Causando no cinema: o ano da música na telona

Nem atores famosos, nem histórias engajantes, nem críticas boas. Em tempos atuais, uma das únicas maneiras de se obter um gigantesco sucesso de bilheteria no cinema é ser parte de uma franquia mundialmente conhecida. Mas 2018 foi o ano que alguns poucos filmes conseguiram furar esse bloqueio. O segredo? Música.

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O primeiro grande fenômeno foi “The Greatest Showman” (no Brasil, “O Rei do Show”). Tecnicamente um lançamento de 2017 (ele teve sua estréia oficial no dia 20 de dezembro), o longa metragem tinha como grande estrela Hugh Jackman e contava também com Zac Efron, Zendaya, Michelle Williams e Rebecca Fergunson em seu elenco. O público alvo era abrangente: qualquer um interessado em entretenimento family friendly.

O musical era livremente inspirado na história de P.T. Barnum, o criador do primeiro grande circo dos EUA, o Barnum & Bailey Circus. Apesar de uma promoção forte e um elenco com nomes conhecidos, não havia nenhum motivo para suspeitar que o musical iria ser um sucesso excepcional. Ele foi uma produção relativamente cara (U$85 milhões de dólares, sem contar com marketing) e muitos achavam que o valor investido não era justificado e que o filme ia penar para recuperar os gastos (para isso, estima-se que é preciso lucrar três vezes o custo original).

Mas “The Greatest Showman” surpreendeu a todos, captando a imaginação do público de uma maneira que ninguém esperava e se consagrando como um fenômeno.

Arrisco dizer que, desde “High School Musical”, nenhum musical — nem o record breaking “Mamma Mia”, de 2008, nem o super premiado “La La Land”, de 2016 — chegou perto de se tornar um fenômeno de massa da proporção do filme de estréia do diretor australiano Michael Gracey.

“The Greatest Showman” não foi nenhum queridinho dos críticos. De acordo com o agregador de reviews Rotten Tomatoes, o musical teve aprovação profissional de 53%, um resultado bom mas longe de ser excepcional. Ele tampouco foi um fenômeno espetacular logo de cara: estreou em quarto lugar nas bilheterias estado-unidenses e em terceiro no Reino Unido, obtendo números iniciais mornos. Porém, algo muito raro aconteceu: na segunda semana, os números cresceram. O público amou e, aos poucos, o boca-a-boca o elevou a um nível de sucesso impar.

Depois de lucrar 8 milhões de dólares no seu fim de semana de estréia nos EUA, um resultado mediocre, o filme se consolidou como uma das opções mais populares por meses à fio. No fim de sua trajetória, “The Greatest Showman” tinha alcançado 175 milhões de dólares arrecadados só no seu país de origem e tinha se tornado um dos filmes com bilheteria mais estável na história.

A trilha sonora encerrou 2018 como o único álbum a conseguir ultrapassar 1 milhão de cópias em vendas puras nos EUA (1.49 milhões para ser exato). Com números de streaming acrescentados, “The Greatest Showman” alcançou o equivalente a 2.5 milhões de cópias, sendo o terceiro maior CD do ano no país (atrás apenas de Drake e Post Malone). Cinco músicas do filme obtiveram certificação de Platina, enquanto outras duas alcançaram Ouro.

Mas o sucesso ficou longe de ficar limitado apenas aos EUA. Muito pelo contrário, internacionalmente a recepção foi ainda mais calorosa. Dos 435 milhões de dólares arrecadados, 261 milhões foram em mercados estrangeiros. Os três países onde “The Greatest Showman” conseguiu superar os EUA em sucesso proporcional foram o Reino Unido, a Austrália e o Japão. Em todos esses mercados, o musical figurou dentre as 5 maiores bilheterias do ano.

O Reino Unido foi o lugar que abraçou o filme mais entusiasticamente. No país, a trilha sonora ficou nada menos do que 11 semanas no topo das paradas dos mais vendidos (e ainda está no topo, de modo que poderá estender sua lideranças por várias semanas mais) e encerrou 2018 como o maior CD do ano, com 1.6 milhão de unidades vendidas (uma distância de quase 1 milhão de cópias em relação ao álbum #2, Staying at Tamara’s de George Ezra). A música “This Is Me”, cantada por Keala Settle, foi o quarto maior single do ano no país.

A trilha de “The Greatest Showman” também foi o álbum mais vendido de 2018 na Austrália e o álbum internacional mais vendido no Japão. Além disso, durante a temporada natalina, um novo CD, com artistas como P!nk, Kesha, Panic! at the Disco e Kelly Clarkson reinterpretando as músicas do filme, também foi bem recebido.

