Causando nas Paradas: Dominação escandinava

Já comentei inúmeras vezes aqui que a música pop global é basicamente comandada por produtores escandinavos.

O sueco Max Martin é, sem duvida nenhuma, o produtor mais influente e poderoso da música popular moderna, tendo sido responsável tanto pelos hits definidores de Britney Spears e dos Backstreet Boys no fim dos anos 90 quanto pelos sucessos inescapáveis contemporâneos de Taylor Swift, Katy Perry, The Weeknd, Maroon 5 e inúmeros outros. Por sua vez, grande parte do repertório estourado de Rihanna veio dos estúdios dos noruegueses do Stargate.

Baseado apenas nesses dois nomes, já dá para comprovar que a mágica escandinava é elemento essencial no sucesso de 99% dos nomes mais estourados da música pop global. Recentemente, porém, a Escandinávia parece ter cansado de ficar apenas nos bastidores e está começando a invadir o palco principal.

Estrelas provenientes da região estão dominando as paradas dos mercados mais influentes do mundo e, cada vez mais, os charts da Noruega, Dinamarca e, principalmente, da Suécia são indicativas de futuros sucessos internacionais.

A banda dinamarquesa Lukas Graham (capitaneada, coincidentemente, por Lukas Graham) é um grande sucesso na seu país de origem desde o seu debut, em 2012. Mas, no fim de 2015, a música 7 Years virou o primeiro chart-topper deles no país vizinho, Suécia. E, se a Suécia aprovou, grandes chances do resto do mundo também abraçar.

Voila. Essa semana, a música completa 1 mês no topo da parada de singles do Reino Unido, o mercado mais influente da Europa. O single também acaba de alcançar o primeiro lugar no iTunes dos EUA, obviamente o maior mercado fonográfico do universo.

Em dezembro de 2015, antes de 7 Years estourar mundo afora, a canção já tinha sido desbancada do topo na Escandinávia pelo DJ norueguês Alan Walker. Faded foi o primeiro lançamento de Walker, que tem apenas 18 anos (!!!!), e foi imediatamente para o primeiro lugar das paradas na Suécia, na Dinamarca e em sua Noruega natal.

Com o seu sucesso explosivo instantâneo, Walker demonstra seu potencial para se transformar numa mega estrela da EDM (electronic dance music) junto com outros nomes locais como Kygo (da Noruega), Avicii (o sueco é a maior estrela do gênero) e os aposentados da Swedish House Mafia que foram diretamente responsáveis por dar o gás necessário para transformar a música eletrônica em um dos gêneros mais lucrativos e populares da atualidade.

Depois de estourar na Escandinávia, o DJ começou 2016 alcançando o topo de todos os demais países europeus. Recentemente, chegou ao primeiro lugar na Alemanha, o terceiro maior mercado fonográfico ocidental, onde quebrou o recorde histórico de streaming, com 3.7 milhões de plays em plataformas como Spotify e Deezer em uma semana. No Reino Unido, a música ainda não chegou no top 20 mas, essa semana, ela foi oficialmente inclusa na playlist da Radio 1, a estação de rádio mais influente do país.

Finalmente temos Zara Larsson. A loira, que parece ter nascido pronta para a fama pop, tem apenas 18 anos e, através das redes sociais, mostra ser muito mais do que apenas um rostinho bonito, com seu feminismo e defesa de imigrantes e refugiados.

Na sua Suécia natal, ela já é popular faz bastante tempo, tendo sido revelada num programa de talento local e tendo atingido o topo da parada pela primeira vez com a balada Uncover, um gigantesco hit em 2013

Em junho de 2015, ela voltou para o primeiro lugar em seu país natal: a upbeat Lush Life foi um dos grandes hits de verão no país. Meses mais tarde, mais um mega-hit com Never Forget You, uma colaboração com o britânico MNEK. Ambas as canções também arrasaram por todo o resto da Europa e Lush Life inclusive chegou ao topo na Alemanha.

Agora, Larsson parece estar pronta para conquistar o mundo. No Reino Unido, a menina tem duas canções no top 5: Girls Like, sua colaboração com o rapper Tinnie Tempah e, algumas posições acima, seu megasucesso solo Lush Life. No fim do ano passado, Never Forget You passou semanas no top 10 e já vendeu mais de 600 mil unidades.

Agora, Zara está de olho no maior mercado do mundo. Lush Life está sendo inclusa nas playlists de todas as principais estações top 40 do país, como a Z100 nova-iorquina e KIIS de Los Angeles. Enquanto a canção está escalando os charts, Never Forget You, seu hit dance com o MNEK, acaba de penetrar o top 10 do iTunes estado-unidenses. Além disso, ela foi nomeada o rosto de uma nova campanha de marketing da gigantesca de beleza Clinique. Nada mal.

Qual será o próximo mega hit? A dica é ficar de olho no chart da Suécia no Spotify.

Worth noting: o Spotify, responsável por mudar a maneira que as pessoas escutam música em todo o mundo (streaming já é até contabilizado nas principais paradas mundo afora), é outra criação sueca. No país, mais de 90% do consumo de música é feito através do aplicativo.

A plataforma, cuja sede fica em Estocolmo, é uma grande entusiasta de atos escandinavos. O  DJ sueco Aviccii, a maior e mais bem paga estrela da região atualmente, aponta o serviço de streaming como peça chave na sua explosão global. Atualmente, o Spotify promove com entusiasmo Zara Larsson, Lukas Graham e Alan Walker, os colocando em playlists proeminentemente (como a Today’s Top Hits, com mais de 7 milhões de seguidores) e dando destaque a eles em sua página inicial.

De Max Martin ao Spotify aos popstars que dominam as paradas da atualidade, parece que o Scandinavian musical takeover não vai parar tão cedo.

Causando no UK: o maior fenômeno da TV britânica

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Quando comecei esse blog, faz quase 6 anos (!!), o reality de canto The X Factor era o maior fenômeno da TV inglesa. Grandioso, kitshy, explosivo, cheio de tensão e drama, o programa era a grande obsessão nacional e monopolizava as conversas e as manchetes no país.

As coisas mudaram bastante desde então. The X Factor segue sendo um programa razoavelmente bem sucedido mas a audiência já despencou e, hoje em dia, a quantidade de espectadores é menos da metade do que ele conseguia em seu ápice. Existem boatos até de que ele corre o risco de ser cancelado e já faz quatro anos em que ele nem sequer é líder de audiência em seu horário, perdendo para o Strictly Come Dancing da BBC.

A queda de The X Factor coincidiu com a ascensão de um novo programa que é literalmente o oposto, o reality culinário The Great British Bake Off.

Um concurso de confeitaria que celebra o espírito e receitas britânicas, o reality  estreou em 2010 na BBC Two. Apresentado pelas bem-humoradas Sue Perkins e Mel Giedroyc e com Mery Berry, autora culinária, e o celebrity chef Paul Hollywood como jurados, ninguém tinha grandes expectativas em relação ao programa.

Mas o programa começou a crescer e crescer e crescer e, depois de quebrar recordes para a BBC Two, finalmente foi promovido para BBC One no ano passado.

No canal principal do Reino Unido, Bake Off se consolidou como programa mais visto do país. No ano passado, o reality perdeu apenas para as partidas da Inglaterra na Copa do Mundo na lista dos mais vistos de 2014. Esse ano, as audiências cresceram ainda mais e, com 14 milhões de espectadores, a final da sexta temporada se consolidou, de longe, como a maior audiência televisiva de 2015.

Foram mais de 15 milhões de espectadores nos dados consolidados. Para se ter uma ideia do tamanho do fenômeno, The X Factor só atingiu esse número duas vezes, nas finais de 2009 e 2010.

Mas, como já disse, Bake Off é o oposto do dramatico reality de canto de Simon Cowell na ITV e ele virou um fenômeno tão gigantesco graças a sua leveza. A competição ocorre numa grande tenda aconchegante no meio de um campo inglês e todos os participantes são confeiteiros não profissionais. A relação entre todo mundo é boa, o programa tem poucos momentos de tensão, a paz reina, não existe jurados malvados. O resultado é um programa bastante positivo e agradável que claramente caiu no gosto do público (e os deliciosos doces com certeza não atrapalham).

Esse ano, a final foi particularmente comentada. Num programa que exalta o Reino Unido e a cultura britânica, dois dos três finalistas eram filhos de imigrantes e a grande vencedora foi Nadiya, uma muçulmana cujos pais migraram de Bangladesh. A final foi vista como uma grande celebração da diversidade no país e ressoou particularmente forte por ter sido exibido um dia depois de Theresa May, a Ministra de Interior, fazer um discurso anti-imigração altamente criticado.

O formato já foi vendido para 17 países, incluindo o Brasil, onde ele atualmente é exibido no SBT e no Discovery Home & Health com o nome Bake Off Brasil.

