Causando en español: si necesita el reggaeton, dale!

A dominação atual

O reggaeton é soberano nos países de língua hispana. Esteja na Cidade do México ou em Buenos Aires, nada causa tanta comoção na pista quanto um sucesso do gênero. Em Madrid, Barcelona ou Miami idem. E, apesar de o ritmo gozar de popularidade faz mais de uma década, o monopólio crescente do estilo nas paradas — e no gosto — do público latino  impressiona.

O top 50 do Spotify nos quatro principais países hispano-hablantes ajudam a ilustrar a dominação: no México, são 14 músicas em espanhol dentre as mais ouvidas, das quais 10 pertencem ao gênero. Na Argentina, o takeover é ainda mais evidente: são 26 músicas em castelhano no ranking, das quais apenas seis são de outros estilo. E isso não se limita as Américas: os números são similares tanto no Chile (20 em 24 músicas na língua patria) quanto na Espanha (18 em 21).

Com 50 milhões de hispano hablantes, o fenômeno também se manifesta nos EUA. A última vez que o primeiro lugar do Hot 100 Latin da Billboard foi ocupada por algo além de reggaeton faz mais de 1 ano, na semana de 14 de março de 2015.

O monopólio do reggaeton nos países que falam espanhol é similar ao que acontece com o sertanejo no Brasil que, nos últimos anos, tem ofuscado qualquer outro tipo de música. Até os números do Spotify são similares: dentre as 50 mais ouvidas do Brasil, 18 das 22 canções em português são do gênero.

Assim como o sertanejo, o reggaeton é assumidamente popular. Mas ele guarda também bastante semelhanças com o funk: um estilo do gueto que muita gente torce o nariz mas que, na pista de dança, ninguém resiste.

O primeiro boom

Comparações aparte,  a explosão do reggaeton é relativamente recente. O gênero surgiu no Panamá, na década de 1980, antes de chegar em Nova Iorque e, finalmente, em Puerto Rico. Foi na colônia estado-unidense onde o estilo começou a se massificar, com o gigantesco sucesso de Don Omar. A explosão internacional de Gasolina de Daddy Yankee, em 2004, confirmou o reggaeton como um dos principais pilares da música latina.

Enquanto o sucesso de Omar ficou mais restringido ao mercado latino (pelo menos até 2010, com Danza Kuduro),  Gasolina transcendeu barreiras linguísticas e atingiu o top 10 geral da Billboard assim como as paradas europeias e até japonesa. O álbum que continha a música, Barrio Fino, vendeu 1.7 milhão de unidades nos EUA, o maior vendedor latino da década. E Yankee se transformou numa lenda e no rei do reggaeton.

Nenhum dos singles subsequentes teve o alcance internacional de Gasolina, mas o porto-riquenho se transformou num staple na cena latina e suas músicas fazem sucesso até hoje. O triunfo dele também ajudou dezenas de outros grandes nomes do reggaeton — todos de origem porto-riquenha — a emergirem.

A música desses artistas fez a América toda dançar mas a falta de sangue novo no gênero acabou causando uma saturação e Pitbull, com suas produções mais urban top 40, grande partes dela em inglês, se apossou do nicho festeiro no final da década.

Mas Yankee, Wisin, Yandel e demais artistas nunca pararam de produzir hits e se mantiveram consistentes no cenário latino (que, aliás, é bem fiel). Na Espanha, o DJ catalão Juan Magan — o rei do electrolatino — junto a outras dezenas de artistas provenientes das Américas também ajudaram a fazer do ritmo algo completamente inescapável. Mesmo ofuscado, o estilo foi uma presença constante, ajudando a abrir caminho para o atual monopólio.

De San Juan a Medellin

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J. Balvin

Enquanto Puerto Rico foi quem deu o ponta pé inicial no fenômeno, foi a Colômbia, especificamente a cidade de Medellín, que elevou o estilo ao seu atual patamar e deu uma nova roupagem ao gênero. O primeiro megastar proveniente dessa nova fase foi J. Balvin.

A hypada publicação americana Fader, que dedicou uma capa ao megastar latino, fez uma boa descrição da diferença entre o colombiano e os anteriores ícones do gênero:

“O reggaeton de Balvin é mais sutil, mais relaxado e mais em linha com o que está acontecendo na cena pop e hip-hop atual. Enquanto Daddy Yankee parecia estar gritando em suas músicas, Balvin canta com uma pronunciação mais suave”, descreve a revista.

“Ao invés de enormes óculos aviadores e bonés largos, Balvin opta por um chapéu de cowboy de abas largas e streetwear direto da passarela de designers badalados como Guillermo Andrade”.

Assim como Kanye e Drake ajudaram a reinventar a cena do rap, Balvin — com seu swagger e estilo — marcou um novo começo na cena do reggaeton. Em 2011, ele começou a emplacar sucessos na Colômbia. Em 2012, Yo Te La Dije e Tranquila estouraram nos EUA, nas Américas e na Espanha. E, em 2013, ele obteve seu primeiro mega blockbuster hit com 6 AM. Seu primeiro álbum, La Familia, foi um grande sucesso e, provando que tinha chegado de verdade,  emplacou logo em seguida outro inescapável hit, Ay, Vamos.

O estilo único de Balvin está diretamente ligado a sua história de vida: nascido numa família de classe alta em Medellín, ele cresceu apaixonado por grunge e Nirvana. Depois,  descobriu Daddy Yankee, sua maior inspiração. Sua família foi a falência e Balvin começou a transitar entre dois mundos, estudando numa escola de elite e vivendo num bairro próximo do gueto. Num intercâmbio para os EUA, ficou fascinado pelo universo do rap e hip-hop e todo o business bilionário em torno do gênero. Voltou para sua cidade natal disposto a fazer do reggaeton um negócio similarmente lucrativo. E, claro, o resto é história.

Balvin aponta Yankee como a figura responsável por fazê-lo se apaixonar pelo reggaeton. O porto-riquenho também tem influência direta em outro dos principais nomes ligados a cena de Medellín, Nicky Jam.

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Nicky Jam

Jam nasceu em Massachusetts mas foi criado em San Juan, Puerto Rico. Seu talento chamou atenção de Daddy Yankee, que o apoiou e o treinou em seus primeiros anos, além de ter colaborado com ele em várias músicas. Não demorou para começar a obter sucesso mas as drogas e uma briga com seu mentor (que estava prestes a estourar com Gasolina) deram fim prematuro a sua carreira, interrompida em 2005.

Com a autoconfiança abalada, Nicky Jam se mudou para Medellín. A cidade era louca por reggaeton mas, antes de Balvin explodir, poucos imaginavam que alguém de lá poderia se tornar um grande astro do gênero. A chegada do porto-riquenho na cidade — com seu sucesso prévio e sua antiga associação com Yankee — causou burburinho e não demorou para as portas começarem a se abrir uma atrás da outra.

A forte cultura musical colombiana (cujo gênero local principal é o vallenato) influenciou Jam a dar mais melodia e romantismo a suas produções. E, depois de anos se preparando, ele finalmente estava pronto para oficialmente retornar. Foi um sucesso de imediato. Em 2014, a repercussão arrebatadora do single Travesuras o colocou na primeira linha. Apesar de ter nascido nos EUA e ter sido criado em San Juan, o sucesso dele era made in Colombia.

Em paralelo a Jam e Balvin, outra cria de Medellín começava a deixar sua marca. Enquanto Travesuras estourava, Maluma, então com 20 anos, conquistava a Colômbia com seu rostinho bonito e se estabelecia como o maior teen idol do país. O sucesso da sua música La Temperatura abriu as portas dos EUA, assim como de outros mercados latinos e da Espanha e deixava claro que ele também não estava para brincadeira. Com a ajuda das redes sociais, o garoto se estabelecia como uma das estrelas mais rentáveis da América Latina.

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Maluma

2015: o ano em que reggaeton virou a norma

Se Travesuras tinha dado nova vida a carreira de Nicky Jam, o porto-riquenho — agora baseado em Medellín — não imaginava o que estava por vir em 2015: seu single subsequente se transformaria num dos maiores sucessos em espanhol da história recente.

El Perdón, que contava com a participação de Enrique Iglesias, inquestionavelmente um dos maiores astros da música latina, passou 1 ano inteiro no topo de absolutamente todos os países de língua hispana (e 30 semanas no topo do Hot 100 Latin dos EUA), acumulou mais de 1 bilhão de views no YouTube e se transformou na música em espanhol mais streamed do Spotify (335mi), transcendendo barreiras e atingindo o top 10 de mercados não latinos como Alemanha, França, Suécia e Holanda. A música cristalizou a posição de Jam dentre os maiores nomes da música latina. O single também significou um renascimento de Enrique Iglesias.

A transição de Iglesias para o reggaeton foi um momento divisor de águas: era um sinal de que o gênero deixava de ser apenas mais um estilo popular para se transformar no estilo principal.

Iglesias é, desde meados dos anos 90, um dos maiores nomes da música em espanhol. Assim como seu pai, Julio, seu repertório era formado por baladas românticas e, logo de cara, ele virou um dos maiores astros da América Latina, com hits como Experiencia Religiosa e Nunca Te Olvidaré antes de crossover para o mercado anglo-saxão com giga hits como Hero e Escape.

