Causando em 2017: Latino style

Em setembro do ano passado, falei que reggaeton estava a ponto de conquistar o mundo. Quase um ano depois, a previsão se provou certeira. “Despacito” é a maior música do planeta, quebrando um recorde atrás do outro e, depois de três meses, acaba de ser substituído no topo da parada global do Spotify por “Mi Gente” do colombiano J Balvin. Enquanto isso, Daddy Yankee é o artista mais ouvido na principal plataforma de streams do mundo.

Tá tudo dominado

A conquista mundial do reggaeton está em andamento mas, na América Latina e na Espanha, a dominação está mais do que consolidada. O sucesso é tanto que a pluralidade nos charts quase acabou e até alguns dos maiores fenômenos do mercado hispânico — como Romeo Santos, o ícone do bachata, o estilo da moda faz poucos anos — tem tido dificuldade para emplacar hits.

Depois de obter fama avassaladora com o seu grupo Aventura, Romeo se consolidou como o maior nome da música latina . Seu segundo álbum, “Formula, Vol. 2”, lançado em 2014, fez com que ele desbancasse até Shakira como o maior nome da América Hispânica.

Mas, desde que ele entrou em um break, o reggaeton ganhou tanta força que seu aguardado retorno esse ano foi ofuscado pelo sucesso fenomenal de canções do gênero, como a inescapável “Despacito”.

Lançado em fevereiro, seu comeback single “Heróe Favorito” teve resultados dignos mas muito aquém ao esperado de um cantor que encheu absolutamente todos os estádios da América Latina e obteve, com o lead single do álbum anterior, “Propuesta Indecente”, um dos maiores hits em espanhol da década.

O problema de “Heróe Favorito” foi que, na minha opinião, a música era tão tipicamente Romeo que poderia ser uma faixa de qualquer álbum dele. Espera-se que um primeiro single tenha o som marca registrada do artista combinado com algo striking que prenda a atenção do ouvinte para o seu retorno.

Isso, somado ao fato de que bachata perdeu espaço para reggaeton com a ausência de Romeo da cena, fez com que a música do maior astro de todos acabasse passando despercebida.

Para o segundo single, Romeo step up his plate e trouxe a muito mais pegajosa e marcante “Imitadora”. Agradou bem mais aos ouvintes e foi um sucesso maior, apesar de que não chegou ao patamar dos grandes hits do reggaeton — algo que ele era capaz de fazer com facilidade faz apenas dois anos.

Nesse cenário de ditadura do reggaeton, sempre existe a opção de seguir os passos de Shakira e Enrique Iglesias e se render ao gênero.

Mas, diferente das estrelas pop, Santos sempre foi de raiz. Ele é fiel ao estilo que o catapultou ao estrelato e raramente dá o braço a torcer. Mesmo quando colaborou com Drake — o maior rapper do universo — ele não se flexibilizou: foi o canadense que se rendeu e cantou em espanhol, no maior estilo cantor brega latino.

Mas o poder do reggaeton é tanto que Santos não se segurou. Seu novo álbum, “Gold”, inclui a canção “Bella y Sensual” com Daddy Yankee e Nicky Jam. O raro gesto do nova-iorquino parece estar rendendo frutos: o bachataton já penetrou o top 50 da Espanha e de todos os países latinos no Spotify e, em tempo recorde, alcançou o top 10 no Chile, superando o sucesso de todos os demais single que ele lançou ao longo de 2017.

Além de colaborações com os maiores nomes da música romântica em espanhol — Juan Luis Guerra, Julio Iglesias — ele ainda colabora em mais outra faixa com uma das maiores estrelas do reggaeton, Ozuna.

Apesar de estar em uma fase mais modesta, Romeo segue arrasando: a estréia do seu terceiro álbum solo foi a melhor semana de vendas de um álbum latino nos EUA, superando “El Dorado”, o CD de Shakira, lançado em junho.

O fenômeno Shakira

Falando em Shakira, ela é outra que resolveu apostar no seguro e entregou um álbum cheio de reggaeton. “Chantaje”, o maior hit do CD, foi uma colaboração com o fenômeno Maluma. Mais uma música com o jovem reggaetonero foi inclusa no álbum e deve ser lançada como single depois de uma colaboração bem pancadão com Nicky Jam, cujo vídeo acaba de ser gravado.

O interessante é que, apesar de ter se rendido ao reggaeton, Shakira é uma das poucas artistas latinas capaz de obter sucesso se desviando do gênero. Enquanto Santos teve problema para emplacar “Heroé Favorito”, “Deja Vu”, a colaboração da colombiana com Prince Royce — também uma típica bachata — entrou no top 50 do Spotify de todos os mercados hispânicos na mesma semana que o vídeo foi lançado. Seu pop vallenato com Carlos Vives, outro astro colombiano, “La Bicicleta”, foi um dos maiores sucessos em espanhol de 2016.

Não recomendado para os mais sensíveis

Os dois maiores propulsores de talento da América Latina na atualidade são Puerto Rico e Colômbia. Puerto Rico é o berço do reggaeton moderno e de onde saíram quase todos os principais nomes do gênero. Já a Colômbia soube levar o estilo para outro patamar e revelou ao mundo Maluma e J Balvin, as duas maiores sensações, além de ter sido parte do renascimento de Nicky Jam, outro dos grandes nomes.

Mas, além desses dois países, outro mercado que vale a pena prestar atenção é a Republica Dominicana. A nação caribenha também teve um papel importante na criação do gênero — foram os dominicanos radicados em NY que ajudaram a cria-lo — e também é de lá o outro ritmo que tomou conta da América Latina e da Espanha, a bachata. O país da América Central também tem um gosto muito particular e é um grande descobridor de talentos do trap, um gênero do reggaeton que tem muitas semelhanças com a música urbana americana nascida no East Coast.

A influência do rap e do hip-hop de Nova Iorque no gosto local é compreensível: milhões de habitantes do país tem laços fortes com a principal cidade dos EUA, que tem uma comunidade gigante de imigrantes provenientes da Republica Dominicana. Até a bachata moderna, de Romeo Santos e do Aventura, teve origem no Bronx.

Apesar disso, o trap que a Republica Dominicana tanto ama não nasceu no país e sim em Puerto Rico, a colônia dos EUA que também tem relação estretíssima com NY. Mas apesar de não ter sido criado por dominicanos, foi a partir do país da América Central  que o gênero começou a conquista do restante da comunidade latina.

Quando Maluma lançou, em meados do ano passado, a música “4 Babys”, ele chocou o mundo hispânica com a letra. Misoginia na música não é algo raro em nenhum gênero ou país, muito menos no reggaeton latino americano, mas o que deixou muitos de boca aberta foi o baixo calão das palavras. Na canção, sobre o affair  dele com quatro mulheres diferentes, o astro colombiana fala em “meter”, “trepar”, etc. — termos comuns no funk brasileiro ou no rap americano mas pouco visto na música latina mainstream.

O astro colombiano ficou chocado com a reação negativa. Ele só estava trazendo para seu repertório o reggaeton no estilo trap, que, na verdade, já gozava de grande popularidade. Mas, até então, o estilo não tinha sido legitimidade por um astro estabelecido de primeiro escalão. Apesar de bombar no YouTube faz muito tempo, o alcance que ele deu ao subgênero foi muito maior e chegou a um público que nunca tinha sido exposto a ele antes.

No final das contas, “4 Babys” — apesar de todo o choque que a letra causou — serviu apenas como aperitivo, porque o reggaeton proibidão está cada vez mais popular na América Latina. Ozuna, a maior revelação do ano passado, flerta com o estilo e Bad Bunny, a maior sensação desse ano, faz um trap de raiz.

Provenientes de Puerto Rico, ambos estouraram na Republica Dominicana bem antes de conquistarem os demais países do continente. Bunny, em específico, é um Midas no país e todas as suas colaborações com outros nomes do trap — como Anuel AA, Jory Boy, Brytiago e Bryant Myers — são sucessos instantâneos. Agora, ele está dominando o restante das Américas e Espanha, obtendo hit atrás de hit e colaborando com gigantes como J Balvin (no mega hit “Si Tu Novio Te Dejas Solo”).

No trap de Bad Bunny, palavrões, drogas e outros temas que aparecem de maneira filtrada no reggaeton dos outros astros são lugar comum.

Alguns excertos de “Soy Peor”, seu maior hit solo, no qual ele narra estar aliviado ao terminar um relacionamento péssimo: “Agora faço tudo o que eu quero/Só penso em eu mesmo/Jogando notas dentro do puteiro/Para merda o amor verdadeiro/Eu só quero ganhar dinheiro/Baby o que tinhamos descansa em paz/Não estou nem ai para com quem você tá/Diga pra sua mãe que ela não me faz falta/Já tenho sogras demais/Tenho a branquinha que me faz um lap dance/A roqueirinha que meto com tudo, de Vans/Tenho a pretinha, a loirinha, as modelos e todas as fãs”.

A menção obrigatória a substâncias ilícitas: “Eu não quero fumar o regular/Me traga o kush que me deixa espetacular/Que já não tenho mais você para especular/E para encher meu saco por todas as fotos de bunda que tenho no celular”.

E, claro, o refrão: “Siga seu caminho, sem ti eu estou melhor/Agora tenho outras que trepam bem melhor/Se antes eu era um filho da puta, agora sou bem pior”.

Com a forte influência do rap americano, o trap também é bem americanizado. Em “Tu No Metes Cabra”, seu atual hit, Bunny fala de prom, de bleachers, de bilionários americanos, de carrões e de jogadores de basquete. A temática U.S. não impede o single de ser um enorme sucesso em todos os países, da Argentina ao México e também na Espanha. Bunny está próximo a obter o nível espetacular de sucesso alcançado por Balvin e Maluma.

Antes tarde do que nunca

Assim como no rap americano, o universo do reggaeton é um clube do bolinha. Enquanto a música pop — particularmente a mexicana — sempre teve boa participação feminina, a dominação do reggaeton apagou quase todas as mulheres da parada, com exceção da colossal Shakira.

Se aliando com Maluma, Thalia conseguiu um mega hit com “Desde Esa Noche” no ano passado. Com a participação de Cali y el Dandi, a ex-RBD Maite Perroni, hoje mais conhecida como mocinha de telenovelas mexicanas, conseguiu recentemente seu primeiro sucesso desde os tempos de Rebelde com “Loca”. Mas esses casos estão mais para exceção do que para regra.

Apesar disso, é possível que, aos poucos, as coisas estejam mudando. Dentre as 20 faixas mais populares nos principais mercados latinos e na Espanha no Youtube, dois são reggaetons com mulheres como lead singers. Dois em 20 pode parecer um número patético mas é uma evolução de zero.

As duas artistas que conseguiram esse feito foram Karol G. e Becky G. O que ambas tem em comum além do “G” como sobrenome? O fenômeno Bad Bunny participando de suas músicas.

Mas enquanto o reggaetonero foi, sem duvida, um fator importante para o sucesso, a música é majoritariamente das mulheres, na qual ele contribui apenas com alguns poucos versos. Mesmo assim, a influência dele é enormemente perceptível, principalmente na música de Karol.

Em  “Ahora Me Llama” a colombiana se apresenta como uma espécie de versão feminina do trap star porto riquenho.

“Agora me chama/Diz que eu faço falta na sua cama/Mas para mim já não dá, já não dá/Agora eu só quero sair com meu próprio squad/Afinal a vida é minha/E quero curtir ela sem a sua companhia/Agora eu quero viver minha vida/Afinal a vida é minha/Saí com o coração partido e agora já não espero nada/A não ser os melhores drinks e a roupa trazida de Dubai”.

Mais para frente, no melhor estilo “soy peor”, ela afirma: “Se antes eu era má/Agora chegou a nova versão, ainda mais má/Continuo fazendo fama/Depois decido que gostinho quero levar pra minha cama/Porque viver de amor/Isso não me faz falta/Sou dona da minha vida e em mim ninguém manda”. Já Bunny faz uma aparição breve para dizer que “para ele melhor assim como solteiro/Eu curto, bebo, fumo, faço tudo o que eu quero”. No YouTube, o vídeo da canção já tem 150 milhões de views em 2 meses.

Já Becky G. é uma criação do polêmico produtor americano Dr. Luke. Apesar de ter sido lançado na época que ele emplacava hits fáceis, Becky — nascida e criada em Los Angeles — demorou muito até obter um mid sized hit com a música “Shower”. Apesar do gostinho do sucesso, a cantora não obteve grande fama mesmo com contratos publicitários gigantes (ela é garota propaganda da CoverGirl junto com Katy Perry, Ellen e Sofia Vergara) e filmes de Hollywood (ela é a Power Ranger amarela na adaptação cinematográfica da franquia).

Depois que sua carreira teen pop não decolou, Becky mudou para o pop em espanhol mas seguiu penando. Até que se juntou com Bunny numa canção cheia de duplo sentido e, voila, sucesso na América Latina e na Espanha e 60 milhões de visualizações em poucas  semanas no YouTube.

Enquanto Karol optou pelo viés “bad bitch”, Becky preferiu os trocadilhos sexuais. Em “Mayores”, ela canta: “Eu gosto mesmo dos maiores/Os que são chamados de senhores/Que seguram a porta e me dão flores/Eu gosto daqueles que são grandes/Que não cabem na boca/Os beijos que vão me dar/Que me deixam louca”. O porto-riquenho aparece para questiona-la: “Quer um mais velho, está segura?/Te dou mil aventuras/E duro o que ele não dura”.

Para os latino-americanos que ficaram chocados com “4 Babys”, talvez seja o momento de parar de ouvir a rádio.

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Causando em 2017: agora é que são elas!

Depois de alguns anos de prosperidade, a era das divas pop parece ter chegado ao fim, pelo menos temporariamente. “Witness” de Katy Perry — o grande lançamento feminino do primeiro semestre — foi oficialmente um fracasso e, durante meses, somente homens foram capazes de emplacar hits com uma sucessão infinita de sucessos de Ed Sheeran e Justin Bieber; lançamentos solos de absolutamente todos os ex integrantes do One Direction e desempenhos bastante respeitáveis obtidos por nomes como Charlie Puth e Shawn Medes. Isso sem falar no sucesso espetacular de rappers como Drake e Kendrick Lamar.

Os CDs de nomes como Lorde, Halsey e Lana del Rey obtiveram resultados bons mas a falta de estrelas de primeiro escalão (Beyoncé, Taylor Swift, Rihanna) e a ausência de revelações ou grandes hits colocaram as mulheres num lamentável e injusto papel secundário.

Como esperado, Rihanna, uma das poucas popstars A-list da última década que não perdeu força na era do streaming, e Taylor Swift, que junto com Drake é indiscutivelmente o maior fenômeno comercial dos EUA, tiveram facilidade em alcançar o top 5 — com “Wild Thoughts”, colaboração com DJ Khaled, e “I Don’t Wanna Live Forever”, dueto com ZAYN . Fora essas músicas, ambas passaram a maior parte do ano on the downlow, e mais nenhuma mulher foi capaz de repetir o feito delas (ambas chegaram ao #2).

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Sza

Outro fator que colaborou com a erosão de nomes femininos foi a a urbanização do Hot 100. O streaming — hoje responsável por mais de 50% do consumo de música nos EUA — colocou o rap e o hip-hop no center stage. No Spotify, o maior serviço, metade das músicas dentre as 50 mais ouvidas da última semana — incluindo 80% do top 10 — pertencia ao gênero.  No Apple Music, que também tem enorme força no mercado americano, o número é ainda mais chocante — 80% das canções mais populares eram de rap, hip-hop e R&B. Os gêneros urbanos são majoritariamente dominados por artistas masculinos então isso ajudou a deixar a situação ainda mais desigual nos charts.

Dito isso, existem sinais de que as mulheres estão recuperando força. Os lançamentos solo recentes de Miley Cyrus, Demi Lovato e Selena Gomez não foram “Wrecking Ball”-sized hits mas todos tiveram desempenhos respeitáveis (mesmo assim, Cyrus foi a única que penetrou o top 10 até agora). Taylor Swift deve lançar novo material nos próximos meses que não deve ter problema em dominar os charts. E, apesar do apetite do público para cantoras de pop tradicional estar baixo — o que ajuda a explicar a decolagem relativamente lenta de Camila Cabello, a ex Fifth Harmony com investimento milionário e músicas produzidas por Stargate e Sia — revelações tem surgido dentro do gênero favorito da juventude americana, o hip-hop.