Causando na Argentina: um aterrorizante Clan domina as bilheterias do país

  • Na Argentina, o filme El Clan está batendo todos os recordes alcançados por Relatos Selvagens ao longo do ano passado. Enquanto o filme de Damian Szifrón — a maior bilheteria de um filme local na história do país, com mais de 3.4 milhões de ingressos vendidos — demorou 11 dias para superar a barreira de 1 milhão de espectadores, El Clan chegou a marca em apenas nove. A estréia do filme superou em mais de 10% o primeiro final de semana de Relatos Selvagens e levou 505 mil espectadores ao cinema (53% de todo o público naquele final de semana).
  • O filme de Pablo Trapero conta a história real do clan Puccio, um caso que fascinou e aterrorizou a Argentina em meados dos anos 80. Os Puccio pareciam uma típica família de classe alta do idílico e afluente bairro de San Isidro, na Grande Buenos Aires. Mas, por detrás da faixada de família perfeita, escondia-se um grupo de criminosos que, entre 1982 e 1985, sequestrou quatro pessoas e, apesar de ter recolhido os resgates, matou três das vítimas. A aterrorizante história é um dos casos policiais mais assustadoramente celebres do país vizinho e, trinta anos depois, segue gerando repercussão.
  • Guillermo Francella, que interpreta Arquimedes Puccio, patriarca da família e a mente por detrás dos crimes, foi vital para transformar El Clan num dos filmes mais esperados do ano. Francella é um dos maiores nomes na Argentina, um sucesso tanto na TV quanto no cinema. Apesar de ser mais fortemente associado a comédia, o ator tinha surpreendido com seus dotes dramáticos em El Secreto de tus Ojos, filme de 2009 que levou o Oscar de Melhor Filmes Estrangeiro e que, até ser superado por Relatos no ano passado, detinha o recorde de maior bilheteria de um filme local. Para El Clan, Francella passou por uma extrema transformação e, através de maquiagem pesada e próteses, sua fisionomia foi drasticamente alterada para transformá-lo num sósia do famoso sequestrador. O resultado foi tão assombrosamente perfeito que, meses antes da estréia, o longa já era assunto por todo o país e o trailer já tinha acumulado milhões de visualizações.
  • Além de Francella, o filme tem Peter Lanzani, um ex-teen idol e protagonista de novelas adolescentes, no papel de Alex Puccio, o filho mais velho que, além de sequestrador e assassino, era um exímio jogador de rugby (um esporte muito popular entre a classe alta portenha).
  • Assim como Relatos Selvagens, o longa foi co-produzido por Pedro Almodovar e pela Telefe, uma das maiores emissoras do país, o que garantiu uma promoção intensa (o canal também esteve por detrás de O Segredo de seus Olhos). A direção é de Pablo Traperos, que, apesar de bastante aclame (Carancho, seu filme de 2010, foi indicado ao Oscar de Filme Estrangeiro), nunca tinha dirigido um blockbuster. Seu último filme, Elefante Blanco, lançado em 2012 e estrelando Ricardo Darín, alcançou 800 mil ingressos vendidos, um resultado bastante digno para um filme local mas que El Clán superou em pouco mais de uma semana.

  • A Telefe, a emissora por detrás do filme, quer lucrar ao máximo com o revivido interesse na história. Por isso, além do filme, o canal também exibirá uma mini-série de 13 episódios, Historias de un Clán. A estréia está prevista para esse mês e o elenco conta com a prestigiosa atriz Cecilia Roth no papel da matriarca, Epifania, e El Chino Darin, filho de Ricardo, no papel de Alex, o filho mais velho. Arquimedes será interpretado por Alejandro Awada.
  • A mini-série, produzida pela Underground, uma das produtoras de confiança da Telefe, estréia com o objetivo de levantar a audiência da emissora que, no momento, está levando uma surra do Canal 13 que domina o horário nobre com o fenômeno turco Las Mil y una Noches.

VMAs 2015: o aftermath

As minhas expectativas estavam baixas mas não tem como negar que o MTV Video Music Awards, exibido no domingo, cumpriu sua função: dar o que falar. E, claro, alguns personagens — figurinhas carimbadas do mundo pop — foram vitais para fazer isso acontecer.

Miley Cyrus

Quando a MTV escolheu Miley, uma das maiores e mais polêmicas estrelas da sua geração, para apresentar a cerimônia, o objetivo era claro: causar. Mas, na hora H, Cyrus estava nervosa e até contida (para os seus padrões). Claro que, essa leve acanhamento não impediu com que ela se transformasse em trending topic em todas as redes sociais; manchete em todos os sites de celebridade e tema de centenas de think pieces.

Os destaques do hosting stint de Miley foram suas dezenas de trocas de roupa, cada uma mais bizarra e reveladora que a outra (que é como a gente gosta, né?); o fato dela ter pago peitinho (só eu fiquei chocado que demorou até o penúltimo bloco para isso acontecer?) e, claro, o grand finale em que ela cantou uma música sobre como ela amava maconha e paz enquanto circundada por dezenas de drag queens (todas do RuPaul’s Drag Race) dançando efusivamente.

A surpresa final foi o anuncio de que a música era parte do novo CD dela, feito em colaboração com Wayne Coyne (dos Flaming Lips), que foi imediatamente disponibilizado na internet (de maneira gratuita pois Miley é #anarquista). O álbum, alias, se chama Miley Cyrus & her Dead Petz, uma homenagem bastante excêntrica a Floyd, seu cachorro husky que morreu no começo do ano passado.

Nicki Minaj

Mais de um mês antes da premiação, o fato de Anaconda não ter sido indicado a categoria principal, Melhor Vídeo, fez com que Minaj soltasse o verbo no Twitter e se envolvesse numa briga com Taylor Swift. Como agradecimento pela free publicity, a MTV deu a ela o opening slot e, além de cantar Trini Dem Girls, Minaj surpreendeu todo mundo (sqn) ao chamar Swift para dividir o palco com ela. Junto com Minaj, Taylor cantou The Night Is Still Young antes de encerrar com o refrão do seu girl fight anthem Bad Blood (num playback descarado).

(Veja a apresentação de Nicki aqui)

Mas o grande momento de Minaj foi, sem duvida nenhuma, quando ela ganhou o Prêmio  de Melhor Vídeo de Hip-Hop e encerrou seu discurso dando uma forte cutucada em Miley que, alguns dias antes, tinha falado mal da rapper para o New York Times. Muito se debateu na internet se a cena foi planejada ou não mas, no final das contas, o momento te pego lá fora de Minaj foi considerado por muitos como o ponto alto da premiação (e a suposta reação de Miley, que não foi ao ar na TV, viralizou na web. A reação real foi um pouco menos over the top).

Taylor Swift

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No mundo moderno, a população global está dividida em dois grupos: aqueles que amam Taylor, acham suas dançinhas em award shows uma graça; adoram que ela ama e é grande fã de todo mundo e sonham em formar parte do seu grupo de amigas (formado por atrizes e modelos lindas e em ascenção. Mas nenhuma tão famosa quanto ela, óbvio) e os que acham ela uma falsa insuportável e que não aguentam nada disso. A premiação de domingo proporcionou muitos momentos para deixar as emoções dos dois grupos a flor da pele.

Swift chegou acompanhada de grande parte do seu squad de amigas e co-estrelas do vídeo de Bad Blood (Selena Gomez; as atrizes Hailee Steinsfeld, Mariska Hargitay e Serayah; as top models Karlie Kloss, Gigi Hadid, Cara DeLavigne, Martha Hunt e Lily Aldrige). Apesar de muitas das garotas terem carreiras bastante badaladas, nenhuma delas parecia estar incomodada de estar lá apenas como um step para Taylor já que nenhuma tinha uma verdadeira função ao longo da premiação. Se isso é amizade verdadeira ou uma oportunidade de auto-promoção fica a critério de cada um.

No pré-show, Swift estreou seu novo vídeo, Wildest Dreams. Na cerimônia principal, ela foi convidada surpresa de Nicki Minaj; dançou na platéia animadamente ao som de todo mundo e apresentou a homenagem a Kanye, colocando um ponto final no conflito público entre os dois que começou a seis anos atrás, no mesmíssimo VMA. E, claro, ela ganhou todas as categorias, incluindo o prêmio principal, Vídeo do Ano. Ela subiu para agradecer o prêmio com toda sua trupe de bffs (que, como boas amigas, ficaram caladinhas atrás dela enquanto ela agradecia efusivamente aos fãs, ao diretor, as migas e a Kendrick Lamar).

Kanye West

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Kanye é outro celebre personagem dos VMAs, tendo não só contribuído com apresentações memoráveis como também com um dos momentos mais infames da história da premiação. Tudo isso, somado ao fato de que ele é um dos rappers mais influentes da história, faz com que a homenagem que ele recebeu pareça bastante lógica (como o próprio Kanye provavelmente diria, MTV, você não fez nada além da sua obrigação). O prêmio, claro, foi apresentado por Swift, que se declarou uma gigantesca fã e colocou, publicamente, um ponto final em qualquer tipo de ressentimento que poderia existir entre os dois.

In true Taylor fashion, ela fez o discurso de apresentação girar totalmente em torno dela e não dele. E in true Kanye fashion, ele subiu ao palco, ouviu — em total silêncio — o público o aplaudir efusivamente por dois minutos, antes de lançar-se numa diatribe de dez minutos no qual ele admitiu fumar unzinho para se acalmar e debateu sobre fama, artistry e a importância de ser true to yourself. Teve quem achou inspirador; teve quem achou egomaniaco; teve quem achou divertido; teve quem achou boring; teve quem achou todas as opções acima (eu). O discurso culminou com ele anunciado sua pré-candidatura as eleições presidenciais de 2020. O público, claro, foi a loucura.

Justin Bieber

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Bieber tirou uns anos de folga da música para se dedicar a arte de fazer com que todo mundo no universo o odiasse. Mas parece que ele cansou dessa vida e quer voltar a sua carreira original de popstar. E que lugar melhor para um comeback do que o palco do VMA, né?

Biebs já chegou causando com seu novo penteado. Mais tarde, ele apresentou, pela primeira vez, o seu novo single, What Do You Mean, primeira música solo que ele lança em três anos. A apresentação foi bem feita e ajudou a catapultar a música para o primeiro lugar do iTunes e do Spotify. Mas o momento mais bizarro foi quando ele se ajoelhou no chão e começou a chorar.

OK Biebs, a mensagem de que você sente muito e que devemos voltar a te amar e comprar seus produtos ficou bem clara. Teria sido melhor se alguma lagrima de fato tivesse caído mas tudo bem, o que vale é a intenção…

Tori Kelly

No post anterior, eu disse que Tori Kelly era uma Zé Ninguém (não menti) e que ela só conseguiu um espaço para se apresentar porque ela tem uma equipe fantástica e poderosa por detrás, porque hit que é bom ela não tem (#sóverdades). Mas, justiça seja feita, a apresentação dela foi um dos pontos altos da noite. Ela fez aquela tipica performance sem muita produção e que foca na potencial vocal e o truque parece ter colado pois ela não só foi aplaudida de pé como o single que ela estava promovendo, Should’ve Been Us, foi catapultado para o top 10 do iTunes. Ao que tudo indica, a performance foi o empurrãozinho que ela precisava para finalmente alcançar o top 50 da Billboard. Well done, Tori!

No mais….

No mais, dados prévios de audiência indicam que a premiação foi vista por 9.8 milhões de espectadores. Foi uma queda de 500 mil espectadores em relação ao ano passado mas foi uma diminuição pequena se comparado ao mais de 1 milhão que a cerimônia perdeu entre 2013 e 2014. Por outro lado, os VMAs desse ano foram o programa de TV não-esportivo que mais gerou tweets na história e também foi a premiação mais vista do ano entre espectadores de 12 a 34 anos, o público principal da MTV.

