Causando en español: os maiores fenômenos do Netflix em 2018

Nem “Stranger Things”, nem “13 Reasons Why”. Até agora, os dois maiores sucessos de repercussão do Netflix de 2018 foram em castelhano, provando que o público mundo afora está sedento por conteúdo envolvente, seja ele na língua que for.

Case 1: La casa de papel

Quando “La casa de papel” estreou no canal Antena 3 na Espanha, em maio de 2017, ela seguia a formula de muitas séries locais: produção cuidadosa e roteiros envolventes com referências ao universo jovem e um enredo grandioso com alguns ganchos dignos de novela juvenil (que, na realidade, tem sempre apelo universal).

O criador da série, Álex Pina, conhecia muito bem essa receita dado que ele construiu sua carreira na Globomedia, que foi por anos a principal produtora independente do país e que ajudou — através de enormes sucessos como “Un Paso Adelante”; “Los Serrano”; “Los Hombres de Paco”; “El Internado” e “El Barco” —  a construir esse molde.

A nova série de Pina — agora presidente de própria produtora, Vancouver Media —  tratava de um grupo de desajustados com problemas com a lei que são recrutados por uma misteriosa figura, El Profesor, para fazer um roubo gigantesco na Casa da Moeda espanhola. A série era contada através dos olhos da jovem Tokio, interpretada por Ursula Cobréro, uma popular estrela jovem no país.

Na Espanha, “Casa de papel” não foi inicialmente um fracasso mas tampouco foi um grande sucesso. Os 15 episódios –transformados em 22 para distribuição internacional  — foram todos gravados de uma só vez porém foram exibidos ao longo de duas temporada, uma entre maio e junho e outra entre outubro e dezembro. A série recebeu boas críticas e até alguns prêmios e, ajudada por uma promoção grandiosa, começou com ótima audiência antes de desinflar e perder o fôlego. A segunda temporada ficou, inclusive, abaixo da média da emissora.

Mas, apesar do público ibérico não ter dado muita bola, pelo menos de início, o Netflix viu bastante valor na produção e comprou os direitos de distribuição internacional. E, na plataforma de streaming, a série mostrou o seu verdadeiro potencial. Para surpresa geral, se transformou em um fenômeno global que ninguém esperava ser possível, principalmente para uma série que não era nem sequer de lingua inglesa. Ao longo do primeiro semestre de 2018 nenhuma série foi tão comentadas na América Latina e na Europa quanto “La casa de papel”.

O tamanho que a ficção tomou pode ser comprovada pelo fato dela ter virado um verdadeiro sucesso multimídia. A série chegou no Netflix em dezembro de 2017 e, pouco tempo depois, no carnaval brasileiro de 2018, fantasias inspiradas na produção tomavam conta da rua. Apesar das altas temperaturas, o abafado disfarce usado pelos personagens para invadir a Casa da Moeda — um jumpsuit vermelho com uma máscara do pintor Salvador Dali — foi visto em milhares de brasileiros, inclusive a sensação sertaneja Marília Mendonça que optou pela roupa para aproveitar os blocos em Salvador anonimamente.

A série também caiu no gosto dos funkeiros da periferia de São Paulo. Um dos maiores sucessos do ano foi a música “Só Quer Vrau”, uma recriação de “Bella Ciao”, a canção italiana dos anos ’40 usada proeminentemente na produção. No clipe, MC MM e DJ RD trajam a fantasia usado pelos ladrões da série e dançam animadamente a música enquanto assaltam uma instituição financeira, em clara alusão a ficção espanhola. Até o momento, “Só Quer Vrau” já teve 173 milhões de visualizações desde que foi lançado, em maio.

O vídeo foi lançado no canal do Kondzilla, o diretor de vídeos de funk que ajudou a colocar a periferia paulista no topo de todas as paradas e acumula 37 milhões de assinantes no YouTube. E não foi a primeira vez que o canal usou a série como referência: o clipe de “Fuleragem” — outro dos maiores hits de 2018 até o momento, com 220 milhões de views — também tem dançarinos caracterizados como a trupe de “Casa de papel”.

Além de conquistar os sertanejos e os funkeiros, o impacto da série também foi sentido na electronic dance music brasileira. Alok, o principal DJ do país e uma megaestrela do gênero, se juntou ao seu irmão Bhaskar e o duo Jet Lag para remixar a já mencionada “Bella Ciao”.

O Brasil foi um dos primeiros países onde a dimensão do fenômeno ficou clara mas o sucesso de “Casa de papel” foi muito além: a América Latina inteira se rendeu a série e, rapidamente, ela também estourou na Europa onde, assim como aqui, ela invadiu a cultura pop em geral.

A França foi outros dos países onde a série ressoou pesadamente. Se o Brasil tem o funk e o sertanejo como os gêneros mais populares, a nação européia é completamente rendida ao rap e diversos nomes do gênero recorreram a “Casa de papel” para obter hits ao longo do primeiro semestre do ano.

O duo SKG foi um dos primeiros a surfar na onda, lançando uma música intitulada como a série, “Casa de papel”, e um clipe inspirado na mesma no fim de fevereiro. Não demorou para viralizar, acumulando mais de 43 milhões de visualizações no Youtube até o momento. No mesmo dia, Gradur, um gigante nome do universo urbano, também lançou um single que tira casquinha do fenômeno espanhol, “Sheguey 12“. Um mês mais tarde, outro astro, Remy, fez um freestyle em cima de “Bella Ciao” e, logo depois, Maitre Gims, o rapper que mais vende discos no país, se juntou a outros nomes famosos, como seu irmão Dadju; Vitaa; Slimane e Maestro, para também gravar sua versão da canção italiana, que alcançou a posição #2 nas paradas da single local.

Como se isso tudo não fosse o suficiente, o DJ francês Hugel ainda fez um remix dance da canção italiana, que foi um sucesso na França e um sucesso ainda maior na Alemanha, onde o single chegou a segunda posição.

Isso sem contar o impacto da série nas redes sociais. Ursula Cobrero, a jovem protagonista, tinha 1 milhão de seguidores no Instagram nas semanas que antecederam a estréia da série no Netflix. Nos 10 meses seguintes, graças ao sucesso global, o número sextuplicou: a atriz agora acumula 6 milhões de followers. Alvaro Morte, que interpreta o Professor, foi de 35 mil a 3 milhões no mesmo período. Jaime Lorente, que fez o papel de Denver, também alcançou 3 milhões (ele tinha 100 mil no mês de dezembro de 2017).