O sucesso do filme serviu de trampolim para consolidar a estrela do longa, o ator Hugh Jackman, como uma sensação capaz de lotar estádios. Ao longo de 2019, Jackman irá explorar sua faceta como showman e irá front o espetáculo Hugh Jackman: The Show que já tem 64 shows agendados nas maiores arenas da Europa, Reino Unido, EUA, Austrália e Oceânia. A agenda inclui 6 noites na gigantesca The O2 em Londres, 6 noites na Manchester Arena e três noites no Madison Square Garden em Nova Iorque.

“The Greatest Showman”: U$ 435 milhões
– Álbum mais vendido de 2018, com 5.4 milhões de cópias equivalentes.
– Único álbum a ultrapassar 1 milhão de unidades puras (sem streaming) nos EUA em 2018.
– Único álbum a ultrapassar 1 milhão de unidades no Reino Unido em 2018.
– #18 maior filme do ano nos EUA
– #4 maior filme do ano no Reino Unido
– #5 maior filme do ano na Austrália
– #6 maior filme do ano no Japão
– O CD spin-off “The Greatest Showman: Reimagined”, lançado em novembro de 2018, estreou no top 5 do Reino Unido (onde foi certificado Platina), Austrália e EUA.
– Impulsionado pelo sucesso do show, “Hugh Jackman: The Show” rodará América do Norte, Europa e Oceânia com 64 shows. No total, estima-se que 1 milhão de pessoas irão prestigiar a turnê.

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“The Greatest Showman” deu o ponta-pé inicial mas, depois dele, muitos outros sucessos musicais vieram. Em julho, “Mamma Mia: Here We Go Again” foi outro grande hit.

Diferente de Showman, o sucesso de “Mamma Mia 2” era mais do que assegurado. O filme narrava as aventuras de uma divertida mãe solteira, interpretada por Meryl Streep, e de sua filha adulta (Amanda Seyfried) nas paradisíacas praias da Grécia e tinha como ponto alto o fato de ser integralmente embalado por músicas do icônico grupo sueco Abba

Depois de arrasar nos palcos da Broadway e do West-End londrino, a adaptação cinematográfica, lançada em 2008, se tornou um dos musicais mais bem-sucedidos de todos os tempos. Por tanto, as expectativas para a continuação eram altíssimas.

“Here We Go Again” não conseguiu alcançar o sucesso histórico do antecessor. Enquanto o primeiro lucrou 605 milhões de dólares, o segundo ficou na casa dos 400 milhões. Mas, com uma produção que custou $75 milhões de dólares, foi, mesmo assim, um sucesso espetacular. A trilha sonora alcançou o topo das paradas no Reino Unido (onde alcançou Disco de Platina por 300 mil cópias vendidas) e na Austrália e chegou ao #3 nos EUA.

Um dos grandes chamarizes de “Mamma Mia 2” era Cher, que se juntava ao elenco estrelado encabeçado por Strip, Seyfried, Colin Firth e Pierce Brosnan. Surfando na onda do filme, a cantora lendária aproveitou para lançar um CD de covers da banda sueca, entitulado “Dancing Queen”.

Foi mais um exemplo de uma bem sucedida sinergia entre Hollywood e o mercado fonográfico. O álbum de Cher estreou em #3 nos EUA, com 153k cópias na primeira semana, a melhor estréia dela no país. No Reino Unido e na Austrália, o disco debutou em #2, dando a veterana artista seu maior pico nas paradas de CDs locais desde 1992 e 1989 respectivamente. Ela ainda embarcou na turnê solo Here We Go Again, com 67 apresentações em arenas da Austrália, Nova Zelândia, EUA, Reino Unido e Europa.

“Mamma Mia: Here We Go Again”: U$ 395 milhões
– 1.5 milhão de unidades vendidas da trilha sonora globalmente
– #4 CD mais vendido do ano no Reino Unido.
– #1 maior filme do ano na Suécia, Noruega e Finlândia.
– #2 maior filme do ano no Reino Unido.
– #11 maior filme do ano na Alemanha, #12 na Austrália.
– #26 maior filme do ano nos EUA
– Serviu de mote para o lançamento do álbum de covers da Cher, “Dancing Queen”, seu maior lançamento em décadas. A turnê do álbum, Here We Go Again, terá 63 datas na Oceânia, Reino Unido, Europa e América do Norte, com um total de 550 mil ingressos disponíveis.