No momento, canções que tiveram apresentações no VMA ocupam seis posições dentre as dez músicas mais compradas no iTunes estado-unidense. What Do You Mean? de Justin Bieber encabeça a lista, desbancando Can’t Feel My Face de The Weeknd que ocupou a primeira posição ao longo de todo o mês de agosto. Outra música do rapper, The Hills, que não foi promovida nos VMAs, ocupa a terceira posição. O lançamento do vídeo de Wildest Dreams catapultou a música a quarta posição, mostrando o poder impressionante de Swift (a essa altura, o álbum, 1989, já vendeu mais de 5 milhões de unidades nos EUA). O novo single de Macklemore & Ryan Lewis, Downtown, estréia na sexta posição enquanto a apresentação de Tori Kelly fez com que ela penetrasse o top 10, com Should’ve Been Us ocupando a sétima posição. A apresentação de Demi Lovato também catapultou Cool for the Summer de volta para o top 10 e o single está no momento no oitavo lugar.

O que diabos aconteceu com os Video Music Awards da MTV?

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Quando a MTV anunciou que Miley Cyrus iria apresentar os Video Music Awards desse ano, eu fiquei muito impressionado. Ame-a ou a odeie, é inegável que ela é uma das maiores estrelas da atual geração e, além disso, ela é ótima para causar. E causar é a raison d’etre dos VMAs. Era uma match made in heaven.

Daí, com a revelação dos indicados, rolou toda aquela treta no Twitter entre Nicki Minaj e Taylor Swift (em geral insuportavelmente adversa a polêmicas) e pensei “caramba, falta muito e esse VMA já está delievering! Tem tudo para ser o melhor ever!”. E daí, já logo comecei a pensar quem iam ser os performers. Porque, digam o que quiserem da premiação, em geral ela tem uma line-up sólida e bastante representativa do que realmente está fazendo sucesso no momento.

Pensei imediatamente em The Weeknd, rapper canadense que está em ascensão e que, depois de dois hits grandes (Earned It, de 50 Tons de Cinza e The Hills), está arrebentando a boca do balão com Can’t Feel My Face (produzido por ninguém menos que Midas pop sueco, Max Martin, velho conhecido dos leitores). One Direction também seria outro bom nome: eles são meio sem sal mas bombam muito e faz anos desde a última vez que eles cantaram nos VMAs. Também dei como certa presença de Justin Bieber, que lançaria seu comeback single no dia seguinte a premiação. Ed Sheeran, um dos maiores nomes da atualidade, que vende milhões e enche estádios, também era um must. Mas quem mais? Alguma cantora… Selena, talvez? “Rival” de Miley e ex de Bieber, sua performance causaria (mesmo ela não sendo uma boa performer) e seu novo single Good to Me — é bastante sólido e está fazendo sucesso.  Um rapper — como Kendrick Lamar  — também seria uma boa pedida.

Em geral, os primeiros performers são anunciados com no mínimo um mês de antecedência. Mas esse ano, nada. O que até fazia sentido, afinal, o anúncio de Miley como apresentadora já era o suficiente para causar uma repercussão grande. Mas o tempo passou e passou. Até que, finalmente, eles anunciaram The Weeknd (uhull, acertei). E depois, novamente, silêncio.

Ficou claro que algo estava muito errado quando faltava menos de uma semana para a premiação e mais ninguém tinha sido anunciado. A essa altura, pelo menos 90% do line-up deveria ser público, até para que a MTV pudesse tirar o máximo proveito desses grandes nomes no material promocional. Era bizarro que tudo girava em torno só de Miley — todos os anúncios televisivos e outdoors — e mais ninguém.

Até que, finalmente, hoje, faltando cinco dias para a premiação, grande parte dos performers foram anunciados. E gente, é óbvio que algo deu muito errado nos bastidores. O line-up não é só excepcionalmente fraco para os padrões dos VMAs, é fraco para qualquer award show televisionado. Estou de olho nos Billboard, Hits Daily Double e Hollywood Reporters da vida para ver se algum deles noticia o que se passou nos bastidores (e óbvio, conto para vocês!) mas pode ter certeza de que algo sério aconteceu. Talvez alguma cláusula financeira desagradou os grandes nomes (como quase aconteceu com o SuperBowl, que ameaçou pedir uma parcela das vendas de ingresso da turnê em troca da vaga de half-time act e causou ira entre os empresários e artistas. A NFL voltou atrás e, graças a isso, conseguiram Katy Perry para o show de intervalo) ou talvez o investimento em Miley tenha os deixado sem verba para atender os pedidos de outros A-listers. Mas, especulações a parte, algo claramente não foi como planejado..

Mas afinal, quem são os performers?

  • Tori Kelly, de 22 anos, tem um time impressionante por detrás dela. Apesar de nunca ter tido um top 50 single na vida (olha o nível. Não tô falando nem de top 10), essa será a segunda performance dela num award show (o primeiro foi o Billboard Music Awards) e ninguém menos do que Max Martin co-produziu o CD de estreia dela, Unbreakable Smile. O álbum em questão até teve uma estreia decente (segundo lugar, com 75 mil unidades) mas, numa ocasião normal, uma cantora sem nenhum hit e com um único CD, com vendas medíocres,  nunca conseguiria um espaço nos Video Music Awards.
  • Twenty One Pilots são tão irrelevantes que eu tive que recorrer ao Google e a Wikipedia para descobrir alguma coisa sobre eles. Aparentemente, eles são um duo indie cujo último CD estreou em primeiro lugar. As vendas deles são OK mas longe de serem espetacular: o álbum mais vendido deles nos EUA teve 300 mil unidades vendidas (um disco de ouro, a menor certificação, exige 500 mil). Eles vão contar com a participação especial do rapper A$AP Rocky (que, até agora, eu achava ser bem mais relevante que eles).

  • Demi Lovato tem um name recognition bem alto comparado com os dois acima. E ela está, em tese, num bom momento para estrear nos VMAs: com uma nova (e maior) gravadora, o seu atual single é uma música pop viciante e com cara de hit, produzido, claro, por Max Martin. A questão é que, na real, ela não está num bom momento: Hot for the Summer é, apesar da promoção intensa, o primeiro lead single dela a não alcançar o top 10 e, sinceramente, o poder comercial dela sempre foi bem mais ou menos e, hoje em dia, anda mais para menos. Selena Gomez — que está sempre na mídia e cujo single atual chegou ao sexto lugar (dez posições acima do pico de Demi) — seria uma escolha que faria mais sentido.
  • Pharrel seria um performer perfeito. Se estivéssemos em 2013. Apesar de credibilidade e vários mega hits (tipo Happy que foi tão overplayed que acho que ninguém aguenta ouvir nem sequer as notas iniciais), Pharrel não tem absolutamente nada para promover; não tem CD pronto para ser lançado nem single nas rádios. A única explicação para sua presença na lista de performers era que a MTV estava desesperada por alguém — qualquer pessoa — que tenha A-list credentials e ele foi o único que topou. Ou que ele vai fazer alguma performance especial com a apresentadora, Miley, de quem ele é bastante próximo.
  • Macklemore & Ryan Lewis são mais um nome para categoria “ótima escolha se estivéssemos em 2013“. Alias, eles de fato se apresentaram em 2013, quando estavam por cima da carne seca, tinham três mega-hits e estavam prestes a ganhar um Grammy. A questão é que desde então ninguém sentiu a falta deles e eles foram totalmente esquecidos. A presença deles não é como o comeback de um artista midiático como Justin Bieber ou, pasmem, Rihanna (cujo último CD também foi em 2013). Ninguém estava pedindo ou clamando por uma performance do duo. Mas foi tudo que  a MTV conseguiu infelizmente. A primeira música liberada do novo CD tem a participação de Ed Sheeran (esse sim bastante relevante) mas nada foi dito sobre uma potencial participação dele.

  • The Weeknd. O único artista dentre os já anunciados que realmente faz sentido.

A MTV ainda anunciará mais dois nomes. Eles serão revelados, individualmente, na quarta e na quinta-feira, o que indica que eles são nomes grandes. Todo mundo meio que já sabe que serão Justin Bieber, com seu aguardado retorno, e Nicki Minaj que, apesar de badalada, não tem nada para promover. Com duas exceções — Bieber e Weeknd — todos os anunciados deixam explicito o desespero da MTV: ou eles são irrelevantes ou estão em decadência ou parecem estar lá para quebrar um galho para a emissora. É realmente uma situação triste para uma cerimônia cujo ponto forte sempre foi a habilidade de capturar o zeitgeist pop.

Em todo o caso, nem tudo está perdido. Teremos Miley; o retorno de Bieber; a estreia de The Weeknd na cerimônia e Kanye West, que será homenageado com um Vanguard Award. Mesmo não se apresentando, Taylor Swift também deverá estar presente já que é meio que óbvio que ela ganhará o prêmio de Video of the Year.

De resto, esse line-up parece mais fitting para um pré-show. Alias, por pouco que o pré-show não acabou sendo mais estrelado do que a cerimônia em si. O tapete vermelho terá performance de Nick Jonas (que, bem ou mal, está em ascensão e teve hits na rádio ao longo do ano, diferente de 90% dos performers do show principal) e a estreia do novo vídeo de Swift, Wildest Dreams.

O Ano De Ouro Da Universal (Parte 2)

Parte 1 aqui

Em seus 103 anos, a Universal Pictures nunca tinha tido um filme sequer que superou a casa do bilhão de dólares. Até o fim de 2015, o estúdio terá três. Além disso, em apenas 7 meses, a gigante de Hollywood quebrou o recorde histórico de maior arrecadação nas bilheterias, com mais de 5.55 bilhões de dólares em ingressos vendidos. Mas como o estúdio teve um ano tão espetacular? É essa a pergunta que tentaremos responder ao longo de 2 posts.

Na Parte 1, analisamos os grandes sucessos (e os poucos fracassos) do estúdio ao longo do primeiro semestre e, na parte final, veremos os acertos dos últimos dois meses e também o que a Universal tem preparado para os quatro meses finais de 2015.