Em 2007, Iglesias voltou as paradas com uma série de sucessos em inglês como I Like It e Tonight (I’m Fucking You), quase todos com participação de Pitbull. Para o mercado latino, contudo, ele seguiu apostando em um som mais romântico, obtendo grandes sucessos como Cuando Me Enamoro, uma colaboração com Juan Luis Guerra que ficou 14 semanas em primeiro lugar, assim como duetos com grandes ícones da música romântica como Romeo Santos (Loco) e Marco Antonio Solis (El Perdedor).

Mas, em 2014, o artista espanhol resolveu apostar por algo mais dançante. O resultado foi Bailando, uma colaboração com o grupo Gente de Zona e o artista Descemar Santos, ambos cubanos, que mesclava pop, flamenco e um pouco de reggaeton. Foi um sucesso sem precedentes na carreira do artista, superando todos os seus sucessos anteriores (e isso não era tarefa fácil para alguém que, naquela altura, já tinha passado 104 semanas no topo da parada Latina da Billboard).

Foram 41 semanas ininterruptas no topo da Billboard Latin Tracks, um recorde histórico. Nos EUA, a canção vendeu 3 milhões de unidades. Na Espanha e na América Latina, a música tocou — sem parar — por 1 ano inteiro. O clipe acumulou mais de 1.6 bilhão de visualizações no YouTube, se tornando o vídeo em espanhol mais visto na plataforma (e o nono mais visto no total).

Repetir esse sucesso não seria fácil. Mas daí Iglesias viu um trecho de El Perdón, que Jam estava previewing no Instagram; pediu para participar e o resto é história. A canção fez o impossível e igualou o sucesso histórico da antecessora, dando para Enrique mais um ano ininterrupto no topo das paradas de todos os países hispano e além (a música foi um enorme sucesso em quase toda Europa continental).

O fenômeno da colaboração com Nicky Jam fez com que Enrique finalmente assumisse seu novo papel de reggaetonero. Duele El Corazón, seu follow-up, uma colaboração com Yandel, provavelmente encerrará o ano como o maior hit em espanhol de 2016 (para choque de ninguém).

O cenário atual

Basta ver a diferença de orçamento entre os clipe clipes de reggaeton de 2014 para o presente para ver que muita coisa mudou, graças a rentabilidade dos principais nomes do gênero.

Enquanto Iglesias se acomodava no gênero e Nicky Jam ascendia, J. Balvin seguia imparável. Depois do sucesso de 6 AM e Ay, Vamos!, Balvin lançou, em julho, o que se tornaria seu maior hit até então: Ginza. A música foi catapultada quase de imediato para o topo de todos os países que falam espanhol (e substituiu El Perdón na Hot 100 Latin, onde ocupou o primeiro lugar por 20 semanas)  e é a segunda canção em espanhol mais ouvida da história do Spotify. No YouTube, são mais de 700 milhões de visualizações.

Balvin atingiu um milestone importante quando foi selecionado para fazer parte do jurado do The Voice mexicano. O programa frequentemente atraí nomes gigantes para seu painel, como Alejandro Sanz e Laura Pausini. Sendo assim, a adição de Balvin foi um huge deal e um testamento de sua força no mercado (de quebra, a candidata dele ainda ganhou a edição), consolidando-o como um household name no México, inquestionavelmente o principal mercado hispano-americano (que tem influência direta no que faz sucesso no lucrativo mercado latino dos EUA). Por lá, ele tem tem um contrato milionário com a Pepsi e aparece nas embalagens do refrigerante.

Mais importante, segue como um hitmaker impressionante. Otra Vez, sua colaboração com o duo porto-riquenho Zion & Lennox, é atualmente o reggaeton mais badalado na América Latina, no top 5 do Spotify do México, Espanha e Argentina (e disparado em primeiro no Chile e na Colômbia). Seu atual single solo, Safari, acumulou 30 milhões de visualizações no YouTube em uma semana (depois de duas semanas de exclusividade na Apple Music). E o anterior, Bobo, quebrou recorde de views e streams nas principais plataformas.

Assim como Balvin, Nicky Jam também tem o toque de Midas:  depois de 20 semanas ininterruptas em primeiro lugar no Hot Latin Tracks, Ginza foi substituído no topo da Billboard pelo primeiro single pós-El Perdón do porto-riquenho, Hasta El Amanecer. A canção encabeçou a lista por 14 semanas  e quebrou recordes no YouTube  e no Spotify (sendo o single em espanhol de maior sucesso de 2016 em ambas as plataformas). Sua colaboração com Cosculluela, Te Busco, também está impressionando: apesar de nem sequer ter um clipe ou um lyric video oficial, a canção já tem mais de 300 milhões de views no YouTube e está prestes a penetrar o seleto grupo de músicas em espanhol no Spotify que superaram 100 milhões de streams (apenas 12 canções no idioma atingiram a marca, das quais três são de Jam).

Nada mais natural que tanto o colombiano quanto o porto-riquenho estejam em altíssima demanda. O primeiro colaborou com Pharrell Williams (que cantou em espanhol para a canção Safari) e Justin Bieber (sendo responsável por adicionar alguns versos na versão para o mercado hispânico do giga hit Sorry). O segundo foi acionado por Maná, inquestionavelmente o maior grupo de rock latino , para fazer um remake reggaeton de De Pies a Cabeza, um sucesso de 1992, e também por Sia, que o incluiu na versão latina de Cheap Thrills.

Mas a disputa pelo topo não foi só entre Balvin, Jam e Enrique. O já mencionado Maluma está se provando um fenômeno igualmente potente e, possivelmente, o nome mais rentável de todos. Com seu rosto de proporções perfeitas e seu estilo fashion, o autodenominado Pretty Boy, Dirty Boy emplacou seu primeiro gigantesco hit, Borro Cassette, no começo desse ano. A música atingiu o topo em todos os principais mercados — México, Argentina, Chile, Espanha — e o terceiro lugar nos EUA.

O poder dele ficou claro quando os ingressos de sua turnê foram disponibilizadas. Ele esgotou 5 noites no Luna Park de Buenos Aires em tempo recorde e sua turnê mexicana, incluindo duas noites no lendário Auditorio Nacional da Cidade do México, também estava toda vendida com meses de antecedência. Enquanto Balvin assinou com a Pepsi, Maluma é garoto propaganda da Coca Cola. Nas redes sociais, seus números já superam os de quase todas os outros mega astros latinos. Seus singles são imediatamente adicionados na alta rotação das rádios latinas, além de penetrarem as paradas do Spotify com enorme rapidez.

Seu calibre é tamanho que sua estreia no Brasil foi digna de estrela internacional de primeiro escalão, aparecendo com equal-billing em Sim Ou Não, primeiro single do novo álbum de Anitta, a maior estrela pop do país (Ginza de J. Balvin também fez sucesso aqui graças a uma versão com a participação dela).

Anitta está longe de ser a estrela mais high profile com a qual o colombiano colaborou. Ele aproveitou uma passagem relâmpago por Barcelona para gravar com uma conterrânea que é, inquestionavelmente, a maior estrela da América Latina, Shakira.  Ele também está no próximo single de outro dos principais astros da região, Ricky Martin. E Desde Esa Noche, sua colaboração com Thalia, está bombando.

A velha guarda

Apesar do enorme sucesso da nova geração, Daddy Yankee segue o rei. Já se passaram 12 anos desde seu primeiro giga hit, Gasolina, mas ele segue no topo das paradas. Shaky Shaky, seu atual single, é, junto com Otra Vez, o maior hit reggaeton do o momento. Atualmente, a canção está em primeiro no Spotify da Argentina e no top 10 de todos os demais mercados. O vídeo da canção é a música em espanhol mais popular do YouTube das últimas semanas (quarto vídeo mais visto no total)

Enquanto o som de Yankee é bem batidão, seu arquirrival, Don Omar, é conhecido por seguir uma linha bem mais romântica. Atualmente, se dedica a atuação, fazendo parte da mega franquia Velozes & Furiosos (que fez de Danza Kuduro música tema de seu quinto filme, transformando a canção num mega hit no mundo inteiro).

Apesar de sempre terem posado para mídia como “inimigos”, Yankee e Omar tem, na realidade, uma relação profissional amigável. Esse ano, até fizeram uma turnê em conjunto, The Kingdom, que esgotou as principais arenas dos EUA, incluindo o Madison Square Garden de Nova Iorque, o Staples Center de Los Angeles e a American Airline Arena de Miami.Além dos dois, outra dupla monopolizou o gênero nos idos dos anos 2000: Wisin & Yandel. Depois de gravar dezenas de sucessos em conjunto, ambos seguiram em carreira solo. Wisin obteve um hit inescapável em 2014, Adrenalina, com a ajuda de J.Lo e Ricky Martin enquanto Yendel fez bonito junto a Daddy Yankee com Moviendo Caderas. Depois, Wisin se juntou a estrela colombiana do pop vallenato, Carlos Vives, no sucesso Notas de Amor e Yandel, sozinho, obteve grande sucesso com Encantadora.

Hit instantâneo

O mercado latino é extremamente fiel. Shakira é capaz de produzir um hit instantâneo no continente hoje em dia quase tão facilmente quanto em 2003. Ricky Martin, Marc Anthony, Chayanne, Maná e Alejandro Sanz seguem enchendo os maiores estádios. Uma vez que o público latino te aceita entre os grandes, ele não vai te abandonar tão facilmente. Mas fidelidade e consistência não significa que eles não são ofuscados pelas novas sensações jovens. Por isso, um remédio foi encontrado: se associar com as tais sensações.