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No dia 5 de outubro, “A Star Is Born” (Nasce Uma Estrela), que se tornaria um dos filmes mais comentados de 2018, teve sua estréia nos EUA. Apesar de não ser tecnicamente um musical, é óbvio que música é um componente essencial na narrativa do filme.

O terceiro remake de um longa de 1937, a produção foi anunciada pela primeira vez em 2011. Naquele então, Beyoncé iria estrelar junto a Leonardo DiCaprio sob a direção de Clint Eastwood.

Depois de anos sem andar para frente, perdendo as suas estrelas e diretor no processo, a produção finalmente engrenou em março de 2016, quando Bradley Cooper anunciou que iria protagonizar e dirigir o longa. Lady Gaga se juntou como co-protagonista em agosto daquele mesmo ano.

Diferente de “Showman”, muito do burburinho inicial de “A Star Is Born” foi relacionado a ótima recepção que o filme teve por parte dos críticos. O longa chegou a 90% de aprovação no Rotten Tomatoes. A direção de Cooper e a atuação dele e de Gaga foram exaltadas por praticamente todo mundo que viu o longa em festivais que precederem sua estréia oficial. Com todo o buzz positivo, “A Star is Born” teve uma estréia fantástica nos EUA, lucrando mais de 40 milhões de dólares no seu final de semana inicial.

De todos os filmes mencionados, “A Star Is Born” foi, de longe, o mais barato de se produzir (custando $30 milhões de dólares). Além disso, foi o único que foi promovido como um filme para um público mais maduro. Nos EUA, ele teve classificação etária R, proibido para menores de 17 desacompanhados (todos os demais tiveram classificação PG ou PG-13).

Nada disso serviu como obstaculo para seu estrondoso sucesso. Impulsionado pela ótima recepção crítica e pelo boca-a-boca, o filme lucrou $425.5 milhões de dólares globalmente. Como coroação final, ele foi indicado a 8 Oscares, incluindo Melhor Ator (Cooper), Melhor Atriz (Gaga), Melhor Filme e Melhor Música (“Shallow”). Ele levou o último.

“A Star Is Born”, que trata da história de amor entre um cantor country alcoólatra e uma popstar em ascensão, foi um verdadeiro divisor de água tanto na carreira de Cooper, em sua estréia como diretor, como na de Gaga, em sua estréia como atriz de cinema.

Apesar de ser um household name que ainda atrai bastante interesse, Lady Gaga estava em um momento difícil d. Depois de uma estréia meteórica em 2008, que rapidamente a consolidou como o maior fenômeno do mundo, ela começou a desinflar a partir do lançamento do seu segundo CD e estava encontrado dificuldades de encontrar seu nicho.

Depois do (relativo) fracasso do seu terceiro álbum, ela se reinventou como uma cantora de jazz e voltou ao pop em 2016, com Joanne. O CD ajudou ela a se estabilizar — ela fez uma turnê bem sucedida e headlined o Super Bowl e também o Coachella (substituindo Beyoncé, que adiou a participação por causa da gravidez). Mesmo assim, ela estava longe de obter resultados espetaculares e de se adaptar as mudanças da indústria com a chegada do streaming.

Mas “A Star Is Born” a elevou para outro patamar e colocou seu nome de volta no topo do A-list. Apesar de várias estrelas pop terem se aventurado no mundo cinematográfico nas últimas duas décadas, absolutamente nenhuma delas chegou perto do aclame alcançado por Gaga, que já emplacou uma indicação ao Oscar com seu primeiro grande papel.

A trilha sonora do filme também foi um gigantesco sucesso, sendo o terceiro álbum mais vendido de 2018 na Austrália e sétimo no Reino Unido. A música “Shallow” alcançou o #1 no Reino Unido, na Suécia e na Austrália (o primeiro chart-topper dela em ambos os países em quase 7 anos), além de ter alcançado #4 na França e #10 na Alemanha.

Levando em conta apenas unidades puras, a trilha sonora de “A Star Is Born” foi o segundo álbum mais vendido do ano nos EUA, com 700 mil cópias. Porém, mostrando a vulnerabilidade de Gaga na era streaming, o CD não figurou no top 10 uma vez que os números das plataformas digitais foram contabilizados.

Mas o sucesso do filme é tanto que até essa barreira da cantora ele está conseguindo furar. Logo depois da exibição do Oscar, e impulsionado por memes e pela repercussão da performance dos protagonistas durante a premiação, “Shallow” alcançou a #6 posição no Spotify dos EUA. Anteriormente, o melhor resultado de Gaga na plataforma tinha sido quando “A Million Reasons” atingiu a posição #25 logo depois de sua apresentação no Super Bowl de 2016. No ranking global, a canção chegou a posição #2.

