Causando en español: si necesita el reggaeton, ¡dale!

A dominação atual

Um estilo domina as paradas de sucesso do mundo hispânico: o reggaeton. Esteja em Miami ou Madrid; Barcelona ou Cidade do México; Buenos Aires ou Bogota, nada bomba tanto quanto um sucesso do gênero.

Esse monopólio pode ser confirmado com uma olhada no top 50 do Spotify nos principais mercados ibero-americanos. No México, por exemplo, apenas 13 músicas em espanhol aparecem dentre as mais ouvidas, mas 10 dessas são reggaeton. Na Argentina, a dominação é ainda mais evidente: 24 dentre as 28 músicas na língua pátria entre as 50 mais ouvidas pertencem ao gênero. Chile (21/25); Espanha (17/21) e Colômbia (17/19) não ficam atrás.

De certa maneira, esse takeover pode ser comparado com o sertanejo que, no Brasil, se solidificou como, de longe, o estilo mais popular. Até os números no Spotify são similares: 18 das 22 músicas brasileiras no nosso top 50 são de artistas sertanejos.

Além do sertanejo, o reggaeton também tem paralelos com o funk: um estilo assumidamente popular e que muita gente torce o nariz para mas que, na pista, é sempre sucesso garantido.

A origem

Comparações aparte,  a explosão do reggaeton é relativamente recente. O gênero surgiu no Panamá, na década de 1980, antes de chegar em Nova Iorque e, finalmente, em Puerto Rico. Foi na colônia estado-unidense onde o estilo começou a se massificar, com o gigantesco sucesso de Don Omar. A explosão internacional de Gasolina de Daddy Yankee, em 2004, confirmou o reggaeton como um dos principais pilares da música latina.

Enquanto o sucesso de Omar ficou mais restringido ao mercado latino (pelo menos até 2010, com Danza Kuduro),  Gasolina transcendeu barreiras linguísticas e atingiu o top 10 geral da Billboard assim como as paradas europeias e até japonesa. O álbum que continha a música, Barrio Fino, vendeu 1.7 milhão de unidades nos EUA, o maior vendedor latino da década. E Yankee se transformou numa lenda e no rei do reggaeton.

Nenhum dos singles subsequentes teve o alcance internacional de Gasolina, mas o porto-riquenho se transformou num staple na cena latina e suas músicas fazem sucesso até hoje. O triunfo dele também ajudou dezenas de outros grandes nomes do reggaeton — todos de origem porto-riquenha — a emergirem.

A música desses artistas fez a América toda dançar mas a falta de sangue novo no gênero acabou causando uma saturação e Pitbull, com suas produções mais urban top 40, grande partes dela em inglês, se apossou do nicho festeiro no final da década.

Mas Yankee, Wisin, Yandel e demais artistas nunca pararam de produzir hits e se mantiveram consistentes no cenário latino (que, aliás, é bem fiel). Na Espanha, o DJ catalão Juan Magan — o rei do electrolatino — junto a outras dezenas de artistas provenientes das Américas também ajudaram a fazer do ritmo algo completamente inescapável. Mesmo ofuscado, o estilo foi uma presença constante, ajudando a abrir caminho para o atual monopólio.

De San Juan a Medellin

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Enquanto Puerto Rico foi quem deu o ponta pé inicial no fenômeno, foi a Colômbia, especificamente a cidade de Medellín, que elevou o estilo ao seu atual patamar e deu uma nova roupagem ao gênero. O primeiro megastar proveniente dessa nova fase foi J. Balvin.

A hypada publicação americana Fader, que dedicou uma capa ao megastar latino, fez uma boa descrição da diferença entre o colombiano e os anteriores ícones do gênero:

“O reggaeton de Balvin é mais sutil, mais relaxado e mais em linha com o que está acontecendo na cena pop e hip-hop atual. Enquanto Daddy Yankee parecia estar gritando em suas músicas, Balvin canta com uma pronunciação mais suave”, descreve a revista.

“Ao invés de enormes óculos aviadores e bonés largos, Balvin opta por um chapéu de cowboy de abas largas e streetwear direto da passarela de designers badalados como Guillermo Andrade”.

