Causando en Español: The king of bachata

romeosantos
Não se engane pela cara de pagodeiro, ele é o rei do bachata

Engana-se quem pensa que o espanhol é a língua predominante das Américas. Mais de metade dos países — a maior parte pequenas ilhas caribenhas — falam francês, creole, inglês ou holandês. Mas, quando falamos especificamente de países com populações grandes, daí as coisas mudam: dentre as 25 nações mais populosas da América do Sul; da America Central e da America do Norte, apenas cinco não tem o castelhano como o idioma principal. O maior de todos, claro, é os EUA mas, curiosamente, a terra do Tio Sam não tem idioma oficial e, apesar de o inglês ser a língua predominante, o espanhol é usado como língua primária por 10% da população e é dominado por mais de 50 milhões de americanos. Isso significa que os Estados Unidos são o segundo maior país hispano-hablantes do mundo, superando a Espanha, a Colombia e a Argentina e ficando atrás apenas do México (que tem uma pop. de mais de 120 milhões).

Levando em conta esse dado, fica claríssimo que o Brasil destoa bastante do resto das Américas. O segundo maior país da região, abrigando quase metade de toda a população da América do Sul, a nossa língua é o português (no way!! Não é espanhol brasileiro?!) e não temos sequer uma comunidade considerável de gente que fala espanhol por aqui. Sim, ambas línguas são, até certo ponto, parecidas mas, obviamente, estão longe de ser iguais (e ai do ignorante que sugerir para um brasileiro que espanhol e português são a mesma coisa).  Por incrível que pareça, eu acho que isso é apenas um detalhe: para cada diferença, também há semelhanças, tanto históricas quanto contemporâneas; tanto boas (calidez, otimismo, temperaturas boas, joie de vivre) quanto ruins (corrupção; desigualdade social; serviços públicos que deixam a desejar). O Brasil é gigantesco, praticamente um continente por si só, e tem, dentro dele, uma infinidade de culturas, mas isso não elimina nossas muitas semelhanças com nossos hermanos America afora.

Porém, contudo, todavia…. quando o assunto é cultura pop, daí sim o Brasil vira um caso a parte. Para cada Chaves/Shakira/Maria do Bairro/Usurpadora/RBD que estoura por aqui, temos milhares de outras coisas que enlouqueceram o continente e foram ignoradas por nós. Por exemplo, o hit completamente inescapável em toda a América Latina atualmente (e também na Espanha) é El Perdón, de Nicky Jam com Enrique Iglesias. É quase impossível ir numa festa — seja ela em Buenos Aires; Bogota; Punta del Este ou Cidade do México — e não ouvir Enrique entonando porque yo sin ti y tu sin mi; dime quien puede ser felíz; esto no me gusta, esto no me gusta.

No Brasil, essa música, assim como quase qualquer canção em espanhol, é completamente ignorada pelas rádios e é desconhecida por grande parte do público. Enquanto Enrique está tendo um novo ápice nas Américas (esse é o segundo hit gigantesco consecutivo dele nos últimos meses; Bailando foi outro sucesso completamente inescapável no ano passado. Apesar de uma versão brasileira com participação de Luan Santana, a música não aconteceu da mesma maneira por aqui), Iglesias filho é apenas uma figura vagamente familiar no Brasil, mais associado com o fim dos anos 90 — época que ele tinha grandes hits em inglês —  do que com o presente.

Sendo assim, não é surpresa que ninguém no Brasil tenha ouvido falar de Romeo Santos. Mas o cantor, de 34 anos, é o maior fenômeno da música em espanhol, imparavel em todo o continente. Atualmente, nem Shakira consegue chegar perto dos resultados obtidos por ele. Em fevereiro, na Cidade do México, 50 mil ingressos foram vendidos em tempo recorde para seu show no Foro Sol. Na semana seguinte, em Buenos Aires, 90 mil pessoas lotaram dois shows no estádio do River Plate, o maior do país. Depois disso, foram mais 45 mil no Estádio Nacional de Santiago, no Chile. São os mesmos palcos ocupados por Madonna, Paul McCartney, U2 e One Direction em suas respectivas turnês latino-americanas e Santos as lotou com facilidade, cobrando preços similares. Seja em Asunción no Paraguai ou em Montevideo no Uruguai, existem poucos artistas que conseguem uma convocatória tão considerável quanto Romeo.

