O Ano De Ouro Da Universal (Parte 1)

A Universal Pictures foi fundada faz 103 anos. Ao longo de mais de um século, nenhum filme da gigante de Hollywood chegou na casa do bilhão. Até esse ano. No primeiro semestre de 2015, dois filmes do estúdio — Jurassic World Furious 7 — ultrapassaram a barreira e um terceiro — Minions — está quase lá. Até a primeira semana de julho a Universal tinha arrecadado 5.55 bilhão de dólares nas bilheterias do mundo todo. Para se ter uma ideia, o recorde histórico anterior tinha sido 5.5 bilhões — alcançados pela FOX em 2014 — e a companhia levou 12 meses para alcança-lo. A Universal quebrou esse recorde em sete. E sem nenhum filme de super-herói. O número ainda vai crescer dado que o estúdio, sob direção de Donna Langley, ainda tem muito lançamentos para os próximos meses.

Mas como a Universal conseguiu um ano tão espetacular? O que esteve por detrás de um sucesso tão estrondoso? Vamos analisar.

Janeiro: Péssimo começo…

Bilheteria final: U$ 17.752.940

blogfilme
Chris Hemsworth, você pode correr mas você não conseguirá se esconder desse fracasso homérico

Quem vê o ótimo momento que o estúdio está passando nem consegue imaginar que o ano começou da pior maneira possível para a companhia. 2015 estava apenas em sua segunda semana e a Universal já tinha um fracasso épico em suas mãos, Blackhat. O thriller de ação dirigido por Michael Mann (Collateral; O Último dos Moicanos) e estrelado por Chris Hemsworth (Thor) teve um dos piores lançamentos da história, deixando apenas 4.4 milhões em bilheteria, apesar de estar em cartaz em mais de 2500 salas. O filme ficou muito longe de recuperar seu orçamento — gigantes 70 milhões de dólares — arrecadando apenas 7.9 milhões nos EUA e 9.85mi no resto do mundo, para uma soma de 17.75 mi. Apesar de várias estrelas chinesas em papéis de destaque, como Tang Wei e Wang Leehom, Blackhat nunca chegou na China, um mercado com potencial grande, e acabou dando enorme prejuízo.

No papel, Blackhat parecia ter muito a seu favor: um diretor capaz; um astro em ascensão; um enredo que falava de temas atuais como ISIS e ataques de hackers comandados pela Coreia do Norte (algo que de fato tinha acontecido com a Sony poucos meses antes). Na prática, porém, o filme foi um fiasco sem igual. Mas porque?

Para começar, a data de lançamento, num final de semana sobresaturado, não ajudou. O filme da Universal teve que disputar atenção com American Sniper, ainda bombando muitíssimo, e com a estreia de Taken 3, ambos com públicos similares. Além disso, a campanha de marketing foi pouco efetiva e o star power de Hemsworth decepcionou. A cartada final foi a insatisfação do público: os poucos que prestigiaram o final de semana de estreia deram nota ‘C’  ao filme no CinemaScore, indicando que ele não seria recomendado e, por tanto, não teria nenhuma longevidade.

… mas Jenny from the Block (meio que) saves the day

Bilheteria final: U$ 50.163.103

Por outro lado, o thriller sensual The Boy Next Door, estrelando Jennifer Lopez, teve um desempenho bastante razoável. Com um orçamento irrisório — 4 milhões de dólares — o filme abriu com 15 milhões e fechou sua trajetória com 35.5 milhões domesticamente e um total de 50.2 milhões, somado com a bilheteria internacional. Foi um resultado bastante respeitável, principalmente para um longa que custou basicamente nada. E ainda provou que Lopez mantém algum star power já que o marketing do longa — que teve como alvo mulheres de origem latina — foi integralmente centrado nela.