Miguel Herán, que interpretou o par romântico da protagonista, Rio, já demonstrou que a série tinha grande potencial de engajamento nas redes sociais mesmo na Espanha. Quando a segunda temporada da série estreou na Antena 3, em 16 de outubro, ele tinha 71 mil seguidores. Uma semana depois do fim da exibição da mesma na TV espanhola, em primeiro de dezembro, ele tinha superado a barreira do milhão. Com o sucesso internacional da série, ele também alcançou a casa dos 3m.

Foram poucas as ficções — americanas ou não — que tomaram conta de tantas vertentes da cultura pop. Na Suécia ou na Argentina, todo mundo parecia estar viciado na “Casa de papel”. Não foi surpresa quando o Netflix confirmou que a série tinha se tornado a produção de lingua estrangeira mais vista da plataforma na história.

A série, porém, não conseguiu transcender a barreira do idioma em territórios de lingua inglesa, onde seu sucesso foi mais limitado. Isso, inclusive, foi um assunto explorado numa matéria de capa sobre a plataforma de streaming na revista New York de 14 de junho.

“Ted Sarandos (CEO e criador do Netflix) e eu estávamos comentando sobre a peculiaridade de Casa. Como ela é gigantesca em todos os mercados estrangeiros porém relativamente pequena nos EUA, no Canadá e no Reino Unido”, comentou Eric Barmack, o responsável por séries internacionais, para a publicação. Barmack até considerou produzir uma versão americana mas a idéia foi rejeitada por grande parte das equipes estrangeiras do Netflix e, junto com Pina, o criador da série, ele estava analisando possibilidades como um spin-off ambientado nos EUA.

Em todo o caso, o pouco sucesso (relativo) no universo English-speaking não chega a ser uma preocupação dado a repercussão avassaladora em todo o restante do universo. Uma terceira temporada — algo que tinha sido descartada inicialmente pela emissora detentora da série, Antena 3 — já foi confirmada.

E, inclusive, esse anuncio me fez refletir: é óbvio que existe enorme apetite para uma nova temporada da série. Porém, na minha opinião, isso é um enorme erro. Essa mania das companhias americanas de quererem espremer as séries até a última gota faz até sentido monetariamente mas é um desserviço a todo mundo. Isso ficou super claro com a adolescente “13 Reasons Why” que foi um fenômeno sem igual para a plataforma. Apesar da primeira temporada ser uma história completa, a sede por $$$ fez eles insistirem em renová-la e a segunda temporada não só matou muito do buzz da série como foi quase que universalmente mal recebida e iniciou uma onda de backlash em relação a ficção. É claro que isso não os impediu de renovar para uma ainda mais desnecessária terceira temporada.

Eu, em particular, não acho “Casa de papel” grandes coisas (e não tenho interesse em “13 reasons”). Mas o público obviamente se apaixonou e se envolveu com a série de uma maneira muito rara. Essa recepção calorosa já foi o ápice da série — porque alargar o que todo mundo já considera perfeito e arriscar saturar a audiência e diminuir a qualidade geral dos roteiros e da série no coletivo popular? (pensem, por exemplo, como “Sex and the City 2” manchou uma das franquias mais amadas de todos os tempos).

Acho a mesma coisa de “Big Little Lies”, a sensação da HBO que assisti e gostei bastante e que, apesar de ter sido planejada para apenas uma temporada (e ter sido muito bem recebida com esse conceito), irá ganhar uma continuação. Em contrapartida, aplaudo os produtores de “Game of Thrones” que souberam que está na hora de colocar um ponto final naquilo, mesmo existindo apetite infinito para mais dezenas de temporada.

Tanto a Netflix quanto a HBO foram capazes de ir contra diversos mal hábitos das grandes emissoras — dando mais liberdade aos roteiristas e tendo um modelo que não os deixa a mercê de anunciantes, etc. — mas esse — espremer o que rende muito dinheiro até a última gota — foi um vicio que eles não conseguiram largar.

De qualquer maneira, a proposta principal do Netflix não é colocar roteiro e qualidade acima da ganância e sim dar ao público o que ele quer. E é óbvio que o público, pelo menos por enquanto, quer mais “Casa de papel”.

Case 2: Luís Miguel, La Serie.

Conseguir dar ainda mais força para a carreira de um dos cantores mais bem sucedidos de todos os tempos é uma tarefa bastante difícil. Mas foi exatamente isso que “Luis Miguel, La Serie” — a ficção baseada na vida do fenômeno da música latina — fez.

Dizer que Luís Miguel é um ícone seria um understatement. O mexicano é uma lenda viva e um fenômeno sem igual desde o início da sua adolescência nos anos 80; tem incontáveis hits reconhecidos por quase todo mundo em países de língua hispânica e sua vida — separações, casamentos, a sua turbulenta família — é bem novelesca e causa fascínio desde sempre. Por isso, uma série biográfica — feita com a aprovação do mesmo — foi um prato cheio para o público. Mas, mesmo que as expectativas já fossem altas, a repercussão de “Luis Miguel” ainda assim surpreendeu.

A série, produzido pelo titã da TV global Marc Burnett, e com Diego Boneta no papel título, não teve um alcance global como “Casa de papel”. Isso, porém, foi proposital: a distribuição do produto foi concentrado apenas para os EUA, Espanha e América Latina. Diferente da maior parte das séries originais do Netflix, a ficção também não foi lançada de uma só vez mas, ao invés disso, episódios inéditos eram liberados semanalmente.

O motivo disso? A série teve distribuição internacional simultânea pelo Netflix mas ela foi produzida para ser exibida na TV dos EUA, na emissora hispânica Telemundo que, obviamente, optou por seguir o modelo tradicional de um episódio a cada 7 dias.

Mas o formato semanal funcionou e significou que, entre domingo a noite e segunda-feira, um assunto dominava as redes sociais latina: a turbulenta vida de Luismi. Ao longo dos 6 dias seguintes, o burburinho e as expectativas só aumentavam.