Seguindo o exemplo de Iglesias, todos os principais  nomes da música em espanhol estão se rendendo ao reggaeton.

Lançado em 2015, La Mordidita, de Ricky Martin, foi o maior hit do porto-riquenho na década. O próximo single dele, que será lançado essa sexta, será uma colaboração com Maluma. O lendário cantor colombiano Carlos Vives também frequentemente colabora com o pretty boy colombiano (o fato de dividirem um empresário provavelmente ajuda) e obteve um grande sucesso com Notas de Amor, junto a Wisin e Daddy Yankee. Marc Anthony emprestou seus vocais para La Gozadera, o giga hit do Gente de Zorra que homenageia a América Latina (e, ironicamente, foi o segundo maior hit de 2015 não no continente, mas sim na Espanha, atrás apenas de El Perdón). Com Desde Essa Noche, também colaboração com o fenômeno Maluma, Thalía atingiu o topo na Argentina e o top 10 na Espanha pela primeira vez em mais de uma década.

Outra técnica utilizada para maximizar o impacto das canções no mercado latino: regravá-las em estilo reggaeton.

Carlos Baute, popular cantor de origem venezuelana, tem obtido grande sucesso com Amor y Dolor refeito pelo duo porto-riquenho Alex & Fido. A banda romântica mexicana Reik fez sucesso com Ya Me Enteré mas o urban remix, refeito por Nicky Jam, é o que está penetrando o top 10 do Spotify em países onde a versão original não chegou sequer ao top 50 (como Argentina, Chile e Espanha). Como já mencionei antes, até o Maná, não exatamente conhecidos por serem inovadores, se rendeu, relançando uma versão do seu hit de 1992, De Pies à Cabeza com Jam. Vários dos maiores hits internacionais do ano (Cheap Thrill; Sorry; Cold Water) também adicionaram os principais nomes do gênero (Balvin, Jam, Don Omar) em remixes lançados especialmente para o mercado hispânico.

Dos países hispânicos para o mundo

O mais óbvio próximo passo é fazer com que o gênero conquiste de vez o resto do mundo.

Isso inclui, claro, os dois principais mercados de todos, notoriamente resistentes a músicas estrangeiras: os EUA e o Reino Unido (Gasolina e Danza Kuduro foram as únicas duas músicas a atingirem o mainstream nesses dois países).

No Brasil, Anitta, inquestionavelmente o maior nome pop do país, serve como uma embaixadora não oficial do gênero. Com a ajuda dela, Ginza, de J Balvin, obteve sucesso por aqui e Maluma está sendo introduzido em grande estilo pela diva pop . Fica a dúvida se o reggaeton, que já conquistou todo o resto do continente, conseguirá levantar voo em nosso mercado.
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Alguns acreditam que gravar em inglês pode agilizar a conquista do mundo anglo. Nicky Jam, que nasceu nos EUA e Enrique, um ato global, costumam gravar versões em inglês dos seus maiores hits. Apesar de o idioma ter mais alcance, nenhum desses remakes ganhou tração.

Já Balvin declarou que não pretende se render. A aposta dele é que o mundo English-speaking que se entregará ao espanhol (como Pharrell Williams faz no atual single do colombiano ou Drake fez em Odio, do astro da bachata Romeo Santos).

Seja como for, a verdade é que os ventos sopram a favor do reggaeton: os dois maiores sucessos de 2016 foram One Dance de Drake e Work da Rihanna, ambas músicas que, assim como o estilo sensação latino, têm enorme influência jamaicana e caribenha. Repetição e batidas familiares são a porta para o sucesso. Logo, essa onda tropical abre precedentes para músicas com estilo similar — como reggaeton – acontecerem nas rádios e nas paradas mundo afora.

Será que é só questão de tempo até as paradas globais refletirem as da Espanha e da Argentina?

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Causando nas Paradas: Dominação escandinava

O sueco Max Martin é, sem duvida nenhuma, o produtor mais influente e poderoso da música popular moderna, tendo sido responsável tanto pelos hits definidores de Britney Spears e dos Backstreet Boys no fim dos anos 90 quanto pelos sucessos inescapáveis contemporâneos de Taylor Swift, Katy Perry, The Weeknd, Maroon 5 e inúmeros outros. Por sua vez, grande parte do repertório estourado de Rihanna veio dos estúdios dos noruegueses do Stargate.

Baseado apenas nesses dois, já dá para comprovar que a mágica escandinava é elemento essencial no sucesso de 99% dos nomes mais estourados da música pop global. Recentemente, porém, a Escandinávia parece ter cansado de ficar apenas nos bastidores e está começando a invadir o palco principal.

Estrelas provenientes da região estão dominando as paradas dos mercados mais influentes do mundo e, cada vez mais, os charts da Noruega, Dinamarca e, principalmente, da Suécia são indicativas de futuros sucessos internacionais.

A banda dinamarquesa Lukas Graham (capitaneada, coincidentemente, por Lukas Graham) é um grande sucesso na seu país de origem desde o seu debut, em 2012. Mas, no fim de 2015, a música 7 Years virou o primeiro chart-topper deles no país vizinho, Suécia. E, se a Suécia aprovou, grandes chances do resto do mundo também abraçar.

Voila. Essa semana, a música completa 1 mês no topo da parada de singles do Reino Unido, o mercado mais influente da Europa. O single também acaba de alcançar o primeiro lugar no iTunes dos EUA, obviamente o maior mercado fonográfico do universo.

Em dezembro de 2015, antes de 7 Years acontecer mundo afora, a canção já tinha sido desbancada na Escandinávia pelo DJ norueguês Alan Walker. Faded foi o primeiro lançamento de Walker, que tem apenas 18 anos (!!!!), e foi imediatamente para o primeiro lugar das paradas na Suécia, na Dinamarca e em sua Noruega natal.

Com o seu sucesso explosivo instantâneo, Walker demonstra seu potencial para se transformar numa mega estrela da EDM (electronic dance music) junto com outros nomes locais como Kygo (da Noruega), Avicii (o sueco é a maior estrela do gênero) e os aposentados da Swedish House Mafia que foram diretamente responsáveis por dar o gás necessário para transformar a música eletrônica em um dos gêneros mais lucrativos e populares da atualidade.

Depois de estourar na Escandinávia, o DJ começou 2016 alcançando o topo de todos os demais países europeus. Recentemente, chegou ao primeiro lugar na Alemanha, o terceiro maior mercado fonográfico ocidental, onde quebrou o recorde histórico de streaming, com 3.7 milhões de plays em plataformas como Spotify e Deezer em uma semana. No Reino Unido, a música ainda não chegou ao top 20 mas, essa semana, ela foi oficialmente inclusa na playlist da Radio 1, a estação de rádio mais influente do país.

Finalmente temos Zara Larsson. A loira, que parece ter nascido pronta para a fama pop, também tem apenas 18 anos e, através das redes sociais, mostra ser muito mais do que apenas um rostinho bonito, com seu feminismo e defesa de imigrantes e refugiados.

Na sua Suécia natal, ela já é popular faz bastante tempo, tendo sido revelada num programa de talento local e tendo atingido o topo da parada pela primeira vez com a balada Uncover, um gigantesco hit em 2013

Em junho de 2015, ela voltou para o primeiro lugar em seu país: a upbeat Lush Life foi um dos grandes hits de verão no país. Meses mais tarde, mais um mega-hit com Never Forget You, uma colaboração com o britânico MNEK. Ambas as canções também arrasaram por todo o resto da Europa e Lush Life inclusive chegou ao topo na Alemanha.

Agora, Larsson parece estar pronta para conquistar o mundo. No Reino Unido, a menina tem duas canções no top 5: Girls Like, sua colaboração com o rapper Tinnie Tempah e, algumas posições acima, seu megasucesso solo Lush Life. No fim do ano passado, Never Forget You passou semanas no top 10 e já vendeu mais de 600 mil unidades.

Agora, Zara está de olho no maior mercado de todos. Lush Life está sendo inclusa nas playlists das principais estações top 40 dos EUA, como a Z100 nova-iorquina e KIIS de Los Angeles. Enquanto a canção está escalando os charts, Never Forget You, seu hit dance com o MNEK, acaba de penetrar o top 10 do iTunes estado-unidenses. Além disso, ela foi nomeada o rosto de uma nova campanha de marketing da gigantesca de beleza Clinique. Nada mal.

Qual será o próximo mega hit? A dica é ficar de olho no chart da Suécia no Spotify.

Worth noting: o Spotify, responsável por mudar a maneira que as pessoas escutam música em todo o mundo (streaming já é até contabilizado nas principais paradas mundo afora), é outra criação sueca. No país, mais de 90% do consumo de música é feito através do aplicativo.

A plataforma, cuja sede fica em Estocolmo, é uma grande entusiasta de atos escandinavos. O  DJ sueco Aviccii, a maior e mais bem paga estrela da região atualmente, aponta o serviço de streaming como peça chave na sua explosão global. Atualmente, o Spotify promove com entusiasmo Zara Larsson, Lukas Graham e Alan Walker, os colocando em playlists proeminentemente (como a Today’s Top Hits, com mais de 7 milhões de seguidores) e dando destaque a eles em sua página inicial.