O sucesso relativo do filme de J.Lo não foi o suficiente para ofuscar o gigante prejuízo de Blackhat. Alias, ofuscar é até uma palavra forte porque como ofuscar um filme que ninguém nem notou que existia? Tudo relacionado ao longa foi um fiasco. Mas os executivos do estúdio devem ter respirado fundo e focado no fato de que ainda faltavam 11 meses até o fim do ano…

Fevereiro: 50 tons de ka-shing

Bilheteria final: U$ 569.651.467

Por sorte, não demorou muito para o estúdio emplacar seu primeiro enorme acerto na bilheteria, 50 Tons de Cinza. O filme, baseado no fenômeno editorial erótico, estava originalmente previsto para agosto de 2014 mas o estúdio resolveu adiar a estreia para 14 de fevereiro desse ano. A aposta era que o clima de romance — a data é Dia dos Namorados em quase todo o planeta — potencializasse os resultados do filme.

Parece ter dado certo. Em seu primeiro final de semana, o longa arrecadou 248.7 milhões de dólares, incluindo 81.7 mi nos EUA, a maior abertura já alcançada por um filme com classificação indicativa R (acesso restringido para menores de 18 desacompanhados dos pais). Com esse resultado espetacular, os executivos da Universal finalmente puderam respirar aliviados depois de percorrem um longuíssimo e árduo caminho até a estreia.

Tudo começou nos primeiros meses de 2012. Em 9 de março daquele ano, o New York Times publicou uma extensa matéria sobre o sucesso da trilogia de E.L. James. Naquele então, a série estava disponível exclusivamente como e-book. Com 250 mil unidades vendidas digitalmente, a editora americana Vintage Books tinha pago na casa dos 7 dígitos pelo direito da publicação impressa dos livros. A aquisição, somado ao sucesso viral da série entre mulheres urbanas país afora, chamou a atenção do periódico mais importante dos EUA, que usou o termo mommy porn para descrever o fenômeno.

A reportagem do New York Times foi o mote para que todos os principais estúdios de Hollywood dessem inicio a um frenético leilão pelos direitos de adaptação da obra. Ari Emmanuels, um dos agentes mais poderosos da indústria, estava tão desesperado para conseguir os direitos que ele aceitou uma reunião com James e sua agente apesar da data coincidir com o dia em que ele estava esperando um telefonema de ninguém menos que Barack Obama.

50 Shades: Qualquer dor é válida desde que venha acompanhada de lucro

Menos de três semanas depois, a frenética disputa tinha chegado ao fim, com a Universal emergindo vitoriosa. O estúdio pagou 5 milhões de dólares — um valor bastante alto — e, o mais chocante de tudo, aceitou uma cláusula que dava a E.L. James, a autora, o controle total dos filmes. Nem autores do porte de J.K. Rowling (Harry Potter); Stephanie Meyers (Crepúsculo); Suzanne Collins (Jogos Vorazes) ou John Green (A Culpa É Das Estrelas) têm poder de veto nas adaptações de suas obras. O máximo cedido pelos estúdios a esses grandes nomes é o direito de serem consultores da produção.

O enorme e até então inédito poder que foi concedido a James foi só um dos motivos pelo qual muitos da indústria expressaram duvidas em relação a viabilidade da adaptação. O tema do livro — altamente erótico, e gráfico — e o tom — melodramático e caricato — também poderiam apresentar sérias dificuldades. “Se não forem cuidadosos, o filme vai acabar parecendo um esquete do Saturday Night Live“, disse um produtor para o Hollywood Reporter.

A medida que as vendas da trilogia iam crescendo a níveis exorbitantes — as 250 mil unidades inicias viraram mais de 100 milhões de cópias, das quais 45 mi somente nos EUA — ficava óbvio para todos que o valor pago pelos direitos — 5 milhões — tinha sido uma verdadeira pechincha. Mas os problemas relacionados a como adaptar a série e o poder dado a James se provaram, como todo mundo já esperava, uma grande dor de cabeça para a Universal.