Julho: A Revolução Será Amarela

Bilheteria até o momento: U$ 969.836.943

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Em 2010, a Universal estreou no lucrativo mercado da animação 3D com Despicable Me. O filme lucrou 543 milhões de dólares, um resultado extremamente satisfatório. Em 2013, a continuação do filme alcançou 970 milhões e virou a quarta maior bilheteria de animação da história (e o único não-Disney no top 5). Apesar de serem meros coadjuvantes, os Minions — os engraçados mascotes amarelos — foram a verdadeira sensação do filme.

O carisma deles significou bilhões de dólares para a Universal, que os transformou numa verdadeira mina de ouro em licenciamento. Tudo que envolvia os personagens vendia como água e tudo e todos queriam se associar a eles. Obviamente, a evolução natural das coisas era dar aos Minions o estrelato que eles mereciam. E foi isso que aconteceu em julho de 2015, quando Minions — estrelando Kevin, Stuart e Bob — se tornou o maior lançamento animado da história. E, ao que tudo indica, o filme se transformará no terceiro billion-dollar juggernaut do estúdio esse ano (que, até 2015, vale lembrar, não tinha nenhum).

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Os Minions invadem outdoors mundo afora (na foto, Toronto, no Canadá)

Ao em vez de optar por uma estreia simultânea global, a Universal escolheu um lançamento sucessivo para Minions, de maneira a coincidir com as férias escolares em cada mercado. O filme começou sua trajetória no fim de junho na Austrália, na Malásia, na Indonésia e em Singapura. Na semana seguinte, a animação chegou em mais 9 países, incluindo o Brasil e o Reino Unido. Nas vésperas da estreia nos EUA, na segunda semana de julho, o filme já tinha ultrapassado 200 milhões de dólares na bilheteria global. Minions foi o lançamento mais lucrativo para um filme animado em 29 países, incluindo o Brasil. Nos EUA, a bilheteria de estreia — U$115.7 milhões — foi maior do que a de Toy Story 3. O filme tem sido um sucesso gigantesco até em mercados pouco receptivos, como Japão, um país onde nenhuma animação 3D internacional não-Disney obteve lucro considerável. Em apenas três semanas, o Japão já é o sexto maior mercado global para o filme, com arrecadação de mais de 26 milhões (nota do André: como vocês podem notar, o departamento de marketing da Universal no Japão é bem bom. E o fato de que existe um parque Universal Studios no país, na cidade de Osaka, que é um grande sucesso, também ajuda).

Até o momento, o filme já arrecadou 969.8 milhões de dólares. E sim, ele vai passar a casa do bilhão porque ele ainda tem um gigantesco trunfo: a China, onde o filme tem estreia prevista para setembro. O filme também ainda não estreou na Itália, outro mercado importante, e chegou na Coreia do Sul e no Japão faz apenas três semanas. Até o momento, os únicos dois filmes animados que ultrapassaram 1 bilhão de dólares arrecadados foram Frozen e Toy Story 3, ambos da Disney. Até agora, os maiores mercados dos Minions são os EUA (U$315mi); o Reino Unido (U$67.6mi); a Alemanha (U$55.9mi); o México (U$44mi); a França (U$39mi); o Brasil (U$37mi); a Argentina (U$35mi) e a Rússia (U$31mi).

Apesar das estrelas serem os Minions, os personagens humanos do filme foram dublados por astros reconhecidos. A grande antagonista, Scarlett Overkill, teve a voz de Sandra Bullock, uma das atrizes de Hollywood com o box office record mais impecável dos últimos anos. O marido da personagem, Herb, foi dublado por Jon Hamm enquanto Steve Carrel fez a voz de Gru. Grandes comediantes britânicos — Steve Coogan e Jennifer Saunders — também participaram do elenco.

Sandra Bullock se rendeu a febre dos Minions na pré-estreia do filme
Sandra Bullock se rendeu a febre dos Minions na pré-estreia do filme

Para as dublagens internacionais, a Universal tentou recrutar estrelas locais do mesmo porte. Marion Cotillard, por exemplo, deu voz a Scarlet na versão francesa do filme enquanto seu marido na vida real, Gillaume Canet, dublou Herb. O mesmo se repetiu no Brasil, com Adriana Esteves e Vladimir Brichita assumindo os personagens. Na América Latina, a estrela Thalia substituiu Bullock enquanto Ricky Martin fez a voz do personagem masculino. Para o papel de Gru, foram chamados humoristas locais famosos: Leandro Hassum no Brasil; Gad Elameh na França e o mexicano Andres Bustamente. Nomes consagrados também dublaram os personagens na Alemanha, na Itália e no Japão.

Minions foi o maior promotional push da história da Universal. Foram centenas de milhões de dólares investidos em outdoors em todas as principais cidades do mundo e os Minions ainda cobriram ônibus e trens em grandes metrópoles. Mas a Universal economizou bastante com dezenas de promotional partnerships. Dez empresas colocaram os personagens em seus anúncios de TV, incluindo a SKY BSB no Reino Unido; o Carrefour na França e o smartphone VIVO na China. Globalmente, os mascotes invadiram o McDonald’s, que ofereceu uma batata especial no formato dos personagens e brindes no McLanche Feliz; os cereais da General Mills e os da Nestlé; as bananas Chiquita; as balas Haribo; os chocolates Kinder Ovo e os pacotes da pastilha Tic-Tac. As encomendas da Amazon, a maior loja online do planeta, chegaram no mundo inteiro em caixas amarelas promovendo o filme. A Walmart, a loja física de varejo mais poderosa do mundo, também ajudou no marketing e ofereceu centenas de produtos exclusivos. Os Minions ganharam sua própria paleta PANTONE e apareceram nas balas Fruitsnackia e em todos os doces da CandyMania, nos sucos e iogurtes Mott’s e também nos iogurtes Go-Gurt; nos bolinhos Twinkies; nos papéis toalha Bounty; nos lenços de papel Puff’s e em mais outras centenas de promoções personalizadas mundo afora. Isso sem contar os milhares de produtos licenciados que incluem gravatas, aromatizadores de carro, canudos e ganchos de cortina de chuveiro (juro).

Nos EUA, a promoção televisiva incluiu um anuncio especial para o Superbowl (visto por mais de 114 milhões de pessoas); um takeover do programa matinal latino Despierta America e um comercial especial para a ESPN onde o Minion Bob aparecia ao lado dos astros do basquete Steph Curry e Klay Thompson.

… e, de um trainwreck, nasce uma estrela

Bilheteria até o momento: U$ 122.284.000

trainwreck

Como contei na coluna On My Radar, já faz um tempinho que sou fã de Amy Schumer. Ao longo do último ano, porém, pude ver ela ascender a outro patamar e se transformar numa celebridade enormemente reconhecida. Ela foi escolhida Women of the Year pela revista Glamour e apareceu na capa da revista e de outras publicações de enorme importância como GQ e Entertainment Weekly. Ela foi escolhida como uma das 100 Pessoas Mais Influentes do Mundo pela revista Time e apresentou o MTV Movie Awards. O seu programa de TV, Inside Amy Schumer chegou na terceira temporada batendo recordes de audiência e vários sketches — como a paródia de Friday Night Lights; o julgamento de Bill Cosby e Last Fuckable Day — tiveram enorme repercussão e foram muitíssimo elogiados.  O timing de tudo isso não poderia ter sido mais perfeito, leading up to the debut do seu primeiro grande filme, em julho. Trainwreck, o filme em questão, foi estrelado e escrito por ela e dirigido por Judd Apatow.

Apatow, o influente diretor — por de trás de comédias como O Virgem de 40 Anos e Knocked Up — e produtor — de filmes como Bridesmaids; Superbad e das comédias televisivas Girls e Freaks & Geeks — apostou forte em Schumer e em seu projeto, viabilizando a produção do longa. A pré-produção começou em janeiro de 2014 e as filmagens em maio. Bill Hader foi escolhido como o co-protagonista e Tilda Swinton, Vanessa Bayer e LeBron James foram casted em papéis chaves.

Em março, o filme foi muito bem recebido na sua estreia oficial no festival SXSW em Austin. Isso, aliado a toda a empolgação em torno de Schumer na mídia, fez com que o estúdio esperasse uma abertura boa, na casa dos 20 milhões. Seria um ótimo resultado para uma comédia adulta focada no público feminino, estrelando uma comediante ainda relativamente iniciante. Mas, apesar das expectativas já serem otimistas, o resultado final as excedeu bastante: 30 milhões de dólares.

Os números confirmaram mais um acerto da Universal e o opening catapultou Schumer direto para a A-list, com muitos apostando que ela poderá ser uma nova Melissa McCarthy, atualmente a estrela de comédia mais rentável dos EUA, que capitaneia anualmente filmes de enorme sucesso no mercado doméstico. O notável é que a estreia de Trainwreck superou a do último filme de Melissa, Spy. Uma pesquisa da Rentrak, encomendada pela Universal, revelou que 28% das pessoas que foram ver o filme em seu final de semana de estreia tinham como principal motivação o fato de serem fãs de Schumer, um número bastante alto.

O sucesso de Trainwreck comprova a enorme demanda por comédias adultas femininas, algo que ficou bastante claro para Hollywood depois do gigantesco sucesso de Bridesmaids, lançado em 2011 e também distribuído pela Universal. Porém, apesar do grande sucesso desses filmes nos EUA, os estúdios não costumam investir na distribuição e promoção deles internacionalmente. Especula-se que isso mudará com o reboot de Ghostbusters em 2016, que estrelará um elenco integralmente feminino (o filme da Sony reunirá muitos nomes envolvidos em Bridesmaids como Kristen Wigg, McCarthy e o diretor Paul Feig) mas, enquanto isso, o filme de Schumer ainda sofre de certa dificuldade para ser notado internacionalmente. Seu lucro total até o momento é de 122 milhões de dólares, dos quais 98mi foram nos EUA. O rendimento internacional deve aumentar nas próximas semanas, porém, já que o filme acaba de ser lançado na Europa — incluindo no Reino Unido, onde recebeu um fortíssimo marketing push — nesse final de semana. No Brasil, o longa, que se chamará Descompensada (eu particularmente adorei a tradução), chega no fim de setembro.