Santos, cujo nome de batismo é Anthony, canta bachata, um gênero romântico originado na Republica Dominicana. Apesar de ter alcançando a fama cantando em espanhol, ele é americano, nascido e criado no Bronx, em Nova Iorque. Foi no bairro, ainda adolescente, que ele se juntou com seu primo e alguns amigos e formou um grupo de música romântica, Los Tinellers (no sotaque dominicano, pronuncia-se Los Teenagers, os adolescentes). Eles lançaram o primeiro álbum de maneira independente em 1995 mas foram completamente ignorados. Cinco anos mais tarde, eles se relançaram com o nome de Aventura.

Em 2002, o Aventura explodiu internacionalmente, A música Obsesión foi um dos maiores hits do ano não nos EUA ou na América Latina mas na Europa, onde a canção alcançou o topo na Alemanha, na França (sete semanas em primeiro lugar e quase 1 milhão de unidades vendidas), na Suíça e na Itália (16 semanas no topo!). Nos últimos três países, o segundo CD do grupo, We Broke the Rules, também atingiu o primeiro lugar. Impulsionado pelo sucesso internacional, a música começou a ganhar espaço nas Américas (hoje em dia, ela é um clássico) e, aos poucos, o Aventura começou a se consolidar.

Em 2005, o terceiro CD dos meninos, God’s Project, atingiu a terceira posição da parada latina estado-unidense e deu origem a diversos hits obtendo, eventualmente, certificado de 4x Platina. Em 2006, eles esgotaram o Madison Square Garden pela primeira vez. Em 2007, Mi Corazoncito foi o maior sucesso em espanhol do ano nos EUA. E, em 2009, com The Last, eles se consolidarem como o maior sucesso do segmento latino nos EUA: o álbum ocupou o primeiro lugar da parada hispano durante 16 semanas; eles se apresentaram para Barack Obama e fizeram a maior turnê deles até então, sendo um dos poucos atos, tanto anglo-saxões quanto hispânicos, que esgotaram o Madison Square Garden com quatros shows consecutivos. Eles atingiram também enorme popularidade na América Latina, rodando extensivamente a região e fazendo dezenas de shows esgotados. Em 2011, no ápice de popularidade, o Aventura anunciou que iria se separar.

O rompimento, claro, serviu como um trampolim para a carreira solo de Romeo, o vocalista e grande estrela do grupo  compositor de todas as canções. Alguns meses antes do anuncio, ele tinha assinado um contrato de 10 milhões de dólares com a Sony. Como parte do Aventura, Santos pertencia a uma micro subsidiária da companhia, a Premium Latin Music, especializada em bachata mas, com o novo contrato, ele seria parte da primeira linha de artistas da gravadora. O primeiro álbum dele, Formula vol. 1, foi lançado em novembro de 2011 e tinha como objetivo consolida-lo como o rei da bachata urban. O álbum contou com colaborações de grandes estrelas — tanto da musica hispano (Tomatito; Mario Domm, vocalista da banda Camila) quanto da americana (Usher; Lil Wayne) — e, além de receber disco de platina, o CD deu origem a quatro hits número 1 na parada latina da Billboard e uma excursão com 75 shows.