Enquanto a série foi um grande sucesso em quase todos os territórios — gerando enorme repercussão desde os EUA até a Argentina — não é surpresa que foi no México onde o fenômeno foi mais perceptível. Um dia depois da exibição do primeiro episódio, nada menos que 27 músicas de Luismi invadiram o top 200 do Spotify no país, um recorde. As redes sociais explodiram com discussões sobre a vida do artista, com canais do YouTube dedicado a análise de cada capitulo acumulando milhões de visualizações. Nas boates, bares e restaurantes do México, o reggaeton perdeu espaço para os hits nostálgicos do cantor, que está embalando o verão local. “Culpable o No”, um hit de 1988, se tornou inescapável depois que o quarto episódio da série revelou a história por detrás da canção.

O motivo de tanto sucesso é a fascinação que o público hispânico tem com Luis Miguel. E a série — apesar de ser autorizada  pelo mesmo — prometeu não se esquivar das polêmicas da vida do cantor. A promoção foi muito focada em um dos assuntos que mais intrigam o público (e que não costuma ser tratado pelo astro): a misteriosa desaparição de Marcela, a mãe do artista, que sumiu em meados dos anos 80 em meio de muita especulação.

Todo esse interesse veio em ótimo momento para o cantor, que estava passando por um período meio turbulento com diversos cancelamentos de show e vários processos, vindo de ex-empresários, agentes e da mãe de dois dos filhos deles, além de um perceptível aumento de peso.

Mas não existe crise que uma boa série biográfica não resolva.

The Great British Fuck Up

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2016 não está sendo um ano fácil no Reino Unido. Para começar, o país decidiu, num voto histórico e apertado, deixar a União Europeia, o que causou a maior crise política da história recente do país, além de muita incerteza e angustia. Como se isso não fosse o suficiente, outra decisão chocante está causando revolta. Em setembro foi anunciado que, a partir de 2017, The Great British Bake Off, o programa de TV mais popular do país, deixará a programação da BBC. A competição de confeiteiros migrará para uma emissora comercial, arriscando assim perder a essência que fez dele um fenômeno.

As duas situações, claro, são bastante diferentes entre si e a comparação tem fins humorísticos. Mas nem tanto assim: o fim da jornada do Bake Off na BBC1 realmente foi uma notícia que, num ano difícil, caiu como água fria na população. Comparações entre a mudança de canal e o Brexit foram lugar comum na mídia e nas redes sociais.

O reality culinário começou sua jornada na BBC2 antes de migrar para o canal principal da emissora pública em 2014, depois de 4 anos de popularidade crescente. Desde então, se estabeleceu como a emissão mais vista do país, obtendo números de audiência que pareciam inimagináveis no cenário fragmentado e concorrido do mundo contemporâneo. A final da temporada passada teve 15.6 milhões de espectadores, de longe a maior audiência de 2015.

Em termos de repercussão, Bake Off ultrapassou o burburinho causado pelo The X Factor em seu ápice, entre 2008 e 2012. Em termos de audiência, também. Como já falei antes, o apelo do programa de competição culinária é oposto ao grandioso show de talento da ITV1: a ausência de drama e exageros.

The Great British Bake Off é um programa relaxante e minimalista, onde os confeiteiros se ajudam entre si, os jurados sempre fazem críticas positivamente construtivas, o cenário é bucólico e em tons pastéis e todo mundo parece estar se divertindo e tirando máximo proveito da experiência. Momentos de tensão ou de conflito são raros e a competição preza por um clima enormemente otimista.

Com sua doçura e celebração da diversidade da população britânica, Bake Off é um antídoto perfeito em tempos de incerteza, xenofobia, recessão e crise política. De fato, a atual temporada, que está sendo exibida pela BBC1 desde o fim de agosto, tem obtido recordes históricos de audiência (algo notável dado os já gigantescos números das temporadas passadas).

A mudança para outro canal coloca em risco toda essa dinâmica, cuidadosamente cultivada pela BBC. Por isso, a notícia foi bastante mal recebida pelo público britânico.

Acabou-se o que era doce?

No dia 12 de setembro, a BBC anunciou, através de um comunicado em tom amargo, que, por decisão da produtora, The Great British Bake Off mudaria de emissora: “Junto com a Love Productions, nós investimos [no programa] e o transformamos no enorme sucesso que ele é hoje. Fizemos uma oferta considerável para mantê-lo na nossa programação mas não chegamos a um acordo monetário. Os recursos da BBC não são infinitos”.

A nota acabava com um apelo: “GBBO é um programa feito pela BBC e temos a esperança de que a produtora mude de ideia para que Bake Off possa continuar sendo exibido sem anúncios na BBC One”.

Mas alas, não era para ser. Algumas horas mais tarde, foi confirmado que o programa mais popular do Reino Unido migraria para o Channel 4. Apesar de também ser um canal público, a emissora é mantida através de publicidade, diferente da BBC cujos recursos são frutos das taxas e do license fee pago pelos cidadãos do país. Sem a necessidade de prestar contas para a população, a emissora ofereceu mais de 25 milhões de libras por ano pelo formato, 10 milhões acima do valor que a Beeb estava disposta a desembolsar. O contrato é válido por 3 anos.

O risco da mudança, porém, era bem claro para todos: modificar a formula ganhadora que transformou o programa em um fenômeno social.

O anúncio da transição mal tinha sido feito e Sue Perkins e Mel Giedoryc, as amadas apresentadoras, confirmaram que não concordavam com a mudança e, por tanto, não continuariam na atração. A dupla, que nunca perde a oportunidade de fazer bem-humorados trocadilhos, divulgou um comunicado em que diziam que não iriam “follow the dough. Dough significa, literalmente, massa de confeitaria mas também é uma gíria para dinheiro.

A decisão firme delas — que não aceitaram nem ouvir a proposta milionária dos donos do formato — foi lamentada mas também bastante elogiada. “Muito respeito as duas”, escreveu o badalado ator e apresentador James Corden no Twitter.

O impacto da notícia ficou ainda mais claro na manhã seguinte: o fim de Bake Off na BBC foi manchete em literalmente todos os periódicos, desde os tabloides como The Sun, Mirror e Daily Mail até os títulos mais sérios e respeitáveis, como o The Guardian e o The Times.