Roteiros foram escritos e reescritos. Kelly Marcel foi contratada, Patrick Marber reescreveu o roteiro, Mark Bomback o editou. Foram muitos e muitos rascunhos até que todo mundo — a autora, o estúdio, a diretora — estivesse satisfeitos. Alias, conseguir um diretor também não foi fácil: dezenas de nomes foram considerados — de Angelina Jolie a Steve Sordebergh a Patty Jenkins — até a britânica Sam Taylor-Johnson ser finalmente anunciada, em junho de 2013.

O casting também foi complicado. Depois de muitas idas e vindas, Dakota Johnson e Charlie Hunnam foram anunciados para os papéis de Anastasia Steele e Christian Grey em setembro de 2013. A escolha de Charlie não foi bem recebida por uma parcela dos fãs e, em outubro, foi anunciado que ele não participaria mais dos filmes. Mais caos. No final do mês, Jamie Dornan foi confirmado como o novo Christian.

Com diretora e elenco finalmente decididos, a produção começou — depois de ser adiada duas vezes — em dezembro. E, claro, não foi fácil conciliar a visão da diretora com a de E.L. James. O embate entre ambas foi fonte de constante dor de cabeça e, apesar de que a gravação tinha sido oficialmente encerrada em fevereiro de 2014, os dois atores principais foram recrutados para refilmagens em outubro, nunca um bom sinal.

Tanto caos fez com que muitos se preparassem para o pior. Dakota e James, os protagonistas, não pareciam se dar bem nas entrevistas e muitos duvidavam da química entre os dois. Boatos de que o estúdio tinha detestado o produto final circulavam pela internet. Muitos diziam que os três livros tinham sido combinados e transformado em apenas um filme, um alerta vermelho num mundo onde os estúdios fazem de tudo para espremer franquias até a última gota.

A medida que a estreia ia se aproximando, muito do que se alegava até então começava a parecer exagerado (os livros, por exemplo, não tinham sido combinados em um filme). E, quando as primeiras críticas saíram, começou a ficar claro que o longa não ia ser o desastre que muitos esperavam. Evidentemente, as críticas estavam longe de serem positivas (dado a fonte original, ninguém esperava por isso) mas todos pareciam concordar que o filme era melhor que o livro (um backhanded compliment mas we’ll take what we can get, né) e que a performance de Dakota, em particular, era surpreendente.

Quando os números começaram a aparecer, qualquer conflito ao longo da produção foi completamente esquecido e perdoado. Afinal, a regra de ouro de Hollywood é que lucro apaga qualquer rancor, qualquer ferida, qualquer desentendimento. Com um orçamento de 40 milhões de dólares, o filme ultrapassou 570 milhões arrecadados mundo afora (incluindo 166.2mi nos EUA; 51.6mi no Reino Unido e 31.4mi no Brasil). Qualquer duvida de que a Universal não iria investir na franquia — e espreme-la até a última gota — se dissiparam.

A trilha sonora também foi um enorme sucesso. O CD alcançou disco de ouro no Reino Unido, na Alemanha, na Austrália, no Brasil e no México e vendeu mais de 700 mil unidades nos EUA. A música que Ellie Goulding contribuiu para o filme, Love Me Like You Do, produzida pelo Midas sueco do pop, Max Martin, alcançou o primeiro lugar na Austrália e em quase todos os países da Europa, incluindo o Reino Unido, onde ultrapassou 1 milhão de cópias vendidas. Nos EUA, a canção chegou ao terceiro lugar e vendeu mais de 2 milhões de unidades. Já Earned It, cantado pelo rapper canadense The Weeknd, chegou a 3 milhões de cópias na Terra do Tio Sam e 600 mil no Reino Unido. O CD ainda tinha uma versão exclusiva de Crazy in Love, regravada por Beyoncé exclusivamente para o longa.