A turnê, apropriadamente intitulada The King Stays King,  abriu com três shows esgotados no Madison Square Garden. Foram 36 shows nos EUA, incluindo apresentações para mais de 19 mil pessoas em Miami, Houston, Los Angeles, Nova Jersey, Chicago, Phoenix, San Antonio, Anaheim e Orlando. Dentre os 37 shows na América Latina, houve paradas em estádios da Republica Dominicana, Peru, Colombia, Panama e El Salvador. Em Buenos Aires, 18 mil ingressos foram vendidos e, em Santiago, 15 mil. Santos ainda se apresentou em seis cidades do México e em Barcelona e Madri, na Espanha.

Romeo parecia ter atingido o ápice. Mas o que ninguém esperava é que o primeiro álbum dele seria apenas a introdução do fenômeno que ele viraria. Sim, naquele então, Romeo era indubitavelmente uma das grandes forças do nicho hispano nos EUA e também uma das estrelas mais rentáveis pan-latina. Mas, com seu álbum seguinte, Formula vol. 2, ele deixaria de ser uma das para se tornar grande estrela da musica em espanhol.

O primeiro single do segundo álbum solo do cantor foi o que deu o empurrãozinho para fazer dele o fenômeno imparável que ele é hoje. A sugestivamente entitulada Propuesta Indecente se transformou num dos maiores hits em espanhol da última década, uma daquelas raras canções que alcançou a façanha de se transformar num fenômeno em todos os países que falam em espanhol.

Nos EUA, a música quebrou todos os recordes: foram 86 semanas no topo das paradas. Lançada em julho de 2013, a música continua em segundo lugar nos charts dessa semana (de junho de 2015!) da Billboard (atrás apenas do já mencionado hit de Nicky Jam e Enrique Iglesias). A canção ainda conseguiu transcender a America Latina e chegou na Espanha. O país também se viciou no hit de Romeo, que alcançou o topo das paradas de  singles e foi streamed mais de 10 milhões de vezes pelos espanhóis no Spotify. No Youtube, o vídeo da música ultrapassou 700 milhões de views, sendo um dos clipes mais vistos da história da plataforma.

Impulsionado pelo fenômeno de Propuesta Indecente, a arena Madison Square Garden — a mais prestigiosa dos EUA e a maior de NYC — ficou pequena para ele. Em julho do ano passado, Romeo fez dois shows esgotados no Yankee Stadium, reunindo 90 mil pessoas no total. Ao se apresentar no estádio, localizado a pouquíssimas quadras de onde ele nasceu e foi criado, no Bronx, Santos se junta a um seletíssimo grupo de artistas que inclui, além dele,  apenas Roger Waters (que não conseguiu esgotar o estádio duas vezes); Eminem; Jay-Z; Justin Timberlake; Madonna e Paul McCartney. Se apelarmos para tecnicalidades, o grupinho é ainda mais seleto: Jay-Z; Eminem e Timberlake nunca se apresentaram solo no estádio (Eminem se apresentou ao lado de Jay em 2010e Timberlake também se juntou ao marido de Beyoncé em 2013).

Na sua Nova Iorque natal não existe nenhum artista que venda tanto ingressos quanto Romeo. Nessa turnê, além dos 90 mil no Yankee, ele ainda fará, em julho, três shows no Barclays Center, no Brooklyn, para um total de 60 mil pessoas.

E não foi só Nova Iorque onde a demanda ultrapassou, em muito, o esperado. Em Buenos Aires, os dois shows programados para o estádio G.E.B.A., para 18 mil pessoas cada um, se transformaram em cinco apresentações completamente esgotadas, com um total de 90 mil assistentes. Sete meses depois, ainda na mesma turnê, ele voltou para os já mencionados concertos no River Plate, atraindo novamente 90 mil fanáticas. Em Santiago, a mesmíssima coisa: sete meses antes de vender, em tempo recorde, os 45 mil ingressos para seu show no Estadio Nacional, Santos tinha atraído a mesma quantidade de gente para três shows na Movistar Arena (que, originalmente, estava programado para ser apenas um). E, no México, foram 42 mil ingressos para dois shows na Arena Cidade do México, que abriram a turnê do último CD dele em março do ano passado, antes do retorno triunfal em fevereiro, menos de um ano depois, com um show para 50 mil no Foro Sol.

