi um dos grandes hits de verão no país. Meses mais tarde, mais um mega-hit com Never Forget You, uma colaboração com o britânico MNEK. Ambas as canções também arrasaram por todo o resto da Europa e Lush Life inclusive chegou ao topo na Alemanha.

Agora, Larsson parece estar pronta para conquistar o mundo. No Reino Unido, a menina tem duas canções no top 5: Girls Like, sua colaboração com o rapper Tinnie Tempah e, algumas posições acima, seu megasucesso solo Lush Life. No fim do ano passado, Never Forget You passou semanas no top 10 e já vendeu mais de 600 mil unidades.

Agora, Zara está de olho no maior mercado de todos. Lush Life está sendo inclusa nas playlists das principais estações top 40 dos EUA, como a Z100 nova-iorquina e KIIS de Los Angeles. Enquanto a canção está escalando os charts, Never Forget You, seu hit dance com o MNEK, acaba de penetrar o top 10 do iTunes estado-unidenses. Além disso, ela foi nomeada o rosto de uma nova campanha de marketing da gigantesca de beleza Clinique. Nada mal.

Qual será o próximo mega hit? A dica é ficar de olho no chart da Suécia no Spotify.

Worth noting: o Spotify, responsável por mudar a maneira que as pessoas escutam música em todo o mundo (streaming já é até contabilizado nas principais paradas mundo afora), é outra criação sueca. No país, mais de 90% do consumo de música é feito através do aplicativo.

A plataforma, cuja sede fica em Estocolmo, é uma grande entusiasta de atos escandinavos. O  DJ sueco Aviccii, a maior e mais bem paga estrela da região atualmente, aponta o serviço de streaming como peça chave na sua explosão global. Atualmente, o Spotify promove com entusiasmo Zara Larsson, Lukas Graham e Alan Walker, os colocando em playlists proeminentemente (como a Today’s Top Hits, com mais de 7 milhões de seguidores) e dando destaque a eles em sua página inicial.

De Max Martin ao Spotify aos popstars que dominam as paradas da atualidade, parece que o Scandinavian musical takeover não vai parar tão cedo.

Causando no UK: o maior fenômeno da TV britânica

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Quando comecei esse blog, faz quase 6 anos (!!), o reality de canto The X Factor era o maior fenômeno da TV inglesa. Grandioso, kitshy, explosivo, cheio de tensão e drama, o programa era a grande obsessão nacional e monopolizava as conversas e as manchetes no país.

As coisas mudaram bastante desde então. The X Factor segue sendo um programa razoavelmente bem sucedido mas a audiência já despencou e, hoje em dia, a quantidade de espectadores é menos da metade do que ele conseguia em seu ápice. Existem boatos até de que ele corre o risco de ser cancelado e já faz quatro anos em que ele nem sequer é líder de audiência em seu horário, perdendo para o Strictly Come Dancing da BBC.

A queda de The X Factor coincidiu com a ascensão de um novo programa que é literalmente o oposto, o reality culinário The Great British Bake Off.

Um concurso de confeitaria que celebra o espírito e receitas britânicas, o reality  estreou em 2010 na BBC Two. Apresentado pelas bem-humoradas Sue Perkins e Mel Giedroyc e com Mery Berry, autora culinária, e o celebrity chef Paul Hollywood como jurados, ninguém tinha grandes expectativas em relação ao programa.

Mas o programa começou a crescer e crescer e crescer e, depois de quebrar recordes para a BBC Two, finalmente foi promovido para BBC One no ano passado.

No canal principal do Reino Unido, Bake Off se consolidou como programa mais visto do país. No ano passado, o reality perdeu apenas para as partidas da Inglaterra na Copa do Mundo na lista dos mais vistos de 2014. Esse ano, as audiências cresceram ainda mais e, com 14 milhões de espectadores, a final da sexta temporada se consolidou, de longe, como a maior audiência televisiva de 2015.

Foram mais de 15 milhões de espectadores nos dados consolidados. Para se ter uma ideia do tamanho do fenômeno, The X Factor só atingiu esse número duas vezes, nas finais de 2009 e 2010.

Mas, como já disse, Bake Off é o oposto do dramatico reality de canto de Simon Cowell na ITV e ele virou um fenômeno tão gigantesco graças a sua leveza. A competição ocorre numa grande tenda aconchegante no meio de um campo inglês e todos os participantes são confeiteiros não profissionais. A relação entre todo mundo é boa, o programa tem poucos momentos de tensão, a paz reina, não existe jurados malvados. O resultado é um programa bastante positivo e agradável que claramente caiu no gosto do público (e os deliciosos doces com certeza não atrapalham).