A performance de “Shallow” no Academy Awards deu o que falar e gerou muitos memes.

Com o empurrãozinho do streaming — combinado com espetaculares vendas digitais e bom desempenho na rádio — “Shallow” alcançou o topo do Billboard Hot 100 dessa semana. É a primeira vez que Gaga atinge a posição desde que “Born this Way” estreou em primeiro nos EUA em fevereiro de 2011.

Também graças a repercussão dos Oscars, a trilha sonora voltou para o topo das paradas de vendas de álbuns, onde o filme será relançado com 12 minutos extras. Ou seja, “A Star Is Born” ainda tem fôlego e, mais do que um filme bem-sucedido, ele marca o renascimento de Gaga como uma das maiores estrelas da atualidade.

“A Star Is Born”: U$ 425.3 milhões
– 2.5 milhões de unidades vendidas da trilha sonora globalmente.
– #13 maior filme do ano nos EUA.
– #11 maior filme do ano no Reino Unido.
– #8 maior filme do ano na Austrália.
– #2 CD mais vendido de 2018 nos EUA em pure sales
– #3 álbum mais vendido de 2018 na Austrália. #7 mais vendido no UK.
– “Shallow” foi o primeiro #1 de Lady Gaga nos EUA em 8 anos (e o primeiro de Bradley Cooper).
– “Shallow” também foi o maior hit global dela desde fevereiro de 2011.
– A música atingiu #1 no Reino Unido e Austrália, #3 no Canadá, #4 na França e #10 na Alemanha. Na parada global do Spotify, atingiu a posição #2, a melhor já obtida por uma música de trilha sonora e o melhor resultado obtido por Gaga na era de streaming.
– 8 indicações ao Oscar, incluindo vitória de Melhor Canção Original.

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“Bohemian Rhapsody” chegou algumas semanas depois do bem sucedido filme de Gaga e Bradley Cooper.

Assim como “Mamma Mia”, “Bohemian Rhapsody” se beneficiava do fato de ter como trilha sonora as músicas de uma das bandas mais amadas de todos os tempos, Queen. Diferente do filme estrelado por Meryl Streep, que tinha uma história original, “Bohemian” era um filme biográfico centrado no amado frontman da banda, Freddie Mercury. Além disso, assim como “A Star Is Born”, ele não era tecnicamente um musical (para isso, os personagens tem que começar a cantar espontaneamente e do nada) mas sim um filme com música (onde as canções estão inseridas em situações realistas).

O longa teve um caminho tortuoso até seu lançamento. Ele foi originalmente anunciado em 2010, com Sascha Baron Cohen no papel principal. Depois de três anos de desenvolvimento, Baron deixou o projeto por causa de diferenças criativas. Foram mais três anos tentando levantar o filme do chão até que, no fim de 2016, Rami Malek foi escolhido para o papel de Mercury e a produção voltou a andar.

Além da dificuldade para achar um protagonista, “Bohemian Rhapsody” ainda enfrentou outra gigantesca dor de cabeça: seu diretor. Bryan Singer, responsável por dezenas de filmes bem-sucedidos, foi afastado da produção quando o filme já estava quase concluído, em dezembro de 2017, pelo seu comportamento altamente tempestuoso. Além disso, a Fox, a distribuidora do filme, ainda estava preocupada com as dezenas de alegações de abuso sexual e assédio que o rondavam. No final das contas, apesar dele ter sido o de facto diretor, o nome dele foi apagado de quase todo o material promocional.

Apesar do tumulto, tudo foi perdoado quando “Bohemian Rhapsody” estreou e se provou, logo de cara, um gigantesco fenômeno de bilheteria. De maneira geral, as críticas foram bem mornas mas a atuação de Rami Malek foi universalmente elogiada. E, apesar de não empolgar tanto os profissionais, o aclame popular foi tanto que o filme foi um dos mais premiados durante a award season e recebeu 4 indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme. Malek acabou levando a estatueta de Melhor Ator para casa. Seguindo a cartilha promocional, o diretor Bryan Singer não foi mencionado por ninguém durante as cerimônias.