O primeiro nome é SZA (lê-se Sizá). Descoberta em 2011 pela Top Dawg Entertainment, a agência de Kendrick Lamar, a cantora de 26 anos foi apresentada ao grande público quando apareceu na faixa de abertura do último CD de Rihanna, “ANTI”, lançado no começo do ano passado. Ela também lançou três EPs antes de finalmente colocar no mercado seu grande debut, o álbum Ctrl.

Lançado na mesma semana de “Witness” de Katy Perry, o álbum e não tem tido nenhuma dificuldade em superar as vendas do quarto disco da estrela do pop nos EUA. Sucesso de crítica e público, o lead single do CD, “Love Galore”, está no top 10 do Apple Music e escalando a passos largos o Spotify, onde já está no top 25, sendo um contender forte para entrar dentre as 10 músicas mais populares dos EUA na parada da Billboard nas próximas semanas.

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Cardi B

O outro grande nome é a rapper Cardi B. Nascida e criada no Bronx, de origem dominicana, B. é uma ex-stripper que virou um enorme sucesso no Instagram com sua irreverência e ganhou ainda mais fama ao virar parte do elenco do popular reality show do VH1, “Love & Hip-Hop New York”. Apesar de ter muitos seguidores, poucos acreditavam que ela tinha chances de emplacar uma credbile music carreer.

Mas ela está se provando plenamente capaz. Sua música, “Bodak Yellow”, já excedeu todas as expectativas, alcançando o segundo lugar no Apple Music; sendo a segunda canção mais popular no YouTube dos EUA (atrás apenas de “Despacito”) e começando sua escalada no Spotify, onde penetrou o top 50 na segunda-feira. No Hot 100, a música subiu 21 posições em uma semana, alcançando a posição #29 e se tornando oficialmente um top 40 hit. Isso parece ser só o começo da jornada de sucesso da latina.

A estréia meteórica de Cardi B é impressionante porque dá para contar nas mãos a quantidade de rappers mulheres que obtiveram sucesso. Além disso, é o melhor debut desde Nicki Minaj, faz 7 anos. Diferente de Nicki, porém, Cardi não faz parte da Young Money — a trupe do gigantesco rapper Lil Wayne — nem foi apresentada ao público em um summer smash com a participação de todos os nomes do grupo, como Drake. Ao invés disso, a música de Cardi é totalmente solo — sem nenhum featured rapper — e a única participação de algum outro nome forte do gênero é através do instrumental — ela canta em cima de uma batida de uma música do hypado rapper da Florida, Kodak Black (daí o nome da canção, “Bodak Yellow”).

Cardi B e SZA estão leading the way para mulheres na música e provando que não é preciso ser loira e com hits pop para fazer barulho. Na verdade, em um momento em que o público está sedento por mudança, oferecer mais do mesmo — como Perry fez com “Witness” — pode inclusive ser um impeditivo.

Causando em 2017: o ano foi deles

Ainda falta para encerrar o ano mas os sete primeiros meses já nos dão um retrato bem completo de vários dos principais acontecimentos pop de 2017. É isso que vamos analisar através dos próximos três posts.

Na primeira parte, o tópico são os artistas e músicas que indiscutivelmente dominaram o mundo ao longo do ano.

Um fato sobre 2017:  nada nem ninguém no cenário musical chegou perto do sucesso obtido por dois artistas e duas músicas.

O maior nome de todos foi, sem duvida nenhuma, Ed Sheeran. O britânico com seu pop água com açúcar é um fenômeno sem igual em absolutamente todos os fronts, quebrando recorde de vendas em todo o mundo; vendendo milhões de ingressos para sua turnê e obtendo o maior sucesso do ano (Shape of You), que ficou no topo por meses e meses a fio.

Sheeran, porém, esta correndo um risco: a super-exposição. A sua compatriota Adele — literalmente a única artista capaz de superá-lo em vendas mundo afora — deu uma aula de como não se desgatar, fazendo pouquíssimas aparições na mídia ao longo da promoção dos seus últimos dois álbuns.

Sheeran, em contrapartida, passou os primeiros meses do ano dando as caras em absolutamente todos os eventos e programas de TV da Europa, dos EUA e da Austrália. Ele não precisa disso: a essa altura, já está claro que ele é capaz de vender muito mesmo fazendo nada. Faz poucas semanas, sua aparição na estréia de temporada de outro colosso da cultura pop, “Game of Thrones”, foi muitíssimo mal recebida e expôs os possíveis perigos de sua onipresença.

Isso, claro, é um potencial problema a longo prazo. Por enquanto, tudo está perfeito no universo do ruivo. Sua turnê caminha a longos passos para se transformar numa das mais bem sucedidas de todos os tempos, com as datas em estádios na Europa e na Oceânia em 2018 já completamente esgotadas. Em vários países, como na Irlanda e na Austrália, ele quebrou recordes históricos de vendas de ingresso.

“Shape of You” dominou os primeiros três meses do ano, antes de ser substituída no topo pela inescapável “Despacito”. A música de Luis Fonsi e Daddy Yankee era um fenômeno sem igual na América Latina desde janeiro e estava escalando as paradas européias antes de virar um instantâneo número 1 global com o lançamento do remix com Justin Bieber no fim de abril. A música se transformou recentemente na música mais streamed da história e deverá desbancar “See You Again” como o vídeo mais visto do YouTube. A música de Wiz Khalifa e Charlie Puth demorou mais de 2 anos para alcançar 3 bilhões de views, algo que o reggaeton deverá fazer em oito meses.

E falando em Bieber, é ele que é o outro grande nome do ano. O canadense — que atingiu outro patamar em sua carreira com a ótima aceitação do seu último álbum, “Purpose” — tem emplacado um sucesso atrás do outro desde 2015 e teve seu toque de Midas confirmado em 2017, quando todas as suas colaborações atingiram o topo quase de imediato, começando por “I’m the One” com DJ Khaled, Lil Wayne, Chance the Rapper e Quavo e seguido pela inescapável “Despacito”. Desde que ele lançou seu último CD — com três smash number 1 hits, “What Do You Mean?”, “Sorry” e “Love Yourself” — Bieber já lançou cinco colaborações com nomes como Major Lazer (“Cold Water”), DJ Snake (“Let Me Love You”) e David Guetta (“2U”), todas super bem recebidas.

Além disso, foram 150 shows completamente esgotados em seis continentes com lucros recordes ao longo 16 meses. Bieber não aguentou o tranco e cancelou os 14 shows finais. Considerei algo mais do que compreensível porque não só a turnê estava longuíssima como o cantor parecia estar de saco cheio dela desde o primeiríssimo show, em março do ano passado.

Tirando a falta de entusiasmo nos shows e um ou outro piti, Justin conseguiu se manter longe das polêmicas durante a maior parte da era, o que já é uma vitória. O estado mental do cantor — que tem sido fotografado sempre todo oleoso, ao lado do pastor da igreja bizarra que frequenta — não parece ser dos melhores mas, then again, obter esse nível de sucesso tão jovem é uma garantia de problemas psicológicos. Enquanto ele continuar lançando músicas boas, o público vai continuar sem se importar.

O rap e o hip-hop sempre foram os gêneros mais populares entre o público jovem dos EUA mas o avanço do streaming no país — hoje responsável por mais da metade do consumo legal de música por lá — colocou os gêneros urbanos em outro patamar.

No meio da dominação, um trio se destacou: Migos. A música deles, “Bad and Boujee”, foi um number one hit giga na Terra do Tio Sam e eles obtiveram sucesso com outras várias músicas como “T-Shirt” e “Slippery”.

Quavo, é o líder do grupo, estando para o Migos como Beyoncé estava para o Destiny’s Child. Kelly e Michelle são, respectivamente, Offset e Takeoff. Os três são amigos de infância, nascidos e criados no estado sulista da Georgia.

Quavo, sozinho ou junto com seus dois companheiros, foi o featured artist mais popular de 2017, recrutado por absolutamente todos os artistas que queriam surfar na onda urbana que tomou conta dos EUA.

Ao notar que seu som pop estava outdated, Katy Perry pediu ajuda para os Migos e os colocou em “Bon Appetit”. Eles também apareceram, ao lado de Frank Ocean, em “Slide” do DJ escocês Calvin Harris e em um single do jamaicano Sean Paul. A música de estréia do ex-One Direction Liam Payne, “Strip That Down”, conta com a participação de Quavo que também está no novo CD da cantora indie pop Halsey e da popstar aposta do momento Camila Cabello. Ele ainda teve sucessos consideráveis ao lado de Drake (“Portland); Bieber e Khaled (“I’m the One”) e Post Malone (“Congratulation”).

Enfim, se teve alguém que trabalhou duro ao longo dos primeiros 8 meses do ano esse alguém foi Quavalicious Marshall.

What’s next?

Para a indústria musical, o ano é dividido em quatro trimestres. O mais importante deles — com as vendas mais altas — começa em outubro e é conhecido como Q4. Álbuns previstos para esse período incluem retornos de Taylor Swift, Eminem, P!nk, Sam Smith, Miley Cyrus, Demi Lovato, Shania Twain, Celine Dion, U2, dentre outros.

Nos próximos meses também teremos a confirmação de quem será o ato que vai se apresentar no Super Bowl em fevereiro do ano que vem. Minha aposta é em P!nk, que faria uma espetacular apresentação cheia de malabarismo mas também não me surpreenderia se fosse Justin Timberlake, que tem álbum previsto para ser lançado entre o fim desse ano e o começo do próximo. Por mais que Swift fosse uma escolha lógica dado o seu calibre, ela é bastante improvável pelo seu contrato publicitário com a Coca Cola. O Halftime Show é patrocinado pela Pepsi.

Seja como for, vamos ficar ligados.

Anitta e o sucesso internacional

Um dos assuntos relacionados a cultura pop que mais tem bombado ultimamente nas redes sociais é a viabilidade da carreira internacional de Anitta. A cantora sensação acaba de aparecer em uma música da popstar internacional Iggy Azalea — que foi bastante bem recebida pelo público brasileiro — e todo mundo quer saber se isso é o começo de um promissor futuro de sucesso no mundo todo. Mas será que é?

Antes do mundo, o Brasil

Se tem um país que ama desproporcionalmente divas pop, esse país é o Brasil. É verdade que em termos de lucro, o nosso país está bem atrás dos EUA e da Europa mas quando o assunto é tietagem, NINGUÉM bate nossa pátria. No YouTube, uma porcentagem altíssima de views dos clipes das Katy e Britney da vida vem do Brasil; nas redes sociais, o “COME TO BRAZIL” já virou um meme e, no Spotify, nenhum país dá tanta bola para as novidades dessas cantoras quanto o nosso.

Os últimos dias, particularmente saturados de lançamentos pop, ilustram isso bem: na parada diária do Spotify brasileiro, a estreia solo de Camila Cabello, Crying in the Club, debutou na posição #4; Selena Gomez, com Bad Liar, começou em #6 e Swish Swish de Katy Perry chegou em #7. Compare com as estreias das mesmas músicas nos EUA, o mercado natal de todas elas: #57; #12; #54. No Reino Unido, o principal mercado internacional: #64; #47; #47.

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Anitta conquistou o Brasil de imediato com o “Show das Poderosas”

Está claro que nós temos um apetite insaciável por popstars e, claro, nós precisávamos urgentemente da nossa própria representante do gênero. E nós arranjamos: Anitta. Carismática, divertida, talentosa, ambiciosa e com músicas animadas e com letras de empoderamento e curtição, ela é uma força que, sozinha, faz frente a febre sertaneja e a invasão do funk paulistano.

Nascida Larissa e criada no subúrbio carioca, Anitta começou no Furacão 2000 mas explodiu mesmo ao ser rebatizada com seu nome artístico e lançar o Show das Poderosas. Eu moro no Rio e lembro do frenesi imediato que foi essa música. Na época achei que ela não ia conseguir superar um sucesso tão icônico e que deu tão certo. Mas ledo engano: ela gravou sucesso atrás de sucesso e virou uma espécie de Midas, transformando em sucesso tudo que ela tocava — seja colaboração com o reggaetonero J Balvin; com a dupla sertaneja Simone e Simara ou com Nego do Borel.

Mas, depois de conquistar o Brasil, a ambiciosa Anitta quer mais e não tem escondido de ninguém seu desejo de conquistar o resto do mundo e, essa semana, a fandom pop do Brasil vibrou com o lançamento de Switch, que dá o primeiro gostinho da versão “pop americano” da nossa musa nacional. Muitos consideram que gravar com Iggy é uma grande honra e pode abrir muitas portas para Anitta.

Eu não sou uma dessas pessoas. Sinto jogar um balde de água fria em quem acha que a rapper australiana representa uma entrada em grande porte no mercado internacional. Até porque, dentre as duas, só uma delas é realmente bem sucedida. E não, essa pessoa não é a gringa.

O fracasso de Iggy Azalea

O Brasil tem um certo complexo de vira-lata em que nós achamos que o internacional é sempre superior. Ver a nossa representante do pop nacional contribuir com uma artista loira, que canta em inglês e que já obteve sucesso internacional é, automaticamente, um upgrade. Mas gente, vamos ser realistas: não é Iggy que está ajudando Anitta, muito pelo contrário.

Vamos fazer um breve repasse pela carreira da rapper:

Nascida em Sidney, Amethyst Amelia Kelly cresceu apaixonada por hip-hop e, em 2006, aos 16 anos, imigrou para os EUA onde começou a perseguir seu sonho de se tornar uma rapper e adotou o pseudônimo com o qual ficou conhecida. Uma garota branca, australiana, cantando rap americano não é exatamente a mistura mais convencional mas essa peculiaridade ajudou a abrir portas e, em 2011, ela lançou seu próprio mixtape que fez com que ela começasse a ganhar buzz na internet.

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Iggy Azalea

Ela foi alçada a outro patamar quando, em 2012, o muitíssimo bem-sucedido rapper T.I. virou seu conselheiro. Rapidamente, ela começou a chamar atenção das gravadoras e de empresários; ganhou apoio da influente Radio 1 britânica; lançou mais um EP produzido pelo aclamado produtor Diplo; excursionou na Europa e fez shows de abertura para NAS no Reino Unido e Beyoncé na sua Austrália natal.

Depois de assinar com a Island Def Jam, a rapper obteve algum sucesso no Reino Unido com os primeiros singles e bastante buzz virtual mas explodiu de verdade quando, no começo de 2014, Fancy virou um sucesso inescapável no mundo, atingindo o topo do Billboard Hot 100 nos EUA.

Obviamente, o sucesso da pegajosa canção fez os olhos da indústria brilharem, acreditando que Iggy tinha todo o potencial para ser a nova sensação. Ela foi inclusa num single badalado de Ariana Grande; lançou música super sensual com Jennifer Lopez; fez colaboração com Britney Spears e apareceu em todos os award shows, programas de TV e radio concerts possíveis e imagináveis.

Mas, enquanto a indústria estava do lado dela, o público não estava. Mesmo com o sucesso gigantesco de Fancy; a promoção pesada do seu single seguinte, Black Widow e as muitas colaborações com artistas famosas (algumas bastante apelativas, como Bootie com a J.Lo, designada para quebrar o Youtube), o álbum dela, The New Classic, penou para vender. Apesar de um relançamento, o CD teve dificuldade em alcançar Disco de Ouro em sua Austrália natal (40k) e não chegou nem perto dessa certificação no Reino Unido. Nos EUA, o resultado foi um pouquinho melhor: demorou mas ela conseguiu chegar a 500 mil unidades e, com streaming incluso, obteve um Disco de Platina.

Impulsionada pelo sucesso de Fancy, a canção seguinte de Iggy, Black Widow, atingiu o terceiro lugar no Hot 100 e quarto no Reino Unido. Depois disso, nenhuma outra música dela conseguiu penetrar o top 20, apesar da promoção forte e das colaborações com artistas badalados. A equipe dela, que foi iludida pelo próprio hype, anunciou uma turnê por arenas na América do Norte — com 24 datas em locais enormes como o Barclay Center no Brooklyn; AmericanAirlines Arena em Miami e o Staples Center em L.A. — e teve que passar pelo constrangimento de cancelar tudo quando pouquíssimas pessoas se interessaram por ingressos.

Azalea ainda levantou discussões sobre apropriação cultural por se aproveitar da música afro-americana — inclusive adotando um blaccent, o sotaque associado a população negra americana — ao mesmo tempo que não mostrava muito respeito pela comunidade. Letras em que ela se chamava de “mestre escravocrata” e se descrevia como uma “garota branca com bunda de favelada” despertou bastante ira assim como vários tweets antigos onde ela fazia comentários misóginos e racistas acerca de latinos, asiáticos; negros e chamava mulheres que vestiam roupas curtas de “putas”.