Agosto: Fuck the police

Bilheteria do final de semana de estreia: US$ 60.200.000

compton

Na primeira semana de agosto, faltando cinco meses para o fim do ano, foi anunciado que a Universal tinha alcançado o faturamento recorde de 5.54 bilhões de dólares. Já dava para pendurar as chuteiras e entrar de férias. Mas não, ainda havia hits em potencial prontos para estrear. Em agosto, mais uma aposta da Universal — o filme Straight Outta Compton overperformed espetacularmente. Com um orçamento de 26 milhões de dólares, esperava-se que ele estreasse na casa dos 20 ou 30 milhões. Ele acabou arrecadando 60.2 milhões de dólares em seu primeiro final de semana nos EUA e no Canadá, superando os lucros de estreia tanto do último filme da Marvel quanto do último Missão Impossível.

Straight Outta Compton conta a história real do grupo de hip-hop N.W.A., um dos primeiros grupos de gangsta rap que, no final dos anos 80 e começo dos 90, vendeu milhões de cópias e revelou nomes como Dr. Dre e Ice Cube. A julgar pelo público no final de semana de estreia, o apelo do filme foi multigeracional: 51% do público tinha mais de 30 anos e 49%, menos. A divisão de sexo também foi bem democrática: 52%  foi feminino, 48% masculino. A maior parte dos espectadores eram negros — 46% — mas brancos — 26% — e hispânicos — 21% — também apoiaram a produção em massa. O mercado mais forte foi Los Angeles, o berço do grupo, mas o filme também overindexed em San Francisco; em cidades do sul como Atlanta, St. Louis e Baltimore e até na rica Palm Springs, na Florida. O filme ainda teve uma nota ‘A’ no Cinemascore, o que indica longevidade graças ao boca a boca.

O filme foi apoiada com uma efetiva e bem executada estratégia de marketing, a começar pela campanha viral StraightOuttaSomewhere.com. Na página, qualquer um pode fazer sua própria versão do logo do filme, substituindo Compton por sua cidade de origem (ou qualquer outra palavra). O stamp criado no site pode ser sobreposto em uma foto de sua escolha. O site foi um fenômeno, com mais de 6 milhões de imagens criadas. A campanha foi o assunto mais comentado no Facebook, Twitter e Instagram por dois dias consecutivas, dando origem a milhares de memes e seduzindo até celebridades, como J.Lo, Bette Midler e Demi Lovato, que também se renderam a brincadeira.  Na semana anterior ao lançamento do longa-metragem, Dr. Dre lançou Compton, seu primeiro CD em 14 anos. O álbum vendeu 295 mil unidades nos EUA e também estreou em primeiro lugar no Reino Unido, ajudando a criar ainda mais expectativas em relação ao longa.

Os headphones e equipamentos de som da Beats by Dr. Dre — responsáveis por deixar o rapper bilionário — são provavelmente os product placements mais onipresentes da indústria, fazendo aparição em basicamente todos os vídeo clipes e filmes lançados nos últimos anos. E já que os produtos estão presente em basicamente todo lugar, é natural que eles tivesse papel de destaque na promoção do filme sobre a história de seu criador. A empresa, junto com sua parent company, a Apple, teve papel chave na promoção do filme. O CD Compton estreou na integra na Beats1, a rádio de Dre no serviço de streaming recém-lançado Apple Music. O álbum foi disponibilizado exclusivamente no serviço e na loja virtual da companhia, iTunes. A Beats também estava por detrás do fenômeno viral StraightOuttaSomewhere.com. Já a Interscope, a gravadora do N.W.A. e de Dre, contratou um avião para escrever a palavra COMPTON no céu de Los Angeles e San Francisco e as fotos do stunt também viralizaram nas redes sociais.

Como é costume, spots — em 27 versões — invadiram a TV americana antecedendo a estreia do filme. Na semana de lançamento, os comerciais foram exibidos 975 vezes, principalmente na BET e em emissoras jovens como Comedy Central (incluindo no muitíssimo aguardado episódio final do Daily Show with Jon Stewart) e MTV. O logotipo do filme também estava presente no ringue da luta da UFC em que Ronda Roussey knockeou Bethe Correia em 36 segundos.  Sem duvida nenhuma, porém, o anuncio mais chamativo foi ao ar na FOX News, no dia 6 de agosto, durante o debate presidencial dos candidatos à presidência do partido conservador Republicano (que, com 24 milhões de espectadores, se consolidou como o programa mais visto da história da TV a cabo americana). O spot de 1 minuto foi ao ar imediatamente depois em que os candidatos passaram exatos 30 segundos discutindo o tema Race Issues (questões raciais).

Race issues é, obviamente, um tema que merece muito mais do que 30 segundos de discussão num debate presidencial. Nos últimos anos, a quantidade de jovens negros inocentes assassinados pela policia americana ganhou repercussão nacional e gerou riots históricos na cidade de Ferguson (em 2014) e em Baltimore (em 2015). O tema não só é extremamente relevante em 2015 como também era enormemente presente no fim dos anos 80/começo dos anos 90. Em 1992, o espancamento do motorista negro Rodney King e absolvição dos policiais envolvidos causou um distúrbio de 6 dias no sul de Los Angeles (onde Compton fica), deixando 52 mortos e um prejuízo de mais de 1 bilhão de dólares. O episódio, claro, faz parte de Straight Outta Compton e brutalidade policial sempre foi um tema presente nas canções do N.W.A. (cujo um dos maiores hits, vale lembrar, se chama Fuck the Police).

Compton invade o céu de Los Angeles
Compton invade o céu de Los Angeles

Com uma estreia espetacular e um ‘A’ no CinemaScore, Straight Outta Compton irá rapidamente cruzar a barreira dos 100 milhões e, nos EUA, o céu é o limite. O filme não terá nenhuma dificuldade de ultrapassar o último blockbuster do mundo do rap, 8 Mile. Em 2003, o longa do Eminem arrecadou 116.75 milhões domesticamente. É bem provável que o longa supere também os $150.6mi de Walk the Line, baseado na história de Johnny Cash, e se transforme no biopic de música mais bem-sucedido da história do país.

Internacionalmente a trajetória do filme provavelmente será mais complicada. Com um tema muito local, alguns mercados — Ásia e América Latina — não deveriam contribuir muito para o lucro final do filme. Em 2003, 8 Mile foi um gigantesco sucesso global — lucrando mais de 126 milhões fora dos EUA (e 242.9 mi no total, o music biopic com maior bilheteria da historia) — mas Eminem, naquele então, era um dos maiores astros do mundo. O sucesso do N.W.A. não só foi há quase três décadas como também foi muito especifico aos EUA. De qualquer maneira, o filme tem bastante potencial na Europa, principalmente no Reino Unido e na França, países onde o rap americano é bastante popular. A Austrália também pode ser outro mercado receptivo.

De qualquer maneira, com os resultados espetaculares obtidos em casa, qualquer ganho adicional mundo afora é um extra.

O que vem por ai…

Com recorde histórico de arrecadação depois de 7 meses, está mais que óbvio que o ano já está ganho para Universal. Mas ainda faltam 4 meses até 2016 e o estúdio ainda tem nove lançamentos até dezembro. Não há mais nenhum blockbuster bilionário no estilo Jurassic Park/Minions/Furiosos 7 previsto e, é verdade, a companhia apostou todas as suas fichas fortíssimas e garantida nos primeiros 7 meses do ano mas ainda há futuros lançamentos cujos sucessos são muito possíveis (e quem sabe algum outro que possa surpreender a la Compton?).

Um deles é Steve Jobs, sobre a vida do criador da Apple, com roteiro do premiadíssimo Aaron Sorkins e baseado no best-seller global de Walter Isaacson. O longa foi super disputado por todos os estúdios (prova disso são os e-mails vazados entre Amy Pascal, diretora da Sony, e o produtor, Scott Rudin) e existe a esperança de que ele repita as altíssimas arrecadações de A Rede Social (também escrito por Sorkins). Michael Fassbender estrela no papel título e a direção é do Oscarizado britânico Danny Boyle (Trainspotting; Slumdog Millionaire; 72 Hours).

Outra aposta segura é Sisters, uma comédia que reúne Tina Fey e Amy Poehler, dois dos nomes mais respeitados e queridos da comédia americana, sob a direção de Jason Moore (Pitch Perfect). A Universal confia tanto no projeto que estreará o filme no mesmo final de semana que a Disney lança o novo Guerra nas Estrelas, inquestionavelmente o filme mais esperado do ano.

O repertório da Universal também tem fracassos óbvios como Jem & the Holograms. O longa, previsto para 23 de outubro, é baseado numa franquia muito popular dos anos 80 e é o primeiro fruto da parceria entre a Universal e a fabricante de brinquedos Hasbro (que é dona de Transformers e G.I. Joe, propriedades que arrecadaram muito na Paramount). Apesar de Jem ter um enorme público em potencial — mulheres nostálgicas que cresceram nos anos 80 — a produção as menosprezou completamente e o filme parece ser apenas um filme pré-adolescente genérico, cheio de atores desconhecidos. Não é exatamente a receita para um smash hit mas o filme custou apenas 5 milhões para produzir, então a Universal não tem tanto para se preocupar assim.

E, falando em filmes baratos, o próximo lançamento da Universal é The Visit, filme de terror de M. Night Shaymalan, que veio com um precinho tão camarada quanto Jem (5mi) mas tem muito mais potencial para recuperar seu custos. O buzz inicial é positivo, já que o filme tem feito sucesso nas early screenings e a expectativa da indústria é que ele tenha ótimos resultados.

Os lançamentos restantes da Universal dependem de uma série de fatores como a recepção crítica e marketing. No fim de setembro, Everest é uma aposta ousada, sobre o avalanche que, em 1996, deixou 8 escaladores mortos. O filme é encabeçado por Jack Gylenhaal, Josh Brolin e Jason Clarke e custou 65 milhões de dólares. Keira Knightely, Robin Wright e Sam Worthington são alguns dos outros nomes no elenco.

Outubro é o mês mais saturado de lançamentos. Além de Jobs e Jem, a Universal ainda tem Crimson Peak, um grandioso filme de terror dirigido por Guillerme del Toro e, abrindo o mês, Legend, estrelando Tom Hardy como os gêmeos Kray que, nos anos 60, foram os gangsters mais notórios de Londres.