Assim como Kanye e Drake ajudaram a reinventar a cena do rap, Balvin — com seu swagger e estilo — marcou um novo começo na cena do reggaeton. Em 2011, ele começou a emplacar sucessos na Colômbia. Em 2012, Yo Te La Dije e Tranquila estouraram nos EUA, nas Américas e na Espanha. E, em 2013, ele obteve seu primeiro mega blockbuster hit com 6 AM. Seu primeiro álbum, La Familia, foi um grande sucesso e, provando que tinha chegado de verdade,  emplacou logo em seguida outro inescapável hit, Ay, Vamos.

O estilo único de Balvin está diretamente ligado a sua história de vida: nascido numa família de classe alta em Medellín, ele cresceu apaixonado por grunge e Nirvana. Depois,  descobriu Daddy Yankee, sua maior inspiração. Sua família foi a falência e Balvin começou a transitar entre dois mundos, estudando numa escola de elite e vivendo num bairro próximo do gueto. Num intercâmbio para os EUA, ficou fascinado pelo universo do rap e hip-hop e todo o business bilionário em torno do gênero. Voltou para sua cidade natal disposto a fazer do reggaeton um negócio similarmente lucrativo. E, claro, o resto é história.

Balvin aponta Yankee como a figura responsável por fazê-lo se apaixonar pelo reggaeton. O porto-riquenho também tem influência direta em outro dos principais nomes ligados a cena de Medellín, Nicky Jam.

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Nicky Jam

Jam nasceu em Massachusetts mas foi criado em San Juan, Puerto Rico. Seu talento chamou atenção de Daddy Yankee, que o apoiou e o treinou em seus primeiros anos, além de ter colaborado com ele em várias músicas. Não demorou para começar a obter sucesso mas as drogas e uma briga com seu mentor (que estava prestes a estourar com Gasolina) deram fim prematuro a sua carreira, interrompida em 2005.

Com a autoconfiança abalada, Nicky Jam se mudou para Medellín. A cidade era louca por reggaeton mas, antes de Balvin explodir, poucos imaginavam que alguém de lá poderia se tornar um grande astro do gênero. A chegada do porto-riquenho na cidade — com seu sucesso prévio e sua antiga associação com Yankee — causou burburinho e não demorou para as portas começarem a se abrir uma atrás da outra.

A forte cultura musical colombiana (cujo gênero local principal é o vallenato) influenciou Jam a dar mais melodia e romantismo a suas produções. E, depois de anos se preparando, ele finalmente estava pronto para oficialmente retornar. Foi um sucesso de imediato. Em 2014, a repercussão arrebatadora do single Travesuras o colocou na primeira linha. Apesar de ter nascido nos EUA e ter sido criado em San Juan, o sucesso dele era made in Colombia.

Em paralelo a Jam e Balvin, outra cria de Medellín começava a deixar sua marca. Enquanto Travesuras estourava, Maluma, então com 20 anos, conquistava a Colômbia com seu rostinho bonito e se estabelecia como o maior teen idol do país. O sucesso da sua música La Temperatura abriu as portas dos EUA, assim como de outros mercados latinos e da Espanha e deixava claro que ele também não estava para brincadeira. Com a ajuda das redes sociais, o garoto se estabelecia como uma das estrelas mais rentáveis da América Latina.

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Maluma

2015: o ano em que reggaeton virou a norma

Se Travesuras tinha dado nova vida a carreira de Nicky Jam, o porto-riquenho — agora baseado em Medellín — não imaginava o que estava por vir em 2015: seu single subsequente se transformaria num dos maiores sucessos em espanhol da história recente.

El Perdón, que contava com a participação de Enrique Iglesias, inquestionavelmente um dos maiores astros da música latina, passou 1 ano inteiro no topo de absolutamente todos os países de língua hispana (e 30 semanas no topo do Hot 100 Latin dos EUA), acumulou mais de 1 bilhão de views no YouTube e se transformou na música em espanhol mais streamed do Spotify (335mi), transcendendo barreiras e atingindo o top 10 de mercados não latinos como Alemanha, França, Suécia e Holanda. A música cristalizou a posição de Jam dentre os maiores nomes da música latina. O single também significou um renascimento de Enrique Iglesias.