De Max Martin ao Spotify aos popstars que dominam as paradas da atualidade, parece que o Scandinavian musical takeover não vai parar tão cedo.

Causando no UK: o maior fenômeno da TV britânica

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Quando comecei esse blog, faz quase 6 anos (!!), o reality de canto The X Factor era o maior fenômeno da TV inglesa. Grandioso, kitshy, explosivo, cheio de tensão e drama, o programa era a grande obsessão nacional e monopolizava as conversas e as manchetes no país.

As coisas mudaram bastante desde então. The X Factor segue sendo um programa razoavelmente bem sucedido mas a audiência já despencou e, hoje em dia, a quantidade de espectadores é menos da metade do que ele conseguia em seu ápice. Existem boatos até de que ele corre o risco de ser cancelado e já faz quatro anos em que ele nem sequer é líder de audiência em seu horário, perdendo para o Strictly Come Dancing da BBC.

A queda de The X Factor coincidiu com a ascensão de um novo programa que é literalmente o oposto, o reality culinário The Great British Bake Off.

Um concurso de confeitaria que celebra o espírito e receitas britânicas, o reality  estreou em 2010 na BBC Two. Apresentado pelas bem-humoradas Sue Perkins e Mel Giedroyc e com Mery Berry, autora culinária, e o celebrity chef Paul Hollywood como jurados, ninguém tinha grandes expectativas em relação ao programa.

Mas o programa começou a crescer e crescer e crescer e, depois de quebrar recordes para a BBC Two, finalmente foi promovido para BBC One no ano passado.

No canal principal do Reino Unido, Bake Off se consolidou como programa mais visto do país. No ano passado, o reality perdeu apenas para as partidas da Inglaterra na Copa do Mundo na lista dos mais vistos de 2014. Esse ano, as audiências cresceram ainda mais e, com 14 milhões de espectadores, a final da sexta temporada se consolidou, de longe, como a maior audiência televisiva de 2015.

Foram mais de 15 milhões de espectadores nos dados consolidados. Para se ter uma ideia do tamanho do fenômeno, The X Factor só atingiu esse número duas vezes, nas finais de 2009 e 2010.

Mas, como já disse, Bake Off é o oposto do dramatico reality de canto de Simon Cowell na ITV e ele virou um fenômeno tão gigantesco graças a sua leveza. A competição ocorre numa grande tenda aconchegante no meio de um campo inglês e todos os participantes são confeiteiros não profissionais. A relação entre todo mundo é boa, o programa tem poucos momentos de tensão, a paz reina, não existe jurados malvados. O resultado é um programa bastante positivo e agradável que claramente caiu no gosto do público (e os deliciosos doces com certeza não atrapalham).

Esse ano, a final foi particularmente comentada. Num programa que exalta o Reino Unido e a cultura britânica, dois dos três finalistas eram filhos de imigrantes e a grande vencedora foi Nadiya, uma muçulmana cujos pais migraram de Bangladesh. A final foi vista como uma grande celebração da diversidade no país e ressoou particularmente forte por ter sido exibido um dia depois de Theresa May, a Ministra de Interior, fazer um discurso anti-imigração altamente criticado.

O formato já foi vendido para 17 países, incluindo o Brasil, onde ele atualmente é exibido no SBT e no Discovery Home & Health com o nome Bake Off Brasil.

Causando na Argentina: um aterrorizante Clan domina as bilheterias do país

  • Na Argentina, o filme El Clan está batendo todos os recordes alcançados por Relatos Selvagens ao longo do ano passado. Enquanto o filme de Damian Szifrón — a maior bilheteria de um filme local na história do país, com mais de 3.4 milhões de ingressos vendidos — demorou 11 dias para superar a barreira de 1 milhão de espectadores, El Clan chegou a marca em apenas nove. A estréia do filme superou em mais de 10% o primeiro final de semana de Relatos Selvagens e levou 505 mil espectadores ao cinema (53% de todo o público naquele final de semana).
  • O filme de Pablo Trapero conta a história real do clan Puccio, um caso que fascinou e aterrorizou a Argentina em meados dos anos 80. Os Puccio pareciam uma típica família de classe alta do idílico e afluente bairro de San Isidro, na Grande Buenos Aires. Mas, por detrás da faixada de família perfeita, escondia-se um grupo de criminosos que, entre 1982 e 1985, sequestrou quatro pessoas e, apesar de ter recolhido os resgates, matou três das vítimas. A aterrorizante história é um dos casos policiais mais assustadoramente celebres do país vizinho e, trinta anos depois, segue gerando repercussão.
  • Guillermo Francella, que interpreta Arquimedes Puccio, patriarca da família e a mente por detrás dos crimes, foi vital para transformar El Clan num dos filmes mais esperados do ano. Francella é um dos maiores nomes na Argentina, um sucesso tanto na TV quanto no cinema. Apesar de ser mais fortemente associado a comédia, o ator tinha surpreendido com seus dotes dramáticos em El Secreto de tus Ojos, filme de 2009 que levou o Oscar de Melhor Filmes Estrangeiro e que, até ser superado por Relatos no ano passado, detinha o recorde de maior bilheteria de um filme local. Para El Clan, Francella passou por uma extrema transformação e, através de maquiagem pesada e próteses, sua fisionomia foi drasticamente alterada para transformá-lo num sósia do famoso sequestrador. O resultado foi tão assombrosamente perfeito que, meses antes da estréia, o longa já era assunto por todo o país e o trailer já tinha acumulado milhões de visualizações.
  • Além de Francella, o filme tem Peter Lanzani, um ex-teen idol e protagonista de novelas adolescentes, no papel de Alex Puccio, o filho mais velho que, além de sequestrador e assassino, era um exímio jogador de rugby (um esporte muito popular entre a classe alta portenha).
  • Assim como Relatos Selvagens, o longa foi co-produzido por Pedro Almodovar e pela Telefe, uma das maiores emissoras do país, o que garantiu uma promoção intensa (o canal também esteve por detrás de O Segredo de seus Olhos). A direção é de Pablo Traperos, que, apesar de bastante aclame (Carancho, seu filme de 2010, foi indicado ao Oscar de Filme Estrangeiro), nunca tinha dirigido um blockbuster. Seu último filme, Elefante Blanco, lançado em 2012 e estrelando Ricardo Darín, alcançou 800 mil ingressos vendidos, um resultado bastante digno para um filme local mas que El Clán superou em pouco mais de uma semana.

  • A Telefe, a emissora por detrás do filme, quer lucrar ao máximo com o revivido interesse na história. Por isso, além do filme, o canal também exibirá uma mini-série de 13 episódios, Historias de un Clán. A estréia está prevista para esse mês e o elenco conta com a prestigiosa atriz Cecilia Roth no papel da matriarca, Epifania, e El Chino Darin, filho de Ricardo, no papel de Alex, o filho mais velho. Arquimedes será interpretado por Alejandro Awada.
  • A mini-série, produzida pela Underground, uma das produtoras de confiança da Telefe, estréia com o objetivo de levantar a audiência da emissora que, no momento, está levando uma surra do Canal 13 que domina o horário nobre com o fenômeno turco Las Mil y una Noches.

VMAs 2015: o aftermath

As minhas expectativas estavam baixas mas não tem como negar que o MTV Video Music Awards, exibido no domingo, cumpriu sua função: dar o que falar. E, claro, alguns personagens — figurinhas carimbadas do mundo pop — foram vitais para fazer isso acontecer.

Miley Cyrus

Quando a MTV escolheu Miley, uma das maiores e mais polêmicas estrelas da sua geração, para apresentar a cerimônia, o objetivo era claro: causar. Mas, na hora H, Cyrus estava nervosa e até contida (para os seus padrões). Claro que, essa leve acanhamento não impediu com que ela se transformasse em trending topic em todas as redes sociais; manchete em todos os sites de celebridade e tema de centenas de think pieces.

Os destaques do hosting stint de Miley foram suas dezenas de trocas de roupa, cada uma mais bizarra e reveladora que a outra (que é como a gente gosta, né?); o fato dela ter pago peitinho (só eu fiquei chocado que demorou até o penúltimo bloco para isso acontecer?) e, claro, o grand finale em que ela cantou uma música sobre como ela amava maconha e paz enquanto circundada por dezenas de drag queens (todas do RuPaul’s Drag Race) dançando efusivamente.

A surpresa final foi o anuncio de que a música era parte do novo CD dela, feito em colaboração com Wayne Coyne (dos Flaming Lips), que foi imediatamente disponibilizado na internet (de maneira gratuita pois Miley é #anarquista). O álbum, alias, se chama Miley Cyrus & her Dead Petz, uma homenagem bastante excêntrica a Floyd, seu cachorro husky que morreu no começo do ano passado.

Nicki Minaj

Mais de um mês antes da premiação, o fato de Anaconda não ter sido indicado a categoria principal, Melhor Vídeo, fez com que Minaj soltasse o verbo no Twitter e se envolvesse numa briga com Taylor Swift. Como agradecimento pela free publicity, a MTV deu a ela o opening slot e, além de cantar Trini Dem Girls, Minaj surpreendeu todo mundo (sqn) ao chamar Swift para dividir o palco com ela. Junto com Minaj, Taylor cantou The Night Is Still Young antes de encerrar com o refrão do seu girl fight anthem Bad Blood (num playback descarado).

