Copa do Mundo de Futebol Feminino explode

A seleção estado-unidense comemora a vitória na Copa do Mundo de Futebol Feminino
A seleção estado-unidense comemora a vitória na Copa do Mundo de Futebol Feminino

Diferente de todo o resto do planeta, futebol não é exatamente o esporte favorito dos EUA. O fato de ser um esporte de nicho permitiu com que as mulheres, em geral discriminadas no mundo esportivo, tomassem posse da modalidade. O fruto disso foi uma seleção feminina fortíssima, tri-campeã da Fifa’s Women World Cup. E a terceira vitória, contra o Japão, na noite de domingo, dia 5, bateu recordes históricos de audiência no país: 26.7 milhões de espectadores, a partida de futebol mais assistida ever na terra do tio Sam. Para colocar isso em contexto, a final da NBA desse ano, a mais vista desde 1998, reuniu apenas 19.9 milhões de pessoas. Até agora, as únicas emissões televisivas que superaram a final da Copa do Mundo Feminina em audiência ao longo de 2015 foram o colossal Superbowl (114.4 milhões); as playoffs da liga universitária de futebol americano (33.3 milhões na final; 28 milhões para as duas semi-finais) e a final do basquete universitário (28..3 milhões).

O recorde anterior para um jogo de futebol nos EUA tinha sido a final da Copa de 2014. O jogo da Alemanha contra Argentina reuniu 26.5 milhões de espectadores, sendo 17.3 na ABC e 9.2 na emissão em espanhol, na Univision. Para um jogo dos EUA, o recorde tinha sido 24.7 milhões na partida da seleção nacional contra Portugal, também na Copa masculina do ano passado (17.1 na ESPN; 6.5 na Univision). O recorde anterior do futebol feminino foi a final da Copa Feminina de 1999, quando os EUA perderam para China nos pênaltis, reunindo 18 milhões de pessoas na frente da TV.

Esse ano, a FOX teve a exclusividade da exibição em inglês da Copa (a transmissão em espanhol nos EUA, que contribuiu com 1.27 milhão no número final, ficou para Telemundo). A emissora arrecadou 40 milhões de dólares com os jogos de acordo com a AdWeek, um aumento de 400% em relação ao campeonato de 2011. Ainda é um número modesto comparado com outros esportes e até mesmo com a Copa masculina mas, depois da audiência monstra desse ano, está mais que óbvio que esse valor crescerá exponencialmente em 2021.

As meninas do Team USA foram recebidas com grande fanfare em Nova Iorque nessa sexta-feira, dia 11. Elas desfilaram, sob chuva de confete, pelo centro da cidade, reunindo milhares de pessoas. O prefeito, Bill de Blasio, presenteou as 23 jogadoras com a chave da cidade.

E não é só nos EUA onde a WWC está crescendo consideravelmente em popularidade. No Japão, a outra seleção estrela do campeonato, as partidas também tiveram altíssimas audiências. Mesmo sendo exibida em um horário ingrato — segunda-feira, as 7:45 da manhã — a final teve audiência de 17.2%. No Japão, audiências acima de 15% já são consideradas excepcionais. As Nadeshiko, como a seleção nipônica é conhecida, perderam para as americanas de 2 a 5, uma revanche depois da vitória do time japonês em 2011. Naquele então, a final atingiu 16% de audiência (as 3 da manhã).

Chuva de confetes e multidão na chegada das garotas a Nova Iorque
Chuva de confetes e multidão na chegada das garotas a Nova Iorque

Além do Japão e dos EUA, o outro país que a Copa do Mundo feminina bombou foi a França. Apesar de ter uma seleção bastante forte, o grupo M6, que detinha os direitos de exibição, provavelmente não esperava grandes coisas , o que explica eles terem relegado as partidas para o canal secundário do grupo, o W9. Eles foram surpreendidos quando o jogo das bleu contra Alemanha reuniu 4.124 milhões de espectadores, quase que dobrando a oferta da emissora principal da companhia (que conseguiu 2.5 com um episódio do americano NCIS). Apesar de ser exibido por uma emissora que não faz parte do pacote básico (ela é um canal aberto, porém disponível apenas para quem tem TV digital), o jogo ficou em segundo lugar geral de audiência na noite, perdendo, por pouco, para a emissora líder do país, a TF1 (que exibia o reality show Kohlanta que, por causa da partida, registrou um número particularmente baixo). O índice registrados pelo jogo na W9 foi a maior audiência da história das emissoras de TV abertas digitais no país.

No Reino Unido, o resultado também foi animador. O time feminino acabou em quarto lugar — o melhor resultado da seleção inglesa desde 1966 — e os jogos triplicaram a audiência da BBC Three, incluindo 1.7 milhão de espectadores para a partida em que as inglesas derrotaram as alemãs.