Na semana seguinte, a cartada final: Mary Berry, a celebrada cozinheira e a mais querida dentre os jurados, também confirmou que não iria continuar no programa por lealdade a BBC. Novamente, a decisão causou frustração mas o consenso foi que ela fez a coisa certa. “Eu quero que Mary Berry apareça nas notas de 20 libras”, sugeriu um usuário no Twitter (no começo do ano, foi decidido que o pintor William Turner estamparia as notas). Outro usuário reimaginou a oração do Ave Maria e a dedicou a cozinheira televisiva enquanto mais um concluiu que a saída dela do programa era a prova cabal que o apocalipse tinha chegado.

Com a saída de Mary, foi confirmado que o único integrante original que seguiria na atração era o chef Paul Hollywood, indiscutivelmente o menos popular do time.

Sem suas principais estrelas, a questão na mente de todos é: qual o sentido dessa mudança a longo prazo? Vale a pena desembolsar mais de 75 milhões de libras por um formato e, no processo, perder o elenco responsável por fazer com que o programa seja tão valioso?

São perguntas que a maior parte do público preferiria que não estivessem sequer sendo feitas. Mas, mesmo a contragosto, a partir de 2017 elas serão respondidas.

Read more: Por ser, de longe, o maior programa da TV britânica, a mudança de canal do GBO causou uma controvérsia brutal. Mas o mercado televisivo britânico é enormemente competitivo e feroz e casos como esse não são tão raros. Leia mais  para saber de algumas disputas recentes.

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Causando na Argentina: um aterrorizante Clan domina as bilheterias do país

  • Na Argentina, o filme El Clan está batendo todos os recordes alcançados por Relatos Selvagens ao longo do ano passado. Enquanto o filme de Damian Szifrón — a maior bilheteria de um filme local na história do país, com mais de 3.4 milhões de ingressos vendidos — demorou 11 dias para superar a barreira de 1 milhão de espectadores, El Clan chegou a marca em apenas nove. A estréia do filme superou em mais de 10% o primeiro final de semana de Relatos Selvagens e levou 505 mil espectadores ao cinema (53% de todo o público naquele final de semana).
  • O filme de Pablo Trapero conta a história real do clan Puccio, um caso que fascinou e aterrorizou a Argentina em meados dos anos 80. Os Puccio pareciam uma típica família de classe alta do idílico e afluente bairro de San Isidro, na Grande Buenos Aires. Mas, por detrás da faixada de família perfeita, escondia-se um grupo de criminosos que, entre 1982 e 1985, sequestrou quatro pessoas e, apesar de ter recolhido os resgates, matou três das vítimas. A aterrorizante história é um dos casos policiais mais assustadoramente celebres do país vizinho e, trinta anos depois, segue gerando repercussão.
  • Guillermo Francella, que interpreta Arquimedes Puccio, patriarca da família e a mente por detrás dos crimes, foi vital para transformar El Clan num dos filmes mais esperados do ano. Francella é um dos maiores nomes na Argentina, um sucesso tanto na TV quanto no cinema. Apesar de ser mais fortemente associado a comédia, o ator tinha surpreendido com seus dotes dramáticos em El Secreto de tus Ojos, filme de 2009 que levou o Oscar de Melhor Filmes Estrangeiro e que, até ser superado por Relatos no ano passado, detinha o recorde de maior bilheteria de um filme local. Para El Clan, Francella passou por uma extrema transformação e, através de maquiagem pesada e próteses, sua fisionomia foi drasticamente alterada para transformá-lo num sósia do famoso sequestrador. O resultado foi tão assombrosamente perfeito que, meses antes da estréia, o longa já era assunto por todo o país e o trailer já tinha acumulado milhões de visualizações.
  • Além de Francella, o filme tem Peter Lanzani, um ex-teen idol e protagonista de novelas adolescentes, no papel de Alex Puccio, o filho mais velho que, além de sequestrador e assassino, era um exímio jogador de rugby (um esporte muito popular entre a classe alta portenha).
  • Assim como Relatos Selvagens, o longa foi co-produzido por Pedro Almodovar e pela Telefe, uma das maiores emissoras do país, o que garantiu uma promoção intensa (o canal também esteve por detrás de O Segredo de seus Olhos). A direção é de Pablo Traperos, que, apesar de bastante aclame (Carancho, seu filme de 2010, foi indicado ao Oscar de Filme Estrangeiro), nunca tinha dirigido um blockbuster. Seu último filme, Elefante Blanco, lançado em 2012 e estrelando Ricardo Darín, alcançou 800 mil ingressos vendidos, um resultado bastante digno para um filme local mas que El Clán superou em pouco mais de uma semana.

  • A Telefe, a emissora por detrás do filme, quer lucrar ao máximo com o revivido interesse na história. Por isso, além do filme, o canal também exibirá uma mini-série de 13 episódios, Historias de un Clán. A estréia está prevista para esse mês e o elenco conta com a prestigiosa atriz Cecilia Roth no papel da matriarca, Epifania, e El Chino Darin, filho de Ricardo, no papel de Alex, o filho mais velho. Arquimedes será interpretado por Alejandro Awada.
  • A mini-série, produzida pela Underground, uma das produtoras de confiança da Telefe, estréia com o objetivo de levantar a audiência da emissora que, no momento, está levando uma surra do Canal 13 que domina o horário nobre com o fenômeno turco Las Mil y una Noches.

O que diabos aconteceu com os Video Music Awards da MTV?

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Quando a MTV anunciou que Miley Cyrus iria apresentar os Video Music Awards desse ano, eu fiquei muito impressionado. Ame-a ou a odeie, é inegável que ela é uma das maiores estrelas da atual geração e, além disso, ela é ótima para causar. E causar é a raison d’etre dos VMAs. Era uma match made in heaven.

Daí, com a revelação dos indicados, rolou toda aquela treta no Twitter entre Nicki Minaj e Taylor Swift (em geral insuportavelmente adversa a polêmicas) e pensei “caramba, falta muito e esse VMA já está delievering! Tem tudo para ser o melhor ever!”. E daí, já logo comecei a pensar quem iam ser os performers. Porque, digam o que quiserem da premiação, em geral ela tem uma line-up sólida e bastante representativa do que realmente está fazendo sucesso no momento.