De certa maneira, Iglesias serve como um termômetro do que é popular no cenário latino: ele está sempre colaborando e produzindo músicas de maneira milimetricamente planejada para obter os maiores hits.

Sendo assim, a transição de Enrique para o reggaeton foi um momento divisor de águas: era um sinal de que o gênero deixava de ser apenas mais um estilo popular para se transformar no estilo principal.

Iglesias é, desde meados dos anos 90, um dos maiores nomes da música em espanhol. Assim como seu pai, Julio, seu repertório era formado por baladas românticas e, logo de cara, ele virou um dos maiores astros da América Latina, com hits como Experiencia Religiosa e Nunca Te Olvidaré antes de crossover para o mercado anglo-saxão com giga hits como Hero e Escape.

Em 2007, Iglesias voltou as paradas com uma série de sucessos em inglês como I Like It e Tonight (I’m Fucking You), quase todos com participação de Pitbull. Para suas canções em espanhol, contudo, ele seguiu apostando em um som mais romântico, obtendo grandes sucessos como Cuando Me Enamoro, uma colaboração com Juan Luis Guerra que ficou 14 semanas em primeiro lugar, assim como duetos com grandes ícones da música romântica como Romeo Santos (Loco) e Marco Antonio Solis (El Perdedor)

Mas, em 2014, o artista espanhol começou a flertar com estilos mais dançantes. O resultado foi Bailando, uma colaboração com o grupo Gente de Zona e o artista Descemar Santos, ambos cubanos, que mesclava pop, flamenco e um pouco de reggaeton. Foi um sucesso sem precedentes na carreira do artista, superando todos os seus sucessos anteriores (e isso não era tarefa fácil para alguém que, naquela altura, já tinha passado 104 semanas no topo da parada Latina da Billboard).

Foram 41 semanas ininterruptas no topo da Billboard Latin Tracks, um recorde histórico. Nos EUA, a canção vendeu 3 milhões de unidades, números inéditos para uma faixa em língua estrangeira. Na Espanha e na América Latina, a música tocou — sem parar — por 1 ano inteiro. O clipe acumulou mais de 1.6 bilhão de visualizações no YouTube, se tornando o vídeo em espanhol mais visto na plataforma (e o nono mais visto no total).

Repetir esse sucesso não seria fácil. Mas daí Iglesias viu um trecho de El Perdón, que Jam estava previewing no Instagram; pediu para participar e o resto é história. A canção fez o impossível e igualou o sucesso histórico da antecessora, dando para Enrique mais um ano ininterrupto no topo das paradas de todos os países hispano e além (a música foi um enorme sucesso em quase toda Europa continental).

O fenômeno da colaboração com Nicky Jam fez com que Enrique finalmente assumisse seu novo papel de reggaetonero. Duele El Corazón, seu follow-up, uma colaboração com Yandel, provavelmente encerrará o ano como um dos maiores hits de 2016.

O cenário atual

Basta ver a diferença de orçamento entre os clipes de reggaeton de 2014 para o presente para constatar que, graças a rentabilidade dos principais nomes do gênero, muita coisa mudou.

Enquanto Iglesias se acomodava e Nicky Jam ascendia, J. Balvin seguia imparável. Depois do sucesso de 6 AM e Ay, Vamos!, Balvin lançou, em julho, o que se tornaria seu maior hit internacional até então: Ginza. A música foi catapultada quase de imediato para o topo de todos os países que falam espanhol (e substituiu El Perdón na Hot 100 Latin, onde ocupou o primeiro lugar por 20 semanas)  e é a segunda canção em espanhol mais ouvida da história do Spotify. No YouTube, são mais de 700 milhões de visualizações (mas ainda não chega nem perto do sucesso de Ay Vamos! na plataforma).