Rapidamente, ela perdeu o pouco apoio que ela tinha na comunidade hip-hop; o post compilando seus tweets racistas foi dividido 146 mil vezes no Tumblr e a imprensa e as redes sociais começaram a se virar contra ela. Mesmo assim, ela se recusou a se desculpar e, quando outro rapper branco, Macklemore, fez uma música sobre privilégio branco, na qual ele citava ele mesmo e Iggy, a resposta dela foi ficar ofendida por ter sido mencionada.

Apesar de alguns sucessos — namely, o número 1 obtido por Fancy — a estreia de Iggy teve grande hype e apoio financeiro mas pouquíssimo apoio do público. Sendo assim, era necessário muita ingenuidade para achar que o “grande comeback” dela ia ter qualquer tipo de respaldo.

Team, a volta de Azalea depois de 1 ano, não conseguiu alcançar o top 40 nem dos EUA, nem do Reino Unido. A canção seguinte, Mo’ Bounce, atingiu #53 no UK mas não conseguiu sequer penetrar o Hot 100.

O sucesso de Anitta

Em contrapartida a decadência de Iggy, a carreira de Anitta no Brasil foi um sucesso atrás do outro desde que ela estourou com Show das Poderosas no começo de 2013. Apesar de sua fama local, os números dela frequentemente superam o da “rapper internacional”. Por exemplo, Team de Iggy Azalea acumulou 98.3 milhões de views no YouTube ao longo de um ano enquanto o último lançamento de Anitta, Loka, a colaboração dela com a dupla Simone e Simara, tem 302 milhões de visualizações em 4 meses. Sim ou Não, o último single oficial da carioca, se aproxima da casa de 200 milhões.

No Instagram, Anitta tem 20 milhões de seguidores, o dobro do número de Iggy. No Facebook, a brasileira também quase duplica os números da estrela gringa: 13.5 milhões de curtidas versus 7.5 mi.

Dado o track record de ambas, é possível concluir duas coisas: Iggy Azalea, que já foi quase que completamente esquecida no mercado internacional, não tem nenhuma capacidade de dar a Anitta um hit global. Já a brasileira pode sim quebrar o track record de fracassos internacionais de Iggy podendo facilmente garantir a ela um sucesso no Brasil.

E, né? Prova disso é o resultado de Switch no Spotify. Aqui, a música já estreou no segundo lugar. Em Portugal, provavelmente impulsionada pela brasileira, o single chegou a #38 e, no país vizinho, Espanha, em #85. Nos demais países europeus, EUA, Canadá e Austrália? Switch não foi capaz de figurar nem sequer no top 200.

Switch é a junção de um nome desprestigiado e com cada vez menos clout no mercado com uma artista que, por mais que não tenha o name recognition internacional, é excepcionalmente bem-sucedida. Se tem alguém que deve estar ~honrada~ pela possibilidade de colaborar com uma estrela, esse alguém é Iggy.

Caminhos melhores

Pelos motivos listados acima, não acho que colaborar com Iggy seja uma entrada no mercado internacional pela ~porta principal~. Inclusive, dado a total irrelevância da cantora ultimamente, talvez não seja nem pela porta dos fundos.

Claro que a colaboração tem sim seu valor — os brasileiros fãs de pop amaram a canção; os poucos sites especializados internacionais que deram atenção ao lançamento também o elogiaram e ademais é interessante ver Anitta, um ícone nacional, numa produção em inglês. Mas, por outro lado, para olhos mais observadores, a colaboração parece um pouco desesperada. “Se dê mais valor, Anitta”, é o que eu pensei quando soube do dueto.

A própria Iggy parece ter sido abandonada pelos nomes mais profissionais de sua equipe dado o rollout cagado da música, com alguns missteps que, sinceramente, não são normais para um artista sério.

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Maluma e Anitta: a primeira colaboração internacional da brasileira

Para começar, a própria dispensou o lançamento de um lyric video por motivos que não fazem nenhum sentido (“resolvi que vou usar como backdrop no telão durante meus shows”. 1. Porque isso impede de coloca-lo no YT? 2. Que shows, lindinha?). Isso é uma decisão estúpida pois o site de compartilhamento de vídeo  é um dos maiores veículos de promoção no mundo (e no Brasil em particular) e, dado a força que os brasileiros tem para impulsionar vídeos, o filme com as letras acumularia muito mais views que os lançamentos recentes de Azalea, ajudando talvez a criar uma ilusão de que a decadência dela estava perdendo força.

Mas tudo bem, isso não necessariamente é um big deal porque o que importa mesmo é o vídeo oficial. Só que aí, o clipe — sabe-se lá como — vazou na internet e, óbvio, não demorou muito para ele se espalhar pela sempre histérica websfera brasileira. Resultado? Azalea dizendo que talvez vá cancelar o lançamento oficial do clipe. Cuma? Assim fica difícil te ajudar.

Mas enfim, o fato é que existem caminhos muito mais dignos para o sucesso internacional. E a própria Anitta já transitou por eles.

Um exemplo é a colaboração com Maluma, Sim ou Não. Diferente de Azalea, e similarmente a Anitta, Maluma é um dos artistas mais badalados do momento e provavelmente um dos maiores — se não o maior — no mercado latino. Com alcance em absolutamente toda a América Latina; na Espanha e também com o numeroso público latino dos EUA, o reggaetonero é, de fato, um aliado importante na busca pelo sucesso mundo afora e um fenômeno de seguidores nas redes sociais, com bilhões de views no YouTube.

É preciso muito networking e muito poder para conseguir colaborar com um artista de primeiro escalão global. Um feat de Justin Bieber, por exemplo, a colocaria no top 10 de todo o universo mas, vamos combinar, isso é semi impossível. Uma opção um pouco mais realista são DJs/produtores. Anitta, que não é boba nem nada, já está correndo atrás disso e deverá aparecer em uma colaboração com o Major Lazer que também deverá contar com Pablo Vittar. Aqui no Brasil mesmo tem Alok, que provavelmente é o artista local com maior alcance internacional no momento e cujo single, Hear Me Now, obteve mais repercussão global que qualquer música recente de Iggy.

Anitta é bastante fã do rap e do hip-hop americano e foi fotografada com Tyga recentemente. Minha opinião sobre ele é a mesma que tenho sobre Iggy: NÃO. Além de muitos fracassos recentes, ele também tem uma péssima imagem. Mas isso não quer dizer que a artista não deva network no mundo urban mas, claro, sempre tomando cuidado para não oversstep the boundaries e virar caricatura (como foi o caso de Iggy).

Outro gênero com o qual ela flerta muito é o reggaeton. Vários dos seus sucessos recentes tem influência do estilo, como Loka com Simone e Simara e o exemplo mais óbvio, Sim ou Não, com o maior fenômeno do gênero, Maluma. Tem também o remix com a participação dela do hit pan-hispânico Ginza de J Balvin, que fez com que a música entrasse em alta rotação no Brasil.

No momento, como já decorri sobre, não existe estilo mais onipresente e poderoso na Espanha e na América Latina de modo que o reggaeton certo pode quebrar fronteiras para ela. Dito isso, não tem como negar que nenhuma mulher obteve grande sucesso dentro do estilo e — apesar de ter gerado grandes divas pop como Thalia e Paulina Rubio no fim dos anos 90/começo dos 2000 — o mercado hispânico tem rechaçado música feminina (a não ser, claro, que seu nome seja Shakira). Mas bom, tá mais do que na hora disso mudar, né? Quem sabe Anitta não dê uma ajudinha nisso.

Anitta poderá ser um sucesso internacional?

Não tenho bola de cristal mas a resposta para a questão acima é, muito provavelmente, não.

Anitta tem talento, ambição e star quality. Mas ela é um fenômeno no Brasil porque seu estilo e sua personalidade ressoam enormemente com o público nacional. Essa mágica quase que invariavelmente é lost in translation. Mesmo nomes anglo-saxões, como Little Mix e Jess Glynne, não são capazes de traduzir os fatores que fazem delas grandes no mercado natal para o palco global.

Dá para contar nas mãos os artistas não americanos que obtiveram sucesso global duradouro nos últimos anos. Um dos poucos foi Shakira que tinha um estilo e uma voz muitíssimo peculiares, capazes de quebrar qualquer barreira, o que já havia sido provado mesmo antes do seus sucessos em inglês, quando ela virou um fenômeno no Brasil, um mercado historicamente difícil para artistas de língua hispânica.

O fato do sucesso não ser muito provável não significa que ela não deva ter essa ambição e correr atrás dos seus sonhos. “Sucesso internacional” é algo muito subjetivo e artistas brasileiros — como Michel Teló; a lambada do Kaoma e Xuxa — já conseguiram, mesmo que por poucos instantes, hipnotizar todo o planeta. Sendo assim, porque não tentar?

Como já disse, star quality e sede de sucesso ela tem. E, na pior das hipóteses, caso suas international collaborations não cheguem no resto do mundo, o sucesso delas no Brasil está mais do que assegurado. Por mérito próprio, a cantora é, em terras tupiniquim, sinônimo de um bom pop de bater cabelo, seja ele em inglês, em português, em espanhol ou em mandarim.

Seja como for, Anitta é um alívio para os (muitos) fãs de pop do Brasil. Ela é uma das poucas estrelas que não é precisa implorar para COME TO BRAZIL!!!. Afinal de contas, ela já é nossa.

A encruzilhada de Katy Perry

O comecinho do ano de 2017 foi marcado pelo retorno de duas das maiores estrelas recentes da indústria fonográfica: Katy Perry e Ed Sheeran. Enquanto o comeback de Sheeran foi de vento em popa, o consolidando como o maior artista do mundo no momento, a trajetória de Perry foi mais complicada. Mas isso significa que ela está fracassando? Bom, vamos começar pelo começo..

perry

To the top

Katy Hudson, como era originalmente conhecida, começou como cantora gospel antes de adotar Perry, o sobrenome de solteira da mãe, e fazer a transição para o pop secular. Com seu jeito kitshy with an edge, ela surgiu na cena em 2008 — começando no Wraped Tour, um festival que era reduto dos teen cool e roqueirinhos da época — e rapidamente obteve dois gigantescos hits, o provocativo I Kissed a Girl e a divertida Hot ‘n’ Cold. As duas músicas serviram como blueprint para toda a carreira futura de Katy: letras irreverentes e produções chiclete e pure pop feito pelo duo extraordinário Max Martin/Dr. Luke que se consolidaram como os maiores produtores daquele período.

O segundo álbum — um desafio para qualquer artista — serviu para confirmar KP como uma das maiores artistas do mundo. Com “Teenage Dream”, ela emplacou nada menos do que 5 hits gigantescos — todos alcançando o primeiro lugar nos EUA consecutivamente, um ato até então inédito.  Ambiciosa, Perry não poupou esforços para conseguir seu lugar no A-list da música, promovendo seu CD exaustivamente em todos os principais mercados e levando sua turnê para 5 continentes, com 127 apresentações no total. O período de promoção do álbum, que começou em maio de 2010, englobou um casamento, um divórcio, um relançamento (que deu origem a mais um número 1 nos EUA, a música Part of Me) e um filme documentário em 3D, e só terminou no outono americano de 2012.

O CD seguinte, “Prism”, tinha a missão de confirmar que Katy estava aqui para o long run. Era um projeto tão importante que Dr. Luke — que tinha assinado um contrato de exclusividade com a Sony — conseguiu ser liberado para poder produzir o álbum junto à Max Martin apesar de ser um lançamento da concorrente, Universal.

Repetir o resultado de “Teenage Dream” era quase impossível mas, apesar de não ter alcançado o nível do antecessor, o terceiro CD cumpriu sua função, produzindo mais dois hits gigantescos e inescapáveis para Perry (Roar e Dark Horse), servindo de mote para a turnê mais bem sucedida e lucrativa da cantora e concluindo com algo reservado para pouquíssimos artistas: uma apresentação no evento mais importante dos EUA, o Super Bowl, assistido por mais de metade da população. Assim como no CD anterior, o período de atividade foi bem longo, começando no último quadrimestre de 2013 e finalizando apenas em outubro de 2015. Mas, diferente do antecessor, todos os dois número 1 de “Prism” aconteceram logo no começo do período de promoção. A era, por tanto, não foi sustentada por canções gigantescas — os subsequentes singles tiveram resultados pífios — mas sim pela tour de sucesso.

O presente

O primeiro sinal de que talvez as coisas não estivessem indo tão bem na terra de Katy foi o lançamento do buzz single Rise em julho de 2016. A música, que foi usada como tema para a transmissão das Olimpíadas nos EUA, o evento televisivo mais assistido do verão, ficou bem aquém as expectativas e passou despercebida.

O fato da música ter sido disponibilizada com exclusividade no Apple Music por uma semana foi apontado como o principal motivo para o desempenho fraco. A promoção intensa recebida no iTunes e no serviço de streaming da gigante da tecnologia não foi o suficiente para compensar o fato da canção ter sido completamente esnobada pelo Spotify que, em vingança por receber o lançamento atrasado, não a incluiu em nenhuma playlist importante e também não deu destaque a ela entre os lançamentos.

Posteriormente, a Universal Music proibiria seus contratados de fazerem lançamentos exclusivos, argumentando que esses beneficiavam mais os serviços de streaming do que os próprios artistas. A canção de Perry não foi a gota d’água para essa decisão, e sim a manobra utilizada por Frank Ocean para finalizar seu contrato com a gravadora e lançar um álbum pelo Apple Music, mas com certeza contribiu para a decisão.

Em todo o caso, era só um buzz single. Quando finalmente chegou o momento de estrear o de facto primeiro single do seu álbum, em fevereiro de 2017, a lição tinha sido aprendida a perfeição.

Chained to the Rhythm, a primeira música do KP4, lançada no dia 10 de fevereiro, foi produzido pelo Midas do pop — e frequente colaborador de Katy — Max Martin junto com a própria cantora e a australiana Sia, outro nome badaladíssimo.

Para não cometer o mesmo erro, a Capitol acertou tudo com o Spotify, que promoveu o lançamento com um banner em sua página inicial e colocou a canção em todas as suas principais playlist. O entrosamento entre o serviço de streaming e Katy foi tanto que o Spotify colocou outdoors promovendo a música em grandes metrópoles dos EUA e do Canadá, mandou  um e-mail comunicando a estreia para seus usuários e o CEO/fundador, Daniel Ek, até parabenizou Katy pela nova era no Twitter.

Além do Spotify, rádio — outro elemento importante — também estava pronta para dar o máximo apoio ao retorno de uma das principais cantoras pop do mundo. A canção ganhou estreia prioritária em todas as estações do conglomerado iHeart Radio, o maior dos EUA, que reproduziu a música pelo menos uma vez por hora em absolutamente todas as estações top 40 nas primeiras 24 horas.

E, para coroar a estreia, Katy ainda fez a primeira apresentação televisionada da música no maior evento musical de todos, o Grammy que, em 2017, obteve altíssima audiência.

Ou seja, um rollout mais estrategicamente perfeito que esse impossível. E, apesar de tudo isso, a primeira semana da canção teve um desempenho abaixo das expectativas.

No iTunes, a canção não alcançou o primeiro lugar, empacando em terceiro — algo extremamente preocupante já que até fracassos como Perfect Illusion de Lady Gaga e o próprio Rise de Perry atingiram o topo por algumas horinhas. No Spotify, apesar da promoção intensa, a música estreou em sétimo na parada global e oitavo nos EUA no primeiro dia antes de começar a despencar bem rapidamente.

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Spotify se empenha na promoção do single com um outdoor em Los Angeles

Foi uma diferença bem gritante do sucesso imediato de todos os anteriores lead singles dela que nunca tiveram nenhum problema em atingir o primeiro lugar.

No resto do mundo, o resultado também não foi muito melhor. A canção não liderou a parada em nenhum dos mercados principais de Katy, como o Reino Unido ou, mais preocupante, a Austrália.

O país Oceânico tinha virado um dos principais mercados dela, fruto do esforço de Katy que, com o CD anterior, deu especial atenção ao país. Em sua última turnê, Prismatic World Tour, Katy fez nada menos do que 23 apresentações na Austrália. Como resultado disso, o terceiro CD dela, “Prism”, alcançou 5x Platina no país, superando até mesmo as vendas de “Teenage Dream”. Até a música Rise — fracasso em todo o mundo — atingiu o topo da parada de singles australianas em 2016. Chained to the Rhythm, em contrapartida, teve que se contentar com a quarta posição, uma posição decepcionante.