Pensei imediatamente em The Weeknd, rapper canadense que está em ascensão e que, depois de dois hits grandes (Earned It, de 50 Tons de Cinza e The Hills), está arrebentando a boca do balão com Can’t Feel My Face (produzido por ninguém menos que Midas pop sueco, Max Martin, velho conhecido dos leitores). One Direction também seria outro bom nome: eles são meio sem sal mas bombam muito e faz anos desde a última vez que eles cantaram nos VMAs. Também dei como certa presença de Justin Bieber, que lançaria seu comeback single no dia seguinte a premiação. Ed Sheeran, um dos maiores nomes da atualidade, que vende milhões e enche estádios, também era um must. Mas quem mais? Alguma cantora… Selena, talvez? “Rival” de Miley e ex de Bieber, sua performance causaria (mesmo ela não sendo uma boa performer) e seu novo single Good to Me — é bastante sólido e está fazendo sucesso.  Um rapper — como Kendrick Lamar  — também seria uma boa pedida.

Em geral, os primeiros performers são anunciados com no mínimo um mês de antecedência. Mas esse ano, nada. O que até fazia sentido, afinal, o anúncio de Miley como apresentadora já era o suficiente para causar uma repercussão grande. Mas o tempo passou e passou. Até que, finalmente, eles anunciaram The Weeknd (uhull, acertei). E depois, novamente, silêncio.

Ficou claro que algo estava muito errado quando faltava menos de uma semana para a premiação e mais ninguém tinha sido anunciado. A essa altura, pelo menos 90% do line-up deveria ser público, até para que a MTV pudesse tirar o máximo proveito desses grandes nomes no material promocional. Era bizarro que tudo girava em torno só de Miley — todos os anúncios televisivos e outdoors — e mais ninguém.

Até que, finalmente, hoje, faltando cinco dias para a premiação, grande parte dos performers foram anunciados. E gente, é óbvio que algo deu muito errado nos bastidores. O line-up não é só excepcionalmente fraco para os padrões dos VMAs, é fraco para qualquer award show televisionado. Estou de olho nos Billboard, Hits Daily Double e Hollywood Reporters da vida para ver se algum deles noticia o que se passou nos bastidores (e óbvio, conto para vocês!) mas pode ter certeza de que algo sério aconteceu. Talvez alguma cláusula financeira desagradou os grandes nomes (como quase aconteceu com o SuperBowl, que ameaçou pedir uma parcela das vendas de ingresso da turnê em troca da vaga de half-time act e causou ira entre os empresários e artistas. A NFL voltou atrás e, graças a isso, conseguiram Katy Perry para o show de intervalo) ou talvez o investimento em Miley tenha os deixado sem verba para atender os pedidos de outros A-listers. Mas, especulações a parte, algo claramente não foi como planejado..

Mas afinal, quem são os performers?

  • Tori Kelly, de 22 anos, tem um time impressionante por detrás dela. Apesar de nunca ter tido um top 50 single na vida (olha o nível. Não tô falando nem de top 10), essa será a segunda performance dela num award show (o primeiro foi o Billboard Music Awards) e ninguém menos do que Max Martin co-produziu o CD de estreia dela, Unbreakable Smile. O álbum em questão até teve uma estreia decente (segundo lugar, com 75 mil unidades) mas, numa ocasião normal, uma cantora sem nenhum hit e com um único CD, com vendas medíocres,  nunca conseguiria um espaço nos Video Music Awards.
  • Twenty One Pilots são tão irrelevantes que eu tive que recorrer ao Google e a Wikipedia para descobrir alguma coisa sobre eles. Aparentemente, eles são um duo indie cujo último CD estreou em primeiro lugar. As vendas deles são OK mas longe de serem espetacular: o álbum mais vendido deles nos EUA teve 300 mil unidades vendidas (um disco de ouro, a menor certificação, exige 500 mil). Eles vão contar com a participação especial do rapper A$AP Rocky (que, até agora, eu achava ser bem mais relevante que eles).

  • Demi Lovato tem um name recognition bem alto comparado com os dois acima. E ela está, em tese, num bom momento para estrear nos VMAs: com uma nova (e maior) gravadora, o seu atual single é uma música pop viciante e com cara de hit, produzido, claro, por Max Martin. A questão é que, na real, ela não está num bom momento: Hot for the Summer é, apesar da promoção intensa, o primeiro lead single dela a não alcançar o top 10 e, sinceramente, o poder comercial dela sempre foi bem mais ou menos e, hoje em dia, anda mais para menos. Selena Gomez — que está sempre na mídia e cujo single atual chegou ao sexto lugar (dez posições acima do pico de Demi) — seria uma escolha que faria mais sentido.
  • Pharrel seria um performer perfeito. Se estivéssemos em 2013. Apesar de credibilidade e vários mega hits (tipo Happy que foi tão overplayed que acho que ninguém aguenta ouvir nem sequer as notas iniciais), Pharrel não tem absolutamente nada para promover; não tem CD pronto para ser lançado nem single nas rádios. A única explicação para sua presença na lista de performers era que a MTV estava desesperada por alguém — qualquer pessoa — que tenha A-list credentials e ele foi o único que topou. Ou que ele vai fazer alguma performance especial com a apresentadora, Miley, de quem ele é bastante próximo.
  • Macklemore & Ryan Lewis são mais um nome para categoria “ótima escolha se estivéssemos em 2013“. Alias, eles de fato se apresentaram em 2013, quando estavam por cima da carne seca, tinham três mega-hits e estavam prestes a ganhar um Grammy. A questão é que desde então ninguém sentiu a falta deles e eles foram totalmente esquecidos. A presença deles não é como o comeback de um artista midiático como Justin Bieber ou, pasmem, Rihanna (cujo último CD também foi em 2013). Ninguém estava pedindo ou clamando por uma performance do duo. Mas foi tudo que  a MTV conseguiu infelizmente. A primeira música liberada do novo CD tem a participação de Ed Sheeran (esse sim bastante relevante) mas nada foi dito sobre uma potencial participação dele.

  • The Weeknd. O único artista dentre os já anunciados que realmente faz sentido.

A MTV ainda anunciará mais dois nomes. Eles serão revelados, individualmente, na quarta e na quinta-feira, o que indica que eles são nomes grandes. Todo mundo meio que já sabe que serão Justin Bieber, com seu aguardado retorno, e Nicki Minaj que, apesar de badalada, não tem nada para promover. Com duas exceções — Bieber e Weeknd — todos os anunciados deixam explicito o desespero da MTV: ou eles são irrelevantes ou estão em decadência ou parecem estar lá para quebrar um galho para a emissora. É realmente uma situação triste para uma cerimônia cujo ponto forte sempre foi a habilidade de capturar o zeitgeist pop.