Em novembro, o único lançamento é By the Sea, que reúne Angelina Jolie e Brad Pitt na tela pela primeira vez em mais de uma década sob a direção da própria Angelina. Já em dezembro, além de Sisters, a Universal aposta em Kramus, um filme de terror/comédia protagonizado por Toni Colette e Adam Scott.

Independentemente dos resultados até o fim do ano, porém, a Universal já tem assegurado o melhor ano de sua história.

O Ano De Ouro Da Universal (Parte 1)

A Universal Pictures foi fundada faz 103 anos. Ao longo de mais de um século, nenhum filme da gigante de Hollywood chegou na casa do bilhão. Até esse ano. No primeiro semestre de 2015, dois filmes do estúdio — Jurassic World Furious 7 — ultrapassaram a barreira e um terceiro — Minions — está quase lá. Até a primeira semana de julho a Universal tinha arrecadado 5.55 bilhão de dólares nas bilheterias do mundo todo. Para se ter uma ideia, o recorde histórico anterior tinha sido 5.5 bilhões — alcançados pela FOX em 2014 — e a companhia levou 12 meses para alcança-lo. A Universal quebrou esse recorde em sete. E sem nenhum filme de super-herói. O número ainda vai crescer dado que o estúdio, sob direção de Donna Langley, ainda tem muito lançamentos para os próximos meses.

Mas como a Universal conseguiu um ano tão espetacular? O que esteve por detrás de um sucesso tão estrondoso? Vamos analisar.

Janeiro: Péssimo começo…

Bilheteria final: U$ 17.752.940

blogfilme
Chris Hemsworth, você pode correr mas você não conseguirá se esconder desse fracasso homérico

Quem vê o ótimo momento que o estúdio está passando nem consegue imaginar que o ano começou da pior maneira possível para a companhia. 2015 estava apenas em sua segunda semana e a Universal já tinha um fracasso épico em suas mãos, Blackhat. O thriller de ação dirigido por Michael Mann (Collateral; O Último dos Moicanos) e estrelado por Chris Hemsworth (Thor) teve um dos piores lançamentos da história, deixando apenas 4.4 milhões em bilheteria, apesar de estar em cartaz em mais de 2500 salas. O filme ficou muito longe de recuperar seu orçamento — gigantes 70 milhões de dólares — arrecadando apenas 7.9 milhões nos EUA e 9.85mi no resto do mundo, para uma soma de 17.75 mi. Apesar de várias estrelas chinesas em papéis de destaque, como Tang Wei e Wang Leehom, Blackhat nunca chegou na China, um mercado com potencial grande, e acabou dando enorme prejuízo.

No papel, Blackhat parecia ter muito a seu favor: um diretor capaz; um astro em ascensão; um enredo que falava de temas atuais como ISIS e ataques de hackers comandados pela Coreia do Norte (algo que de fato tinha acontecido com a Sony poucos meses antes). Na prática, porém, o filme foi um fiasco sem igual. Mas porque?

Para começar, a data de lançamento, num final de semana sobresaturado, não ajudou. O filme da Universal teve que disputar atenção com American Sniper, ainda bombando muitíssimo, e com a estreia de Taken 3, ambos com públicos similares. Além disso, a campanha de marketing foi pouco efetiva e o star power de Hemsworth decepcionou. A cartada final foi a insatisfação do público: os poucos que prestigiaram o final de semana de estreia deram nota ‘C’  ao filme no CinemaScore, indicando que ele não seria recomendado e, por tanto, não teria nenhuma longevidade.

… mas Jenny from the Block (meio que) saves the day

Bilheteria final: U$ 50.163.103

Por outro lado, o thriller sensual The Boy Next Door, estrelando Jennifer Lopez, teve um desempenho bastante razoável. Com um orçamento irrisório — 4 milhões de dólares — o filme abriu com 15 milhões e fechou sua trajetória com 35.5 milhões domesticamente e um total de 50.2 milhões, somado com a bilheteria internacional. Foi um resultado bastante respeitável, principalmente para um longa que custou basicamente nada. E ainda provou que Lopez mantém algum star power já que o marketing do longa — que teve como alvo mulheres de origem latina — foi integralmente centrado nela.

O sucesso relativo do filme de J.Lo não foi o suficiente para ofuscar o gigante prejuízo de Blackhat. Alias, ofuscar é até uma palavra forte porque como ofuscar um filme que ninguém nem notou que existia? Tudo relacionado ao longa foi um fiasco. Mas os executivos do estúdio devem ter respirado fundo e focado no fato de que ainda faltavam 11 meses até o fim do ano…

Fevereiro: 50 tons de ka-shing

Bilheteria final: U$ 569.651.467

Por sorte, não demorou muito para o estúdio emplacar seu primeiro enorme acerto na bilheteria, 50 Tons de Cinza. O filme, baseado no fenômeno editorial erótico, estava originalmente previsto para agosto de 2014 mas o estúdio resolveu adiar a estreia para 14 de fevereiro desse ano. A aposta era que o clima de romance — a data é Dia dos Namorados em quase todo o planeta — potencializasse os resultados do filme.

Parece ter dado certo. Em seu primeiro final de semana, o longa arrecadou 248.7 milhões de dólares, incluindo 81.7 mi nos EUA, a maior abertura já alcançada por um filme com classificação indicativa R (acesso restringido para menores de 18 desacompanhados dos pais). Com esse resultado espetacular, os executivos da Universal finalmente puderam respirar aliviados depois de percorrem um longuíssimo e árduo caminho até a estreia.

Tudo começou nos primeiros meses de 2012. Em 9 de março daquele ano, o New York Times publicou uma extensa matéria sobre o sucesso da trilogia de E.L. James. Naquele então, a série estava disponível exclusivamente como e-book. Com 250 mil unidades vendidas digitalmente, a editora americana Vintage Books tinha pago na casa dos 7 dígitos pelo direito da publicação impressa dos livros. A aquisição, somado ao sucesso viral da série entre mulheres urbanas país afora, chamou a atenção do periódico mais importante dos EUA, que usou o termo mommy porn para descrever o fenômeno.

A reportagem do New York Times foi o mote para que todos os principais estúdios de Hollywood dessem inicio a um frenético leilão pelos direitos de adaptação da obra. Ari Emmanuels, um dos agentes mais poderosos da indústria, estava tão desesperado para conseguir os direitos que ele aceitou uma reunião com James e sua agente apesar da data coincidir com o dia em que ele estava esperando um telefonema de ninguém menos que Barack Obama.

50 Shades: Qualquer dor é válida desde que venha acompanhada de lucro

Menos de três semanas depois, a frenética disputa tinha chegado ao fim, com a Universal emergindo vitoriosa. O estúdio pagou 5 milhões de dólares — um valor bastante alto — e, o mais chocante de tudo, aceitou uma cláusula que dava a E.L. James, a autora, o controle total dos filmes. Nem autores do porte de J.K. Rowling (Harry Potter); Stephanie Meyers (Crepúsculo); Suzanne Collins (Jogos Vorazes) ou John Green (A Culpa É Das Estrelas) têm poder de veto nas adaptações de suas obras. O máximo cedido pelos estúdios a esses grandes nomes é o direito de serem consultores da produção.

O enorme e até então inédito poder que foi concedido a James foi só um dos motivos pelo qual muitos da indústria expressaram duvidas em relação a viabilidade da adaptação. O tema do livro — altamente erótico, e gráfico — e o tom — melodramático e caricato — também poderiam apresentar sérias dificuldades. “Se não forem cuidadosos, o filme vai acabar parecendo um esquete do Saturday Night Live“, disse um produtor para o Hollywood Reporter.

A medida que as vendas da trilogia iam crescendo a níveis exorbitantes — as 250 mil unidades inicias viraram mais de 100 milhões de cópias, das quais 45 mi somente nos EUA — ficava óbvio para todos que o valor pago pelos direitos — 5 milhões — tinha sido uma verdadeira pechincha. Mas os problemas relacionados a como adaptar a série e o poder dado a James se provaram, como todo mundo já esperava, uma grande dor de cabeça para a Universal.

Roteiros foram escritos e reescritos. Kelly Marcel foi contratada, Patrick Marber reescreveu o roteiro, Mark Bomback o editou. Foram muitos e muitos rascunhos até que todo mundo — a autora, o estúdio, a diretora — estivesse satisfeitos. Alias, conseguir um diretor também não foi fácil: dezenas de nomes foram considerados — de Angelina Jolie a Steve Sordebergh a Patty Jenkins — até a britânica Sam Taylor-Johnson ser finalmente anunciada, em junho de 2013.

O casting também foi complicado. Depois de muitas idas e vindas, Dakota Johnson e Charlie Hunnam foram anunciados para os papéis de Anastasia Steele e Christian Grey em setembro de 2013. A escolha de Charlie não foi bem recebida por uma parcela dos fãs e, em outubro, foi anunciado que ele não participaria mais dos filmes. Mais caos. No final do mês, Jamie Dornan foi confirmado como o novo Christian.

Com diretora e elenco finalmente decididos, a produção começou — depois de ser adiada duas vezes — em dezembro. E, claro, não foi fácil conciliar a visão da diretora com a de E.L. James. O embate entre ambas foi fonte de constante dor de cabeça e, apesar de que a gravação tinha sido oficialmente encerrada em fevereiro de 2014, os dois atores principais foram recrutados para refilmagens em outubro, nunca um bom sinal.

Tanto caos fez com que muitos se preparassem para o pior. Dakota e James, os protagonistas, não pareciam se dar bem nas entrevistas e muitos duvidavam da química entre os dois. Boatos de que o estúdio tinha detestado o produto final circulavam pela internet. Muitos diziam que os três livros tinham sido combinados e transformado em apenas um filme, um alerta vermelho num mundo onde os estúdios fazem de tudo para espremer franquias até a última gota.

A medida que a estreia ia se aproximando, muito do que se alegava até então começava a parecer exagerado (os livros, por exemplo, não tinham sido combinados em um filme). E, quando as primeiras críticas saíram, começou a ficar claro que o longa não ia ser o desastre que muitos esperavam. Evidentemente, as críticas estavam longe de serem positivas (dado a fonte original, ninguém esperava por isso) mas todos pareciam concordar que o filme era melhor que o livro (um backhanded compliment mas we’ll take what we can get, né) e que a performance de Dakota, em particular, era surpreendente.