Claro que o sucesso do filme não significou o fim das dores de cabeça para a Universal. Muito pelo contrário. Afinal, ainda existem pelo menos mais dois filmes pela frente. A diretora, Sam Taylor-Johnson, que teve seu trabalho (relativamente) elogiado pela crítica, anunciou que não iria continuar no comando da franquia. Achar um substituto tem se provado uma missão impossível para o estúdio, já que ninguém quer se submeter a E.L. James e seu controle criativo e poder de veto.  Achar um roteirista também foi difícil mas no final, eles settled por Niall Leonard, marido de E.L., que tem experiência como roteirista de televisão. Em junho, o filme começou a ser rodado, sem diretor.

Apesar de tudo isso, a franquia tem se provado um grande acerto para o estúdio e a estreia de Fifty Shades Darker está confirmada para 10 de fevereiro de 2017.  E se a série continuar lucrando, a Universal está disposta a aguentar qualquer enxaqueca. Afinal, como a própria série ensina, a dor é justificada se o final é prazeroso.

Abril: Velozes e Furioso$$$$$$

Bilheteria final: U$ 1.511.726.205

furious7

A franquia Velozes e Furiosos sempre foi a crown jewel da Universal. Os seis filmes iniciais da série acumularam mais de 2 bilhões de dólares nas bilheterias mundo afora e quase 1 bilhão só nos EUA. Todos eles mostraram crescimentos consideráveis em relação aos seus antecessores, provando que a saga — um enorme sucesso global — ainda tinha potencial para crescer.

Apesar do otimismo em torno do novo filme da série, a produção de Furiosos 7 — assim como a de 50 Tons — passou por uma boa dose de conflito. Em novembro de 2013, no meio das filmagens, Paul Walker, um dos astros da franquia, morreu em um acidente de carro. A produção do longa foi interrompida por período indeterminado enquanto todos os envolvidos na produção se esforçavam ao máximo para decidir como seguir adiante.

Em abril, depois de quase quatro meses de hiatus, a produção foi retomada. O roteiro teve que ser reescrito — arranjando uma justificativa para a saída do personagem de Walker — e CGI e oito stand-ins com semelhanças físicas ao ator (incluindo dois irmãos dele) foram utilizados para que as cenas restantes com o personagem pudessem ser gravadas. As filmagens se estenderam até julho, quando o filme entrou em processo de finalização.

No fim, o esforço valeu a pena: como já falei aqui, o filme foi um gigantesco sucesso, se tornando o primeiro lançamento da Universal a ultrapassar 1 bilhão de dólares arrecadados. A marca foi atingida em apenas 17 dias, um recorde histórico. A bilheteria acumulada — 1.16 bilhão — o coloca em quinto lugar entre as maiores bilheterias da história. O seu maior mercado não foi os EUA (U$ 310 mi) e sim a China (U$ 390 mi), onde se transformou no filme mais bem-sucedido da história do país. O filme lucrou U$ 57mi no Reino Unido; U$ 52mi no México; U$ 45.5mi no Brasil e U$ 40.4mi na Alemanha.

Assim como 50 Tons, Furiosos 7 foi um sucesso multimídia. A música tema do filme, See You Again, uma homenagem a Paul Walker cantada pelo rapper americano Wiz Khalifa e pelo novato Charlie Puth passou 12 semanas em primeiro lugar nos EUA, onde vendeu 4 milhões de unidades. A música também alcançou o primeiro lugar em mais de 30 países, incluindo Alemanha, Austrália e Reino Unido. Nesse último, a canção ultrapassou 1 milhão de cópias e quebrou o recorde de streaming (3.65 mi) que pertencia a Love Me Like You Do (de Ellie Goulding/50 Tons). A trilha sonora do filme — que incluía canções inéditas de astros do rap (T.I.; Kid Ink; Tyga; Lil Jon; Flo Rida); da música eletrônica (David Guetta; Dillon Francis; DJ Snake) e da música latina (Prince Royce; J Balvin; Nicky Jam; Fito Blanko) — alcançou disco de ouro no Japão, no Reino Unido e na Austrália.

e um trocadinho extra

Bilheteria final: U$ 58.082.000

Apesar de que o sucesso fenomenal de Furiosos 7 monopolizou toda a atenção, a Universal emplacou mais um sucesso no mês de junho. Unfriended, com um orçamento de apenas 1 milhão de dólares (o equivalente a 25 centavos para um grande estúdio hollywoodiano), abriu com 15 milhões de dólares e, até o final de sua trajetória, deixou 58 milhões nas bilheterias. Uma sequência já está em produção.