Em todo o caso, nem tudo está perdido. Teremos Miley; o retorno de Bieber; a estreia de The Weeknd na cerimônia e Kanye West, que será homenageado com um Vanguard Award. Mesmo não se apresentando, Taylor Swift também deverá estar presente já que é meio que óbvio que ela ganhará o prêmio de Video of the Year.

De resto, esse line-up parece mais fitting para um pré-show. Alias, por pouco que o pré-show não acabou sendo mais estrelado do que a cerimônia em si. O tapete vermelho terá performance de Nick Jonas (que, bem ou mal, está em ascensão e teve hits na rádio ao longo do ano, diferente de 90% dos performers do show principal) e a estreia do novo vídeo de Swift, Wildest Dreams.

Copa do Mundo de Futebol Feminino explode

A seleção estado-unidense comemora a vitória na Copa do Mundo de Futebol Feminino
A seleção estado-unidense comemora a vitória na Copa do Mundo de Futebol Feminino

Diferente de todo o resto do planeta, futebol não é exatamente o esporte favorito dos EUA. O fato de ser um esporte de nicho permitiu com que as mulheres, em geral discriminadas no mundo esportivo, tomassem posse da modalidade. O fruto disso foi uma seleção feminina fortíssima, tri-campeã da Fifa’s Women World Cup. E a terceira vitória, contra o Japão, na noite de domingo, dia 5, bateu recordes históricos de audiência no país: 26.7 milhões de espectadores, a partida de futebol mais assistida ever na terra do tio Sam. Para colocar isso em contexto, a final da NBA desse ano, a mais vista desde 1998, reuniu apenas 19.9 milhões de pessoas. Até agora, as únicas emissões televisivas que superaram a final da Copa do Mundo Feminina em audiência ao longo de 2015 foram o colossal Superbowl (114.4 milhões); as playoffs da liga universitária de futebol americano (33.3 milhões na final; 28 milhões para as duas semi-finais) e a final do basquete universitário (28..3 milhões).

O recorde anterior para um jogo de futebol nos EUA tinha sido a final da Copa de 2014. O jogo da Alemanha contra Argentina reuniu 26.5 milhões de espectadores, sendo 17.3 na ABC e 9.2 na emissão em espanhol, na Univision. Para um jogo dos EUA, o recorde tinha sido 24.7 milhões na partida da seleção nacional contra Portugal, também na Copa masculina do ano passado (17.1 na ESPN; 6.5 na Univision). O recorde anterior do futebol feminino foi a final da Copa Feminina de 1999, quando os EUA perderam para China nos pênaltis, reunindo 18 milhões de pessoas na frente da TV.

Esse ano, a FOX teve a exclusividade da exibição em inglês da Copa (a transmissão em espanhol nos EUA, que contribuiu com 1.27 milhão no número final, ficou para Telemundo). A emissora arrecadou 40 milhões de dólares com os jogos de acordo com a AdWeek, um aumento de 400% em relação ao campeonato de 2011. Ainda é um número modesto comparado com outros esportes e até mesmo com a Copa masculina mas, depois da audiência monstra desse ano, está mais que óbvio que esse valor crescerá exponencialmente em 2021.

As meninas do Team USA foram recebidas com grande fanfare em Nova Iorque nessa sexta-feira, dia 11. Elas desfilaram, sob chuva de confete, pelo centro da cidade, reunindo milhares de pessoas. O prefeito, Bill de Blasio, presenteou as 23 jogadoras com a chave da cidade.

E não é só nos EUA onde a WWC está crescendo consideravelmente em popularidade. No Japão, a outra seleção estrela do campeonato, as partidas também tiveram altíssimas audiências. Mesmo sendo exibida em um horário ingrato — segunda-feira, as 7:45 da manhã — a final teve audiência de 17.2%. No Japão, audiências acima de 15% já são consideradas excepcionais. As Nadeshiko, como a seleção nipônica é conhecida, perderam para as americanas de 2 a 5, uma revanche depois da vitória do time japonês em 2011. Naquele então, a final atingiu 16% de audiência (as 3 da manhã).

Chuva de confetes e multidão na chegada das garotas a Nova Iorque
Chuva de confetes e multidão na chegada das garotas a Nova Iorque

Além do Japão e dos EUA, o outro país que a Copa do Mundo feminina bombou foi a França. Apesar de ter uma seleção bastante forte, o grupo M6, que detinha os direitos de exibição, provavelmente não esperava grandes coisas , o que explica eles terem relegado as partidas para o canal secundário do grupo, o W9. Eles foram surpreendidos quando o jogo das bleu contra Alemanha reuniu 4.124 milhões de espectadores, quase que dobrando a oferta da emissora principal da companhia (que conseguiu 2.5 com um episódio do americano NCIS). Apesar de ser exibido por uma emissora que não faz parte do pacote básico (ela é um canal aberto, porém disponível apenas para quem tem TV digital), o jogo ficou em segundo lugar geral de audiência na noite, perdendo, por pouco, para a emissora líder do país, a TF1 (que exibia o reality show Kohlanta que, por causa da partida, registrou um número particularmente baixo). O índice registrados pelo jogo na W9 foi a maior audiência da história das emissoras de TV abertas digitais no país.

No Reino Unido, o resultado também foi animador. O time feminino acabou em quarto lugar — o melhor resultado da seleção inglesa desde 1966 — e os jogos triplicaram a audiência da BBC Three, incluindo 1.7 milhão de espectadores para a partida em que as inglesas derrotaram as alemãs.

Diferente dos EUA, é claro que a WWC não chegou perto da Copa masculina nem na França, nem no Reino Unido, nem no Japão. O jogo dos bleu contra a Alemanha na Copa de 2014 reuniu 17 milhões. No Japão, a partida dos Blue Samurai contra a Costa do Marfim atingiu 45% do audiência. No Reino Unido, o jogo da seleção inglesa contra o Uruguai teve 14 milhões de espectadores. Nos três países, as respectivas partidas foram as emissões televisivas mais vistas do ano.