Esse ano, a final foi particularmente comentada. Num programa que exalta o Reino Unido e a cultura britânica, dois dos três finalistas eram filhos de imigrantes e a grande vencedora foi Nadiya, uma muçulmana cujos pais migraram de Bangladesh. A final foi vista como uma grande celebração da diversidade no país e ressoou particularmente forte por ter sido exibido um dia depois de Theresa May, a Ministra de Interior, fazer um discurso anti-imigração altamente criticado.

O formato já foi vendido para 17 países, incluindo o Brasil, onde ele atualmente é exibido no SBT e no Discovery Home & Health com o nome Bake Off Brasil.

Causando na Argentina: um aterrorizante Clan domina as bilheterias do país

  • Na Argentina, o filme El Clan está batendo todos os recordes alcançados por Relatos Selvagens ao longo do ano passado. Enquanto o filme de Damian Szifrón — a maior bilheteria de um filme local na história do país, com mais de 3.4 milhões de ingressos vendidos — demorou 11 dias para superar a barreira de 1 milhão de espectadores, El Clan chegou a marca em apenas nove. A estréia do filme superou em mais de 10% o primeiro final de semana de Relatos Selvagens e levou 505 mil espectadores ao cinema (53% de todo o público naquele final de semana).
  • O filme de Pablo Trapero conta a história real do clan Puccio, um caso que fascinou e aterrorizou a Argentina em meados dos anos 80. Os Puccio pareciam uma típica família de classe alta do idílico e afluente bairro de San Isidro, na Grande Buenos Aires. Mas, por detrás da faixada de família perfeita, escondia-se um grupo de criminosos que, entre 1982 e 1985, sequestrou quatro pessoas e, apesar de ter recolhido os resgates, matou três das vítimas. A aterrorizante história é um dos casos policiais mais assustadoramente celebres do país vizinho e, trinta anos depois, segue gerando repercussão.
  • Guillermo Francella, que interpreta Arquimedes Puccio, patriarca da família e a mente por detrás dos crimes, foi vital para transformar El Clan num dos filmes mais esperados do ano. Francella é um dos maiores nomes na Argentina, um sucesso tanto na TV quanto no cinema. Apesar de ser mais fortemente associado a comédia, o ator tinha surpreendido com seus dotes dramáticos em El Secreto de tus Ojos, filme de 2009 que levou o Oscar de Melhor Filmes Estrangeiro e que, até ser superado por Relatos no ano passado, detinha o recorde de maior bilheteria de um filme local. Para El Clan, Francella passou por uma extrema transformação e, através de maquiagem pesada e próteses, sua fisionomia foi drasticamente alterada para transformá-lo num sósia do famoso sequestrador. O resultado foi tão assombrosamente perfeito que, meses antes da estréia, o longa já era assunto por todo o país e o trailer já tinha acumulado milhões de visualizações.
  • Além de Francella, o filme tem Peter Lanzani, um ex-teen idol e protagonista de novelas adolescentes, no papel de Alex Puccio, o filho mais velho que, além de sequestrador e assassino, era um exímio jogador de rugby (um esporte muito popular entre a classe alta portenha).
  • Assim como Relatos Selvagens, o longa foi co-produzido por Pedro Almodovar e pela Telefe, uma das maiores emissoras do país, o que garantiu uma promoção intensa (o canal também esteve por detrás de O Segredo de seus Olhos). A direção é de Pablo Traperos, que, apesar de bastante aclame (Carancho, seu filme de 2010, foi indicado ao Oscar de Filme Estrangeiro), nunca tinha dirigido um blockbuster. Seu último filme, Elefante Blanco, lançado em 2012 e estrelando Ricardo Darín, alcançou 800 mil ingressos vendidos, um resultado bastante digno para um filme local mas que El Clán superou em pouco mais de uma semana.

  • A Telefe, a emissora por detrás do filme, quer lucrar ao máximo com o revivido interesse na história. Por isso, além do filme, o canal também exibirá uma mini-série de 13 episódios, Historias de un Clán. A estréia está prevista para esse mês e o elenco conta com a prestigiosa atriz Cecilia Roth no papel da matriarca, Epifania, e El Chino Darin, filho de Ricardo, no papel de Alex, o filho mais velho. Arquimedes será interpretado por Alejandro Awada.
  • A mini-série, produzida pela Underground, uma das produtoras de confiança da Telefe, estréia com o objetivo de levantar a audiência da emissora que, no momento, está levando uma surra do Canal 13 que domina o horário nobre com o fenômeno turco Las Mil y una Noches.