O sucesso de Unfriended exemplifica bem o porque dos grandes estúdios amarem filmes de terror. Eles são extremamente baratos de produzir; não dependem de nenhuma grande estrela e têm potencial para dar muito lucro. O filme do russo-georgiano Levan Gabriadze, o primeiro dele nos EUA, foi produzido por Timur Bekamemketov (Wanted) e tinha como público-alvo adolescentes, um segmento particularmente atraído pelo gênero de terror. Mais de 75% da audiência no final de semana de estreia era composta por menores de 25 anos.

O longa contava a história de uma colegial, interpretada por Shelley Henning, que era aterrorizada através de redes sociais. Para promover o filme, a personagem principal ganhou contas de verdade em diversas redes — Twitter; Facebook; KIK Messenger e até Skype — e o filme foi exibido pela primeira vez no Playlist Live, uma convenção frequentada por webcelebs do YouTube do Vine. A pré-estreia oficial foi em março, no SXSW Festival em Austin.

Maio: Sucesso Afinadíssimo

Bilheteria até o momento: U$ 284.016.870

pitchperfect759

Lançado em 2012, com um orçamento de apenas 17 milhões de dólares, Pitch Perfect, conhecido no Brasil como A Escolha Perfeita, excedeu as expectativas mais otimistas e se transformou numa espécie de cult classic. A comédia teen sobre as Barden Bellas, um grupo acapella universitário, arrecadou  115 milhões de dólares (dos quais 65mi foram nos EUA) e revelou a australiana Rebel Wilson, que interpretou Fat Amy, para o grande público americano. O The-Numbers estima que o DVD e o blu-ray superaram 6 milhões de cópias comercializadas (só nos EUA) e a trilha sonora alcançou disco de platina (1 milhão). A música Cups, cantada pela protagonista do filme, Anna Kendrick, penetrou o top 10 da Billboard e alcançou 3 milhões de unidades vendidas.

Com tudo isso em vista, a Universal tomou uma decisão bem lógica: produzir uma sequência. Culpando scheduling conflicts,  Jason Moore, responsável pelo original, não pode retornar para filmar a continuação e, para substituí-lo, a Universal recrutou a atriz Elizabeth Banks que, com Pitch Perfect 2, faz sua estreia na direção. O elenco inteiro — encabeçado por Kendrick — voltou, com a adição de Hailee Steinsfeld.

Apesar do orçamento da sequência se manter baixo (U$24mi), a campanha de marketing para o filme foi bastante pesada. Em novembro, seis meses antes da lançamento, Anna Kendrick, Rebel Wilson e Hayden Pannetiere estamparam a capa da Entertainment Weekly, anunciando a continuação. Nas semanas antecedendo a estreia, a televisão foi inundada com centenas de spots promovendo o filme. Na internet, inserções publicitárias invadiram o YouTube e o Vevo e o longa também fez uma parceria com o Buzzfeed. As redes sociais também desempenharam papel important na divulgação, com colaborações com SnapChat e presença forte no Instagram e no Twitter. Ainda houve parcerias com grandes marcas, como a Covergirl e as lâminas de depilação Shick, que, além de colocarem anúncios temáticos do filme na televisão e na grande mídia, ainda fizeram várias ações de promoção integrada.