Mas o que deu errado?

Dizer que Chained to the Rhythm foi um fracasso é uma afirmação injusta. Fracasso é, por exemplo, Perfect Illusion, o lead single do último álbum de Lady Gaga. Mas dado o que se esperava da música — atingir o topo em todo o mundo, como é costume para Katy — não tem como negar que o desempenho foi frustrante.

Nos EUA, assim como na Austrália, a situação foi particularmente desanimadora. A canção estreou em quarto no Billboard Hot 100 — fruto da boa recepção na rádio e de ter aguentado dentro do top 10 do Spotify pela maior parte da semana — mas rapidamente começou a despencar, não chegando nem perto de atingir o topo. Na Europa, apesar de picos mais baixos, a música teve mais fôlego — no Reino Unido, por exemplo, ela foi ajudada por uma apresentação no BRIT Awards — mas mesmo assim ficou aquém das expectativas. Mas, afinal, o que deu errado?

Chained to the Rhythm tinha como objetivo ser uma canção woke, uma música de protesto, que abordava a situação política dos EUA. As duas primeiras apresentações da música — no Grammy e no BRIT Awards — foram cheias de simbolismos políticos, assim como o vídeo clipe da canção. Perry, que foi um dos principais cabos eleitorais de Hillary Clinton, queria, com essa nova era, homenagear a candidata e se posicionar como uma figura que não é só uma popstar de bubblegum pop mas é também uma cidadã consciente. E para atingir esse objetivo ela foi zero sutil. A biografia dela no Twitter, por exemplo, é Artista. Ativista, Consciente.

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Perry é promovida pelo Spotify em Toronto

E ai está um dos problemas: essa escolha por ser política tinha tudo para sair pela culatra. Primeiro que, diferente de Barack Obama, Hillary Clinton não é uma figura querida ou popular e ser tão fortemente associada a ela pode alienar fãs de todos os espectros políticos, já que a candidata escolhida de Perry não é popular nem sequer entre os jovens esquerdistas, que escolheram em massa o oponente socialista dela, Bernie Sanders, nas primárias.

Apesar disso, Katy e sua equipe não estão poupando esforços para a legitimar como uma ativista consciente. Por exemplo, algumas semanas antes da estreia do single, Katy recebeu um prêmio humanitário numa cerimônia da Unicef na qual ela foi homenageada por ninguém menos que Clinton, em sua primeira aparição pública pós-derrota. Em março, Perry ganhou o National Equality Award no Human Rights Campaign. A questão do milhão é: porque Katy merece um prêmio humanitário ou um prêmio LGBT? Fazer campanha para Hillary Clinton e cantar uma música chamada I Kissed A Girl (que, aliás, é bem homofóbica. E não vamos nem falar de Ur So Gay) não te transforma magicamente em uma pessoa consciente e, muito menos, em uma ativista social.

Ou seja, o ativismo de Perry não convenceu e o conceito da música, com toda essa estratégia de lançamento performativo ~querendo dizer alguma coisa~, soou bastante pedante para um público que, francamente, está bem saturado de política.

Mas enquanto o ativismo falho de Perry é um aspecto que contribuiu para esse início pífio, ele não é o fator principal. O principal elemento é, na verdade, algo ainda mais preocupante em termos do sucesso a longo prazo da cantora.

Ao contrário de Rihanna, por exemplo, que é bastante camaleônica e sabe transitar perfeitamente pelas tendências do momento, a imagem e o som de Katy são bastante engessados: música puramente pop chiclete, produzida por Max Martin (e por Dr. Luke, até o processo legal de Kesha acabar com sua carreira), com uma estética muito colorida e irreverente.

O problema é que, depois de muito tempo, esse estilo sônico Max Martin está perdendo espaço. Tendências, inclusive as musicais, são cíclicas e os EUA principalmente está retornando a um período mais urbano. Desde que streaming virou o método mais popular de consumo de música, o rap e o hip-hop — que sempre foram estilos enormemente popular no país — viraram reis totais e o pop pegajoso ficou, com algumas exceções, em segundo plano.

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Perry foi parte importante da campanha de Hillary Clinton

É verdade que Max Martin — que já teve um período de vacas magras na última invasão urbana entre 2001 e 2006 — segue forte e seu trademark sound ainda é capaz de ressoar no mundo todo, como provado pelo sucesso global de Can’t Stop This Feeling de Justin Timberlake mas, no geral, o som de Perry não está em seu melhor momento nos EUA.

E quanto ao resto do mundo? Afinal de contas, Chained to the Rhythm também teve uma recepção decepcionante no Reino Unido e na Austrália, dentre outros países. Será que, depois de três álbuns, a formula de Perry simplesmente cansou?

Existe salvação?

Como já disse, Chained to the Rhythm não foi um fracasso gigantesco. A música simplesmente teve um desempenho abaixo das expectativas. Então sim, Perry pode ser capaz de sair dessa.

De certa maneira, o desempenho da música lembra um pouco o lead single do último álbum de Bruno Mars, 24k Magic.

Bruno, assim como Katy, é um artista que tem facilidade histórica de atingir o topo das paradas e o fez várias vezes, inclusive com o lead single de seus dois primeiros álbuns. Ele também teve o maior sucesso de 2015, a inescapável Uptown Funk. Sendo assim, todo mundo esperava que a primeira música de seu terceiro álbum fosse, logo de cara, um gigantesco sucesso global.

Mas não foi o que aconteceu. Assim como a música de Perry, 24k Magic empacou em oitava no Spotify dos EUA e nunca alcançou o topo em nenhum dos mercados principais, sendo apenas um sucesso razoável enquanto todo mundo esperava um smash hit dado o track record impressionante de Mars ao longo dos últimos 5 anos.

Apesar disso, Bruno se recuperou bem e o segundo single do álbum, That’s What I Like, já é um sucesso muito maior do que a música anterior e deve alcançar o topo da parada do EUA em breve. Além disso, a turnê dele esgotou em minutos e o álbum segue um vendedor constante mundo afora. Ou seja, existe vida após um single de estreia decepcionante.

Seria Chained to the Rhythm um deslize ou um prenuncio de uma decadência brava na carreira de Katy Perry? Stay tuned.

How-to: Como ser a revelação musical fenômeno do ano no Reino Unido

Leia antes: A cena musical britânica e sua constante renovação

No post anterior, fiz um repasse detalhado das renovações da cena musical britânicas e das revelações que aparecem ano após ano. E agora, vim ensinar como você também pode seguir os passos de Adele e Ed Sheeran e se transformar no novo fenômeno de vendas do Reino Unido rssssss

Mas falando sério, ao longo de meus anos de observação, percebi que existe uma receita para que as grandes apostas das gravadoras atinjam o seu máximo potencial. Essa receita acaba sendo, na verdade, um ótimo insight da indústria britânica como um todo. Por isso, acho interessante dividir com vocês as várias etapas que ajudaram Sheeran, Sam Smith dentre vários outros a alcançar sucesso meteórico com seus primeiros álbuns.

  • Antes do público, conquiste a indústria: Isso foi essencial para absolutamente todos os ganhadores do Critics’ Choice, afinal de contas, nenhum deles teria ganho o prêmio se eles não tivessem executado esse passo à perfeição. Ser bem conectado dentro do biz é necessário para que tudo esteja alinhado a favor do artista no momento que este tiver a chance de lançar um álbum. Glynne, Jessie J e Emeli Sande conheceram os produtores por detrás de seus sucessos através de carreiras como compositoras. Florence, Bay e Smith também faziam parte do inner circle musical fazia tempo. Além disso, ter essas conexões é importante para conseguir reuniões, fazer shows privados para executivos tanto nos EUA quanto no Reino Unido, ter  early buzz nas principais rádios e na BBC e para, quem saber, ser convidado para ser vocalista convidado em algum hit em potencial, o que nos leva a outro ponto…
  • Hits pré-estreia aumentam seu valor no mercado: Ser vocalista convidado em canções de sucesso aumentam o interesse do público e garantem airplay do material solo do artista nas grandes rádios. Jess Glynne, Emeli Sandé e Sam Smith tiveram impulso enorme graças a participação deles em number one hits de outros artistas e produtores antes de suas estreias oficiais.
  • Tente cultivar uma fanbase antes da seu primeiro single oficial: Lance mixtapes, disponibilize seu trabalho na internet, consiga buzz através de shows pequenos, cante em festivais. Foi assim que Ed Sheeran conseguiu um top 5 hit de imediato quando finalmente teve chance de lançar “The A-Team” mas também funcionou muitíssimo bem para Lily Allen, James Bay, dentre vários outros. Outro bom meio para ganhar divulgação é o BBC Introducing, que destaca novos talentos e dá espaço para novatos tanto na Radio 1 quanto em palcos especiais em festivais de grande porte como Glastonbury, T in the Park, Leeds and Reading e o próprio evento da estação, Radio 1 Big Weekend. Foi através do Introducing que Bastille, George Ezra, Florence & the Machine e Jake Bugg foram apresentados ao público.
  • Tenha credibilidade (ou a ilusão de ter): Mesmo que você seja uma artista puramente pop comercial, como Jessie J, é sempre um bônus criar a ilusão de que você é um ~artista de verdade~ que acrescenta algo de novo a cena. Fazer a estréia no Jools Holland — um programa bastante popular entre music snobs e conhecido por destacar música boa e musicos autênticos — é um ótimo começo e foi a plataforma de lançamento de basicamente todas as revelações citadas nesse post. Ser incluso no line-up do Glastonbury e outros festivais mais “sérios” também é muito bom, assim como ter alguma cobertura na imprensa especializada. Outro ponto importante: ganhar destaque na Radio 1, a rádio da BBC que, apesar de ser comercial, também tem credibilidade. Seja hyped pelas personalidades da emissora e tente aparecer no Radio 1 Live Lounge — onde artistas cantam versões stripped down de seus hits e fazem covers de sucessos de terceiros — para mostrar sua versatilidade e dotes vocais.
  • Mas também seja comercial: A Radio 1 é um bom começo mas, para ter um hit, é essencial ter airplay nas rádios top 40 comerciais, sobretudo a Captial FM, a estação líder entre jovens. Para isso, claro, a música tem que estar de acordo com as tendências do momento. Televisão também é muito importante: é preciso ir em pelo menos um talk-show de destaque (Graham Norton na BBC1 é o mais cobiçado mas Jonathan Ross na ITV também é uma boa alternativa) e, para os que tem estomago, The X Factor segue sendo um prime spot de divulgação, mesmo em plena decadência. Cantar no evento anual de caridade da BBC — Children in Need ou Comic Relief — é ótimo mas ainda melhor é uma música sua escolhida como o “single oficial” do evento (como aconteceu com Sam Smith; James Bay; Ellie Goulding e Jess Glynne). Além de Glastonbury, não dá para dispensar festivais mais comerciais — como o V Festival — e eventos grandiosos organizados pela rádio. O Radio 1 Big Weekend é um must mas o Capital FM Summertime Ball ou o Capital FM Jingle Bell Ball também são um big deal, principalmente para os que tem uma sonoridade e imagem mais pop.
  • Para pais e filhos: Os jovens gostarem de você é muito importante mas, para vender muito, é bastante útil ter as mães e os pais e os tios e as tias do Reino Unido inclinados a comprar sua música, afinal são eles que mais compram CD. Aparecer na TV, claro, ajuda o artista a atingir esse público mas os singles têm que ser atuais o suficiente para estar na Capital FM mas também melódicos na medida certa para conseguir airplay nas rádios voltadas ao público acima dos 30, como Radio 2, Magic ou Heart. Ou seja, evite ter um guest rapper. E cuidado: exposição em rádios adultas é bom para vender CD mas, se você quiser manter a imagem de hip e cool, não se associe demais a esse público. Evite, por tanto, eventos “de velho”. Entrar na playlist da Radio 2 é bom mas deixe o Radio 2 Live in Hyde Park, o grandioso evento organizado pelo estação, para Elton John; Rod Stewart e Bryan Adams ou para artistas que os jovens já decidiram que não querem mais (tipo Leona Lewis). O lugar do artista cool é no Radio 1 Big Weekend.
  • Tenha ambições de conquistar a América: O artista precista ter ambição e a confiança de que conseguirá penetrar o mercado dos EUA. A verdade é que ele provavelmente não conseguirá, mesmo se tiver obtido grande sucesso no Reino Unido, mas todos os A&R de gravadoras e empresários só apostam em que eles acreditam que tem chance de conquistar a muitíssimo valiosa Terra do Tio Sam. Esteja disposto para ir no programa da Ellen, em programas matinais e late night talk shows e shows de rádio e e shows para executivos do outro lado do Atlântico. Conseguir um slot para cantar no Saturday Night Live já é meio caminho andado e você já pode se considerar vitorioso se conseguir um top 10 hit ou uma indicação a Best New Act no Grammy.
  • Timing é tudo: O álbum deve ser lançado bem próximo de um single bem pancada, que tenha probabilidade altíssima de virar hit e represente o som e a vibe do artista. Stay with Me de Sam Smith e Hold my Hand de Jess Glynne e Hold Back the River do James Bay e Next to Me de Emeli Sandé e Starry Eyed de Ellie Goulding foram todos lançados bem próximos aos respectivos álbuns. Por outro lado, o CD de Tom Odell chegou as lojas meses depois de Long Way Down, o maior hit dele, o que possivelmente colaborou para que as vendas não fossem tão altas quanto esperado.
  • Corra para o abraço: Caso você obtenha sucesso nos passos acima, você será convidado para uma grandiosa performance no BRIT Awards do ano seguinte ao lançamento do seu álbum e, quiçás, ganhara um prêmio. Possivelmente, será o ápice da sua carreira, então aproveite. Os mais sortudos conseguiram sustentar o sucesso por mais álguns álbuns ou algum tipo de sucesso nos EUA, mas não todos. Boa sorte!

A constante renovação da cena musical britânica

A indústria fonográfica do Reino Unido — a terceira maior a nível global (atrás dos EUA e do Japão) — é uma das mais dinâmicas do mundo e é origem de vários dos artistas mais influentes da história (Beatles; Rolling Stones; Queen; Spice Girls; Oasis) e da contemporaneidade (Adele; Ed Sheeran; Coldplay).

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Adele, maior estrela do mundo, made in UK

Mas, claro, é uma indústria que depende, acima de qualquer coisa, do mercado interno. E esse mercado não é moleza: o público britânico é bastante influenciado pelas tendências do momento e sedento por novidades. Para mantê-los satisfeitos, é necessário uma constante renovação e criação de novos talentos ano após ano.

A shelf life do artista do momento não precisar ser duradoura. Muito pelo contrário: muitos só duram 1 álbum. A longevidade não é importante, o hype a curto prazo que é. Se ele durar — alguns conseguem — ótimo. Se não, não tem problema: novos artistas — mais condizentes com o que é cool no momento — surgirão para substituí-lo.

Apesar disso ser relativamente comum em todo o mundo, o ritmo no Reino Unido é particularmente frenético e, para que essa renovação possa acontecer, a indústria britânica conta com a total colaboração da mídia local — estações de TV e de rádio sabem promover artistas a perfeição, criando hype e dando espaço para que as apostas do momento possam brilhar. Um elemento importante desse aparato todo são duas premiações específicas que tem como objetivo apresentar quem serão os hot new acts da temporada. São elas: BBC Sound of... e o BRIT Critics’ Choice.

A enquete da BBC é a mais hypada por ser mais eclética e ousada. Porém, o Critics’ Choice — que serve como uma categoria da principal premiação da música britânica, o BRIT Awards — é bem mais comercial e, por tanto, mais certeiro.

Ter o selo de escolhido do Sound of… dá uma aura de credibilidade e expectativa para o artista e garante uma cobertura decente nos veículos da emissora pública britânica, incluindo airplay na influente Radio 1.

Receber o Crticis’ Choice, porém, significa o apoio integral dos executivos das principais gravadoras e respaldo não só da BBC mas também das estações de rádio comercial e emissoras de TV privada (principalmente a Capital FM, a principal rádio top 40 do país, e a ITV, o canal que exibe os BRIT). Apesar do nome aludir a críticos, a escolha é feita, na verdade, pelos executivos das grandes gravadoras.

Através dos escolhidos nas premiações, vamos dar uma olhada em como a indústria britânica se renovou ao longo da última década.