Quando os números começaram a aparecer, qualquer conflito ao longo da produção foi completamente esquecido e perdoado. Afinal, a regra de ouro de Hollywood é que lucro apaga qualquer rancor, qualquer ferida, qualquer desentendimento. Com um orçamento de 40 milhões de dólares, o filme ultrapassou 570 milhões arrecadados mundo afora (incluindo 166.2mi nos EUA; 51.6mi no Reino Unido e 31.4mi no Brasil). Qualquer duvida de que a Universal não iria investir na franquia — e espreme-la até a última gota — se dissiparam.

A trilha sonora também foi um enorme sucesso. O CD alcançou disco de ouro no Reino Unido, na Alemanha, na Austrália, no Brasil e no México e vendeu mais de 700 mil unidades nos EUA. A música que Ellie Goulding contribuiu para o filme, Love Me Like You Do, produzida pelo Midas sueco do pop, Max Martin, alcançou o primeiro lugar na Austrália e em quase todos os países da Europa, incluindo o Reino Unido, onde ultrapassou 1 milhão de cópias vendidas. Nos EUA, a canção chegou ao terceiro lugar e vendeu mais de 2 milhões de unidades. Já Earned It, cantado pelo rapper canadense The Weeknd, chegou a 3 milhões de cópias na Terra do Tio Sam e 600 mil no Reino Unido. O CD ainda tinha uma versão exclusiva de Crazy in Love, regravada por Beyoncé exclusivamente para o longa.

Claro que o sucesso do filme não significou o fim das dores de cabeça para a Universal. Muito pelo contrário. Afinal, ainda existem pelo menos mais dois filmes pela frente. A diretora, Sam Taylor-Johnson, que teve seu trabalho (relativamente) elogiado pela crítica, anunciou que não iria continuar no comando da franquia. Achar um substituto tem se provado uma missão impossível para o estúdio, já que ninguém quer se submeter a E.L. James e seu controle criativo e poder de veto.  Achar um roteirista também foi difícil mas no final, eles settled por Niall Leonard, marido de E.L., que tem experiência como roteirista de televisão. Em junho, o filme começou a ser rodado, sem diretor.

Apesar de tudo isso, a franquia tem se provado um grande acerto para o estúdio e a estreia de Fifty Shades Darker está confirmada para 10 de fevereiro de 2017.  E se a série continuar lucrando, a Universal está disposta a aguentar qualquer enxaqueca. Afinal, como a própria série ensina, a dor é justificada se o final é prazeroso.

Abril: Velozes e Furioso$$$$$$

Bilheteria final: U$ 1.511.726.205

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A franquia Velozes e Furiosos sempre foi a crown jewel da Universal. Os seis filmes iniciais da série acumularam mais de 2 bilhões de dólares nas bilheterias mundo afora e quase 1 bilhão só nos EUA. Todos eles mostraram crescimentos consideráveis em relação aos seus antecessores, provando que a saga — um enorme sucesso global — ainda tinha potencial para crescer.

Apesar do otimismo em torno do novo filme da série, a produção de Furiosos 7 — assim como a de 50 Tons — passou por uma boa dose de conflito. Em novembro de 2013, no meio das filmagens, Paul Walker, um dos astros da franquia, morreu em um acidente de carro. A produção do longa foi interrompida por período indeterminado enquanto todos os envolvidos na produção se esforçavam ao máximo para decidir como seguir adiante.

Em abril, depois de quase quatro meses de hiatus, a produção foi retomada. O roteiro teve que ser reescrito — arranjando uma justificativa para a saída do personagem de Walker — e CGI e oito stand-ins com semelhanças físicas ao ator (incluindo dois irmãos dele) foram utilizados para que as cenas restantes com o personagem pudessem ser gravadas. As filmagens se estenderam até julho, quando o filme entrou em processo de finalização.

No fim, o esforço valeu a pena: como já falei aqui, o filme foi um gigantesco sucesso, se tornando o primeiro lançamento da Universal a ultrapassar 1 bilhão de dólares arrecadados. A marca foi atingida em apenas 17 dias, um recorde histórico. A bilheteria acumulada — 1.16 bilhão — o coloca em quinto lugar entre as maiores bilheterias da história. O seu maior mercado não foi os EUA (U$ 310 mi) e sim a China (U$ 390 mi), onde se transformou no filme mais bem-sucedido da história do país. O filme lucrou U$ 57mi no Reino Unido; U$ 52mi no México; U$ 45.5mi no Brasil e U$ 40.4mi na Alemanha.

Assim como 50 Tons, Furiosos 7 foi um sucesso multimídia. A música tema do filme, See You Again, uma homenagem a Paul Walker cantada pelo rapper americano Wiz Khalifa e pelo novato Charlie Puth passou 12 semanas em primeiro lugar nos EUA, onde vendeu 4 milhões de unidades. A música também alcançou o primeiro lugar em mais de 30 países, incluindo Alemanha, Austrália e Reino Unido. Nesse último, a canção ultrapassou 1 milhão de cópias e quebrou o recorde de streaming (3.65 mi) que pertencia a Love Me Like You Do (de Ellie Goulding/50 Tons). A trilha sonora do filme — que incluía canções inéditas de astros do rap (T.I.; Kid Ink; Tyga; Lil Jon; Flo Rida); da música eletrônica (David Guetta; Dillon Francis; DJ Snake) e da música latina (Prince Royce; J Balvin; Nicky Jam; Fito Blanko) — alcançou disco de ouro no Japão, no Reino Unido e na Austrália.

e um trocadinho extra

Bilheteria final: U$ 58.082.000

Apesar de que o sucesso fenomenal de Furiosos 7 monopolizou toda a atenção, a Universal emplacou mais um sucesso no mês de junho. Unfriended, com um orçamento de apenas 1 milhão de dólares (o equivalente a 25 centavos para um grande estúdio hollywoodiano), abriu com 15 milhões de dólares e, até o final de sua trajetória, deixou 58 milhões nas bilheterias. Uma sequência já está em produção.

O sucesso de Unfriended exemplifica bem o porque dos grandes estúdios amarem filmes de terror. Eles são extremamente baratos de produzir; não dependem de nenhuma grande estrela e têm potencial para dar muito lucro. O filme do russo-georgiano Levan Gabriadze, o primeiro dele nos EUA, foi produzido por Timur Bekamemketov (Wanted) e tinha como público-alvo adolescentes, um segmento particularmente atraído pelo gênero de terror. Mais de 75% da audiência no final de semana de estreia era composta por menores de 25 anos.

O longa contava a história de uma colegial, interpretada por Shelley Henning, que era aterrorizada através de redes sociais. Para promover o filme, a personagem principal ganhou contas de verdade em diversas redes — Twitter; Facebook; KIK Messenger e até Skype — e o filme foi exibido pela primeira vez no Playlist Live, uma convenção frequentada por webcelebs do YouTube do Vine. A pré-estreia oficial foi em março, no SXSW Festival em Austin.

Maio: Sucesso Afinadíssimo

Bilheteria até o momento: U$ 284.016.870

pitchperfect759

Lançado em 2012, com um orçamento de apenas 17 milhões de dólares, Pitch Perfect, conhecido no Brasil como A Escolha Perfeita, excedeu as expectativas mais otimistas e se transformou numa espécie de cult classic. A comédia teen sobre as Barden Bellas, um grupo acapella universitário, arrecadou  115 milhões de dólares (dos quais 65mi foram nos EUA) e revelou a australiana Rebel Wilson, que interpretou Fat Amy, para o grande público americano. O The-Numbers estima que o DVD e o blu-ray superaram 6 milhões de cópias comercializadas (só nos EUA) e a trilha sonora alcançou disco de platina (1 milhão). A música Cups, cantada pela protagonista do filme, Anna Kendrick, penetrou o top 10 da Billboard e alcançou 3 milhões de unidades vendidas.

Com tudo isso em vista, a Universal tomou uma decisão bem lógica: produzir uma sequência. Culpando scheduling conflicts,  Jason Moore, responsável pelo original, não pode retornar para filmar a continuação e, para substituí-lo, a Universal recrutou a atriz Elizabeth Banks que, com Pitch Perfect 2, faz sua estreia na direção. O elenco inteiro — encabeçado por Kendrick — voltou, com a adição de Hailee Steinsfeld.

Apesar do orçamento da sequência se manter baixo (U$24mi), a campanha de marketing para o filme foi bastante pesada. Em novembro, seis meses antes da lançamento, Anna Kendrick, Rebel Wilson e Hayden Pannetiere estamparam a capa da Entertainment Weekly, anunciando a continuação. Nas semanas antecedendo a estreia, a televisão foi inundada com centenas de spots promovendo o filme. Na internet, inserções publicitárias invadiram o YouTube e o Vevo e o longa também fez uma parceria com o Buzzfeed. As redes sociais também desempenharam papel important na divulgação, com colaborações com SnapChat e presença forte no Instagram e no Twitter. Ainda houve parcerias com grandes marcas, como a Covergirl e as lâminas de depilação Shick, que, além de colocarem anúncios temáticos do filme na televisão e na grande mídia, ainda fizeram várias ações de promoção integrada.

O esforço rendeu frutos. No primeiro final de semana nos EUA, o filme lucrou gigantes 69 milhões de dólares, mais que o lucro doméstico total do filme anterior.  Os números de estreia foram tão altos — quase 30 milhões de dólares acima das expectativas — que Pitch Perfect 2 bloqueou o tentpole de ação Mad Max: Fury Road do primeiro lugar.

A arrecadação final nos EUA foi de 184 milhões de dólares. Para se ter noção do tamanho disso, 50 Tons de Cinza lucrou “apenas” 166 milhões. Mad Max: Fury Road teve que se contentar com 153 mi.

A bilheteria total do filme até o momento é bastante discreto se comparado aos outros blockbusters da Universal. Apesar de ter superado confortavelmente 50 Tons de Cinza no mercado domestico, as meninas do grupo acapella Barden Bellas lucraram 284 milhões a nível global contra os os 570mi arrecadados por Christian Grey. Isso é compreensível dado que Pitch Perfect, o filme original, nem foi lançado em grande parte do mundo, limitando bastante o alcance da sequencia.