O esforço rendeu frutos. No primeiro final de semana nos EUA, o filme lucrou gigantes 69 milhões de dólares, mais que o lucro doméstico total do filme anterior.  Os números de estreia foram tão altos — quase 30 milhões de dólares acima das expectativas — que Pitch Perfect 2 bloqueou o tentpole de ação Mad Max: Fury Road do primeiro lugar.

A arrecadação final nos EUA foi de 184 milhões de dólares. Para se ter noção do tamanho disso, 50 Tons de Cinza lucrou “apenas” 166 milhões. Mad Max: Fury Road teve que se contentar com 153 mi.

A bilheteria total do filme até o momento é bastante discreto se comparado aos outros blockbusters da Universal. Apesar de ter superado confortavelmente 50 Tons de Cinza no mercado domestico, as meninas do grupo acapella Barden Bellas lucraram 284 milhões a nível global contra os os 570mi arrecadados por Christian Grey. Isso é compreensível dado que Pitch Perfect, o filme original, nem foi lançado em grande parte do mundo, limitando bastante o alcance da sequencia.

O filme foi particularmente bem-sucedido em mercados anglo-saxões: na Austrália, o maior mercado internacional para o primeiro filme (13mi), Pitch Perfect 2 lucrou 21 milhões. No Reino Unido, a sequencia quase triplicou os resultados do seu antecessor (10mi), fechando com 27.3mi. Na Alemanha, onde o primeiro filme foi um surprise hit (10.5), a sequencia também teve um bom desempenho. E os números ainda podem aumentar, já que o filme ainda está sendo lançado em diversos mercados mundo afora. No Brasil, por exemplo, Pitch Perfect 2 acabou de estrear, no dia 14 de agosto.

Junho: Um sucesso jurássico destruidor…

Lucro até o momento: U$ 1.582.418.997

jurassicworld

O ano nem tinha chegado a metade e a Universal já poderia se dar por satisfeita. Mas o melhor ainda estava por vir. No dia 12 de junho, Jurassic World, o quarto filme da série Jurassic Park, teve sua estreia global. É óbvio que todos já esperavam que o filme fosse um sucesso — ele é parte de uma enorme e fortíssima franquia — mas os resultados finais superaram até as estimativas mais otimistas. No seu primeiro final de semana, o filme dos dinossauros alcançou 524.4 milhões de dólares arrecadados, a melhor abertura da história. Em apenas 13 dias, o filme tinha superando a casa do bilhão, ultrapassando o recorde que outro filme do estúdio, Furious 7 tinha quebrado apenas dois meses antes (17 dias).

Foram 21 recordes quebrados pelo filme até o momento e, até agora, ele está em primeiro lugar na bilheteria anual em quase todos os mercados do planeta (o Brasil sendo uma das poucas exceções). No fim de julho, ele alcançou 1.51 bilhão de dólares arrecadados, superando Os Vingadores e se transformando na terceira maior bilheteria da história. E isso porque ainda faltava um mês para o filme estrear em seu último mercado, o Japão, onde ele acaba de chegar, semana passada, quebrando recordes.

Nos últimos anos, o Japão parece ter virado as costas para blockbusters americanos. Hoje em dia, para assegurar sucesso no país, é necessário montar uma estratégia bastante específica e, mesmo assim, existem chances de decepção. Por isso, muitos estúdios nem consideram mais o Japão como mercado chave para seus tentpoles, optando por investir na China e na Coreia do Sul, mercados muito mais receptivos.

Não foi o caso da Universal com Jurassic World. Enquanto a estreia do filme em todos os mercados do mundo foi nos dias 11 e 12 de junho, o longa só chegou ao Japão no final da primeira semana de agosto. O atraso foi para que o lançamento coincidisse com o Obon, um feriado de 9 dias que registra recorde de público em todos os cinemas do país. O lançamento postergado também ajudou bastante a equipe de marketing local do filme, que pode utilizar o sucesso histórico de Jurassic World no resto do mundo para despertar a atenção do público japonês. Todo esse esforço rendeu resultados: o filme lucrou 1.65 bilhões de ienes no seu primeiro final de semana (o equivalente a 13.3 milhões de dólares na atual cotação), o melhor resultado para um live-action internacional desde o último filme da saga Harry Potter, em julho de 2011.