2008:

BRIT Critics’ Choice: Adele
BBC Sound of 2008: Adele

Em 2008, o Sound Of… estava em seu sexto ano mas só então começava a exercer maior influência. Indo na mesma onda de promover novos artistas, o BRIT Crtics’ Choice foi criado. Ambos se alinharam perfeitamente, selecionando a mesma artista como vencedora: Adele. Bem óbvio o quão acertada foi essa decisão, não é mesmo? Mas é hilário voltar ao tempo e ver que, naquele então, a escolha foi quase injusta.

A aposta unânime em Adele foi obviamente motivada pelo fenômeno chamado Amy Winehouse. A cantora tinha se tornado um dos maiores nomes da música global e seu álbum, Back to Black, tinha sido o mais vendido do ano anterior no Reino Unido. A demanda por música naquele mesmo estilo — tanto no mercado interno quanto internacionalmente — era enorme e, claro, todas as gravadoras queriam emular o fenômeno.

Sendo assim, não é difícil entender porque as fichas foram depositadas em Adele: mais do que o indiscutível talento, a cantora e compositora também tinha voz soulful, influências da música black americana e letras cheias de angustia. Como Winehouse, ela tinha um jeitão working class da capital britânica e uma personalidade contagiante. Ela tinha muito menos vícios que a sensação do momento (obviamente um ponto positivo) mas não dizia não para um cigarrinho e uma birita. Até a formação musical de ambas era a mesma: a prestigiosa escola de artes BRIT School.

Acontece que, em 2008, quem acabou abocanhando o filão foi, na verdade, Duffy. 19, o CD de Adele, foi o 16º mais vendido do ano. O mais vendido? Rockferry, da cantora galesa, que vendeu 1.7 milhão de unidades e ainda deu origem ao maior hit de 2008, a inescapável Mercy.

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Adele com seus primeiros Grammy em 2009

Para observadores de charts, a escolha de Adele foi, no mínimo, short-sighted uma vez que o verdadeiro fenômeno tinha sido a outra cantora com voz soulful. Que, aliás, tinha ficado em segundo lugar na enquete da BBC. Que irônico, né? Duffy ficou atrás de Adele numa enquete; acabou vendendo o triplo e sendo o maior fenômeno do ano e hoje em dia….. bem, nós sabemos como essa história acabou, né?

Mas apesar de ter sido ofuscada naquele então, a verdade é que Adele não decepcionou: o seu primeiro álbum foi um sucesso bastante digno. Impulsionado pelas críticas e prêmios, ele estreou diretamente no topo das paradas britânicas e vendeu 500 mil unidades. O single Chasing Pavement alcançou o segundo lugar no single charts.

A indústria, aliás, tinha convicção de que, independentemente de vendas, Adele era a escolhida: num shocking twist, foi ela, não sua rival mais bem sucedida (risosss), que ganhou o Grammy de Melhor Artista em 2009 mas foi só em 2011, com o lançamento de 21, que a londrina emergiu como um dos maiores fenômenos comerciais da história da indústria. Duffy, por sua vez, caiu no anonimato. O mundo dá voltas.

No longínquo ano de 2008…

+ The X Obsession: o show de talento The X Factor, exibido na ITV, continuava sua ascendência absurda de audiência e, em sua quinta temporada, se estabelecia como maior fenômeno social do país. A vencedora da temporada 2006 do programa, Leona Lewis, alcançava 3 milhões de unidades vendidas com Spirit. Lançado no ano anterior, o álbum se tornava o disco de estreia mais vendido da história do país. A inclusão de Cheryl Cole no painel de jurados do programa a transformou prontamente na maior it girl da Grã-Bretanha e também ajudou o girl group do qual ela formava parte, Girls Aloud, a atingir ápice de popularidade. Out of Control, o quinto álbum do grupo, superou a venda de todos os CDs anteriores dela em apenas 1 mês, obtendo disco de platina dupla.

+ Rock, o rei: Rock seguia sendo o estilo mais rentável do país e quase todos os CDs mais vendidos pertenciam ao gênero. O maior fenômeno eram os americanos do Kings of Leon que, impulsionados pelo enorme sucesso da música Sex On Fire, tinham vendido 1.2 milhão de cópias de Only by the Night. No ano seguinte, Use Somebody também seria um gigantesco hit, ajudando o álbum a ultrapassar 2 milhões de unidades. Eles substituiriam The Killers — que continuavam com altíssimas vendas no país — como a banda yankee de maior sucesso no mercado.

Coldplay também ultrapassou 1 milhão de unidades com o seu quarto álbum, Viva La Vida or Death and All His Friends. O grupo continuava sendo o maior e mais duradouro fenômeno do rock contemporâneo mundo afora mas o CD seria o primeiro deles a não ultrapassar a barreira de 2 milhões no UK.

Além de Duffy, os outros 2 CDs de estreia mais vendidos do ano também eram de bandas de rock: os irlandeses do The Script, com seu som meloso, e a sensação jovem Scouting for Girls. Outros sucessos notáveis incluíram o Greatest Hits dos Stereophonics e o quinto álbum do Nickelback (todos em coro: eca). Impulsionado pelo sucesso da música Rockstar, All The Right Reasons, o quinto álbum dos canadenses, alcançou platina dupla.

+ Pop time: além de Leona e Girls Aloud, poucos atos pop britânicos obtiveram sucesso expressivo mas ninguém conseguiu chegar perto dos números atingidos pelo Take That. Reunidos em 2006, uma década depois do primeiro término, a boyband substituiria Coldplay como o grupo mais rentável do país. O segundo álbum da nova fase deles, The Circus, vendeu 1.5 milhão de unidades em apenas 30 dias. Depois, ultrapassaria 2 milhões de unidades, sendo o terceiro álbum  consecutivo deles — contando com o Greatest Hits — a ultrapassar essa barreira. Era um prenuncio do takeover do pop…

Do pop internacional, o maior fenômeno era Rihanna. Depois de vender 1 milhão de unidades no ano anterior e ficar 14 semanas no topo com Umbrella, o relançamento de Good Girl Gone Bad foi responsável por mais 800 mil unidades em 2008. P!nk também era um sucesso notável: em poucos meses,  Funhouse se aproximava a 600 mil cópias e, no ano seguinte, se transformaria no terceiro álbum dela a ultrapassar a barreira do milhão no país.

+ O retorno do single: a morte do single físico fez com que a venda de músicas individuais alcançassem números historicamente baixos em meados dos anos 2000. Mas, em 2008, o iTunes — e as vendas digitais — crescia no Reino Unido e o mercado de singles voltava a andar a passos bastante largos. Os maiores sucessos do ano incluíram Mercy de Duffy e o single de estreia de Katy Perry, I Kissed A Girl.

[Top 10 álbuns] 1. Rockferry – Duffy / 2. The Circus – Take That / 3. Only by the Night – Kings of Leon / 4. Spirit – Leona Lewis / 5. Viva La Vida or Death and All His Friends – Coldplay / 6. Good Girl Gone Bad – Rihanna / 7. Day & Age – The Killers / 8. Out of Control – Girls Aloud / 9. Funhouse – Pink / 10. Scouting for Girls – Scouting for Girls.
[Top 10 singles] 1. Hallellujah (The X Factor winning single) – Alexandra Burke / 2. Hero – The X Factors Finalists 2008 / 3. Mercy – Duffy / 4. I Kissed A Girl – Katy Perry / 5. Rockstar – Nickelback / 6. American Boy – Estelle ft. Kanye West / 7. Sex On Fire – Kings of Leon / 8. Now You’re Gone – Basshunter / 9. 4 Minutes – Madonna ft. Justin Timberlake & Timbaland/ 10. Black & Gold – Sam Sparro.
[Best-selling debut albums] 1. Rockferry – Duffy / 2. Spirit – Leona Lewis [2007] / 3. Scouting for Girls – Scouting for Girls / 4. The Script – The Script/ 5. 19 – Adele
[Million-selling albums] Cinco
[Álbuns 500k+] 14
[Million-selling singles] Zero
[Singles 500k+] 3

2009:

Brit Critics’ Choice: Florence & the Machine
BBC Sound of 2008: Little Boots

2009 foi o ano que o Crtics’ Choice se provou muito mais certeiro do que a enquete da BBC. A premiação do BRIT apostou na roqueira Florence & the Machine que de fato se transformou num dos maiores fenômenos do ano e em um dos maiores expoentes do rock britânico mundo afora (além de uma das únicas mulheres com posição de destaque no gênero). Já a emissora pública apostou na cantora de electropop e DJ Little Boots que, apesar de obter um Disco de Ouro com seu CD de estreia, não causou muito impacto.

Lungs, o CD de Florence, vendeu 516 mil unidades no Reino Unido em 2009. Dentre atos locais não relacionados ao X Factor, foi o álbum de estreia mais vendido. No total, o álbum alcançaria 1.6 milhão de unidades comercializadas no país graças a vendas altíssimas também ao longo do ano seguinte.

A aposta em Florence fazia pleno sentido dado o momento: as paradas do ano anterior comprovavam que rock era altamente popular e que o mercado estava pronto para novos nomes do gênero. A britânica era uma aposta diferente do habitual mas o star quality dela era indiscutível.

Depois de ganhar o Crtitics’ Choice, a cantora levou, no ano seguinte, o prêmio principal do BRIT, Album of the Year, elevando ainda mais as vendas do CD. Lungs também vendeu mais de 1 milhão nos EUA, onde a música “Dog Days Are Over” foi um grande hit e Florence foi indicada ao Grammy de Best New Act.

Apesar de não ter obtido tanto sucesso, a escolha de Little Boots não foi aleatória. O british electropop também estava passando por um momento auspicioso, gerando hits marcantes como That’s Not My Name Shut Up And Let Me Go dos Ting Tings e In For The Kill e Bulletproof de La Roux. Além disso, 2009 também foi o ano de ascensão de Lady Gaga que colocaria o pop eletrônico nas paradas do mundo.

Mesmo assim, Boots não teve grande impacto. Hands, o seu CD de estreia, obteve números dignos, atingindo 100 mil cópias e gerando um top 10 hit, Remedy. Mas isso não foi o suficiente para ela nem sequer aparecer entre os 50 discos mais vendidos do ano.

No longínquo ano de 2009…

+ O império do pop: The X Factor se confirmava como a maior obsessão nacional e, em simultâneo, pop virava o estilo reinante no país com a ascensão de Lady Gaga, que teve o maior hit do ano (Poker Face) e o segundo CD mais vendido (The Fame somado ao relançamento The Fame Monster).

Gaga se juntava a outros fenômenos monstros do pop norte-americano: Black Eyed Peas com The E.N.D. e Beyoncé com I Am… Sasha Fierce. Todos ultrapassaram a barreira de 1 milhão de unidades vendidas assim como Michael Bublé com Crazy Love. Evidentemente, esses artistas todos participaram do The X Factor para promover seus respectivos lançamentos.

+ Simon Cowell takeover: artistas relacionados a The X Factor — como a boyband JLS e Cheryl Cole, em sua estreia solo — dominavam as paradas e obtinham vendas altíssimas, ofuscando outros grandes nomes do pop local daquele então (Paolo Nutini, Lily Allen, Robbie Williams).

Susan Boyle, a estrela viral revelada em outro programa de Simon Cowell, Britain’s Got Talent, se provava o maior fenômeno de 2009: seu primeiro álbum, I Dreamed A Dream, vendeu 1.63 milhão de unidades em 1 mês e foi o mais vendido do ano, excedendo até as expectativas otimistas da Sony.

Em contrapartida, Leona Lewis provou que a data de validade para estrelas de show de talento costumam chegar rápido: depois de quebrar todos os recordes com seu álbum de estreia e obter um hit global com Bleeding Love, o segundo álbum dela, Echo, vendeu apenas 1/6 do antecessor e marcou o começo do fim para a londrina.

+ Singles: impulsionado pela popularização do iTunes, o mercado de singles continuava em pleno crescimento e só deu Black Eyed Peas, Lady Gaga e atos relacionados ao The X Factor nas paradas. Poker Face, o maior sucesso do ano, vendeu 862 mil unidades. Uma campanha do Facebook para bloquear o ganhador do talent show de Simon Cowell do topo das paradas no natal também alçou Rage Against the Machine para a lista dos mais vendidos de 2009.

Enquanto no ano anterior apenas 4 singles ultrapassaram a barreira dos 500k, em 2009 esse número quadruplicou, prova de que o mercado digital no UK estava dando saltos gigantescos.

[Top 10 álbuns] 1. I Dreamed A Dream – Susan Boyle / 2. The Fame+The Fame Monster – Lady Gaga / 3. Crazy Love – Michael Bublé / 4. The E.N.D. – Black Eyed Peas / 5. Only by the Night – Kings of Leon / 6. JLS – JLS / 7. I Am… Sascha Fierce – Beyoncé / 8. Sunny Side Up – Paolo Nutini / 9. It’s Not Me, It’s You – Lily Allen / 10. Reality Killed The Video Star – Robbie Williams.
[Top 10 singles] 1. Poker Face – Lady Gaga / 2. I Gotta Feeling – The Black Eyed Peas / 3. Just Dance – Lady Gaga / 4. Fight for this Love – Cheryl Cole / 5. The Climb (X Factor winning single) – Joe McElderry / 6. In For The Kill – LaRoux / 7. Boom Boom Pow – The Black Eyed Peas / 8. Killing In The Name Of – Rage Against the Machine / 9. Bad Boys – Alexandra Burke (ganhadora do X Factor 2008) ft. Flo-Rida / 10. Meet Me Halfway – The Black Eyed Peas
[Best-selling debut albums] 1. I Dreamed A Dream – Susan Boyle / 2. The Fame+The Fame Monster – Lady Gaga / 3. JLS – JLS / 4. 3 Words – Cheryl Cole / 5. Lungs – Florence & the Machine
[Million-selling albums] Cinco
[Álbuns 500k+] 18
[Million-selling singles] Zero
[Singles 500k+] 12

2010:

BRIT Crtics’ Choice: Ellie Goulding
BBC Sound of 2010:
Ellie Goulding

Depois de errar em 2010, a BBC voltou a apostar no mesmo nome que o Crtics’ Choice: Ellie Goulding.

Goulding tinha algumas características similares a Florence, o fenômeno do ano anterior: uma apresentação — em termos de look, voz e repertório — marcante e peculiar. Com seu som synthopop e sua voz folk, ela atendia a demanda do momento, em que Lady Gaga e o dance pop reinavam, mas também trazia algo de novo. Além disso, ela já tinha bastante buzz, mesmo antes da estreia do seu primeiro álbum. Representada pela poderosa empresária Sarah Stenett, ela fez um bem-recebido debut no prestigioso programa de Jools Holland e já tinha algum hype na imprensa.

Como de costume, a aposta em Ellie deu resultados: Lights, seu primeiro CD, estreou no topo  e deu origem a um top 10 hit (Starry Eyed), atingindo Disco de Platina antes do fim do ano. Mais tarde, ela foi chamada para cantar a música do anuncio natalino da rede de varejo John Lewis, um cover de Your Song. A canção foi enormemente bem-recebida (Kate Middleton, fã da versão, inclusive a chamou para cantá-la no Casamento Real), capitaneando o relançamento do álbum que acabou sua trajetória com 850 mil unidades vendidas. Ela ainda obteve sucesso nos EUA com a música Lights.

O álbum de lançamento serviu como trampolim para uma bem-sucedida carreira internacional.

Highlights de 2010

+ O céu não é o limite: Entre 2006 e 2009, o Take That tinha passado a barreira de 2 milhões de cópias vendidas com uma compilação e dois álbuns de estúdio e feito a turnê mais bem sucedida de todos os tempos, The Circus Tour. Parecia impossível crescer ainda mais. Mas daí, Robbie Williams anunciou seu retorno para o grupo depois de quase duas décadas — algo antes considerado semi impossível dado a quantidade de ressentimento entre as duas partes e a proporção que a carreira solo de Williams tomou — e o álbum resultante, Progress, vendeu 1.8 milhão de cópias em apenas 1 mês. No ano seguinte, se transformou no quarto CD do grupo a ultrapassar a barreira dos 2 milhões. A turnê Progress Live vendeu mais de 1 milhão de ingressos, superando a excursão anterior e sendo, até hoje, a mais bem sucedida da história do país.

+ Made in America, bought in the UK: O Reino Unido se estabelecia como o principal mercado de Rihanna (maior, inclusive, do que os EUA em termos de CDs vendidos); o álbum de Alicia Keys — que teve vendas medianas nos EUA — se mostrava um enorme sucesso no país (impulsionado pela boa aceitação de Empire State of Mind Part II nas rádios adulto contemporâneas locais e uma elogiada performance no The X Factor); Gaga continua seu reinado e a volta do Eminem foi muito bem recebida (surpresa para ninguém, dado o tamanho da sua popularidade no país).