Balvin atingiu um milestone importante quando foi selecionado para fazer parte do jurado do The Voice mexicano. O programa frequentemente atraí nomes gigantes para seu painel, como Alejandro Sanz e Laura Pausini. Sendo assim, a adição de Balvin foi um huge deal e um testamento de sua força no mercado (de quebra, a candidata dele ainda ganhou a edição), consolidando-o como um household name no México, inquestionavelmente o principal mercado hispano-americano (que tem influência direta no que faz sucesso no lucrativo mercado latino dos EUA). Por lá, ele ainda tem tem um contrato milionário com a Pepsi e aparece nas embalagens do refrigerante.

Ele também se solidifica como um fashion icon — algo nunca antes visto no cenário urbano latino — usando peças Gucci, Saint Laurent, Chanel e colaborando até com a Vogue.

Mais importante, ele segue como um hitmaker impressionante. Otra Vez, sua colaboração com o duo porto-riquenho Zion & Lennox, é atualmente o reggaeton mais badalado na América Latina, no top 5 do Spotify do México, Espanha e Argentina (e disparado em primeiro no Chile e na Colômbia). Seu atual single solo, Safari, acumulou 30 milhões de visualizações no YouTube em uma semana (depois de duas semanas de exclusividade na Apple Music). E o anterior, Bobo, quebrou recorde de views e streams nas principais plataformas.

Assim como Balvin, Nicky Jam também tem o toque de Midas:  depois de 20 semanas ininterruptas em primeiro lugar no Hot Latin Tracks, Ginza foi substituído no topo da Billboard pelo primeiro single pós-El Perdón do porto-riquenho, Hasta El Amanecer. A canção encabeçou a lista por 14 semanas  e quebrou recordes no YouTube  e no Spotify (sendo o single em espanhol de maior sucesso de 2016 em ambas as plataformas).

Sua colaboração com Cosculluela, Te Busco, também está impressionando: apesar de nem sequer ter um clipe ou um lyric video oficial, a canção já tem mais de 300 milhões de views no YouTube e está prestes a penetrar o seleto grupo de músicas em espanhol no Spotify que superaram 100 milhões de streams (apenas 12 canções no idioma atingiram a marca, das quais três são de Jam).

Nada mais natural que tanto o colombiano quanto o porto-riquenho estejam em altíssima demanda. O primeiro colaborou com Pharrell Williams (que cantou em espanhol para a canção Safari) e Justin Bieber (sendo responsável por adicionar alguns versos na versão para o mercado hispânico do giga hit Sorry). O segundo foi acionado por Maná, inquestionavelmente o maior grupo de rock latino , para fazer um remake reggaeton de De Pies a Cabeza, um sucesso de 1992, e também por Sia, que o incluiu na versão latina de Cheap Thrills.

Mas a disputa pelo topo não foi só entre Balvin, Jam e Enrique. O já mencionado Maluma está se provando um fenômeno igualmente potente e, possivelmente, o nome mais rentável de todos. Com seu rosto de proporções perfeitas e seu estilo fashion, o autodenominado Pretty Boy, Dirty Boy emplacou seu primeiro gigantesco hit, Borro Cassette, no começo desse ano. A música atingiu o topo em todos os principais mercados — México, Argentina, Chile, Espanha — e o terceiro lugar nos EUA.

O poder dele ficou claro quando os ingressos de sua turnê foram disponibilizadas. Ele esgotou 5 noites no Luna Park de Buenos Aires em tempo recorde e sua turnê mexicana, incluindo duas noites no lendário Auditorio Nacional da Cidade do México, também estava toda vendida com meses de antecedência. Enquanto Balvin assinou com a Pepsi, Maluma é garoto propaganda da Coca Cola. Nas redes sociais, seus números já superam os de quase todas os outros mega astros latinos. Seus singles são imediatamente adicionados na alta rotação das rádios latinas, além de penetrarem as paradas do Spotify com enorme rapidez. No Youtube, ele é rei absoluto de views. No Instagram, nenhuma estrela hispânica tem tantos seguidores e likes.