Falando em Copa de 2014, a Alemanha — grandes vencedores do campeonato — também tinha um dos times femininos mais fortes na Copa Feminina. Não a toa, o jogo contra as francesas — que as germânicas ganharam — foi considerado um dos pontos altos da competição. Mas, apesar disso, o país pouco se importou com a Copa feminina, talvez ainda cega com a vitória do ano passado. No país, os jogos foram exibidos sem nenhum estardalhaço na emissora pública ZDF, conseguindo share de apenas 9%. Quem sabe até 2021 o país não acorde para o potencial das suas jogadoras, não é o mesmo? E o mesmo, claro, vale para o Brasil.

Causando na TV latino-americana: teledramaturgia turca

A primeira vista, a Argentina, o Chile, o Afeganistão e o Paquistão são países que não têm quase nada em comum entre si. O gosto televisivo deles, contudo, parece bastante similar: produções turcas dominam a lista de maiores audiências da TV em todos. Mas enquanto o Paquistão e a Turquia são relativamente próximos, tanto geograficamente quanto culturalmente, é difícil entender como a teledramaturgia de um país tão distante conseguiu conquistar de maneira avassaladora o Chile e a Argentina, dois mercados televisivos latino-americanos altamente importantes e bastante concorridos. Por incrível que pareça, Avenida Brasil é chave para entender a ascensão das novelas turcas na América do Sul.

Dentre todos os países latino-americanos, acho que nenhum país é tão orgulhoso de suas produções próprias quanto o Brasil. E é verdade, temos mesmo muito o que nos orgulhar: num país tão fragmentado como o nosso, a teledramaturgia une todas as classes sociais em frente a TV. Temos produção de ponta; exportamos nossas novelas para o mundo todo e ainda por cima ganhamos um montão de Emmy. Acontece que o nosso orgulho acaba contribuindo para que tenhamos um complexo de superioridade. E esse complexo faz com que nem prestemos atenção aos nossos concorrentes de continente.

Sim, as produções mexicanas são muito precárias e formulaicas mas desbancam a Globo como os maiores exportadores e maiores produtores de novela do mundo. Sim, a Argentina não tem 1/10 do tamanho do nosso mercado e nem 1/10 dos nossos orçamentos mas, com muito menos dinheiro que a gente, eles fazem teledramaturgia com produções impressionante, são considerados um polo de produção a nível global (não a toa, as sedes da Disney e da Endemol na AmLat ficam lá)  e são um dos maiores vendedores de formato do mundo (desbancando fácil o Brasil). Sim, a Colômbia tem ainda menos orçamento mas muitas novelas deles têm aclame e repercussão mundial (Café con Aroma de Mujer; Pasión de Gavilanes) e é deles a novela mais bem-sucedida da história, Betty a Feia, que foi adaptada com sucesso extraordinário em países tão diversos como Alemanha, Holanda, México, EUA e China.

Um país que não mencionei acima foi o Chile. A quarta maior economia da América Latina e a mais consolidada (é o único país da America Latina que não precisa de visto para entrar nos EUA), o Chile tem quatro canais grandes que costumam investir em produções próprias. Mas o país não tem a tradição do Brasil, do México e da Colômbia, nem o expertise da Argentina e, por isso, a sua dramaturgia não chama muita atenção no panorama global. Além disso, a boa economia deles faz com que se acomodem. Diferentemente da Argentina, que tem um mercado publicitário muito abalado por sucessivas crises e precisa vender e produzir seus programas para mercados externos, o Chile tem um mercado saudável, um bolo publicitário muito grande e nenhuma grande necessidade de vender formatos, nem novelas. Muito pelo contrário, a impressão é que eles consomem mais do que exportam pois são, afinal de contas, um dos maiores compradores de formatos da Argentina.

Isso não quer dizer que eles não vendem nada — várias sucessos recentes do país foram adaptados pela Telemundo, como Donde Esta Elisa, Alguién que te Mira e Las Vegas e eles também tem vendido vários formatos para a Colômbia e para o México — mas, dentre todos os grandes mercados latinos, os chilenos com certeza são os que têm a teledramaturgia menos estabelecida. Um dos lados positivos disso é que eles têm menos medo de arriscar. E esse lado destemido deles foi o responsável por trazer uma novela turca que começou uma mini revolução no mercado televisivo latino-americano.

2013: Pablo Escobar e Avenida Brasil dominam o Chile

Tudo começou em 2013. O Chile sempre comprou novelas do Brasil, do México, da Colômbia e da Argentina mas as estrelas da TV local sempre foram as produções próprias. Mas, em 2013, as coisas foram diferentes e a teledramaturgia chilena foi completamente ofuscada por duas produções internacionais: Pablo Escobar, El Patrón del Mal, da Colômbia, e Avenida Brasil, do Brasil (duh).

Avenida Brasil dispensa apresentações. Apesar de que, desde os anos 70, as produções brasileiras têm espaço e público fixo na TV chilena, há muito tempo uma novela tupiniquim não tinha tanta repercussão. Mas a novela de João Emanuel Carneiro, com sua impressionaste produção e trama extremamente clássica de amor e vingança, conquistou os chilenos a tal ponto que o 13, canal que exibia a novela, começou a fragmentar os capítulos em diversas partes na esperança de estender a duração da novela (e, consequentemente, os resultados de audiência espetaculares obtidos por ela). As horas de “cenas do capítulo anterior” e os poucos minutos de cenas inéditas não abalaram em nada os números de sintonia e, quando finalmente chegou a hora do capítulo final, ele foi exibido em horário nobre (a novela era exibida a tarde) com números recordes de audiência.

A colombiana Pablo Escobar: El Patrón del Mal, sobre um dos traficantes mais celebres da história, também não ficou muito longe em termos de sucesso, lançando bordões e conquistando o prime time da TV local.

2014: a invasão da Argentina

Ao mesmo tempo que Avenida Brasil chegava ao fim no Chile, a novela desembarcava na Argentina, na Telefe, um dos principais canais do país. Fazia anos desde a última vez que a emissora apostou numa produção brasileira mas o sucesso da ficção nos dois países vizinhos (nós e o Chile, no caso) os motivou a lançar a trama com uma enorme campanha de marketing e como ponto focal da programação de fim de tarde do canal. E a aposta deu resultado: rapidamente, Avenida Brasil era a maior audiência da TV argentina, superando todas as produções locais do horário nobre. Era a primeira vez em quase uma década que um programa internacional liderava as audiências locais (desde a colombiana Pasión de Gavilanes em 2005). Quando Showmatch, o programa de variedade e incontestável líder de audiência da TV local, estava prestes a começar sua nova temporada no canal rival, o Trece (não confundir com o 13 chileno), a Telefe não titubeou em mover a novela brasileira para o horário nobre para enfrentar a oposição. Pela primeira vez, a Telefe colocou uma produção internacional no seu horário noturno central.