VMAs 2015: o aftermath

As minhas expectativas estavam baixas mas não tem como negar que o MTV Video Music Awards, exibido no domingo, cumpriu sua função: dar o que falar. E, claro, alguns personagens — figurinhas carimbadas do mundo pop — foram vitais para fazer isso acontecer.

Miley Cyrus

Quando a MTV escolheu Miley, uma das maiores e mais polêmicas estrelas da sua geração, para apresentar a cerimônia, o objetivo era claro: causar. Mas, na hora H, Cyrus estava nervosa e até contida (para os seus padrões). Claro que, essa leve acanhamento não impediu com que ela se transformasse em trending topic em todas as redes sociais; manchete em todos os sites de celebridade e tema de centenas de think pieces.

Os destaques do hosting stint de Miley foram suas dezenas de trocas de roupa, cada uma mais bizarra e reveladora que a outra (que é como a gente gosta, né?); o fato dela ter pago peitinho (só eu fiquei chocado que demorou até o penúltimo bloco para isso acontecer?) e, claro, o grand finale em que ela cantou uma música sobre como ela amava maconha e paz enquanto circundada por dezenas de drag queens (todas do RuPaul’s Drag Race) dançando efusivamente.

A surpresa final foi o anuncio de que a música era parte do novo CD dela, feito em colaboração com Wayne Coyne (dos Flaming Lips), que foi imediatamente disponibilizado na internet (de maneira gratuita pois Miley é #anarquista). O álbum, alias, se chama Miley Cyrus & her Dead Petz, uma homenagem bastante excêntrica a Floyd, seu cachorro husky que morreu no começo do ano passado.

Nicki Minaj

Mais de um mês antes da premiação, o fato de Anaconda não ter sido indicado a categoria principal, Melhor Vídeo, fez com que Minaj soltasse o verbo no Twitter e se envolvesse numa briga com Taylor Swift. Como agradecimento pela free publicity, a MTV deu a ela o opening slot e, além de cantar Trini Dem Girls, Minaj surpreendeu todo mundo (sqn) ao chamar Swift para dividir o palco com ela. Junto com Minaj, Taylor cantou The Night Is Still Young antes de encerrar com o refrão do seu girl fight anthem Bad Blood (num playback descarado).

(Veja a apresentação de Nicki aqui)

Mas o grande momento de Minaj foi, sem duvida nenhuma, quando ela ganhou o Prêmio  de Melhor Vídeo de Hip-Hop e encerrou seu discurso dando uma forte cutucada em Miley que, alguns dias antes, tinha falado mal da rapper para o New York Times. Muito se debateu na internet se a cena foi planejada ou não mas, no final das contas, o momento te pego lá fora de Minaj foi considerado por muitos como o ponto alto da premiação (e a suposta reação de Miley, que não foi ao ar na TV, viralizou na web. A reação real foi um pouco menos over the top).

Taylor Swift

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No mundo moderno, a população global está dividida em dois grupos: aqueles que amam Taylor, acham suas dançinhas em award shows uma graça; adoram que ela ama e é grande fã de todo mundo e sonham em formar parte do seu grupo de amigas (formado por atrizes e modelos lindas e em ascenção. Mas nenhuma tão famosa quanto ela, óbvio) e os que acham ela uma falsa insuportável e que não aguentam nada disso. A premiação de domingo proporcionou muitos momentos para deixar as emoções dos dois grupos a flor da pele.

Swift chegou acompanhada de grande parte do seu squad de amigas e co-estrelas do vídeo de Bad Blood (Selena Gomez; as atrizes Hailee Steinsfeld, Mariska Hargitay e Serayah; as top models Karlie Kloss, Gigi Hadid, Cara DeLavigne, Martha Hunt e Lily Aldrige). Apesar de muitas das garotas terem carreiras bastante badaladas, nenhuma delas parecia estar incomodada de estar lá apenas como um step para Taylor já que nenhuma tinha uma verdadeira função ao longo da premiação. Se isso é amizade verdadeira ou uma oportunidade de auto-promoção fica a critério de cada um.

No pré-show, Swift estreou seu novo vídeo, Wildest Dreams. Na cerimônia principal, ela foi convidada surpresa de Nicki Minaj; dançou na platéia animadamente ao som de todo mundo e apresentou a homenagem a Kanye, colocando um ponto final no conflito público entre os dois que começou a seis anos atrás, no mesmíssimo VMA. E, claro, ela ganhou todas as categorias, incluindo o prêmio principal, Vídeo do Ano. Ela subiu para agradecer o prêmio com toda sua trupe de bffs (que, como boas amigas, ficaram caladinhas atrás dela enquanto ela agradecia efusivamente aos fãs, ao diretor, as migas e a Kendrick Lamar).