+ Homemade success: Vitorioso no BRIT Awards e impulsionado por um relançamento, o álbum de estreia de Florence vendeu ainda mais em seu segundo ano. O sucesso surpresa do ano foi o CD conceitual do rapper Plan B, The Defamation of Strickland Banks, que misturava soul rap e cujas faixas contavam a história de um rapaz que foi posto na prisão por um crime que ele não cometeu. O blue-eyed jazz de Paolo Nutini também se provou um sucesso duradouro.

+ Revelações: Além de Ellie, a outra revelação do ano foi o rapper Tinie Tempah e Olly Murs, popularizado — aonde mais? — no The X Factor. Pixie Lott, com seu teen pop, e a banda de folk rock Mumford & Sons também obtiveram bons resultados com seus CDs lançados no ano anterior.

[Top 10 álbuns] 1. Progress – Take That / 2. Crazy Love – Michael Bublé / 3. The Fame + The Fame Monster – Lady Gaga / 4. Loud – Rihanna / 5. The Defamation of Strickland Banks – Plan B / 6. Sunny Side Up – Paolo Nutini / 7. The Element of Freedom – Alicia Keys / 8. Lungs – Florence & the Machine / 9. Recovery – Eminem / 10. Sigh No More – Mumford & Sons
[Top 10 singles] 1. Love The Way You Lie – Eminem; Rihanna / 2. When We Colide (The X Factor Winner Single) – Matt Cardle / 3. Just The Way You Are – Bruno Mars / 4. Only Girl (In This World) – Rihanna / 5. OMG – Usher ft. will.i.am / 7. Airplanes – B.o.B. ft. Hayley Williams / 8. California Gurls – Katy Perry / 9. We No Speak America – Yolanda Be Cool vs. DCUP / 10. Pass Out – Tinie Tempah
[Best-selling debut albums] 1. Lungs – Florence & the Machine [2009] / 2. Sigh No More – Mumford & Sons [2009] / 3. Olly Murs – Olly Murs / 4. Turn It Up – Pixie Lott [2009] / 5. Lights – Ellie Goulding
[Million-selling albums] Três
[Álbuns 500k+] 16
[Million-selling singles] Zero
[Álbuns 500k+] 18

2011

BRIT Critcs’ Choice: Jessie J
BBC Sound of 2011: Jessie J

Katy Perry, Lady Gaga, Rihanna… as princesas pop dominavam as paradas e o Reino Unido queria ter uma diva para chamar de sua. E assim, Jessie J entra na história.

Jessie tinha uma pedigree impressionante: um diploma da BRIT School, aquela mesma escola de arte que formou Winehouse e Adele, e selo de aprovação de Dr. Luke, na época o produtor mais cobiçado do mundo, algo bem auspicioso para uma wannabe pop startlet da Inglaterra. A cantora ajudou na composição de Party in the USA, que virou um dos maiores hits de Luke na voz de Miley Cyrus.

A conexão com o produtor do momento, uma voz potente, uma ambição sem tamanho, um look impactante…. Jessie era o pacote perfeito e a indústria britânica a impulsionou e a hypou de uma maneira quase inédita. Ao mesmo tempo que seu bubblegum pop foi instantaneamente abraçado por todas as rádios teen do país, como a Capital FM e a Kiss FM, ela tinha uma aura de credibilidade perfeitamente calculada: sua estreia foi no Jools Holland, um programa conhecido por destacar ~artistas de verdade~ e ela também foi inclusa no line-up do Glastonbury, o festival mais prestigioso do país (e do mundo).

Todas as estrelas estavam alinhadas para que Jessie J fosse o novo fenômeno e ela não decepcionou: seu primeiro single, Do It Like A Dude, foi um gigantesco sucesso no UK e a música seguinte, Price Tag (produzida por Dr. Luke), foi um hit ainda maior, alcançando o topo das paradas de singles. Seu CD já chegou com vendas altas. Ela excursionou o mundo, apareceu em todos os programas e premiações imagináveis. E, claro, como era obrigatório naqueles anos, o álbum teve um relançamento, ultrapassando 1 milhão de unidade vendidas e obtendo mais um single chart-topper, Domino.

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Jessie J canta com a perna quebrada no festival de Glastonbury

Mas a verdade é que hype não se sustenta sozinho. E, por mais que Jessie J fosse talentosa e tivesse música catchy, ela não acrescentava absolutamente nada de novo a cena musical, como o Pitchfork apontou em sua impiedosa crítica do álbum de estreia, Who You Are. “Jessie parece ser um excedente da demanda por divas pop”, notou o site. “Na melhor das hipóteses, ela parece uma versão simplificada e mais idiota da Lily Allen. Na pior, alguém que você torceria para ser eliminado logo de um reality show de canto”.

Apesar disso, Jessica cumpriu o seu papel e ascendeu como a diva pop made in UK que ela foi programada para ser. O sucesso nos EUA e no resto do mundo — algo que era dado como certo — nunca chegou de maneira significativa, apesar do buzz e de alguns hits. E, depois de 2 anos, o público britânico também cansou dela e, por lá, ela também caiu no esquecimento. Um sucesso passageiro e que deu, bem rapidamente, o que tinha que dar.

Enquanto as atenções estavam focados em Jessie, a verdadeira revelação do ano foi um ruivo chamado Ed Sheeran. Ao longo dos últimos anos, o jovem cantor/compositor — na época com apenas 20 anos — estava causando barulho com seus mixtapes e shows ao vivo, arrastando multidões cada vez maiores. Já com uma fanbase de respeito, ele assinou com a Warner Music e seu primeiro single, The A Team, foi um sucesso de imediato e seu álbum estreou direto no topo, vendendo bem ao longo de todo o ano. Era só o começo de uma carreira meteórica.

Highlights de 2011

+ Um fenômeno chamado Adele: 2011 foi o ano que Adele deixou de ser apenas uma cantora bem-sucedida para se transformar em um dos maiores fenômenos da indústria fonográfica da história. No Reino Unido, o buzz em torno dela estava crescendo exponencialmente no fim de 2010, quando seu cover de Make You Feel My Love de Bob Dylan, incluso em seu primeiro CD, virou um gigantesco hit, impulsionado por uma performance de um finalista no The X Factor local.

Rollin’ in the Deep, o primeiro single de 21, foi um sucesso e ajudou o CD a estrear em primeiro lugar com ótimas vendas. E do topo o álbum não saiu ao longo de todo o ano. A performance dela de Something Like You no BRIT Awards foi outro momento que ajudou a transforma-la numa lenda.

No fim de 2011, 21 de Adele tinha vendido 3.772 milhões de unidades. Um fenômeno desses era, ate então, completamente inimaginável: nunca na história do Reino Unido um álbum tinha vendido essa quantidade de cópias em apenas 1 ano.

+ Florence is back: Depois de ganhar o Critics’ Choice em 2009 e obter sucesso extraordinário com Lungs, Florence & the Machine volta com Ceremonials, seu segundo álbum. No UK, os números deram uma diminuida mas seguiram bastante bons: 300k nos primeiros 2 meses e 715k no total (além de um number 1 single, com Spectre). Internacionalmente, as vendas foram tão espetaculares quanto o anterior: nos EUA, por exemplo, Ceremonials também vendeu 1 milhão.

+ American pop: Apesar da força de Jessie J, o pop americano seguia rei. Bruno Mars, o cantor estado-unidense com hits inescapáveis como Just The Way You Are e Grenade, se provou um sucesso enorme no Reino Unido, com seu álbum ultrapassando 1 milhão de unidades vendidas. Depois da recepção impressionante de The Fame e The Fame Monster, Born this Way, o segundo álbum de Gaga, começou com vendas altíssimas mas rapidamente perdeu o fôlego. Rihanna, por sua vez, se confirmava como a cantora pop mais bem-sucedida do país e Loud, seu quarto álbum, alcançava 2 milhões de unidades comercializadas. Diferente de Good Girl Gone Bad — o CD anterior da caribenha, que também alcançou a marca — Loud chegou a esse número sem um relançamento.

+ Rock is dead: Antes o maior gênero do país, rock tinha virado um after thought nas paradas britânicas. Só o Coldplay ainda conseguia blockbuster numbers. Provando que a fanbase de Oasis — a maior banda dos anos 90 no país — continuava numerosa, o novo projeto de Noel Gallagher, High Flying Band, também foi um sucesso de vendas assim como o já mencionado segundo álbum de Florence & the Machine. As outras únicas bandas de rock que obtiveram vendas expressivas ao longo do ano foram  Elbow, Kasabian e Foo Fighters.

[Top 10 álbuns] 1. Adele – 21 / 2. Christmas – Michael Bublé / 3. Doo-Woop & Hooligans – Bruno Mars / 4. 19 – Adele / 5. Mylo Xyloto – Coldplay / 6. Loud – Rihanna / 7. Born this Way – Lady Gaga / 8. Who You Are – Jessie J / 9. + – Ed Sheeran / 10. Talk That Talk – Rihanna
[Top 10 singles] 1. Someone Like You – Adele / 2. Moves Like Jagger – Maroon 5; Christina Aguilera / 3. Party Rock Anthem – LMFAO / 4. Price Tag – Jessie J / 5. We Found Love – Rihanna / 6. Give Me Everything – Pitbull ft. Ne-Yo, Afrojack & Nayer / 7. Grenade – Bruno Mars / 8. The A-Team – Ed Sheeran / 9. Rollin’ in the Deep – Adele / 10. On the Floor – Jennifer Lopez ft. Pitbull
[Best-selling debut albums] 1. Doo-Woops & Hooligans – Bruno Mars [2010] / 2. 19 – Adele [2008] / 3. Who You Are – Jessie J / 4. + – Ed Sheeran / 5. Noel Gallagher’s High Flying Band – Noel Gallagher’s High Flying Band
[Million-selling albums] Quatro
[500k+ álbuns] 13
[Million-selling singles] Dois
[500k+ singles] 23

2012

BRIT Critics’ Choice: Emeli Sandé
BBC Sound of 2012: Michael Kiwanuka

Em 2012, a demanda por Adele era tão gigantesca que sobrou até para uma xará: Adele Emily Sandé, mais conhecida como Emeli Sandé. Brincadeiras a parte, aquele foi realmente o ano da escocesa, que — com seu indiscutível talento — surfou na onda da musica soulful e reflexiva que, mesmo pré-Adele, sempre foi uma categoria que bomba muito. Como de costume, o BRIT Critics’ Choice acertou em cheio em escolher a cantora e compositora como sua aposta para o ano.

Assim como Jessie J, a ganhadora do ano anterior, Sandé tinha uma carreira prolífica como compositora mas tinha ambição de se transformar em uma estrela. Em 2010, ela teve a chance de demonstrar seus dotes ao ser chamada por seu amigo e frequente colaborador, o produtor Naughty Boy, para cantar o refrão de Never Be Your Woman, do rapper Wiley. A música foi um sucesso, atingindo o top 10 britânico, e fez dela um nome cobiçado pelas gravadoras.

No verão de 2011, Eméli lançou seu primeiro single, a música dance urbana Heaven. Abraçada pelas rádios, a canção alcançou a segunda posição. Em outubro, ela colabarou com o rapper Professor Green em Read All About It. A canção teve um grande marketing push, com uma performance ao vivo no The X Factor na data de lançamento e foi um gigantesco sucesso, estreando diretamente no topo.

Antes de lançar o seu álbum, em fevereiro de 2012, Eméli já tinha se provado como uma hitmaker impressionante ao longo de 2011. Sendo assim, a aposta nela era mais do que segura. E foi exatamente por esse motivo que o Sound of…, que tinha uma regra que proibia artistas que já tinham atingido o top 20 de serem indicados, a ignorou apesar do grande apoio que a BBC deu a cantora.

Drew Ehrlich Bar Mitzvah
Emeli Sandé, uma das principais estrelas da Cerimônia de Encerramento das Olimpíadas de 2012

Ao invés de Sandé, a enquete da emissora pública apostou em outro cantor soul, que inclusive já tinha excursionado com Eméli e aberto para Adele: Michael Kiwanuka.

Também foi uma boa escolha: o primeiro álbum de Michael, Home Again, estreou em quarto e alcançou Disco de Ouro por mais de 100 mil unidades vendidas. Ele foi abraçado pela crítica, fez turnês bem sucedida e seu segundo álbum, lançado ano passado, estreou no topo. Uma das músicas do novo CD, Cold Little Heart, serviu de abertura para uma das séries mais buzzed de 2017, Big Little Lies.

Mas enquanto Kiwanuka foi um sucesso indie, Eméli — bem mais comercial — foi um sucesso de massa. Seu primeiro álbum, Our Version of Events, estreou direto no topo com altíssimas vendas (113 mil unidades na primeira semana) e foi impulsionado pelo gigantesco sucesso de Next to Me, a balada que se transformou no maior hit da cantora e que melhor representava a vibe melódica do CD.

Na ausência de Adele, que tinha resolvido se afastar totalmente do holofote, Sandé foi a artista que mais apareceu na mídia britânica ao longo de 2012 e, com um CD que vendia como água, foi chamada para todos os eventos mais prestigiosos do ano, indo desde a final do The X Factor até — no big deal — as cerimônias de abertura  e de encerramento das Olimpíadas em Londres (ela teve papel de destaque em ambas).

Todos os 6 singles do álbum atingiram o top 40 britânico, com quatro deles alcançando o top 10. Heaven e Next to Me chegaram ao segundo lugar, enquanto a versão solo dela de Read All About It atingiu a terceira posição. O CD ainda contou com o maroto relançamento em outubro, o que ajudou ainda mais as vendas no período mais palpudo do ano: o Natal. Ao todo, foram 1.4 milhão de unidades vendidas ao longo de 2012. Com as vendas do ano seguinte, Our Versions of Event encerrou sua trajetória com 2.3 milhões de cópias no Reino Unido.

Highlights de 2012

+ O fenômeno continua: Depois de quebrar absolutamente todos os recordes de venda possiveis e imagináveis (e também inimagináveis) em 2011, 21 de Adele vendeu mais 800 mil cópias em 2012 apesar da cantora ter passado quase o ano todo reclusa. Em apenas 2 anos, o álbum tinha desbancado The Dark Side of the Moon de Pink Floyd e Thriller de Michael Jackson e se transformado no sexto álbum mais vendido da história do Reino Unido. Desde então, o álbum já ascendeu para a quarta posição, atrás apenas de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (apenas 100k na frente) e das coletâneas do ABBA e do Queen.

+ Sheeran rises: Depois de vender 791 mil unidades em 2011, o álbum de estréia de Ed Sheeran, +, vendeu quase a mesa quantidade, 784 mil cópias, em 2012. E sem a ajuda de nenhum relançamento. As mais de 1.5 milhão de unidades vendidas por Ed eram uma palhinha do que estava por vir para o jovem cantor e compositor inglês. Outros CDs do ano anterior que continuaram com vendas altíssimas naquele ano: o álbum natalino de Michael Bublé, que ultrapassou 2 milhões de cópias vendidas, e também Mylo Xyloto, de Coldplay.

+ Hype del Rey: A grande revelação do ano foi Emeli Sandé mas ninguém — nem mesmo a escocesa — teve tanto hype pré-lançamento quanto a americana Lana del Rey. Impulsionada apenas pela recepção de seus primeiros dois singles, Video Game e Born to Die, ela apareceu na capa da publicação de música mais prestigiosa do país — a Q — e também da Vogue britânica, um ato inédito para um artista que nem sequer tinha lançado um álbum. O CD, também entitulado Born to Die, vendeu 116k na primeira semana, um número altíssimo, e encerrou o ano com 719 mil cópias. Desde então, ele já atingiu 1 milhão de unidades.

+ Rock is alive: Depois de quase sumir da lista dos mais vendidos no ano passado, o rock mostrou que ainda estava vivo em 2012 com o sucesso gigantesco do segundo álbum da banda de folk rock Mumford & Sons. Depois de uma primeira semana monstra tanto nos EUA (600k) quanto no UK (155k), Sight No More vendeu 573 mil unidades em menos de quatro meses na terra da rainha. Mylo Xyloto, o quinto álbum do Coldplay, também continuou com vendas fortíssimas em 2012, ultrapassando 1 milhão de unidades. Human Born, o quarto álbum dos americanos do The Killers; o greatest hits de Neil Diamond e #3, o terceiro dos irlandeses do The Script, também alcançaram Disco de Platina (300k), assim como os lançamentos de Robbie William e da banda fun., ambos com um pop com uma pegada mais rock.