(Veja a apresentação de Nicki aqui)

Mas o grande momento de Minaj foi, sem duvida nenhuma, quando ela ganhou o Prêmio  de Melhor Vídeo de Hip-Hop e encerrou seu discurso dando uma forte cutucada em Miley que, alguns dias antes, tinha falado mal da rapper para o New York Times. Muito se debateu na internet se a cena foi planejada ou não mas, no final das contas, o momento te pego lá fora de Minaj foi considerado por muitos como o ponto alto da premiação (e a suposta reação de Miley, que não foi ao ar na TV, viralizou na web. A reação real foi um pouco menos over the top).

Taylor Swift

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No mundo moderno, a população global está dividida em dois grupos: aqueles que amam Taylor, acham suas dançinhas em award shows uma graça; adoram que ela ama e é grande fã de todo mundo e sonham em formar parte do seu grupo de amigas (formado por atrizes e modelos lindas e em ascenção. Mas nenhuma tão famosa quanto ela, óbvio) e os que acham ela uma falsa insuportável e que não aguentam nada disso. A premiação de domingo proporcionou muitos momentos para deixar as emoções dos dois grupos a flor da pele.

Swift chegou acompanhada de grande parte do seu squad de amigas e co-estrelas do vídeo de Bad Blood (Selena Gomez; as atrizes Hailee Steinsfeld, Mariska Hargitay e Serayah; as top models Karlie Kloss, Gigi Hadid, Cara DeLavigne, Martha Hunt e Lily Aldrige). Apesar de muitas das garotas terem carreiras bastante badaladas, nenhuma delas parecia estar incomodada de estar lá apenas como um step para Taylor já que nenhuma tinha uma verdadeira função ao longo da premiação. Se isso é amizade verdadeira ou uma oportunidade de auto-promoção fica a critério de cada um.

No pré-show, Swift estreou seu novo vídeo, Wildest Dreams. Na cerimônia principal, ela foi convidada surpresa de Nicki Minaj; dançou na platéia animadamente ao som de todo mundo e apresentou a homenagem a Kanye, colocando um ponto final no conflito público entre os dois que começou a seis anos atrás, no mesmíssimo VMA. E, claro, ela ganhou todas as categorias, incluindo o prêmio principal, Vídeo do Ano. Ela subiu para agradecer o prêmio com toda sua trupe de bffs (que, como boas amigas, ficaram caladinhas atrás dela enquanto ela agradecia efusivamente aos fãs, ao diretor, as migas e a Kendrick Lamar).

Kanye West

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Kanye é outro celebre personagem dos VMAs, tendo não só contribuído com apresentações memoráveis como também com um dos momentos mais infames da história da premiação. Tudo isso, somado ao fato de que ele é um dos rappers mais influentes da história, faz com que a homenagem que ele recebeu pareça bastante lógica (como o próprio Kanye provavelmente diria, MTV, você não fez nada além da sua obrigação). O prêmio, claro, foi apresentado por Swift, que se declarou uma gigantesca fã e colocou, publicamente, um ponto final em qualquer tipo de ressentimento que poderia existir entre os dois.

In true Taylor fashion, ela fez o discurso de apresentação girar totalmente em torno dela e não dele. E in true Kanye fashion, ele subiu ao palco, ouviu — em total silêncio — o público o aplaudir efusivamente por dois minutos, antes de lançar-se numa diatribe de dez minutos no qual ele admitiu fumar unzinho para se acalmar e debateu sobre fama, artistry e a importância de ser true to yourself. Teve quem achou inspirador; teve quem achou egomaniaco; teve quem achou divertido; teve quem achou boring; teve quem achou todas as opções acima (eu). O discurso culminou com ele anunciado sua pré-candidatura as eleições presidenciais de 2020. O público, claro, foi a loucura.

Justin Bieber

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Bieber tirou uns anos de folga da música para se dedicar a arte de fazer com que todo mundo no universo o odiasse. Mas parece que ele cansou dessa vida e quer voltar a sua carreira original de popstar. E que lugar melhor para um comeback do que o palco do VMA, né?

Biebs já chegou causando com seu novo penteado. Mais tarde, ele apresentou, pela primeira vez, o seu novo single, What Do You Mean, primeira música solo que ele lança em três anos. A apresentação foi bem feita e ajudou a catapultar a música para o primeiro lugar do iTunes e do Spotify. Mas o momento mais bizarro foi quando ele se ajoelhou no chão e começou a chorar.

OK Biebs, a mensagem de que você sente muito e que devemos voltar a te amar e comprar seus produtos ficou bem clara. Teria sido melhor se alguma lagrima de fato tivesse caído mas tudo bem, o que vale é a intenção…

Tori Kelly

No post anterior, eu disse que Tori Kelly era uma Zé Ninguém (não menti) e que ela só conseguiu um espaço para se apresentar porque ela tem uma equipe fantástica e poderosa por detrás, porque hit que é bom ela não tem (#sóverdades). Mas, justiça seja feita, a apresentação dela foi um dos pontos altos da noite. Ela fez aquela tipica performance sem muita produção e que foca na potencial vocal e o truque parece ter colado pois ela não só foi aplaudida de pé como o single que ela estava promovendo, Should’ve Been Us, foi catapultado para o top 10 do iTunes. Ao que tudo indica, a performance foi o empurrãozinho que ela precisava para finalmente alcançar o top 50 da Billboard. Well done, Tori!

No mais….

No mais, dados prévios de audiência indicam que a premiação foi vista por 9.8 milhões de espectadores. Foi uma queda de 500 mil espectadores em relação ao ano passado mas foi uma diminuição pequena se comparado ao mais de 1 milhão que a cerimônia perdeu entre 2013 e 2014. Por outro lado, os VMAs desse ano foram o programa de TV não-esportivo que mais gerou tweets na história e também foi a premiação mais vista do ano entre espectadores de 12 a 34 anos, o público principal da MTV.

No momento, canções que tiveram apresentações no VMA ocupam seis posições dentre as dez músicas mais compradas no iTunes estado-unidense. What Do You Mean? de Justin Bieber encabeça a lista, desbancando Can’t Feel My Face de The Weeknd que ocupou a primeira posição ao longo de todo o mês de agosto. Outra música do rapper, The Hills, que não foi promovida nos VMAs, ocupa a terceira posição. O lançamento do vídeo de Wildest Dreams catapultou a música a quarta posição, mostrando o poder impressionante de Swift (a essa altura, o álbum, 1989, já vendeu mais de 5 milhões de unidades nos EUA). O novo single de Macklemore & Ryan Lewis, Downtown, estréia na sexta posição enquanto a apresentação de Tori Kelly fez com que ela penetrasse o top 10, com Should’ve Been Us ocupando a sétima posição. A apresentação de Demi Lovato também catapultou Cool for the Summer de volta para o top 10 e o single está no momento no oitavo lugar.

O que diabos aconteceu com os Video Music Awards da MTV?

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Quando a MTV anunciou que Miley Cyrus iria apresentar os Video Music Awards desse ano, eu fiquei muito impressionado. Ame-a ou a odeie, é inegável que ela é uma das maiores estrelas da atual geração e, além disso, ela é ótima para causar. E causar é a raison d’etre dos VMAs. Era uma match made in heaven.

Daí, com a revelação dos indicados, rolou toda aquela treta no Twitter entre Nicki Minaj e Taylor Swift (em geral insuportavelmente adversa a polêmicas) e pensei “caramba, falta muito e esse VMA já está delievering! Tem tudo para ser o melhor ever!”. E daí, já logo comecei a pensar quem iam ser os performers. Porque, digam o que quiserem da premiação, em geral ela tem uma line-up sólida e bastante representativa do que realmente está fazendo sucesso no momento.

Pensei imediatamente em The Weeknd, rapper canadense que está em ascensão e que, depois de dois hits grandes (Earned It, de 50 Tons de Cinza e The Hills), está arrebentando a boca do balão com Can’t Feel My Face (produzido por ninguém menos que Midas pop sueco, Max Martin, velho conhecido dos leitores). One Direction também seria outro bom nome: eles são meio sem sal mas bombam muito e faz anos desde a última vez que eles cantaram nos VMAs. Também dei como certa presença de Justin Bieber, que lançaria seu comeback single no dia seguinte a premiação. Ed Sheeran, um dos maiores nomes da atualidade, que vende milhões e enche estádios, também era um must. Mas quem mais? Alguma cantora… Selena, talvez? “Rival” de Miley e ex de Bieber, sua performance causaria (mesmo ela não sendo uma boa performer) e seu novo single Good to Me — é bastante sólido e está fazendo sucesso.  Um rapper — como Kendrick Lamar  — também seria uma boa pedida.

Em geral, os primeiros performers são anunciados com no mínimo um mês de antecedência. Mas esse ano, nada. O que até fazia sentido, afinal, o anúncio de Miley como apresentadora já era o suficiente para causar uma repercussão grande. Mas o tempo passou e passou. Até que, finalmente, eles anunciaram The Weeknd (uhull, acertei). E depois, novamente, silêncio.