De todos os filmes de música de 2018, “Bohemian Rhapsody” foi o fenômeno mais universal. “The Greatest Showman” foi gigantesco porém seu sucesso fora de série ficou limitado a alguns mercados chaves importantes. Já “A Star Is Born” teve repercussão universal graças a música “Shallow” e os protagonistas mas os números de bilheterias foram espetaculares somente nos EUA e em outros mercados anglo-saxões. “Mamma Mia: Here We Go Again” foi particularmente grande na Europa Continental. O filme do Queen, por sua vez, foi enorme em todos os continentes, da América do Sul a Ásia.

O climax do filme é a recriação da legendária performance da banda no Live Aid de 1985 no Estádio de Wembley

Apesar do Greatest Hits do Queen ser um dos discos mais vendidos de todos os tempos (e o mais vendido da história no Reino Unido), a trilha sonora do filme, composta basicamente por canções já lançadas, também foi um sucesso.

“Bohemian Rhapsody” prova que, mesmo tendo se passado 27 anos desde sua morte, o poder de Freddie Mercury em comover multidões segue inigualável.

“Bohemian Rhapsody”: U$ 870 milhões de dólares
– #6 maior filme de 2018 no mundo.
– #10 maior filme de 2018 nos EUA.
– #1 filme do ano no Japão, na Espanha e na Itália. #2 filme do ano na Austrália. #3 filme do ano na Alemanha e na Coréia do Sul. #4 filme do ano no Reino Unido. #5 filme do ano na França.
– Com o sucesso do filme, várias músicas do Queen entraram no top 50 de streaming global. A trilha sonora vendeu mais de 1 milhão de unidades globalmente, apesar de dezenas de greatest hits do Queen já estarem disponíveis (e o primeiro deles ser um dos álbuns mais vendidos da história).
– Os integrantes vivos do Queen, junto com Adam Lambert como vocalista, anunciaram a Rhapsody Tour para 2019. Até o momento, só as datas dos EUA e no Canadá foram confirmadas: serão 25 shows, para mais de 300 mil pessoas. Datas adicionais na Europa, na Austrália, na Ásia e na América Latina devem ser anunciadas em breve.

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A questão é: 2018 foi um ano impar para filmes de música ou a consolidação de um gênero que seguirá rendendo bons frutos em 2019?

É uma pergunta bem difícil de se responder mas será muito difícil reproduzir os fenômenos do ano passado. Mesmo assim, os grandes estúdios terão várias apostas musicais.

Os maiores lançamento de todos serão, sem duvida nenhuma, “Frozen 2” (previsto para 27 de novembro) e “O Rei Leão” (19 de julho), ambos propriedades bilionárias da Disney e franquias bem sucedidas. “Let It Go”, a música do primeiro Frozen, foi um fenômeno sem igual e o desafio da segunda parte é conseguir emplacar um hit que se aproxime disso. Já a adaptação de computação gráfica de “O Rei Leão” terá as músicas já amadas do original animado, compostas por Elton John, e trás as estrelas musicais Donald Glover (a.k.a. Childish Gambino) e Beyoncé nos papéis principais.

E falando em Elton John, a grande aposta de filme biográfico de 2019 é “Rocket Man”, que conta a história do lendário artista britânico. Taron Egerton interpretará o músico sob a direção Dexter Fletcher, que substituiu Singer na direção de “Bohemian Rhapsody”. Será que um filme embalado pelos clássicos de Elton John conseguirá comover tanto o público quanto os filmes do Queen e do Abba? A estréia está prevista para 31 de maio e o longa faz parte da despedida de Elton, que estará se aposentando depois da conclusão da sua turnê Farewell Yellow Brick Road, prevista para durar de 2019 até 2021.

Outra aposta é o projeto dos premiados diretores Danny Boyle (Trainspotting, Slumdong Millionaire) e Richard Curtis (Love, Actually; Notting Hill), “Yesterday”. Estrelando o novato Himesh Patel, o filme conta a história de um músico que se dá conta que ele é a única pessoa do mundo que lembra dos Beatles. A produção ainda contará com uma participação especial de Ed Sheeran. O filme será lançado dia 13 de setembro.

Finalmente, o musical de Andrew Lloyd Weber, “Cats”, também será adaptado para as telonas em um filme com um elenco robusto que inclui, entre muitos outros, Taylor Swift, Idris Elba, Rebel Wilson, Dame Judi Dench, James Corden e Ian McKellen.

A sinergia entre Hollywood e a indústria fonográfica trouxe muito dinheiro no ano passado. Se depender da vontade dos executivos e das gravadoras, foi apenas o começo. Porém não depende: nesse caso, a vontade soberana é do público. Os próximos meses vão nos mostrar se a mescla de cinema com música voltara a cativa-los.

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