Kanye West

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Kanye é outro celebre personagem dos VMAs, tendo não só contribuído com apresentações memoráveis como também com um dos momentos mais infames da história da premiação. Tudo isso, somado ao fato de que ele é um dos rappers mais influentes da história, faz com que a homenagem que ele recebeu pareça bastante lógica (como o próprio Kanye provavelmente diria, MTV, você não fez nada além da sua obrigação). O prêmio, claro, foi apresentado por Swift, que se declarou uma gigantesca fã e colocou, publicamente, um ponto final em qualquer tipo de ressentimento que poderia existir entre os dois.

In true Taylor fashion, ela fez o discurso de apresentação girar totalmente em torno dela e não dele. E in true Kanye fashion, ele subiu ao palco, ouviu — em total silêncio — o público o aplaudir efusivamente por dois minutos, antes de lançar-se numa diatribe de dez minutos no qual ele admitiu fumar unzinho para se acalmar e debateu sobre fama, artistry e a importância de ser true to yourself. Teve quem achou inspirador; teve quem achou egomaniaco; teve quem achou divertido; teve quem achou boring; teve quem achou todas as opções acima (eu). O discurso culminou com ele anunciado sua pré-candidatura as eleições presidenciais de 2020. O público, claro, foi a loucura.

Justin Bieber

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Bieber tirou uns anos de folga da música para se dedicar a arte de fazer com que todo mundo no universo o odiasse. Mas parece que ele cansou dessa vida e quer voltar a sua carreira original de popstar. E que lugar melhor para um comeback do que o palco do VMA, né?

Biebs já chegou causando com seu novo penteado. Mais tarde, ele apresentou, pela primeira vez, o seu novo single, What Do You Mean, primeira música solo que ele lança em três anos. A apresentação foi bem feita e ajudou a catapultar a música para o primeiro lugar do iTunes e do Spotify. Mas o momento mais bizarro foi quando ele se ajoelhou no chão e começou a chorar.

OK Biebs, a mensagem de que você sente muito e que devemos voltar a te amar e comprar seus produtos ficou bem clara. Teria sido melhor se alguma lagrima de fato tivesse caído mas tudo bem, o que vale é a intenção…

Tori Kelly

No post anterior, eu disse que Tori Kelly era uma Zé Ninguém (não menti) e que ela só conseguiu um espaço para se apresentar porque ela tem uma equipe fantástica e poderosa por detrás, porque hit que é bom ela não tem (#sóverdades). Mas, justiça seja feita, a apresentação dela foi um dos pontos altos da noite. Ela fez aquela tipica performance sem muita produção e que foca na potencial vocal e o truque parece ter colado pois ela não só foi aplaudida de pé como o single que ela estava promovendo, Should’ve Been Us, foi catapultado para o top 10 do iTunes. Ao que tudo indica, a performance foi o empurrãozinho que ela precisava para finalmente alcançar o top 50 da Billboard. Well done, Tori!

No mais….

No mais, dados prévios de audiência indicam que a premiação foi vista por 9.8 milhões de espectadores. Foi uma queda de 500 mil espectadores em relação ao ano passado mas foi uma diminuição pequena se comparado ao mais de 1 milhão que a cerimônia perdeu entre 2013 e 2014. Por outro lado, os VMAs desse ano foram o programa de TV não-esportivo que mais gerou tweets na história e também foi a premiação mais vista do ano entre espectadores de 12 a 34 anos, o público principal da MTV.

No momento, canções que tiveram apresentações no VMA ocupam seis posições dentre as dez músicas mais compradas no iTunes estado-unidense. What Do You Mean? de Justin Bieber encabeça a lista, desbancando Can’t Feel My Face de The Weeknd que ocupou a primeira posição ao longo de todo o mês de agosto. Outra música do rapper, The Hills, que não foi promovida nos VMAs, ocupa a terceira posição. O lançamento do vídeo de Wildest Dreams catapultou a música a quarta posição, mostrando o poder impressionante de Swift (a essa altura, o álbum, 1989, já vendeu mais de 5 milhões de unidades nos EUA). O novo single de Macklemore & Ryan Lewis, Downtown, estréia na sexta posição enquanto a apresentação de Tori Kelly fez com que ela penetrasse o top 10, com Should’ve Been Us ocupando a sétima posição. A apresentação de Demi Lovato também catapultou Cool for the Summer de volta para o top 10 e o single está no momento no oitavo lugar.