O sucesso de Jurassic World, na Terra do Sol Nascente indica que o longa tem fortes chances de acabar o ano como o maior sucesso de bilheteria do país em 2015. Alguns analistas acreditam que, mesmo com o iene em baixa em relação ao dólar, o filme deva chegar a U$ 65 milhões. O filme não conseguirá chegar aos 2 bilhões de dólares alcançados por Avatar Titanic, ambos de James Cameron, mas ele provavelmente encerrará sua trajetória com resultado acima de 1.65 bilhão e um nada lastimável terceiro lugar na bilheteria global histórica (não ajustada para inflação).

É difícil dizer o porque de Jurassic World ter se transformado num fenômeno tão grande, a ponto de quebrar tantos recordes um atrás do outro. Mas uma série de fatores deixavam claro que o filme tinha muito a seu favor: ele é parte de uma franquia conhecida, querida e bem estabelecida; tem um público-alvo expansivo (adultos, nostálgicos; jovens, sempre interessados em blockbusters de ação e crianças, principalmente garotos, atraídos pelos dinossauros) e foi lançado com um bom timing (abrindo a temporada de tentpoles de verão, com uma distância boa desde os últimos filmes grandes de ação, Os Vingadores 2 e Furiosos 7). Outra coisa a favor do longa, e possivelmente o motivo que chega mais perto de explicar o fenômeno, é que ele é, para todos os efeitos, bastante bom, pelo menos baseado na opinião dos críticos e de grande parte do público que foi ver (nota do André: isso não me inclui). Isso contrasta com Jurassic Park 2 e 3, ambos com recepção bem morna (o fato de ambos terem sido sucesso apesar disso prova a força da franquia).

jurassicworld
Chris Pratt, a estrela de Jurassic World

Como de costume, os maiores mercados para Jurassic World foram, com folga, os EUA (U$637 milhões) e a China (U$228 milhões), seguido pelo Reino Unido (U$ 98 milhões). O filme ultrapassou a casa dos 40 milhões na Alemanha (U$ 48mi); México (U$ 44mi) e Coreia do Sul (U$ 40mi) e analistas estimam que, além do Japão, o filme também alcançara a marca dos 40mi na França e na Austrália. No Brasil, Jurassic World marcha para os U$ 30 milhões, fazendo do país o décimo mercado para o longa. Mesmo assim, por aqui, ele ainda está longe de Os Vingadores 2, dos Minions, de Furiosos 7 e de, pasmem, 50 Tons de Cinza. Na China, apesar do lucro monstro, Jurassic World não chegou perto de Furiosos 7 que, com mais de 300 milhões de dólares arrecadados, é o filme de maior sucesso da história do país.

Os resultados históricos de Jurassic World tiveram três gigantescos beneficiados: o estúdio, que obteve dois sucessos bilionários em um só ano, depois de um século sem nenhum; o protagonista, Chris Pratt e o diretor, Colin Treverrow.

Um ator bem sucedido, principalmente em comédia (ele era parte do elenco fixo de Parks & Recreation), Pratt tinha debutado como uma grande estrela de cinema no fim de 2014 quando, depois de perder as gordurinhas extras e ganhar um tanquinho, capitaneou o inesperado mega sucesso da Marvel, Guardians of the Galaxy, que lucrou mais de 774 milhões. Com o sucesso estrondoso de Jurassic World (co-estrelado por Bryce Dallas-Howard), Pratt tem seu nome associado a duas gigantescas franquias e se consolida como um dos principais leading men do presente. Atualmente, ele filma The Magnificent Seven ao lado de Denzel Washington, Ethan Hawke e Matt Bomer (e também Wagner Moura) e se prepara para co-estrelar a super produção Passenger, ao lado de Jennifer Lawrence, a estrela mais badalada de Hollywood. Ele ainda está, claro, nas sequencias de Jurassic  e de seu filme com a Marvel, previstas para 2018 e 2017 respectivamente.