A popularidade de Santos é digna de atenção porque, ao contrário do que muitos pensam, o gosto do público latino nos EUA pode diferenciar bastante do gosto da América Latina e artistas hispanos nascidos nos EUA em particular tem certa dificuldade para penetrar grande parte dos maiores mercados da América do Sul (Argentina; Chile) e mesmo do México (Selena, por exemplo, o maior fenômeno da música latina dos EUA, só se transformou num gigantesco sucesso no México depois de sua morte e ela não é mainstream na Argentina, por exemplo). O fato de Romeo estar esgotando os maiores estádios de Buenos Aires e de Santiago é surpreendente.

Mesmo nos EUA, sua popularidade transcendeu barreiras. Bachata, o gênero que ele canta, sempre foi um ritmo considerado bastante rural e pouco atraente pela nova geração. Santos reverteu tudo isso. Além disso, o ritmo sempre gozou de certa popularidade na costa leste americana — onde existe uma grande concentração de imigrantes da Republica Dominicana e países caribenhos vizinhos — mas o resto do público latino dos EUA, como as gigantescas comunidades latinas no Texas e na Califórnia (que tem populações com origens predominantemente mexicanas e centro-americanas), nunca tiveram nenhum interesse ou familiaridade com o gênero. Santos, primeiro com o Aventura e depois com sua carreira solo, conquistou esses mercados e ainda influenciou uma geração de artistas novos, como Prince Royce, provavelmente o segundo cantor mais popular entre o público hispano nos EUA atualmente e que também tem fortíssima influência de bachata (Royce, assim como Santos, também é do Bronx).

Nos EUA, Romeo foi ajudado pelo seu estilo moderno. O fato dele cantar num falseto bastante associado ao R&B e ter crescido no Bronx faz muitos chamarem o seu estilo de bachata urban. Essa associação ficou ainda mais forte nos últimos anos: depois de colaborar com Usher e Lil’ Wayne no seu primeiro CD, Santos teve a participação de dois dos rappers mais quentes da atualidade no seu segundo álbum: Drake, indiscutivelmente o maior vendedor do gênero hip-hop do presente, e Nicki Minaj.  Apesar disso, ele não parece muito afim de crossover e começar a apelar para o grande público americano. Em Odio, não foi Romeo que se rendeu ao rap. Foi Drake, um dos maiores rappers da atualidade e um superstar global, que se rendeu ao bachata, cantando um fragmento considerável da música em espanhol (com surpreendente habilidade). Em Animales, Nicki também se arrisca no spanglish em seu verso (Dame un beso, yo necesito/Dominicana, Puerto Rico).

Com o status de megastar latino alcançado, a expectativa geral é que ele dê o passo seguinte e comece a cantar em inglês para um público ainda mais global. Mas a música de Romeo é tão latina de raiz que seria bastante estranho ouvi-la em qualquer outro idioma se não o espanhol. E, de qualquer maneira, mesmo com seu repertório 100% bachata en español, ele tem uma respeitável carreira internacional. Na sua atual turnê, ainda impulsionado pelo sucesso fenomenal de Obsesión faz mais de uma década, ele cantou nas maiores arenas de Paris, Roma e Milão e também fez apresentações em Hannover, na Alemanha; em Londres e em Amsterdam. Ele também fez algumas aparições em veículos mainstream estado-unidenses: ele ensinou um pouco de espanhol para Elmo em Sesame Street; cantou no Tonight Show e fez uma participação em The Bachelor. Ele teve um cameo no blockbuster Velozes & Furiosos 7. E em abril, ele fez uma grandiosa apresentação no Today Show, um dos matinais mais importantes do país.