Diferente dos EUA, é claro que a WWC não chegou perto da Copa masculina nem na França, nem no Reino Unido, nem no Japão. O jogo dos bleu contra a Alemanha na Copa de 2014 reuniu 17 milhões. No Japão, a partida dos Blue Samurai contra a Costa do Marfim atingiu 45% do audiência. No Reino Unido, o jogo da seleção inglesa contra o Uruguai teve 14 milhões de espectadores. Nos três países, as respectivas partidas foram as emissões televisivas mais vistas do ano.

Falando em Copa de 2014, a Alemanha — grandes vencedores do campeonato — também tinha um dos times femininos mais fortes na Copa Feminina. Não a toa, o jogo contra as francesas — que as germânicas ganharam — foi considerado um dos pontos altos da competição. Mas, apesar disso, o país pouco se importou com a Copa feminina, talvez ainda cega com a vitória do ano passado. No país, os jogos foram exibidos sem nenhum estardalhaço na emissora pública ZDF, conseguindo share de apenas 9%. Quem sabe até 2021 o país não acorde para o potencial das suas jogadoras, não é o mesmo? E o mesmo, claro, vale para o Brasil.

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O evento do século?

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  • Considerado os dois melhores boxeadores da atualidade, a luta de Floyd Mayweather e de Manny Pacquiao, no dia 3 de maio no MGM Grand em Las Vegas, foi considerada um evento histórico . Ambos os lutadores receberam centenas de milhões de dólares pela luta (isso mesmo, mais de 100 milhões de dólares cada).
  • O evento foi tão gigantesco que os dois maiores canais premium dos EUA — e enormes rivais — a HBO e o Showtime, se uniram para comprar os direitos e a luta foi o pacote pay per view mais caro da história: 100 dólares para assistir em HD. Mesmo assim, estima-se que o evento tenha quebrado o recorde anterior de pacotes vendidos (mais de 2 milhões na luta de Mayweather contra Oscar de la Hoya em 2007), o que significa que mais de 3 milhões de pessoas desembolsaram a modesta quantia. O começo da luta foi atrasado para quase meia-noite (no fuso-horário EST) porque, mesmo depois do horário previsto, milhares de pessoas ainda estavam comprando o acesso.
  • Na platéia do MGM Grand, desde Hilary Duff e Bow Wow até Beyoncé e Jay-Z. Justin Bieber estava lá como parte da entourage de Mayweather (eles são amigos íntimos) e Jimmy Kimmel estava com Pacquiao; Jack Gylenhaal estava lá para promover seu próximo filme (ambientado no mundo de boxing) assim como o elenco de metade dos seriados da Showtime, Nicki Minaj, Jamie Foxx (que cantou o hino), Robert DeNiro, Denzel Washington (absolutamente irreconhecível e bizarro), Joshua Jackson e Diane Kruger, Mark Wahlberg e P. Diddy. Diddy e Wahlberg, alias, apostaram 250 mil dólares nos seus favoritos (Wahlberg em Pacquiao; Diddy em Mayweather).
  • Las Vegas, claro, foi a loucura com o evento. Apenas 500 ingressos foram disponibilizados para o grande público e os preços no mercado de revenda atingiram cinco, seis e até sete dígitos. Apenas com a venda de ingressos foram arrecadados mais de 100 milhões de dólares. O valor de quartos de hotéis e aluguéis de curta-temporada chegaram a aumentar até 15x. Alguns estimaram que a luta iria acrescentar mais de 300 milhões de dólares a economia da cidade e o final de semana seria o mais lucrativo e movimentado da história.
  • Basicamente todas as centenas de boates da Las Vegas desembolsaram fortunas para ter festas com os hosts mais chamativos, em geral rappers e DJs de música eletrônica. Scott Disick (of Kardashians fame); 50 Cent; Nelly; Diddy; 2Chainz; Avicci; Ryan Lewis & Macklemore; David Guetta; Ludacris; Jamie Foxx; Lil Wayne; Snoop Dogg; Chris Brown; Justin Bieber; Busta Rhymes; Kaskade; Calvin Harris; Wale; Travis Barker; Afrojack e Alesso foram alguns dos nomes contratados pelas casas noturnas. A festa mais cara foi a de Jay Z no club Marquee: reservar uma mesa na soireé custou a bagatela de 50 mil dólares.
  • A luta em si, claro, foi uma ótima lembrança de que o mundo não é justo. Mayweather, acusado na justiça de dezenas de casos sérissimos de violência doméstica contra ex-esposas, namoradas e até seus filhos, recebeu 170 milhões de dólares e foi coroado o grande vencedor. Mas, pelo menos, ele foi vaiado por basicamente toda a arena no final da luta.
  • O filipino Pacquiao, com seu jeito sorridente, era o favorito de todo mundo mas as chances dele ganhar realmente eram mínimas já que, diferente de Mayweather, ele não está mais no ápice de sua carreira. Mesmo assim, ele embolsou 120 milhões de dólares. Ele nunca espancou ninguém mas, nas Filipinas, seu país natal, ele é um político super conservador, anti-casamento gay e direitos das mulheres então ele também não é exatamente a melhor pessoa.
  • Funfact: como Pacquiao era filipino e Mayweather americano, os hinos de ambos os países foram cantados. Floyd escolheu Jamie Foxx para entonar o Star Spangled Banner e Manny optou por uma adolescente anônima filipino-americana, de Nova Iorque. Porém, por algum motivo não muito claro, o hino do Mexico também foi cantado. Alguns disseram que foi em comemoração ao Cinco de Mayo, o dia da independência mexicano, que também é feriado nacional nos EUA (a luta foi dia 2), e outros afirmaram que foi pelo fato de uma cerveja mexicana, Tecate, ser patrocinadora do evento. Em todo o caso, como a luta foi basicamente em terras historicamente mexicanas eu achei apropriado….