Seu calibre é tamanho que sua estreia no Brasil foi digna de estrela internacional de primeiro escalão, aparecendo com equal-billing em Sim Ou Não, primeiro single do novo álbum de Anitta, a maior estrela pop do país (Ginza de J. Balvin também fez sucesso aqui graças a uma versão com a participação dela).

Anitta está longe de ser a estrela mais high profile com a qual o colombiano colaborou. Ele aproveitou uma passagem relâmpago por Barcelona para gravar com uma conterrânea que é, inquestionavelmente, a maior estrela da América Latina, Shakira.  Ele também está no próximo single de outro dos principais astros da região, Ricky Martin. E Desde Esa Noche, sua colaboração com Thalia, está bombando.

A velha guarda

Apesar do enorme sucesso da nova geração, Daddy Yankee segue o rei. Já se passaram 12 anos desde seu primeiro giga hit, Gasolina, mas ele segue no topo das paradas. Shaky Shaky, seu atual single, é, junto com Otra Vez, o maior hit reggaeton do o momento. Atualmente, a canção está em primeiro no Spotify da Argentina e no top 10 de todos os demais mercados. O vídeo da canção é a música em espanhol mais popular do YouTube das últimas semanas (quarto vídeo mais visto no total, superando quase todos os lançamentos de artistas anglo-saxões).

Enquanto o som de Yankee é bem batidão, seu arquirrival, Don Omar, é conhecido por seguir uma linha bem mais romântica. Atualmente, se dedica a atuação, fazendo parte da mega franquia Velozes & Furiosos (que fez de Danza Kuduro música tema de seu quinto filme, um sucesso global).

Apesar de sempre terem posado para mídia como “inimigos”, Yankee e Omar tem, na realidade, uma relação profissional amigável. Esse ano, até fizeram uma turnê em conjunto, The Kingdom, que esgotou as principais arenas dos EUA, incluindo o Madison Square Garden de Nova Iorque, o Staples Center de Los Angeles e a American Airline Arena de Miami.

Além dos dois, outra dupla monopolizou o gênero nos idos dos anos 2000: Wisin & Yandel. Depois de gravar dezenas de sucessos em conjunto, ambos seguiram em carreira solo. Wisin obteve um hit inescapável em 2014, Adrenalina, com a ajuda de J.Lo e Ricky Martin enquanto Yendel fez bonito junto a Daddy Yankee com Moviendo Caderas. Depois, Wisin se juntou a estrela colombiana do pop vallenato, Carlos Vives, no sucesso Notas de Amor e Yandel, sozinho, obteve grande sucesso com Encantadora.

Hit instantâneo

O mercado latino é extremamente fiel. Shakira é capaz de produzir um hit instantâneo no continente hoje em dia quase tão facilmente quanto em 2003 ou em 1997. Ricky Martin, Marc Anthony, Chayanne, Maná e Alejandro Sanz seguem enchendo os maiores estádios. Uma vez que o público latino te aceita entre os grandes, ele não vai te abandonar tão facilmente. Mas fidelidade e consistência não significa que eles não são ofuscados pelas novas sensações jovens. Por isso, um remédio foi encontrado: se associar com as tais sensações.

Seguindo o exemplo de Iglesias, todos os principais  nomes da música em espanhol estão se rendendo ao reggaeton.

Lançado em 2015, La Mordidita, de Ricky Martin, foi o maior hit do porto-riquenho na década. O próximo single dele, que será lançado essa sexta, será uma colaboração com Maluma. O lendário cantor colombiano Carlos Vives também frequentemente colabora com o pretty boy colombiano (o fato de dividirem um empresário provavelmente ajuda) e obteve um grande sucesso com Notas de Amor, junto a Wisin e Daddy Yankee. Marc Anthony emprestou seus vocais para La Gozadera, o giga hit do Gente de Zorra que homenageia a América Latina (e, ironicamente, foi um dos maiores hits da história recente não no continente, mas sim na Espanha, atrás apenas de El Perdón). Com Desde Essa Noche, também colaboração com o fenômeno Maluma, Thalía obteve seu maior sucesso da década.

Outra técnica utilizada para maximizar o impacto das canções no mercado latino: regravá-las em estilo reggaeton.