Na TV, ele teve que dar uma moderada em suas performances que, em sua versão original, nunca seriam permitidas no prime time americano. Em seus shows, ele é conhecido por apresentações com altíssima dose de erotismo. O ápice de seus concertos é quando ele chama uma fã — pode ser gorda, magra, jovem ou velha — para uma sessão de pegação no palco. Eles se abraçam, se bolinam, as vezes se beijam e acabam de baixo dos lençóis de uma cama cenográfica. O público, óbvio, vai a loucura.

No palco, Romeo se entrega totalmente, sem nenhum pudor. Fora dele, porém, guarda sua vida pessoal a sete chaves e, diferente da maior parte dos artistas pop, ele é zero midiático. Um dos únicos momentos que  mostrou um pouquinho de sua vida particular foi quando apareceu, junto a seu filho de 14 anos, na capa da People en Español. Nem mesmo perguntas sobre sua sexualidade ele responde com muito entusiasmo. As especulações atingiram o ápice quando, no seu último CD, ele lançou a música anti-homofobia No Tiene la Culpa, um ato particularmente corajoso no mundo ultra machista e conservador latino.  Em entrevista para Billboard, ele falou diretamente sobre os boatos: “A minha relutância de responder essa pergunta faz com que as pessoas tenham certeza que estou escondendo algo. Eu não quero vender nada, só minha música. Mas não, não sou gay. Só não quero apresentar minha namorada. A única coisa que posso revelar é que não sou casado” (quem investigou afirma que ele namora, faz anos, com uma mulher anônima que vive no seu Bronx natal).

romeo santos
Na capa da Billboard, a principal publicação da indústria fonográfica americana, que o chamou de “Justin Timberlake em espanhol”

Esse enorme compromisso em manter sua privacidade é só um dos muitos aspectos que fazem Romeo tão fascinante. Nascido e criado nos EUA, com inglês como primeira língua, sua falta de interesse em crossover para o mercado global não deixa de ser outro aspecto bastante singular. De certa maneira, é quase como se ele tivesse feito um crossover ao contrário: depois de chamar enorme atenção na Europa e conquistar os EUA, ele colocou suas garras na América Latina. As cartas não estavam a seu favor — bachata, até a explosão do Aventura, era um ritmo antiquado que, to put it bluntly, era ouvido primariamente por gente pobre (motorista de ônibus; domésticas; porteiros) e rural — mas ele conseguiu reverter totalmente o jogo, mudando, no processo, a direção do pop latino. Ser Shakira — a artista latina mais conhecida e celebrada do planeta — tem suas vantagens mas, por outro lado, Romeo não precisa disso: de jatinhos particulares aos maiores estádios, tudo já está a seu alcance. Para Billboard, Romeo, que não é conhecido pela sua humildade, foi claro: “eu toco nos mesmos lugares que os maiores artistas do mundo, que a Beyoncé. Só que eu faço isso em espanhol”. Romeo, não tem porque ser modesto: Beyoncé ainda não esgotou o Yankee Stadium. Nem a Shakira.

Não acabou! Continue reading para conhecer o “herdeiro” de Romeo Santos

El principe

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– também tenho cara de pagodeiro, rsrs

Se Romeo Santos é o rei da bachata, Prince Royce é, como o nome indica, o principe. Bem mais novo que Romeo — ele tem 26 anos, atualmente — e com um som bastante mais comercial e radio-ready, Prince tem bastante similaridades com o rei: ambos nasceram e foram criados no Bronx, por famílias de origem dominicana que os expuseram, desde cedo, a bachata. A bachata de Santos é mais tradicional; já a de Royce tem forte influência pop e mescla de outros ritmos mais comerciais. De qualquer maneira, a ascenção de Royce prova que o bachata, antes associado a classe trabalhadora rural, chegou para ficar no mainstream latino.