Ficou claro que algo estava muito errado quando faltava menos de uma semana para a premiação e mais ninguém tinha sido anunciado. A essa altura, pelo menos 90% do line-up deveria ser público, até para que a MTV pudesse tirar o máximo proveito desses grandes nomes no material promocional. Era bizarro que tudo girava em torno só de Miley — todos os anúncios televisivos e outdoors — e mais ninguém.

Até que, finalmente, hoje, faltando cinco dias para a premiação, grande parte dos performers foram anunciados. E gente, é óbvio que algo deu muito errado nos bastidores. O line-up não é só excepcionalmente fraco para os padrões dos VMAs, é fraco para qualquer award show televisionado. Estou de olho nos Billboard, Hits Daily Double e Hollywood Reporters da vida para ver se algum deles noticia o que se passou nos bastidores (e óbvio, conto para vocês!) mas pode ter certeza de que algo sério aconteceu. Talvez alguma cláusula financeira desagradou os grandes nomes (como quase aconteceu com o SuperBowl, que ameaçou pedir uma parcela das vendas de ingresso da turnê em troca da vaga de half-time act e causou ira entre os empresários e artistas. A NFL voltou atrás e, graças a isso, conseguiram Katy Perry para o show de intervalo) ou talvez o investimento em Miley tenha os deixado sem verba para atender os pedidos de outros A-listers. Mas, especulações a parte, algo claramente não foi como planejado..

Mas afinal, quem são os performers?

  • Tori Kelly, de 22 anos, tem um time impressionante por detrás dela. Apesar de nunca ter tido um top 50 single na vida (olha o nível. Não tô falando nem de top 10), essa será a segunda performance dela num award show (o primeiro foi o Billboard Music Awards) e ninguém menos do que Max Martin co-produziu o CD de estreia dela, Unbreakable Smile. O álbum em questão até teve uma estreia decente (segundo lugar, com 75 mil unidades) mas, numa ocasião normal, uma cantora sem nenhum hit e com um único CD, com vendas medíocres,  nunca conseguiria um espaço nos Video Music Awards.
  • Twenty One Pilots são tão irrelevantes que eu tive que recorrer ao Google e a Wikipedia para descobrir alguma coisa sobre eles. Aparentemente, eles são um duo indie cujo último CD estreou em primeiro lugar. As vendas deles são OK mas longe de serem espetacular: o álbum mais vendido deles nos EUA teve 300 mil unidades vendidas (um disco de ouro, a menor certificação, exige 500 mil). Eles vão contar com a participação especial do rapper A$AP Rocky (que, até agora, eu achava ser bem mais relevante que eles).

  • Demi Lovato tem um name recognition bem alto comparado com os dois acima. E ela está, em tese, num bom momento para estrear nos VMAs: com uma nova (e maior) gravadora, o seu atual single é uma música pop viciante e com cara de hit, produzido, claro, por Max Martin. A questão é que, na real, ela não está num bom momento: Hot for the Summer é, apesar da promoção intensa, o primeiro lead single dela a não alcançar o top 10 e, sinceramente, o poder comercial dela sempre foi bem mais ou menos e, hoje em dia, anda mais para menos. Selena Gomez — que está sempre na mídia e cujo single atual chegou ao sexto lugar (dez posições acima do pico de Demi) — seria uma escolha que faria mais sentido.
  • Pharrel seria um performer perfeito. Se estivéssemos em 2013. Apesar de credibilidade e vários mega hits (tipo Happy que foi tão overplayed que acho que ninguém aguenta ouvir nem sequer as notas iniciais), Pharrel não tem absolutamente nada para promover; não tem CD pronto para ser lançado nem single nas rádios. A única explicação para sua presença na lista de performers era que a MTV estava desesperada por alguém — qualquer pessoa — que tenha A-list credentials e ele foi o único que topou. Ou que ele vai fazer alguma performance especial com a apresentadora, Miley, de quem ele é bastante próximo.
  • Macklemore & Ryan Lewis são mais um nome para categoria “ótima escolha se estivéssemos em 2013“. Alias, eles de fato se apresentaram em 2013, quando estavam por cima da carne seca, tinham três mega-hits e estavam prestes a ganhar um Grammy. A questão é que desde então ninguém sentiu a falta deles e eles foram totalmente esquecidos. A presença deles não é como o comeback de um artista midiático como Justin Bieber ou, pasmem, Rihanna (cujo último CD também foi em 2013). Ninguém estava pedindo ou clamando por uma performance do duo. Mas foi tudo que  a MTV conseguiu infelizmente. A primeira música liberada do novo CD tem a participação de Ed Sheeran (esse sim bastante relevante) mas nada foi dito sobre uma potencial participação dele.

  • The Weeknd. O único artista dentre os já anunciados que realmente faz sentido.

A MTV ainda anunciará mais dois nomes. Eles serão revelados, individualmente, na quarta e na quinta-feira, o que indica que eles são nomes grandes. Todo mundo meio que já sabe que serão Justin Bieber, com seu aguardado retorno, e Nicki Minaj que, apesar de badalada, não tem nada para promover. Com duas exceções — Bieber e Weeknd — todos os anunciados deixam explicito o desespero da MTV: ou eles são irrelevantes ou estão em decadência ou parecem estar lá para quebrar um galho para a emissora. É realmente uma situação triste para uma cerimônia cujo ponto forte sempre foi a habilidade de capturar o zeitgeist pop.

Em todo o caso, nem tudo está perdido. Teremos Miley; o retorno de Bieber; a estreia de The Weeknd na cerimônia e Kanye West, que será homenageado com um Vanguard Award. Mesmo não se apresentando, Taylor Swift também deverá estar presente já que é meio que óbvio que ela ganhará o prêmio de Video of the Year.

De resto, esse line-up parece mais fitting para um pré-show. Alias, por pouco que o pré-show não acabou sendo mais estrelado do que a cerimônia em si. O tapete vermelho terá performance de Nick Jonas (que, bem ou mal, está em ascensão e teve hits na rádio ao longo do ano, diferente de 90% dos performers do show principal) e a estreia do novo vídeo de Swift, Wildest Dreams.

O Ano De Ouro Da Universal (Parte 2)

Parte 1 aqui

Em seus 103 anos, a Universal Pictures nunca tinha tido um filme sequer que superou a casa do bilhão de dólares. Até o fim de 2015, o estúdio terá três. Além disso, em apenas 7 meses, a gigante de Hollywood quebrou o recorde histórico de maior arrecadação nas bilheterias, com mais de 5.55 bilhões de dólares em ingressos vendidos. Mas como o estúdio teve um ano tão espetacular? É essa a pergunta que tentaremos responder ao longo de 2 posts.

Na Parte 1, analisamos os grandes sucessos (e os poucos fracassos) do estúdio ao longo do primeiro semestre e, na parte final, veremos os acertos dos últimos dois meses e também o que a Universal tem preparado para os quatro meses finais de 2015.

Julho: A Revolução Será Amarela

Bilheteria até o momento: U$ 969.836.943

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Em 2010, a Universal estreou no lucrativo mercado da animação 3D com Despicable Me. O filme lucrou 543 milhões de dólares, um resultado extremamente satisfatório. Em 2013, a continuação do filme alcançou 970 milhões e virou a quarta maior bilheteria de animação da história (e o único não-Disney no top 5). Apesar de serem meros coadjuvantes, os Minions — os engraçados mascotes amarelos — foram a verdadeira sensação do filme.

O carisma deles significou bilhões de dólares para a Universal, que os transformou numa verdadeira mina de ouro em licenciamento. Tudo que envolvia os personagens vendia como água e tudo e todos queriam se associar a eles. Obviamente, a evolução natural das coisas era dar aos Minions o estrelato que eles mereciam. E foi isso que aconteceu em julho de 2015, quando Minions — estrelando Kevin, Stuart e Bob — se tornou o maior lançamento animado da história. E, ao que tudo indica, o filme se transformará no terceiro billion-dollar juggernaut do estúdio esse ano (que, até 2015, vale lembrar, não tinha nenhum).

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Os Minions invadem outdoors mundo afora (na foto, Toronto, no Canadá)

Ao em vez de optar por uma estreia simultânea global, a Universal escolheu um lançamento sucessivo para Minions, de maneira a coincidir com as férias escolares em cada mercado. O filme começou sua trajetória no fim de junho na Austrália, na Malásia, na Indonésia e em Singapura. Na semana seguinte, a animação chegou em mais 9 países, incluindo o Brasil e o Reino Unido. Nas vésperas da estreia nos EUA, na segunda semana de julho, o filme já tinha ultrapassado 200 milhões de dólares na bilheteria global. Minions foi o lançamento mais lucrativo para um filme animado em 29 países, incluindo o Brasil. Nos EUA, a bilheteria de estreia — U$115.7 milhões — foi maior do que a de Toy Story 3. O filme tem sido um sucesso gigantesco até em mercados pouco receptivos, como Japão, um país onde nenhuma animação 3D internacional não-Disney obteve lucro considerável. Em apenas três semanas, o Japão já é o sexto maior mercado global para o filme, com arrecadação de mais de 26 milhões (nota do André: como vocês podem notar, o departamento de marketing da Universal no Japão é bem bom. E o fato de que existe um parque Universal Studios no país, na cidade de Osaka, que é um grande sucesso, também ajuda).