Furiosos 7: quebrando todos os recordes

  • Alguns filmes são sucessos tão gigantescos que eles transcendem as telas do cinema e viram sucessos multimídas, emplacando, por exemplo, músicas de enorme sucesso. Titanic teve a inescapável My Heart Will Go On oficializando o fenômeno desatado pelo romance e Let It Go ajudou a colocar Frozen na história da cultura pop, só para citar dois sucessos emblemáticos. Atualmente, o maior sucesso no mundo é novamente ligada a um filme: See You Again, do rapper Wiz Khalifa, e que serve como música tema do filme Velozes e Furiosos 7. A canção está no topo em 20 países, incluindo EUA; Reino Unido; França; Austrália e Alemanha. Nos EUA, a canção foi responsável por destronar Uptown Funk, de Mark Ronson e Bruno Mars, do topo do Hot 100 da Billboard depois de 14 semanas.
  • A música é uma homenagem a Paul Walker, um dos astros da franquia e que morreu em um acidente em 2013. A curiosidade em torno do último filme dele pode ser apontado como um dos motivos para o sucesso descomunal de Furious Seven.
  • Mas todos os filmes da franquia são sucessos descomunais e não é a primeira vez que o filme desata uma música fenômeno (Danza Kuduro de Don Omar explodiu graças a Fast Five). Mas, é verdade, os resultados desse filme são particularmente espetaculares. Em apenas 12 dias, ele ultrapassou 1 bilhão de dólares arrecadados (um recorde histórico) e se transformou na quinta maior bilheteria da história.
  • Grande parte do sucesso histórico do filme pode ser atribuído a China. Em apenas 15 dias, Furious Seven desbancou Transformers 4 e se transformou no maior sucesso da história do país, com 322 milhões de dólares. Já falei sobre a importância crescente do mercado chinês aqui.
  • Mas, diferente de Transformers, que basicamente dependeu da China para ter um resultado satisfatório e teve um desempenho bem inferior aos antecessores em outros países do mundo, Furious 7 está tendo resultados espetaculares globalmente. Além da China, o filme quebrou recordes de bilheteria em seu primeiro final de semana em 29 países, incluindo o Brasil, México, Argentina, Chile, Colômbia, Venezuela, Taiwan, Tailândia e Oriente Médio. Foi a melhor estreia de um filme da Universal em 40 países, incluindo Alemanha e Itália. Os maiores mercados internacionais para o filme foram China; Reino Unido; México; Brasil e Alemanha. Nos EUA, arrecadou 147.1 milhões de dólares no primeiro final de semana, melhor resultado já obtido no mês de abril. Com mais de 300 milhões de dólares arrecadados em um mês, o filme já superou todos os outros da franquia (Fast 6 encerrou seu run com 239mi; Fast Five com 210).
  • Muita gente crítica os filmes da franquia Velozes & Furiosos por serem repetitivos e formulaicos. Contudo, eles também são bastante elogiados por serem um dos únicos blockbusters de ação com um elenco multirracial e com personagens femininos de destaque. O filme estrela Paul Walker; Vin Diesel; Michelle Rodriguez; Jordana Brewster; Ludacris; Tyrese Gibson e Jason Statham. Muitos apontam o casting diverso e o destaque dado a todo o ensemble como um dos motivos pela aceitação da franquia em todo o mundo.
  • O filme, claro, tem um rival a altura: o recém estreado Avengers 2. O filme da Marvel irá lutar pesadamente para desbancar Furious 7 do posto de maior bilheteria de 2015 (e provavelmente conseguirá).
  • Tirando Furious 7, que ultrapassou 300 milhões de dólares, nenhum outro filme lançado esse ano conseguiu sequer ultrapassar a barreira dos 200 milhões arrecadados nos EUA. O mais próximo foi a adaptação live-action de Cinderella da Disney, que já ultrapassou 190mi. Nos próximos meses, contudo, alguns lançamentos muito provavelmente irão ultrapassar esse patamar: Avengers 2; os novos filmes das franquias Jurassic Park Star Wars e o último filme da saga Jogos Vorazes.