Prince estreou em 2010, aos 20 anos, com um álbum homônimo. O lançamento foi um grande sucesso, alcançando 3x platina nos EUA. Todos os quatro singles do álbum seguinte, Phase II, alcançaram o top 2 da parada hispana estado-unidense. Em 2013, Royce deixou seu selo pequeno para, assim como Romeo, se juntar a gigantesca Sony Music Latin. O primeiro single da sua nova fase rykah, Darte un Beso, foi um gigantesco hit, impulsionada pelo sucesso anterior de Propuesta indecente de Romeo, e foi a primeira música dele que teve repercussão enorme em todo o território hispano-americano.

Diferente de Santos, porém, que é um megastar em todo o continente, Royce tem mais dificuldade para penetrar a América Latina e achar seu nicho. Nascido nos EUA, ele é um ótimo exemplo de como artistas latinos que viram superstars no US muitas vezes tem que suar muito para alcançar aceitação semelhante no resto das Américas. Até porque a imagem deles é muito mais condizente com a realidade do U.S. latino do que com a da população argentina, colombiana, chilena, etc. Mesmo assim, Royce está se esforçando e até está andando a passos largos.

O Chile foi o primeiro mercado grande que ele conseguiu aceitação mainstream. Ele foi um grande sucesso no Festival Viña del Mar, o principal evento musical do país, já em 2012 e fez um show esgotado na Movistar Arena para 15 mil pessoas. No México, foi um caminho mais árduo mas ele está chegando lá: em 2014, depois de três albums, um clipe bem-sucedido gravado na capital do país e impulsionado pelo enorme sucesso de Darte un Beso, Royce recebeu seu primeiro disco de ouro e se apresentou, pela primeira vez, no Auditorio Nacional da Cd. do México para 10 mil pessoas. A Argentina, porém, está sendo mais resistente: Darte un Beso foi o primeiro sucesso dele considerável por lá mas seu primeiro show no Luna Park, a poucos meses atrás, só teve metade dos seus 8 mil ingressos vendidos. São números bem dignos mas ainda distante dos alcançados pelos verdadeiros A-listers da música latina.

Mas o mercado principal de Royce é mesmo os EUA. Em julho, ele começará sua maior turnê estado-unidense até o momento, se apresentando em 35 das maiores arenas do país e também do Canadá, incluindo o Staples Center de L.A.; o Barclay Center em NY e o Air Canada Centre em Toronto, além de outros recintos  nas mais diversas regiões do país. E, diferente de Romeo, Royce deixa bem claro que tem total intenção de crossover e conquistar o mercado mainstream: ele gravou colaborações em inglês com Selena Gomez e Snoop Dogg e abriu shows para Ariana Grande. Sua grandiosa turnê de verão coincide com seu lançamento mais ousado: um novo single com duas das maiores estrelas US-latinas: Jennifer Lopez e Pitbull (que, a essa altura, já estou desconfiando que seja literalmente o cachorrinho de estimação da J.Lo). O clipe tem um orçamento alto (também pudera, né? Com todo esse product placement) e a música é bem radio-ready mas, sinceramente, é muito genérica. E se tem algo que Romeo Santos ensinou é que, para obter um sucesso considerável e a longo prazo, é bom fugir do óbvio.

Fun fact: nas mídias sociais, Royce supera Santos no Facebook (31mi likes vs. 30mi) e no Twitter (4.25mi seguidores vs. 3.22mi). Romeo ganha no Instagram, com 2.6mi followers vs. 1.5 de Royce. Diferente da maior parte dos artistas anglo-saxões, tanto Romeo quanto Prince não cuidam pessoalmente das suas redes sociais, publicando apenas vagas mensagens promocionais.

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One thought on “Causando en Español: The king of bachata

  1. Oi, meu nome é Lívia sou de salvador Bahia eu simplesmente amooo Romeo santos my king…. Eu conheci p grupo aventura em 2005 e Jesus eu os amei desde a primeira vez que os ouvi… Mim irmã vive no México e foi atravy dela que os conheci .. Tudo que VC escreveu RI Sri de cada detalhe..então sim existe uma brasileira que ama romeo…ah e também amo Henry…beijos sonho um dia com Romeo aqui em Brasil.

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