Até o momento, o filme já arrecadou 969.8 milhões de dólares. E sim, ele vai passar a casa do bilhão porque ele ainda tem um gigantesco trunfo: a China, onde o filme tem estreia prevista para setembro. O filme também ainda não estreou na Itália, outro mercado importante, e chegou na Coreia do Sul e no Japão faz apenas três semanas. Até o momento, os únicos dois filmes animados que ultrapassaram 1 bilhão de dólares arrecadados foram Frozen e Toy Story 3, ambos da Disney. Até agora, os maiores mercados dos Minions são os EUA (U$315mi); o Reino Unido (U$67.6mi); a Alemanha (U$55.9mi); o México (U$44mi); a França (U$39mi); o Brasil (U$37mi); a Argentina (U$35mi) e a Rússia (U$31mi).

Apesar das estrelas serem os Minions, os personagens humanos do filme foram dublados por astros reconhecidos. A grande antagonista, Scarlett Overkill, teve a voz de Sandra Bullock, uma das atrizes de Hollywood com o box office record mais impecável dos últimos anos. O marido da personagem, Herb, foi dublado por Jon Hamm enquanto Steve Carrel fez a voz de Gru. Grandes comediantes britânicos — Steve Coogan e Jennifer Saunders — também participaram do elenco.

Sandra Bullock se rendeu a febre dos Minions na pré-estreia do filme
Sandra Bullock se rendeu a febre dos Minions na pré-estreia do filme

Para as dublagens internacionais, a Universal tentou recrutar estrelas locais do mesmo porte. Marion Cotillard, por exemplo, deu voz a Scarlet na versão francesa do filme enquanto seu marido na vida real, Gillaume Canet, dublou Herb. O mesmo se repetiu no Brasil, com Adriana Esteves e Vladimir Brichita assumindo os personagens. Na América Latina, a estrela Thalia substituiu Bullock enquanto Ricky Martin fez a voz do personagem masculino. Para o papel de Gru, foram chamados humoristas locais famosos: Leandro Hassum no Brasil; Gad Elameh na França e o mexicano Andres Bustamente. Nomes consagrados também dublaram os personagens na Alemanha, na Itália e no Japão.

Minions foi o maior promotional push da história da Universal. Foram centenas de milhões de dólares investidos em outdoors em todas as principais cidades do mundo e os Minions ainda cobriram ônibus e trens em grandes metrópoles. Mas a Universal economizou bastante com dezenas de promotional partnerships. Dez empresas colocaram os personagens em seus anúncios de TV, incluindo a SKY BSB no Reino Unido; o Carrefour na França e o smartphone VIVO na China. Globalmente, os mascotes invadiram o McDonald’s, que ofereceu uma batata especial no formato dos personagens e brindes no McLanche Feliz; os cereais da General Mills e os da Nestlé; as bananas Chiquita; as balas Haribo; os chocolates Kinder Ovo e os pacotes da pastilha Tic-Tac. As encomendas da Amazon, a maior loja online do planeta, chegaram no mundo inteiro em caixas amarelas promovendo o filme. A Walmart, a loja física de varejo mais poderosa do mundo, também ajudou no marketing e ofereceu centenas de produtos exclusivos. Os Minions ganharam sua própria paleta PANTONE e apareceram nas balas Fruitsnackia e em todos os doces da CandyMania, nos sucos e iogurtes Mott’s e também nos iogurtes Go-Gurt; nos bolinhos Twinkies; nos papéis toalha Bounty; nos lenços de papel Puff’s e em mais outras centenas de promoções personalizadas mundo afora. Isso sem contar os milhares de produtos licenciados que incluem gravatas, aromatizadores de carro, canudos e ganchos de cortina de chuveiro (juro).

Nos EUA, a promoção televisiva incluiu um anuncio especial para o Superbowl (visto por mais de 114 milhões de pessoas); um takeover do programa matinal latino Despierta America e um comercial especial para a ESPN onde o Minion Bob aparecia ao lado dos astros do basquete Steph Curry e Klay Thompson.

… e, de um trainwreck, nasce uma estrela

Bilheteria até o momento: U$ 122.284.000

trainwreck

Como contei na coluna On My Radar, já faz um tempinho que sou fã de Amy Schumer. Ao longo do último ano, porém, pude ver ela ascender a outro patamar e se transformar numa celebridade enormemente reconhecida. Ela foi escolhida Women of the Year pela revista Glamour e apareceu na capa da revista e de outras publicações de enorme importância como GQ e Entertainment Weekly. Ela foi escolhida como uma das 100 Pessoas Mais Influentes do Mundo pela revista Time e apresentou o MTV Movie Awards. O seu programa de TV, Inside Amy Schumer chegou na terceira temporada batendo recordes de audiência e vários sketches — como a paródia de Friday Night Lights; o julgamento de Bill Cosby e Last Fuckable Day — tiveram enorme repercussão e foram muitíssimo elogiados.  O timing de tudo isso não poderia ter sido mais perfeito, leading up to the debut do seu primeiro grande filme, em julho. Trainwreck, o filme em questão, foi estrelado e escrito por ela e dirigido por Judd Apatow.

Apatow, o influente diretor — por de trás de comédias como O Virgem de 40 Anos e Knocked Up — e produtor — de filmes como Bridesmaids; Superbad e das comédias televisivas Girls e Freaks & Geeks — apostou forte em Schumer e em seu projeto, viabilizando a produção do longa. A pré-produção começou em janeiro de 2014 e as filmagens em maio. Bill Hader foi escolhido como o co-protagonista e Tilda Swinton, Vanessa Bayer e LeBron James foram casted em papéis chaves.

Em março, o filme foi muito bem recebido na sua estreia oficial no festival SXSW em Austin. Isso, aliado a toda a empolgação em torno de Schumer na mídia, fez com que o estúdio esperasse uma abertura boa, na casa dos 20 milhões. Seria um ótimo resultado para uma comédia adulta focada no público feminino, estrelando uma comediante ainda relativamente iniciante. Mas, apesar das expectativas já serem otimistas, o resultado final as excedeu bastante: 30 milhões de dólares.

Os números confirmaram mais um acerto da Universal e o opening catapultou Schumer direto para a A-list, com muitos apostando que ela poderá ser uma nova Melissa McCarthy, atualmente a estrela de comédia mais rentável dos EUA, que capitaneia anualmente filmes de enorme sucesso no mercado doméstico. O notável é que a estreia de Trainwreck superou a do último filme de Melissa, Spy. Uma pesquisa da Rentrak, encomendada pela Universal, revelou que 28% das pessoas que foram ver o filme em seu final de semana de estreia tinham como principal motivação o fato de serem fãs de Schumer, um número bastante alto.

O sucesso de Trainwreck comprova a enorme demanda por comédias adultas femininas, algo que ficou bastante claro para Hollywood depois do gigantesco sucesso de Bridesmaids, lançado em 2011 e também distribuído pela Universal. Porém, apesar do grande sucesso desses filmes nos EUA, os estúdios não costumam investir na distribuição e promoção deles internacionalmente. Especula-se que isso mudará com o reboot de Ghostbusters em 2016, que estrelará um elenco integralmente feminino (o filme da Sony reunirá muitos nomes envolvidos em Bridesmaids como Kristen Wigg, McCarthy e o diretor Paul Feig) mas, enquanto isso, o filme de Schumer ainda sofre de certa dificuldade para ser notado internacionalmente. Seu lucro total até o momento é de 122 milhões de dólares, dos quais 98mi foram nos EUA. O rendimento internacional deve aumentar nas próximas semanas, porém, já que o filme acaba de ser lançado na Europa — incluindo no Reino Unido, onde recebeu um fortíssimo marketing push — nesse final de semana. No Brasil, o longa, que se chamará Descompensada (eu particularmente adorei a tradução), chega no fim de setembro.

Agosto: Fuck the police

Bilheteria do final de semana de estreia: US$ 60.200.000

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Na primeira semana de agosto, faltando cinco meses para o fim do ano, foi anunciado que a Universal tinha alcançado o faturamento recorde de 5.54 bilhões de dólares. Já dava para pendurar as chuteiras e entrar de férias. Mas não, ainda havia hits em potencial prontos para estrear. Em agosto, mais uma aposta da Universal — o filme Straight Outta Compton overperformed espetacularmente. Com um orçamento de 26 milhões de dólares, esperava-se que ele estreasse na casa dos 20 ou 30 milhões. Ele acabou arrecadando 60.2 milhões de dólares em seu primeiro final de semana nos EUA e no Canadá, superando os lucros de estreia tanto do último filme da Marvel quanto do último Missão Impossível.

Straight Outta Compton conta a história real do grupo de hip-hop N.W.A., um dos primeiros grupos de gangsta rap que, no final dos anos 80 e começo dos 90, vendeu milhões de cópias e revelou nomes como Dr. Dre e Ice Cube. A julgar pelo público no final de semana de estreia, o apelo do filme foi multigeracional: 51% do público tinha mais de 30 anos e 49%, menos. A divisão de sexo também foi bem democrática: 52%  foi feminino, 48% masculino. A maior parte dos espectadores eram negros — 46% — mas brancos — 26% — e hispânicos — 21% — também apoiaram a produção em massa. O mercado mais forte foi Los Angeles, o berço do grupo, mas o filme também overindexed em San Francisco; em cidades do sul como Atlanta, St. Louis e Baltimore e até na rica Palm Springs, na Florida. O filme ainda teve uma nota ‘A’ no Cinemascore, o que indica longevidade graças ao boca a boca.