+ Pop is doing fine: Sheeran, Adele, Emeli, Lana, Mumford… o público consumidor de CDs do Reino Unido estava clamando menos por pop dançante e mais por “músicos de verdade”. Mas vários artistas unashamedly pop continuaram com ótimas vendas como o fenômeno One Direction e Olly Murs, ambos cria do The X Factor, e a sempre bombada Rihanna. Outros atos que alcançaram platina incluiram P!nk, que chegou a 400k com seu quinto álbum, The Truth About Love e os badalados DJs David Guetta e Calvin Harris. E, na lista de singles, claro, só deu pop.

+ James Arthur does the impossible: Em 2012, o The X Factor britânico foi todo remodelado e ganhou um painél de jurados totalmente novo com a saída de Simon Cowell que migrou para a versão americana do programa. Depois de anos de aumento de audiência, o programa começou a dar sinais de cansaço e, pela primeira vez, o número de telespectadores caiu. Apesar disso, o winning single daquele ano — a versão de James Arthur de Impossible, da cantora america Shontelle — foi um verdadeiro fenômeno. Vocês podem ler mais sobre a trajetória do ganhador daquela temporada aqui.

+ Million-selling singles: A morte do mercado de single físico fez com que million-selling singles fossem extinguidos. Mas com a ascenção do iTunes e das vendas digitais, singles voltaram com toda força e, pelo segundo ano consecutivo, duas músicas — Somebody That I Used to Know do belga-australiano Gotye e Call Me Maybe da canadense Carly Rae-Jepsen — atingiram o milhão ao longo do ano.

[Top 10 álbuns] 1. Our Version of Events – Emeli Sandé / 2. 21 – Adele / 3. + – Ed Sheeran / 4. Born to Die – Lana del Rey / 5. Take Me Home – One Direction / 6. Babel – Mumford & Sons / 7. Right Place Right Time – Olly Murs / 8. Christmas – Michael Bublé / 9. Mylo Xyloto – Coldplay / 10. Unapologetic – Rihanna
[Top 10 singles] 1. Somebody That I Used to Know – Gotye ft. Kimbra / 2. Call Me Maybe – Carly-Rae Jepsen / 3. We Are Young – Fun ft. Janelle Monae / 4. Titanium – David Guetta ft. Sia / 5. Impossible (The X Factor Winning Single) – James Arthur / 6. Gangnam Style – PSY / 7. Starships – Nicki Minaj / 8. Domino – Jessie J / 10. Wild Ones – Flo-Rida ft. Sia
[Best-selling debut albums] 1. Our Version of Events – Emeli Sandé / 2. + – Ed Sheeran [2011] / 3. Born to Die – Lana del Rey / 3. Who You Are – Jessie J [2011] / 4. Some Nights – Fun. / 5. Every Kingdom – Ben Howard
[Million-selling albums] Um
[500k+ álbuns] 8
[Million-selling singles] Dois
[500k+ singles] 23

2013

BRIT Critics’ Choice: Tom Odell
BBC Sound of 2013: HAIM

O sucesso de Ed Sheeran e James Arthur no ano anterior serviram para reafirmar o duradouro sucesso de um gênero conhecido como white guy with an acoustic guitar, um combo por vezes piegas e clichê mas que é capaz de vender milhões de discos. Indo nessa onda, o Critics’ Choice — que gosta de apostar no seguro — selecionou Tom Odell, um representante perfeito dessa classe, como a sua grande escolha para 2013.

O Sound of…, se reafirmando como a premiação mais ousada, escolheu as garotas do HAIM, um trio formada por irmãs americanas bem cool com um inovador som pop rock igualmente cool. E meu uso de cool pode estar parecendo irônico mas nem é, elas de fato eram bem cool. Para quem não entendeu, cool é a palavra chave aqui (mas sério, elas são bem legal).

Ao apostar no HAIM, os votantes da enquete da BBC sabiam que elas não iam ser o maior fenômeno do ano. Elas tinham total capacidade para fazer sucesso — e de fato fizeram, pois o álbum delas, Days Are Gone, alcançou Disco de Ouro — mas a escolha era mais pelo fato delas serem interessantes e intrigantes do que pela comerciabilidade em si.

Por isso foi uma surpresa quando Odell — perfeitamente packaged para ser um giga 9sucesso — não vendeu tão mais assim do que elas. Seu álbum de estreia, Long Way Down, vendeu 300 mil unidades, um número ótimo — suficiente para Disco de Platina — mas um pouco aquém se comparado aos ganhadores anteriores do Critics’ Choice.

Sendo justo, esse número só foi underwhelming porque as vendas das ganhadoras anteriores tinham sido espetaculares: tirando Ellie Goulding, que vendeu 800 mil unidades de Lights, o CD de estréia de todas as demais tinha ultrapassado 1 milhão de unidades vendidas (Ellie atingiu a marca com seu segundo álbum).

O CD de Odell também foi o primeiro álbum de um ganhador do Critics’ Choice a não ser relançado com faixas bônus desde 19 de Adele. Naquele período, repackaging eram sinais máximo de sucesso (e uma ótima oportunidade de lucrar mais e inflar as vendas).

Dito isso, Odell era realmente um artista bastante talentoso, descoberto por Lily Allen, e seu lançamento, Long Way Down foi sim um sucesso. Só não foi o sucesso esperado, dado a promoção intensa que ele recebeu: o cantor teve a estreia obrigatória e prestigiosa no programa de Jools Holland; foi aos talk shows mais vistos; cantou na final do X Factor e teve seu single, Another Love, seu único top 10 hit, usado numa campanha grande da BBC.

Por outro lado, houve alguns erros estratégicos: o álbum, por exemplo, deveria ter sido lançado durante o ápice de Another Love mas foi postergado para coincidir com o lançamento do CD nos EUA. Essa perda de timing pode ter afetado um pouco o desempenho do lançamento de Odell mas, no final das contas, Disco de Platina não é um resultado para se lamentar.

No fim, Tom foi ofuscado, irônicamente, por outro white guy with a guitar, o que prova que o Critics’ Choice acertou em cheio na categoria mas errou o alvo. Jake Bugg, com um som bem mais rock e um estilo um pouco mais rebelde, foi a revelação solo do ano (apesar de que seu álbum na verdade foi lançado em 2012, o que não o qualificaria para um Critics’ Choice de 2013).

Bugg e Odell aside, a verdade é que foi um ano sem nenhum lançamento gigantesco — seja de novatos ou de veteranos — o que fez de 2013 um ano meio dull em termos de vendas.

Highlights de 2013

+ Uns com tanto… Foi um ano bem fraco para a venda de álbuns, sem um grande sucesso: nenhum CD alcançou a marca do milhão. O mais vendido, Midnight Memories, da boyband One Direction, moveu 685 mil unidades. Em compensação, o mercado digital continuou em plena expansão e, com isso, singles tiveram ano recorde, com 4 músicas alcançando 1 milhão em vendas.

+ Safe choices: O top 10 de álbuns foi totalmente composto por nomes muitíssimo familiares para o público britânico, quase sempre com vendas altas asseguradas: One Direction, Michael Bublé, Artic Monkeys, Rod Steward, Robbie Williams e Gary Barlow, o vocalista do Take That, o grupo que mais vendia discos no país. Um dado curioso: depois de anos de invasão de divas pop, o único álbum de pop americano no top 10 foi Unorthodox Jukebox de Bruno Mars, que, somado com as vendas do ano anterior, se transformaria no segundo álbum dele a ultrapassar 1 milhão de cópias.

+ Segunda chance: Como já repeti diversas vezes, relançamentos eram lugar comum naquele então mas normalmente reservados para álbuns de enorme sucesso. Ellie Goulding inovou e mudou a receita: seu segundo álbum, Halycon, estava com vendas dignas mas mais lentas do que seu álbum de estréia. Ela voltou para o estúdio e o relançou em 2013 com 8 novas faixas. Emplacou dois mega hits, Burn e How Long Will I Love You, o que transformaria o CD, que estava underperforming, no seu primeiro million-seller. Poucos artistas teriam essa chance de refazer um álbum mas isso mostra o grau de confiança da gravadora em Goudling. A julgar pelos resultados, a confiança foi mais do que justifcada.

+ Not so alive: Enquanto Ellie Goulding — ganhadora do Critics’ Choice de 2010 — continuava com êxito, a vencedora do ano seguinte, Jessie J, estava em pleno declínio. Seu segundo álbum, Alive, venderia apenas 100k, uma queda bem marcante considerando que, apenas 2 anos antes, seu CD de estréia tinha vendido 1.1 milhão. Era o começo do fim. A cantora teve, porém, um breve momento de glória no ano seguinte quando Bang Bang, sua colaboração com Nicki Minaj e Ariana Grande, se tornou um sucesso global e atingiu o topo no Reino Unido.

+ Revelações: A grande revelação do ano foi a banda de rock Bastille, impulsionada pelo enorme sucesso da música Pompeii entre o público jovem. O álbum deles vendeu mais de 450 mil unidades. O grupo de drum ‘n’ bass Rudimental também obteve grande sucesso com seu álbum de estréia depois de emplacar dois número 1 — Feel the Love Waiting All Night — no ano anterior. Outras revelações de 2013 incluiram as bandas de rock americanas Imagine Dragon e The Lumineers; o trio London Grammar e o duo eletrônico Disclosure. Todos esses atos obtiveram Disco de Ouro com seus respectivos lançamentos.

[Top 10 álbuns] 1. Midnight Memories – One Direction / 2. Our Version of Events – Emeli Sandé / 3. To Be Loved – Michael Bublé / 4. Swing Both Ways – Robbie Williams / 5. Right Place Right Time – Olly Murs / 6. Unorthodox Jukebox – Bruno Mars / 7. Time – Rod Stewart / 8. AM – Artic Monkeys / 9. Since I Saw You Last – Gary Barlow / 10. Halycon – Ellie Goulding
[Top 10 singles] 1. Blurred Lines – Robin Thicke ft. T.I. & Pharrell Williams / 2. Get Lucky – Daft Punk ft. Pharrell Williams & Nile Rodgers / 3. Wake Me Up – Avicii ft. Aloe Blacc / 4. Let Her Go – Passenger / 5. La La La – Naughy Boy ft. Sam Smith / 6. Roar – Katy Perry / 7. Thrift Shop – Macklemore & Ryan Lewis / 8. Just Give Me A Reason – P!nk ft. Nate Ruess / 9. Counting Stars – OneRepublic / 10. Mirrors – Justin Timberlake
[Best-selling debut albums] 1. Bad Blood – Bastille / 2. Jake Bugg – Jake Bugg (2012) / 3. Home – Rudimental / 4. James Arhtur – James Arthur / 5. The Lumineers – The Lumineers
[Million-selling albums] Zero
[500k+ álbuns] 7
[Million-selling singles] Quatro
[500k+ singles] 20

2014

BRIT Critics’ Choice: Sam Smith
BBC Sound of 2014: Sam Smith

Em 2014, a BBC se juntou novamente ao BRIT para apostar no seguro. Para isso, a emissora publica até mudou as regras da sua enquete, permitindo que o ganhador tivesse top 20 hits desde que a canção em questão não o listasse como o artista principal. O motivo de tanto rebuliço? Sam Smith.

O vocalista de apenas 22 anos era basicamente a Adele versão masculina: soulful vocals perfeitos; dom de composição impressionante para sua curta idade; música melancólica sobre amores perdidos. Uma receita de sucesso infálivel.

Assim como Emeli Sandé — outra artista ao qual ele pode ser comparado em termos de letra e estilo — Smith foi apresentado ao público britânico como vocalista convidado. Sua estreia foi na música Latch, do duo eletrônico Disclosure. Lançada em outubro de 2012, a música alcançou a posição #11 nas paradas britânicas mas foi um sucesso duradouro, vendendo muito e obtendo sucesso internacional (inclusive penetrando o top 10 dos EUA). Alguns meses mais tarde, em maio de 2013, ele foi o cantor do mega hit do produtor Naughty Boy, La La La. O single alcançou o topo e foi um dos maiores sucessos daquele ano.

criticschoice
Noite de sucesso para Sam Smith no Grammy

Smith já tinha, portanto, dois enormes êxitos quando, em dezembro, lançou seu primerio single solo, Money On My Mind. A música foi direto para o primeiro lugar no Reino Unido. Alguns meses mais tarde, em abril de 2014, ele lançaria a música que sintetizaria seu estilo e sua carreira: a balada Stay with Me. A música foi um sucesso no mundo inteiro e preparou a cena para o lançamento do seu álbum, In The Lonely Hour, um sucesso espetacular.

Dentre os escolhidos pelo Critics’ Choice, Sam foi o maior sucesso global desde Adele, em 2008. Seu álbum vendeu bastante a nível global, inclusive nos EUA, dando origem a cinco top 10 hits no Reino Unido e três no país norte-americano. Ele recebeu quatro Grammys, incluindo Melhor Artista e foi escolhido para cantar a música tema de Spectre, o filme de 2015 do James Bond. Writin’ on the Wall, música em questão, atingiu o topo no Reino Unido e recebeu um Oscar. Foi uma ascensão rápida e meteórica.

In the Lonely Hour alcançaria 2.2 milhões de unidades vendidas no Reino Unido em dois anos. Ele se tornaria o terceiro ganhador do Critics’ Choice — junto com Adele e Emeli Sandé — a ter seu álbum de estréia alcançando a marca de 2 mi.

Além de Smith mais um vocalista/compositor revelação arrasou em 2014: George Ezra. Assim como Jake Bugg, sucesso do ano anterior, Ezra — hoje com 23 anos — foi impulsionado pelo BBC Introducing, projeto da emissora pública que divulga novos talentos através de um palco em Glastonbury e airplay na Radio 1. Ele obteve um enorme sucesso com a música Budapest, o que criou grande interesse no primeiro álbum dele, Wanted on Voyage. O CD de estreia eventualmente ultrapassou a marca de 1 milhão.

Highlights de 2014

+Sheeranmania: Nem o sucesso meteórico de Sam Smith conseguiu ofuscar Ed Sheeran. Impulsionado por dois number one hits, Sing e Thinkin’ Out Loud (que se tornaria o maior hit dele no mundo), x (lê-se Multiply) venderia 1.7 milhão de unidades em 1 ano. Levou dois anos para o álbum de estréia do cantor, +, alcançar esse número. Sheeran se estabelecia como o maior fenômeno pós-Adele da música britânica — mesmo com Smith também conquistando o mundo com suas baladas de amor.

O sucesso de Sheeran e Smith, aliás, foi responsável por aquecer a indústria fonográfica britânica ao longo de 2014. Os dois blockbuster albums venderam mais de 1 milhão de cópias depois de um ano em que nenhum CD alcançou essa marca. Até o momento, x já vendeu mais de 3 milhões de unidades no UK e quase 9 milhões a nível mundia. Já In the Lonely Hour vendeu 7 milhões de unidades mundo afora, das quais 2.1 foram na Grã-Bretanha.

+ In with the new: Apesar de vários nomes habituais — como One Direction; Olly Murs; Coldplay, Paolo Nutini e Take That (e, pasmén, Pink Floyd) — a lista dos álbuns mais vendidos do ano incluiu novidades como Paloma Faith, um nome que apesar de vender bem não costuma figurar entre os 10 mais, e o novato George Ezra.

+ Take that, Take That!: Ghost Stories, o sexto álbum da banda Coldplay, se transformaria no primeiro álbum do grupo a não ultrapassar a barreira de 1 milhão, empacando na casa dos 900 mil. Por outro lado, faria com que eles retomassem o posto de maior grupo do país: depois de quase 9 anos, eles finalmente ultrapassaram as vendas do Take That. III, o quarto CD da boyband desde 2006 e o primeiro como um trio, foi o primeiro álbum pós-retorno a não ultrapassar 2 milhões de cópias vendidas. Ficou bem longe disso: com as vendas de 2015, o CD moveu 570 mil cópias, um número ótimo mas bem aquém ao que eles eram capazes em anos anteriored.

+ The streaming age: Depois de 5 anos de presença no Reino Unido, o Spotify se consolidava como uma força cada vez mais díficil de ignorar. Milhões de britânicos estavam migrando do iTunes para o streaming e, finalmente, a partir de julho de 2014, streams começaram a ser contabilizados na parada de singles. O ratio escolhido foi 100 streams equivaleriam a uma venda.