Carlos Baute, popular cantor de origem venezuelana, tem obtido grande sucesso com Amor y Dolor refeito pelo duo porto-riquenho Alex & Fido. A banda romântica mexicana Reik fez sucesso com Ya Me Enteré mas o urban remix, refeito por Nicky Jam, é o que está penetrando o top 10 do Spotify em países onde a versão original não chegou sequer ao top 50 (como Argentina, Chile e Espanha). Como já mencionei antes, até o Maná, não exatamente conhecidos por serem inovadores, se rendeu, relançando uma versão do seu hit de 1992, De Pies à Cabeza com Jam. Vários dos maiores hits internacionais do ano (Cheap Thrill; Sorry; Cold Water) também adicionaram os principais nomes do gênero (Balvin, Jam, Don Omar) em remixes lançados especialmente para o mercado hispânico.

Dos países hispânicos para o mundo

O mais óbvio próximo passo é fazer com que o gênero conquiste de vez o resto do mundo.

Isso inclui, claro, os dois principais mercados de todos, notoriamente resistentes a músicas estrangeiras: os EUA e o Reino Unido (Gasolina e Danza Kuduro foram as únicas duas músicas a atingirem o mainstream nesses dois países).

No Brasil, Anitta, inquestionavelmente o maior nome pop do país, serve como uma embaixadora não oficial do gênero. Com a ajuda dela, Ginza, de J Balvin, obteve sucesso por aqui e Maluma está sendo introduzido em grande estilo pela diva pop . Fica a dúvida se o reggaeton, que já conquistou todo o resto do continente, conseguirá levantar voo em nosso mercado.

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Alguns acreditam que gravar em inglês pode agilizar a conquista do mundo anglo. Nicky Jam, que nasceu nos EUA e Enrique, um ato global, costumam gravar versões em inglês dos seus maiores hits. Apesar de o idioma ter mais alcance, nenhum desses remakes ganhou tração.

Já Balvin declarou que não pretende se render. A aposta dele é que o mundo English-speaking que se entregará ao espanhol (como Pharrell Williams faz no atual single do colombiano ou Drake fez em Odio, do astro da bachata Romeo Santos).

Seja como for, a verdade é que os ventos sopram a favor do reggaeton: os dois maiores sucessos de 2016 foram One Dance de Drake e Work da Rihanna, ambas músicas que, assim como o estilo sensação latino, têm enorme influência jamaicana e caribenha. Repetição e batidas familiares são a porta para o sucesso. Logo, essa onda tropical abre precedentes para músicas com estilo similar — como reggaeton – acontecerem nas rádios e nas paradas mundo afora.

Será que é só questão de tempo até as paradas globais refletirem as da Espanha e da América Latina?

Read more: mais dos maiores hits reggaeton da atualidade

Hoje em dia, reggaeton é um termo guarda-chuva que descreve quase todas as músicas dançantes em espanhol. E não só das mega estrelas da atualidade (J Balvin; Nicky Jam; Maluma) e dos nomes clássicos (Daddy Yankee; Don Omar; Wisin y Yandel) que o gênero vive. São dezenas — talvez até mesmo centenas — de nomes que providenciam sucessos para saciar a sede de hits dançantes da América Latina e da Espanha.

Farruko é, possivelmente, um dos hitmakers mais consistentes dos últimos anos, com seu reggaeton mais relaxado e sua participação em gigantescos sucessos (como, por exemplo, 6 AM de Balvin).

Seu atual hit é Chillax enquanto seus sucessos de anos anteriores, como Obsesionado, Passion Whine, Sunset e Lejos de Aqui, seguem inescapáveis (particularmente, as músicas de Farruko são as que eu mais gosto).

Já os venezuelanos Chino & Nacho substituíram Don Omar como os leading names no reggaeton romântico. Depois de estourar na cena em 2010 com Mi Niña Bonita, eles tiveram uma das músicas em espanhol mais populares de 2015 com Me Voy Enamorando (que tinha, alias, participação de Farruko). O single atual deles, Andas En Mi Cabeza, que conta com o onipresente Daddy Yankee, é mais um dos grandes sucessos do ano.