O filme foi particularmente bem-sucedido em mercados anglo-saxões: na Austrália, o maior mercado internacional para o primeiro filme (13mi), Pitch Perfect 2 lucrou 21 milhões. No Reino Unido, a sequencia quase triplicou os resultados do seu antecessor (10mi), fechando com 27.3mi. Na Alemanha, onde o primeiro filme foi um surprise hit (10.5), a sequencia também teve um bom desempenho. E os números ainda podem aumentar, já que o filme ainda está sendo lançado em diversos mercados mundo afora. No Brasil, por exemplo, Pitch Perfect 2 acabou de estrear, no dia 14 de agosto.

Junho: Um sucesso jurássico destruidor…

Lucro até o momento: U$ 1.582.418.997

jurassicworld

O ano nem tinha chegado a metade e a Universal já poderia se dar por satisfeita. Mas o melhor ainda estava por vir. No dia 12 de junho, Jurassic World, o quarto filme da série Jurassic Park, teve sua estreia global. É óbvio que todos já esperavam que o filme fosse um sucesso — ele é parte de uma enorme e fortíssima franquia — mas os resultados finais superaram até as estimativas mais otimistas. No seu primeiro final de semana, o filme dos dinossauros alcançou 524.4 milhões de dólares arrecadados, a melhor abertura da história. Em apenas 13 dias, o filme tinha superando a casa do bilhão, ultrapassando o recorde que outro filme do estúdio, Furious 7 tinha quebrado apenas dois meses antes (17 dias).

Foram 21 recordes quebrados pelo filme até o momento e, até agora, ele está em primeiro lugar na bilheteria anual em quase todos os mercados do planeta (o Brasil sendo uma das poucas exceções). No fim de julho, ele alcançou 1.51 bilhão de dólares arrecadados, superando Os Vingadores e se transformando na terceira maior bilheteria da história. E isso porque ainda faltava um mês para o filme estrear em seu último mercado, o Japão, onde ele acaba de chegar, semana passada, quebrando recordes.

Nos últimos anos, o Japão parece ter virado as costas para blockbusters americanos. Hoje em dia, para assegurar sucesso no país, é necessário montar uma estratégia bastante específica e, mesmo assim, existem chances de decepção. Por isso, muitos estúdios nem consideram mais o Japão como mercado chave para seus tentpoles, optando por investir na China e na Coreia do Sul, mercados muito mais receptivos.

Não foi o caso da Universal com Jurassic World. Enquanto a estreia do filme em todos os mercados do mundo foi nos dias 11 e 12 de junho, o longa só chegou ao Japão no final da primeira semana de agosto. O atraso foi para que o lançamento coincidisse com o Obon, um feriado de 9 dias que registra recorde de público em todos os cinemas do país. O lançamento postergado também ajudou bastante a equipe de marketing local do filme, que pode utilizar o sucesso histórico de Jurassic World no resto do mundo para despertar a atenção do público japonês. Todo esse esforço rendeu resultados: o filme lucrou 1.65 bilhões de ienes no seu primeiro final de semana (o equivalente a 13.3 milhões de dólares na atual cotação), o melhor resultado para um live-action internacional desde o último filme da saga Harry Potter, em julho de 2011.

O sucesso de Jurassic World, na Terra do Sol Nascente indica que o longa tem fortes chances de acabar o ano como o maior sucesso de bilheteria do país em 2015. Alguns analistas acreditam que, mesmo com o iene em baixa em relação ao dólar, o filme deva chegar a U$ 65 milhões. O filme não conseguirá chegar aos 2 bilhões de dólares alcançados por Avatar Titanic, ambos de James Cameron, mas ele provavelmente encerrará sua trajetória com resultado acima de 1.65 bilhão e um nada lastimável terceiro lugar na bilheteria global histórica (não ajustada para inflação).

É difícil dizer o porque de Jurassic World ter se transformado num fenômeno tão grande, a ponto de quebrar tantos recordes um atrás do outro. Mas uma série de fatores deixavam claro que o filme tinha muito a seu favor: ele é parte de uma franquia conhecida, querida e bem estabelecida; tem um público-alvo expansivo (adultos, nostálgicos; jovens, sempre interessados em blockbusters de ação e crianças, principalmente garotos, atraídos pelos dinossauros) e foi lançado com um bom timing (abrindo a temporada de tentpoles de verão, com uma distância boa desde os últimos filmes grandes de ação, Os Vingadores 2 e Furiosos 7). Outra coisa a favor do longa, e possivelmente o motivo que chega mais perto de explicar o fenômeno, é que ele é, para todos os efeitos, bastante bom, pelo menos baseado na opinião dos críticos e de grande parte do público que foi ver (nota do André: isso não me inclui). Isso contrasta com Jurassic Park 2 e 3, ambos com recepção bem morna (o fato de ambos terem sido sucesso apesar disso prova a força da franquia).

jurassicworld
Chris Pratt, a estrela de Jurassic World

Como de costume, os maiores mercados para Jurassic World foram, com folga, os EUA (U$637 milhões) e a China (U$228 milhões), seguido pelo Reino Unido (U$ 98 milhões). O filme ultrapassou a casa dos 40 milhões na Alemanha (U$ 48mi); México (U$ 44mi) e Coreia do Sul (U$ 40mi) e analistas estimam que, além do Japão, o filme também alcançara a marca dos 40mi na França e na Austrália. No Brasil, Jurassic World marcha para os U$ 30 milhões, fazendo do país o décimo mercado para o longa. Mesmo assim, por aqui, ele ainda está longe de Os Vingadores 2, dos Minions, de Furiosos 7 e de, pasmem, 50 Tons de Cinza. Na China, apesar do lucro monstro, Jurassic World não chegou perto de Furiosos 7 que, com mais de 300 milhões de dólares arrecadados, é o filme de maior sucesso da história do país.

Os resultados históricos de Jurassic World tiveram três gigantescos beneficiados: o estúdio, que obteve dois sucessos bilionários em um só ano, depois de um século sem nenhum; o protagonista, Chris Pratt e o diretor, Colin Treverrow.

Um ator bem sucedido, principalmente em comédia (ele era parte do elenco fixo de Parks & Recreation), Pratt tinha debutado como uma grande estrela de cinema no fim de 2014 quando, depois de perder as gordurinhas extras e ganhar um tanquinho, capitaneou o inesperado mega sucesso da Marvel, Guardians of the Galaxy, que lucrou mais de 774 milhões. Com o sucesso estrondoso de Jurassic World (co-estrelado por Bryce Dallas-Howard), Pratt tem seu nome associado a duas gigantescas franquias e se consolida como um dos principais leading men do presente. Atualmente, ele filma The Magnificent Seven ao lado de Denzel Washington, Ethan Hawke e Matt Bomer (e também Wagner Moura) e se prepara para co-estrelar a super produção Passenger, ao lado de Jennifer Lawrence, a estrela mais badalada de Hollywood. Ele ainda está, claro, nas sequencias de Jurassic  e de seu filme com a Marvel, previstas para 2018 e 2017 respectivamente.

Já o diretor, Colin Treverrow, foi uma grande aposta do estúdio. Antes de comandar o blockbuster dos dinossauros, que teve orçamento de 150 milhões, Treverrow só tinha um outro filme no currículo: a elogiada comédia independente Safety Not Guaranteed, filmada por 750 mil dólares. Agora, com o sucesso bilionário do filme, Colin é um dos diretores mais disputados em Hollywood e acaba de emplacar um filmezinho bobo chamado Guerra nas Estrelas Episódio IX. Com estreia prevista para 2019, o filme dele sucederá o episódio VII, dirigido por JJ Abrams e com estreia prevista para o fim desse ano, e o Episódio VIII, comandado por Rian Johnson e previsto para 2017. Antes de assumir o controle do universo de George Lucas, Colin filmará a sequência de Jurassic World.

…e uma pequena decepção

Bilheteria até o momento: U$ 173.720.000

ted2

O bom de ter acumulado grandes sucessos ao longo do ano é a possibilidade de fazer com que alguns de seus deslizes passem despercebidos. Um desses deslizes foi Ted 2, a segunda decepção do ano (que, sendo justo, não chegou nem perto da primeira).

Em 2012, o filme original — sobre um ursinho de pelúcia boca-suja e seu dono, interpretado por Mark Wahlberg — tinha desbancado The Hangover (Se Beber Não Case) para se transformar numa das comédias adultas mais bem sucedidas de todos os tempos. Dar luz verde para uma sequência era uma decisão mais que lógica. Mas, infelizmente, o momentum parece não ter se sustentado e a continuação arrecadou menos de 1/3 do que o filme original conseguiu.

Os resultados medíocres de Ted 2 ficam bem claros quando contrastados com Pitch Perfect 2. Ambos os filmes estrearam em 2012 e tiveram sequências lançadas esse ano. O primeiro filme das garotas cantoras lucrou 115 milhões no mundo todo enquanto, em 2015, a sequência já ultrapassou 284 milhões. Já o filme do ursinho arrecadou quase 550 milhões no seu ano de lançamento — números de blockbuster de primeira linha — mas a continuação despencou para menos de 175 milhões.

É verdade que ainda existem esperanças de que Ted 2 cresça mundo afora. E essa esperança se chama Japão. O filme original foi um sucesso gigantesco no país em 2012, excedendo todas as expectativas e acumulando 43 milhões de dólares (o terceiro maior mercado global do longa). Por lá, a estreia da continuação está prevista para 28 de agosto. O filme também não estreou nos principais mercados latinos — Brasil e México — e acaba de chegar na França.

Mesmo assim, os prospectos internacionais não são os mais positivos a julgar os resultados da continuação no Reino Unido. Em 2012, o país superou o Japão e, com 49 milhões de dólares arrecadados, foi o segundo maior mercado internacional do filme. A sequência, porém, empacou em patéticos 15 milhões.

Mesmo decepcionando, Ted 2 não foi um fracasso custoso. Feito por 60 milhões de dólares, o filme deve superar 200 milhões de dólares até o final do ano sem nenhum problema. Seu desempenho foi aquém ao esperado, mas nem se compara com o fiasco épico de Blackhat que, graças a todos os sucessos acumulados até agora, os executivos da Universal puderam se dar ao luxo de esquecer que aconteceu.

Na próxima parte: como a Universal conseguiu um terceiro sucesso bilionário; o nascimento de uma A-list star e o sucesso explosivo (e surpreendente) do mês de agosto. E mais, o que a Universal tem guardado para os quatro meses finais do ano?