[Top 10 álbuns] 1. x – Ed Sheeran / 2. In the Lonely Hour – Sam Smith / 3. Wanted on Voyage – George Ezra / 4. Caustic Love – Paolo Nutini / 5. Ghost Stories – Coldplay / 6. A Perfect Contradiction – Paloma Faith / 7. Four – One Direction / 8. Never Been Better – Olly Murs / 9. The Endless River – Pink Floyd / 10. III – Take That
[Top 10 singles] 1. Happy – Pharrell Williams / 2. Rather Be – Clean Bandits ft. Jess Glynne / 3. All of Me – John Legend / 4. Waves – Mr. Probz / 5. Thinking Out Loud – Ed Sheeran / 6. Ghost – Ella Handerson / 7. Stay with Me – Sam Smith / 8. All About That Bass – Meghan Trainor / 9. Timber – Pitbull, Ke$ha / 10. Budapest – George Ezra
[Best-selling debut albums] 1. In the Lonely Hour – Sam Smith / 2. Wanted on Voyage – George Ezra / 3. If You Wait – London Grammar [2013] / 4. Chapter One – Ella Handerson / 5. Bad Blood – Bastille [2013]
[Million-selling albums] Dois
[500k+ álbuns] 7
[Million-selling singles] Cinco
[500k+ singles] 29

2015

BRIT Critics’ Choice: James Bay
BBC Sound of 2015: Years & Years

Com seu rosto delicado, longas madeixas e chapéu-panamá perpetuamente na cabeça, James Bay — o vencedor do Critics’ Choice Awards em 2014 — parece uma paródia de um white guy with an acoustic guitar. Mas o público britânico o levou bem a sério: seu primeiro single, Let It Go, estreou no top 10 e o seguinte, Hold Back the River, atingiu o segundo lugar e foi um dos maiores sucessos do ano.

Impulsionado pelo sucesso das duas músicas, seu álbum, Chaos and the Calm, estreou no topo, com altíssimas vendas e Bay se manteve no top 40 ao longo de 2 anos, alcançando 600 mil cópias comercializadas no Reino Unido. Acompanhado de seu violão e de seu chapéu, o rapaz de 24 anos foi presença constante na mídia local, aparecendo em todos os principais programas de TV e festivais, incluindo Glastonbury. Ele até acabou sendo indicado a três Grammy, incluindo Best New Act, se provando mais uma aposta com grande retorno para os executivos britânicos e o Critics’ Choice.

A BBC, como de costume, fez uma escolha um pouco mais ousada: o trio eletrônico Years & Years. Os rapazes — com suas músicas irresistivelmente pegajosas — conseguiram emplacar certificação de platina para quatro de seus singles (King, o maior sucesso; Shine; Desire; Eyes Shut) e, claro, estrearam no topo com o álbum de estreia, Comunion, que também acabou certificado Platina por 300 mil cópias em circulação.

Como é possível notar, o ano de 2015 foi um ano rico para novos talentos e, interessantemente, foi uma artista ignorada pelas duas principais premiações que acabou sendo a maior revelação do ano: Jess Glynne.

Assim como vários outros artistas com ascenção meteórica, como Emeli Sandé e Sam Smith, Glynne começou sua carreira nos bastidores, colaborando com diferentes artistas e compondo, antes de estrear como vocalista convidada em uma série de grandes hits. O maior deles foi Rather Be do grupo Clean Bandit, o segundo maior sucesso de 2014, mas ela também emprestou a voz para mais outros dois number 1: My Love, do produtor Route 94 e Not Letting Go, junto ao rapper Tinie Tempah.

Antes de lançar o álbum, ela também se apresentou no circuito de festivais no Reino Unido, incluindo Glastonbury, e lançou dois single solos, Right Here, que alcançou o sexto lugar, e o mega hit Hold My Hand, que atingiu o topo. Na semana de lançamento do seu CD, I Cry When I Laugh, ela obteve seu quinto número 1 com Don’t Be So Hard on Yourself, empatando com Cheryl (ex-Cole) como a cantora britânica solo com mais chart-toppers na história.

Basicamente, a carreira de Glynne foi uma sucessão de sucessos mesmo antes do lançamento do álbum e o seu CD de estreia não só alcançou o topo como finalizou sua trajetória nas paradas com mais de 1 milhão de unidades comercializadas. Assim como Bay, ela obteve total apoio da mídia: as rádios colocaram suas músicas em alta rotação; a BBC escolheu sua balada Take Me Home como tema do seu show de caridade Children in Need; ela fez uma grande performance no BRIT Awards de 2016 e até foi convidada para ser jurada convidada no The X Factor.

Diferente de outras divas pop, o sucesso de Glynne não foi movido por looks marcantes; clipes grandiosos; contas de social media com milhões de seguidores e personalidade larger than life. Pelo contrário, Jess — apesar de um marketing poderoso — tem uma estética bem discreta e seu Instagram tem pouco mais de 500 mil seguidores. Seu sucesso foi movido, acima de tudo, pela grande aceitação de sua música: seu dance pop foi feito sob medida para o gosto do público britânico de 2015.

Highlights de 2015

+ The Fab One: Se tem alguém que é capaz de carregar toda a indústria fonográfica britânica nas costas sozinha, esse alguém é Adele. Não é exagero dizer que a londrina é o maior fenômeno de vendas local desde os Beatles. Em 2015, ela fez seu grande retorno: enquanto nenhum outro artista ultrapassou 1 milhão de cópias, Adele vendeu 2.5 milhões de unidades de 25 em apenas 1 mês.

+ Bieber fever: Justin Bieber também fez um retorno triunfal no Reino Unido depois de três anos de hiato. Impulsionado pelo enorme sucesso de What Do You Mean? e Sorry, o seu novo álbum, Purpose, acabou como o quinto CD mais vendido do ano com menos de 2 meses de venda. O lançamento eventualmente se tornaria o primeiro de Bieber a ultrapassar a marca de 1 milhão no Reino Unido. Taylor Swift foi outro ato norte-americano que alcançou a marca pela primeira vez com 1989. Depois de anos como a cantora pop mais rentável dos EUA, Swift finalmente obteve o trono de maior diva pop do ano no Reino Unido com seu quinto CD, o primeiro dela integralmente pop, sem nenhuma canção com elementos country.

The lasting Factor: Depois de 5 anos de sucesso global estrondoso, a boyband One Direction, revelada na edição de 2009 do The X Factor, anunciou que iria se separar. O álbum final, Made in the AM, foi lançado na mesma semana que Purpose de Bieber, bloqueando o canadense do primeiro lugar. O disco, porém, rapidamente perdeu fôlego e acabou na posição #14. Enquanto 1D se despedia com vendas murchas (mais por falta de promoção do que por queda de popularidade), o girlgroup Little Mix, que ganhou a edição de 2012 do show de talento, gozou de um impressionante aumento de vendas com o terceiro CD delas, Get Weird.

Apesar de uma queda drástica em audiência, a importância de The X Factor para a indústria fonográfica britânica continuava vísivel em 2015. Além de 1D e Little Mix, Olly Murs — segundo lugar da temporada de 2008 — também vendeu mais de 300k cópias ao longo do ano com o relançamento de seu quarto CD.

+ Rockin’ up the charts: Um álbum de canções de Elvis Presley regravados com a Orquestra Filarmônica Real excedeu as expectátivas, vendendo 880 mil cópias em 2 meses e dando o tom para um ano que foi bem positivo para o rock, principalmente o mais voltado para um público mais velho.

Bandas revelações jovens Royal Blood e Catfish & the Bottlemen receberam Disco de Ouro; Coldplay retornou triunfalmente e veteranos como David Lock, Paul Simon e Jeff Lyne’s ELO obtiveram vendas dignas. Também foi um ano particularmente positivo para white guys with acoustic guitars: além de Bay e Sheeran, George Ezra continuou com vendas altas e o irlandês Hozier chegou fazendo barulho com o enorme sucesso da balada Take Me to Church.

+ Streamed up: Entre 2013 e 2014, o número de streams no Reino Unido duplicou: de 7.5 bilhões para quase 15 bi. Sendo assim, era impossível ignorar os efeitos do método nas paradas britânicas e, depois de adicionar streams à parada de singles, a Offical Chart Company também acrescentou reproduções em ferramentas como Spotify e Apple Music ao números de vendas de álbum. O método usado era a soma das 12 músicas mais reproduzidas do CD dividido por 1000 adicionado ao total de vendas digitais e físicas.

[Top 10 álbuns] 1. 25 – Adele / 2. x – Ed Sheeran / 3. In the Lonely Hour – Sam Smith / 4. If I Can Dream – Elvis Presley / 5. Purpose – Justin Bieber / 6. 1989 – Taylor Swift / 7. I Cry When I Laugh – Jess Glynne / 8. Chaos and the Calm – James Bay / 9. A Head Full of Dreams – Coldplay / 10. Wanted on a Voyage – George Ezra
[Top 10 singles] 1. Uptown Funk – Mark Ronson, Bruno Mars / 2. Cheerleader – OMI / 3. Take Me To Church – Hozier / 4. Love Me Like You Do – Ellie Goulding / 5. See You Again – Wiz Khalifa, Charlie Puth / 6. Hello – Adele / 7. Lean On – Major Lazer & DJ Snake ft. MØ / 8. Hold Back the River – James Bay / 9. What Do You Mean? – Justin Bieber / 10. Sorry – Justin Bieber
[Best-selling debut albums] 1. In the Lonely Hour – Sam Smith [2014] / 2. I Cry When I Laugh – Jess Glynne / 3. Chaos and the Calm – James Bay / 4. Wanted on a Voyage – George Ezra [2014] / 5. Hozier – Hozier
[Million-selling albums] Um
[500k+ álbuns] 9
[Million-selling singles] Sete
[500k+ singles] 42

2016

BRIT Critics’ Choice: Jack Garratt
BBC Sound of 2016: Jack Garratt

Em geral, quando o Critics’ Choice e o Sound of… apostam no mesmo nomes, as chances do sucesso ser explosivo são altas. Não foi o caso em 2016: pela primeira vez, o escolhido, Jack Garratt, teve um álbum que não chegou a Disco de Platina. Nem Ouro. O álbum vendeu 65 mil cópias, um número que não é trágico para o panorama atual mas que deixa a desejar quando comparado ao hype e a absolutamente todos os ganhadores anteriores do Critics’ Choice e do BBC Sound of…

Sendo justo, 2016 foi um período bem sem vida para a indústria musical britânica, com grande parte dos álbuns mais vendidos sendo lançamentos do ano anterior. Prova maior do quão boring estava o cenário: o lançamento de 2016 mais comercializado foi um CD que reunia o tenor Alfie Boe com o ator/cantor de musicais Michael Ball interpretando clássicos da Broadway e sucessos antigos, algo que ninguém com menos de 60 anos ousaria ouvir. Além de “Together”, outro sucesso foi mais um álbum de músicas de Elvis Presley com arranjo da Orquestra Real, uma prova adicional do buying power do público geriátrico.

Mas voltando ao ganhador em questão, Jack Garratt: o rapaz de 25 anos é cantor, compositor e multi-instrumentalista e já faz anos que ele é apontado como um prodígio da musica. Em 2015, ele foi spotlighted pelo BBC Introducing, uma iniciativa da emissora pública para apresentar novos talentos ainda sem gravadoras, e recebeu airplay na influente Radio 1 e convite para cantar em vários festivais importantes. A empresária Sarah Stanett — responsável por fazer Jessie J e Ellie Goulding acontecer — assumiu o controle de sua carreira e ele abriu para Mumford & Sons e foi elogiado por Katy Perry e Sia no Twitter.

Apesar de tudo isso, Garratt não empolgou muito o público britânico. O seu single com melhor pico na parada, Worry, empacou na posição #67. Seu álbum chegou ao terceiro lugar mas as vendas totais ficaram atrás até do novo álbum de Tom Odell, o ganhador do Critics’ Choice de 2013 que, até então, tinha sido a aposta com o resultado mais mediocre (seu segundo álbum, Wrong Crowd, vendeu 76 mil cópias, um resultado até bom). No fim das contas, o álbum dele não figurou entre os 100 mais vendidos.

Sendo justo, nenhum ato revelação empolgou muito o públio. Dentro os 5 CDs de estréia mais vendido, apenas um — da francesa Christine and the Queens — foi lançado em 2016.

Além de Christine, só um artista novato atingiu 100k cópias vendidas: Bradley Walsh. Um ator e apresentador vagamente popular, ele lançou um álbum, Chasing Dreams, cheio de regravações de sucessos do passado e foi o único britânico que conseguiu Disco de Ouro com um CD de estréia. Mais uma vitória para os vovôs e vovós e mais uma prova de que a seca estava intensa.

Um contraste e tanto com o ano anterior que teve estreias impressionantes de bandas de rock (Royal Blood); cantores acústicos (Hozier; James Bay); popstars (Jess Glynne) e atos eletrônicos (Years & Years).

Highlights de 2016

Biggest in Britain: 25 de Adele é o álbum mais vendido pelo segundo ano consecutivo e ultrapassa a barreira de 3 milhões de cópias. Já o sétimo álbum do Coldplay, A Head Full of Dreams, alcança 1 milhão de unidades e reafirma a banda de Chris Martin como a maior vendedora do Reino Unido. Dentre atos norte-americanos, os canadense Justin Bieber e Drake são as grandes sensações e Beyoncé também obtém Disco de Platina com Lemonade.

+ R.I.P. Bowie: A morte de David Bowie impulsiona as vendas da coletânea de sucessos do legendário artista e também assegura vendas altas para seu lançamento póstumo, Blackstar.

+ They have the factor:  Com o fim do One Direction, o girlgroup Little Mix continua sua impressionante ascensão em popularidade e se consolida como o principal ato da SYCO, o selo de Simon Cowell na Sony. Olly Murs, como sempre, também obtém disco de platina com seu quinto álbum, 24 HRS, mostrando impressionante staying power. São os únicos dois artistas oriundos do The X Factor que seguem com popularidade em alta.

+ From France, with love: Depois de abalar a indústria francesa em 2015 com seu inovativo pop, Heloise Letissier, mais conhecida como Christine & the Queens, relançou seu álbum, Chaleur Humaine, todo em inglês para o mercado britânico e o resultado foi o mais puro sucesso. Christine acabou sendo a maior revelação do ano.

Além de Christine, o americano Charlie Puth também obteve Disco de Ouro com seu álbum de estreia. Dentre atos revelações britânicos, além de Bradlet Walsh, o maior vendedor foi a elogiada banda de synthopop Blossom que vendeu 75 mil unidades do seu álbum de estreia.

+ Streaming nation: Com a popularização do streaming, a quantidade de singles que atingiram a barreira de 1 milhão bateu recorde: foram 17 canções chegando na marca. Em dezembro de 2016, a Official Charts Company anunciou que, por causa do enorme crescimento do segmento, iria reajustar a proporção: agora, 150 streams equivaleriam a 1 venda (antes, era 100:1).

[Top 10 álbuns] 1. 25 – Adele / 2. A Head Full of Dreams – Coldplay / 3. Together – Michael Ball & Alfie Boe / 4. Purpose – Justin Bieber / 5. Wonder of You – Elvis Presley / 6. Blackstar – David Bowie / 7.  Glory Days – Little Mix / 8. Views – Drake / 9. I Cry When I Laugh – Jess Glynne / 10. Best of Bowie – David Bowie
[Top 10 singles] 1. One Dance – Drake / 2. 7 Years – Lukas Graham / 3. Cheap Thrills – Sia / 4. I Took a Pill in Ibiza – Mike Poisner / 5. This Is What You Came For – Calvin Harris, Rihanna / 6. Lush Life – Zara Larsson / 7. Closer – The Chainsmokers ft. Halsey / 8. Love Yourself – Justin Bieber / 9. Work – Rihanna, Drake / 10. Can’t Stop This Feeling – Justin Timberlake
[Best-selling debut albums] 1. I Cry When I Laugh – Jesss Glynne [2015] / 2. Chaos and the Calm – James Bay [2015] / 3. Chaleur Humaine – Christine and the Queens / 4. Communion – Years & Years [2015] / 5. In the Lonely Hour – Sam Smith [2014]
[Million-selling albums] Zero
[500k+ álbuns] 3
[Million-selling singles]  16
[500k+ singles] 57

E quanto a 2017? Isso falarei num próximo post mas já posso adiantar que a situação está melhor do que no ano passado.

Mais: As grandes revelações discutidas nessa postagem tiveram vários etapas em comum na sua jornada para o sucesso. Entenda o passo a passo para break um artista no mercado britânico.

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Continue reading A constante renovação da cena musical britânica