Um país importante na criação dos atuais maiores nomes do gênero, a Colômbia segue apostando forte no reggaeton. A cria mais recente da cena de Medellín é Sebastian Yastra, que está gozando de enorme popularidade com Traicionera e segue a cartilha Maluma de sucesso: jovem, estiloso e com rostinho bonito.

Estrelas também estão emergindo em outras cidades do país. De Pereira, o duo Alkilados, que introduziu o ukelele ao gênero, tem colecionado sucessos. De Cali, Kevin Roldan é outra aposta forte: suas colaborações com os mega astros Nicky Jam e Maluma bombaram; seu atual single, Ruleta Rusa, está escalando as paradas e ele tem, dentre seus fãs, o futebolista Jaime Rodriguez que o apresentou para o resto do Real Madrid (ele até cantou no aniversário de Cristiano Ronaldo).

Apesar da Colômbia ter emergido como um berço de talentos, Puerto Rico segue sendo a principal fabrica de estrelas. De lá saíram Joey Montana, Reykon, Plan B, J Alvarez, Alexis y Fido, Tito El Bambino, Cali y Dandee, Arcángel dentre inúmeros outros.

É de lá também Ozuna, inquestionavelmente, a maior revelação do momento, que surgiu na cena recentemente, com dezenas de hits simultâneos: Te Vas; Dile Que Tu Me Quieras; No Quiere Enamorarse (com — quem mais? — Daddy Yankee); Si No Te Quieres; Si Te Dejas Llevar; Corazón De Seda; Me Ama Me Odias dentre outras.

Fora das Américas, a Espanha também tem produzido nomes populares. Assim como na América Latina, reggaeton é inquestionavelmente o maior gênero do país atualmente e, além de consumir dezenas de nomes latinos, eles também tem seus astros locais, como o DJ catalão Juan Magán, o rei do electrolatino; Dr. Bellido, de Sevilha e DaSoul, de Gran Canária.

Os atos espanhóis, porém, não ofuscam os atos das Américas. O país europeu, alias, é frequentemente o primeiro a se entregar aos hits latinos.

Ay Mi Dios! de iAmChino, por exemplo, está começando a escalar as paradas das Américas mas, na Espanha, a canção já é um sucesso estabelecido faz meses. A música é a estreia do DJ oficial de Pitbull como leading act e a canção conta com vocais do ex-patrão e também de Yandel e de Chacal, um importante nome da cena de reggaeton de Cuba.

Até mesmo Simon Cowell, o svengali da música mundial, quer abocanhar uma porção desse mercado. Através do reality show estado-unidense La Banda, ele montou uma boyband latina, CNCO, formada para ser a resposta hispânica para o seu ato mais lucrativo, One Direction. O gênero escolhido para a banda? O reggaeton, óbvio.

As maiores músicas em espanhol no Spotify e no YouTube

Atualmente, streaming é, de longe, o jeito mais popular de consumir música. O YouTube e o Spotify, sendo as principais plataformas de reprodução, são, por tanto, um medidor do que realmente é popular. E, claro, em ambos, o reggaeton domina.

Importante notar, porém, que o artista latino de maior sucesso de todos é claramente o astro da bachata, Romeo Santos.

Músicas em espanhol com mais de 100 milhões de streams no Spotify

  1. Nicky Jam, Enrique Iglesias – El Perdón (335.6 milhões) [2015]
  2. Enrique Iglesias – Duele El Corazón [ft. Wisin] (195 milhões)* [2016]
  3. J. Balvin – Ginza (180 milhões) [2015]
  4. Maluma – Borro Cassette (147 milhões) [2015]
  5. Nicky Jam – Hasta El Amanecer (139 milhões) [2016]
  6. Gente De Zorra – La Gozadera [ft. Marc Anthony] (139 milhões) [2015]
  7. Romeo Santos – Propuesta Indecente (131 milhões) [2014]
  8. Joey Montana – Picky (125 milhões) [2016]
  9. J. Balvin – 6 AM (118 milhões) [2014]
  10. J. Balvin – Ay Vamos! (116 milhões) [2013]
  11. Enrique Iglesias – Bailando [ft. Descemar Bueno & Gente de Zorra] (113 milhões) [2014]
  12. Cali y El Dandé – Por Fin Te Encontré [ft. Juan Magan, Sebastian Yastra] (100 milhões) [2015]
  13. Nicky Jam – Travesuras (100 milhões) [2014]