Já o diretor, Colin Treverrow, foi uma grande aposta do estúdio. Antes de comandar o blockbuster dos dinossauros, que teve orçamento de 150 milhões, Treverrow só tinha um outro filme no currículo: a elogiada comédia independente Safety Not Guaranteed, filmada por 750 mil dólares. Agora, com o sucesso bilionário do filme, Colin é um dos diretores mais disputados em Hollywood e acaba de emplacar um filmezinho bobo chamado Guerra nas Estrelas Episódio IX. Com estreia prevista para 2019, o filme dele sucederá o episódio VII, dirigido por JJ Abrams e com estreia prevista para o fim desse ano, e o Episódio VIII, comandado por Rian Johnson e previsto para 2017. Antes de assumir o controle do universo de George Lucas, Colin filmará a sequência de Jurassic World.

…e uma pequena decepção

Bilheteria até o momento: U$ 173.720.000

ted2

O bom de ter acumulado grandes sucessos ao longo do ano é a possibilidade de fazer com que alguns de seus deslizes passem despercebidos. Um desses deslizes foi Ted 2, a segunda decepção do ano (que, sendo justo, não chegou nem perto da primeira).

Em 2012, o filme original — sobre um ursinho de pelúcia boca-suja e seu dono, interpretado por Mark Wahlberg — tinha desbancado The Hangover (Se Beber Não Case) para se transformar numa das comédias adultas mais bem sucedidas de todos os tempos. Dar luz verde para uma sequência era uma decisão mais que lógica. Mas, infelizmente, o momentum parece não ter se sustentado e a continuação arrecadou menos de 1/3 do que o filme original conseguiu.

Os resultados medíocres de Ted 2 ficam bem claros quando contrastados com Pitch Perfect 2. Ambos os filmes estrearam em 2012 e tiveram sequências lançadas esse ano. O primeiro filme das garotas cantoras lucrou 115 milhões no mundo todo enquanto, em 2015, a sequência já ultrapassou 284 milhões. Já o filme do ursinho arrecadou quase 550 milhões no seu ano de lançamento — números de blockbuster de primeira linha — mas a continuação despencou para menos de 175 milhões.

É verdade que ainda existem esperanças de que Ted 2 cresça mundo afora. E essa esperança se chama Japão. O filme original foi um sucesso gigantesco no país em 2012, excedendo todas as expectativas e acumulando 43 milhões de dólares (o terceiro maior mercado global do longa). Por lá, a estreia da continuação está prevista para 28 de agosto. O filme também não estreou nos principais mercados latinos — Brasil e México — e acaba de chegar na França.

Mesmo assim, os prospectos internacionais não são os mais positivos a julgar os resultados da continuação no Reino Unido. Em 2012, o país superou o Japão e, com 49 milhões de dólares arrecadados, foi o segundo maior mercado internacional do filme. A sequência, porém, empacou em patéticos 15 milhões.

Mesmo decepcionando, Ted 2 não foi um fracasso custoso. Feito por 60 milhões de dólares, o filme deve superar 200 milhões de dólares até o final do ano sem nenhum problema. Seu desempenho foi aquém ao esperado, mas nem se compara com o fiasco épico de Blackhat que, graças a todos os sucessos acumulados até agora, os executivos da Universal puderam se dar ao luxo de esquecer que aconteceu.

Na próxima parte: como a Universal conseguiu um terceiro sucesso bilionário; o nascimento de uma A-list star e o sucesso explosivo (e surpreendente) do mês de agosto. E mais, o que a Universal tem guardado para os quatro meses finais do ano?

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