O filme foi apoiada com uma efetiva e bem executada estratégia de marketing, a começar pela campanha viral StraightOuttaSomewhere.com. Na página, qualquer um pode fazer sua própria versão do logo do filme, substituindo Compton por sua cidade de origem (ou qualquer outra palavra). O stamp criado no site pode ser sobreposto em uma foto de sua escolha. O site foi um fenômeno, com mais de 6 milhões de imagens criadas. A campanha foi o assunto mais comentado no Facebook, Twitter e Instagram por dois dias consecutivas, dando origem a milhares de memes e seduzindo até celebridades, como J.Lo, Bette Midler e Demi Lovato, que também se renderam a brincadeira.  Na semana anterior ao lançamento do longa-metragem, Dr. Dre lançou Compton, seu primeiro CD em 14 anos. O álbum vendeu 295 mil unidades nos EUA e também estreou em primeiro lugar no Reino Unido, ajudando a criar ainda mais expectativas em relação ao longa.

Os headphones e equipamentos de som da Beats by Dr. Dre — responsáveis por deixar o rapper bilionário — são provavelmente os product placements mais onipresentes da indústria, fazendo aparição em basicamente todos os vídeo clipes e filmes lançados nos últimos anos. E já que os produtos estão presente em basicamente todo lugar, é natural que eles tivesse papel de destaque na promoção do filme sobre a história de seu criador. A empresa, junto com sua parent company, a Apple, teve papel chave na promoção do filme. O CD Compton estreou na integra na Beats1, a rádio de Dre no serviço de streaming recém-lançado Apple Music. O álbum foi disponibilizado exclusivamente no serviço e na loja virtual da companhia, iTunes. A Beats também estava por detrás do fenômeno viral StraightOuttaSomewhere.com. Já a Interscope, a gravadora do N.W.A. e de Dre, contratou um avião para escrever a palavra COMPTON no céu de Los Angeles e San Francisco e as fotos do stunt também viralizaram nas redes sociais.

Como é costume, spots — em 27 versões — invadiram a TV americana antecedendo a estreia do filme. Na semana de lançamento, os comerciais foram exibidos 975 vezes, principalmente na BET e em emissoras jovens como Comedy Central (incluindo no muitíssimo aguardado episódio final do Daily Show with Jon Stewart) e MTV. O logotipo do filme também estava presente no ringue da luta da UFC em que Ronda Roussey knockeou Bethe Correia em 36 segundos.  Sem duvida nenhuma, porém, o anuncio mais chamativo foi ao ar na FOX News, no dia 6 de agosto, durante o debate presidencial dos candidatos à presidência do partido conservador Republicano (que, com 24 milhões de espectadores, se consolidou como o programa mais visto da história da TV a cabo americana). O spot de 1 minuto foi ao ar imediatamente depois em que os candidatos passaram exatos 30 segundos discutindo o tema Race Issues (questões raciais).

Race issues é, obviamente, um tema que merece muito mais do que 30 segundos de discussão num debate presidencial. Nos últimos anos, a quantidade de jovens negros inocentes assassinados pela policia americana ganhou repercussão nacional e gerou riots históricos na cidade de Ferguson (em 2014) e em Baltimore (em 2015). O tema não só é extremamente relevante em 2015 como também era enormemente presente no fim dos anos 80/começo dos anos 90. Em 1992, o espancamento do motorista negro Rodney King e absolvição dos policiais envolvidos causou um distúrbio de 6 dias no sul de Los Angeles (onde Compton fica), deixando 52 mortos e um prejuízo de mais de 1 bilhão de dólares. O episódio, claro, faz parte de Straight Outta Compton e brutalidade policial sempre foi um tema presente nas canções do N.W.A. (cujo um dos maiores hits, vale lembrar, se chama Fuck the Police).

Compton invade o céu de Los Angeles
Compton invade o céu de Los Angeles

Com uma estreia espetacular e um ‘A’ no CinemaScore, Straight Outta Compton irá rapidamente cruzar a barreira dos 100 milhões e, nos EUA, o céu é o limite. O filme não terá nenhuma dificuldade de ultrapassar o último blockbuster do mundo do rap, 8 Mile. Em 2003, o longa do Eminem arrecadou 116.75 milhões domesticamente. É bem provável que o longa supere também os $150.6mi de Walk the Line, baseado na história de Johnny Cash, e se transforme no biopic de música mais bem-sucedido da história do país.

Internacionalmente a trajetória do filme provavelmente será mais complicada. Com um tema muito local, alguns mercados — Ásia e América Latina — não deveriam contribuir muito para o lucro final do filme. Em 2003, 8 Mile foi um gigantesco sucesso global — lucrando mais de 126 milhões fora dos EUA (e 242.9 mi no total, o music biopic com maior bilheteria da historia) — mas Eminem, naquele então, era um dos maiores astros do mundo. O sucesso do N.W.A. não só foi há quase três décadas como também foi muito especifico aos EUA. De qualquer maneira, o filme tem bastante potencial na Europa, principalmente no Reino Unido e na França, países onde o rap americano é bastante popular. A Austrália também pode ser outro mercado receptivo.

De qualquer maneira, com os resultados espetaculares obtidos em casa, qualquer ganho adicional mundo afora é um extra.

O que vem por ai…

Com recorde histórico de arrecadação depois de 7 meses, está mais que óbvio que o ano já está ganho para Universal. Mas ainda faltam 4 meses até 2016 e o estúdio ainda tem nove lançamentos até dezembro. Não há mais nenhum blockbuster bilionário no estilo Jurassic Park/Minions/Furiosos 7 previsto e, é verdade, a companhia apostou todas as suas fichas fortíssimas e garantida nos primeiros 7 meses do ano mas ainda há futuros lançamentos cujos sucessos são muito possíveis (e quem sabe algum outro que possa surpreender a la Compton?).

Um deles é Steve Jobs, sobre a vida do criador da Apple, com roteiro do premiadíssimo Aaron Sorkins e baseado no best-seller global de Walter Isaacson. O longa foi super disputado por todos os estúdios (prova disso são os e-mails vazados entre Amy Pascal, diretora da Sony, e o produtor, Scott Rudin) e existe a esperança de que ele repita as altíssimas arrecadações de A Rede Social (também escrito por Sorkins). Michael Fassbender estrela no papel título e a direção é do Oscarizado britânico Danny Boyle (Trainspotting; Slumdog Millionaire; 72 Hours).

Outra aposta segura é Sisters, uma comédia que reúne Tina Fey e Amy Poehler, dois dos nomes mais respeitados e queridos da comédia americana, sob a direção de Jason Moore (Pitch Perfect). A Universal confia tanto no projeto que estreará o filme no mesmo final de semana que a Disney lança o novo Guerra nas Estrelas, inquestionavelmente o filme mais esperado do ano.

O repertório da Universal também tem fracassos óbvios como Jem & the Holograms. O longa, previsto para 23 de outubro, é baseado numa franquia muito popular dos anos 80 e é o primeiro fruto da parceria entre a Universal e a fabricante de brinquedos Hasbro (que é dona de Transformers e G.I. Joe, propriedades que arrecadaram muito na Paramount). Apesar de Jem ter um enorme público em potencial — mulheres nostálgicas que cresceram nos anos 80 — a produção as menosprezou completamente e o filme parece ser apenas um filme pré-adolescente genérico, cheio de atores desconhecidos. Não é exatamente a receita para um smash hit mas o filme custou apenas 5 milhões para produzir, então a Universal não tem tanto para se preocupar assim.

E, falando em filmes baratos, o próximo lançamento da Universal é The Visit, filme de terror de M. Night Shaymalan, que veio com um precinho tão camarada quanto Jem (5mi) mas tem muito mais potencial para recuperar seu custos. O buzz inicial é positivo, já que o filme tem feito sucesso nas early screenings e a expectativa da indústria é que ele tenha ótimos resultados.

Os lançamentos restantes da Universal dependem de uma série de fatores como a recepção crítica e marketing. No fim de setembro, Everest é uma aposta ousada, sobre o avalanche que, em 1996, deixou 8 escaladores mortos. O filme é encabeçado por Jack Gylenhaal, Josh Brolin e Jason Clarke e custou 65 milhões de dólares. Keira Knightely, Robin Wright e Sam Worthington são alguns dos outros nomes no elenco.

Outubro é o mês mais saturado de lançamentos. Além de Jobs e Jem, a Universal ainda tem Crimson Peak, um grandioso filme de terror dirigido por Guillerme del Toro e, abrindo o mês, Legend, estrelando Tom Hardy como os gêmeos Kray que, nos anos 60, foram os gangsters mais notórios de Londres.

Em novembro, o único lançamento é By the Sea, que reúne Angelina Jolie e Brad Pitt na tela pela primeira vez em mais de uma década sob a direção da própria Angelina. Já em dezembro, além de Sisters, a Universal aposta em Kramus, um filme de terror/comédia protagonizado por Toni Colette e Adam Scott.

Independentemente dos resultados até o fim do ano, porém, a Universal já tem assegurado o melhor ano de sua história.