* ainda no top 20 dos principais mercados

Músicas em espanhol mais populares no YouTube
* soma de vídeos com a música

  1. Enrique Iglesias – Bailando [ft. Descemar Bueno & Gente de Zorra] (2 bilhões) [2014]
  2. Romeo Santos – Propuesta Indescente (1.8 bilhão) [2014]
  3. Nicky Jam, Enrique Iglesias – El Perdón (1.4 bilhão) [2015]
  4. J Balvin – Ay Vamos! (1 bilhão) [2014]
  5. Don Omar – Danza Kuduro (950 milhões) [2010]
  6. Prince Royce – Darte Un Beso (910 milhões) [2013]
  7. J Balvin – 6 AM (900 milhões) [2013]
  8. Maluma – Borro Cassette (890 milhões) [2015]
  9. Nicky Jam – Hasta El Amanecer (889 milhões) [2016]
  10. Romeo Santos – Eres Mia (870 milhões) [2014]
  11. Nicky Jam – Travesuras (800 milhões) [2014]
  12. J Balvin – Ginza (730 milhões) [2015]
  13. Plan B – Fanatica Sensual (722 milhões) [2014]
  14. Romeo Santos – Llevame Conmigo (700 milhões) [2012]
  15. Osmani Garcia – El Taxi [ft. Pitbull] (700 milhões) [2014]
  16. Enrique Iglesias – Duele El Corazón [ft. Wisin] (682 milhões) [2016]
  17. Joey Montana – Picky (664 milhões) [2016]
  18. Enrique Iglesias – El Perdedor (650 milhões) [2014]
  19. Wisin – Adrenalina [ft. Jennifer Lopez; Ricky Martin] (600 milhões) [2014]
  20. Daddy Yankee – Limbo (600 milhões) [2012]
  21. Ricardo Arjona – Fuiste Tu [ft. Gaby Montero] (600 milhões) [2012]
  22. Gente de Zona – La Gozadera [ft. Marc Anthony] (591 milhões) [2015]
  23. Ricky Martin – La Mordidita (574 milhões) [2015]
  24. Marc Anthony – Vivir Mi Vida (570 milhões) [2013]
  25. Romeo Santos – Cancionita de Amor (560 milhões) [2014]
  26. Romeo Santos – Odio [ft. Drake] (550 milhões) [2014]
  27. Chino y Nacho – Me Voy Enamorando [ft. Farruko] (511 milhões) [2015]
  28. Jesse & Joy – ¡Corre! (510 milhões) [2011]
  29. Enrique Iglesias – Loco [ft. Romeo Santos] (510 milhões) [2014]
  30. Chino y Nacho – Andas En Mi Cabeza (ft. Daddy Yankee) (508 milhões) [2016]
  31. Romeo Santos – Promise [ft. Usher] (500 milhões) [2012]
  32. Romeo Santos – Hilito (495 milhões) [2014]
  33. Romeo Santos – Mi Santa [ft. Tomatito] (495 milhões) [2012]
  34. Maluma – El Perdor (479 milhões) [2016]
  35. Nicky Jam – Si Tu No Estas (470 milhões) [2014]
  36. Romeo Santos – La Diabla (475 milhões) [2012]
  37. Romeo Santos, Marc Anthony – Yo También (470 milhões) [2014]
  38. Enrique Iglesias, Juan Luis Guerra – Cuando Me Enamoro (475 milhões) [2010]
  39. Wisin, Carlos Vives – Notas de Amor (472 milhões) [2015]
  40. Daddy Yankee – Sigueme y Te Sigo (454 milhões)  [2015]
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