A jogada se provou certeira, com a novela global brigando de igual para igual com o programa mais celebre da TV local e, na maior parte das vezes, ganhando da concorrência. O sucesso foi tão gigantesco que o canal levou o elenco para Buenos Aires para apresentar o capitulo final na frente de 8 mil fanáticos no estádio Luna Park e Avenida Brasil foi coroado como o maior fenômeno da TV argentina ao longo de 2014.

O sucesso de Avenida Brasil serviu para destacar o ano fraquíssimo das produções locais argentinas, que penavam em chamar a atenção do público local. Um dos poucos destaques de ficção na TV argentina em 2014 foi a colombiana Pablo Escobar: El Patrón del Mal. Diferente do Chile, onde foi exibida num canal grande, Escobar foi comprada na Argentina pelo Canal 9, um canal com audiências bem insignificantes.  Mesmo assim, a novela conseguiu a façanha de triplicar as audiências do horário nobre da emissora e incomodar o Trece, um dos dois grandes líderes.

As turcas desembarcam no Chile

Enquanto Avenida Brasil e Pablo Escobar repetiam, na Argentina, o sucesso que tinham obtidos no Chile, os canais chilenos estavam com dificuldade para repor os dois fenômenos. Inicialmente, ambas as emissoras apostaram no que parecia seguro: o Mega substituiu Escobar por outra narco-novela colombiana, El Cartel de los Sapos, e o 13 (não confundir com o Trece argentino) substituiu Avenida Brasil por outra novela brasileira, Salve Jorge. Ambas decepcionaram e ficaram distantes do enorme respaldo obtido pelas suas antecessoras. E foi ai que a Mega resolveu chutar o balde e apostar no incerto, comprando a novela turca Binbir Gece ou As Mil e Uma Noites. Assim como Avenida Brasil, As Mil e uma Noites tinha uma produção grandiosa e uma história de romance clássica cheia de sensualidade. Se a novela brasileira dublada virou um fenômeno para o 13, porque a turca não poderia repetir esse sucesso para o Mega?

O risco provou-se uma das decisões mais acertadas já feitas pela emissora e, em poucas semanas, Las Mil y una Noches estava obtendo números recordes de audiência, superando inclusive os números obtidos por Avenida Brasil e Pablo Escobar um ano antes. A novela estreou em fevereiro do ano passado e chegou ao fim na primeira semana de 2015. Ao longo dos seus 180 capítulos, teve uma média de 28 pontos, alcançando um pico de quase 39 pontos em um dos capítulos finais em dezembro. Como comparação, o fenômeno Avenida Brasil teve média de 13 pontos e Escobar teve 15, ambos com picos de 26 pontos em seus respectivos capítulos finais.

A internacionalização do horário nobre argentino

Quando Avenida Brasil chegou ao fim na Argentina, em julho de 2014, a Telefe devolveu seu horário nobre para as produções locais, com duas grandes apostas: o romance  Camino al Amor, que reunia os protagonistas e a equipe do mega hit de 2012 do canal, Dulce Amor e a comédia Viudas y Hijos del Rock&Roll, que reunia os protagonistas e a equipe de outro mega hit de 2012 do canal, Graduados. Mas, infelizmente, a tentativa da Telefe de voltar o relógio para 2012 não deu muito certo. Mesmo assim, eles não desistiram e, para 2015, resolveram continuar a tentativa de voltar a tempos de glória passados, dessa vez com a intenção de repetir os resultados de 2014. Para isso, eles voltaram a ceder o horário nobre para uma novela da Globo, Rastros de Mentira (título internacional de Amor à Vida).

A emissora concorrente, Trece (não confundir com o 13 chileno) teve mais visão e notou que o que dava certo no Chile, tinha grandes possibilidades de dar certo na Argentina. Por isso, o canal apostou em Las Mil y una Noche. Foi a primeira vez na história recente que os dois principais canais argentinos apostaram em títulos internacionais (ou latas, como eles chamam) para o horário central. Ambas as produções estrearam juntas, no dia 5 de janeiro. Rastros levou vantagem com 11.5 pontos, mas Noches teve resultado digno, com 10.6 pontos. Mas, enquanto a brasileira ficou estacionada nos 11 pontos, a novela turca decolou e, em sua terceira semana, já está na casa dos 19 pontos de audiência, sendo o programa mais visto da TV argentina.

¿”Las mil y una noches” es la nueva “Avenida Brasil”?, perguntou o jornal Clarin, o periódico mais importante do país. “Nos bares, nos elevadores e nos escritórios, todos falam de Onur e Sherezade como se estivessem falando de João e Maria. E quando a naturalidade dos nomes da ficção se impõem, o fenômeno fica claro”, resumiu a publicação.

As novelas turcas; as novelas brasileiras e a TV latino-americana

Ainda é muito cedo para dizer se as novelas turcas vieram para ficar. Mas, a julgar pelo Chile, parece que sim: com o fim de Las Mil y una Noches, a Mega apostou em duas outras produções turcas, Fatmagul e Ezel. Ambas atualmente lideram com folga a lista de programas mais vistos no país e consolidaram o Mega como o canal mais visto do Chile, elevando toda a programação noturna da emissora. Em breve, uma terceira produção turca, Sila, estreará na faixa diurna do canal. As emissoras rivais também se renderam:  a atual novela do horário central do 13 é a épica El Sultán (Muhteşem Yüzyıl) enquanto o Chilevision investiu em Tormenta de Pasiónes (Öyle Bir Geçer Zaman Ki). Enquanto isso, na Argentina, a Telefe já mostrou que também entrará no jogo e se antecipou ao Trece, comprando os direitos de Fatmagul.

Avenida Brasil (re)abriu muitas portas para a Rede Globo. Foi a primeira vez que uma produção brasileira liderou a audiência da TV argentina e foi um retorno triunfal para as novelas globais na Telefe, que, graças ao sucesso de AvB, continua apostando em títulos brasileiros nas faixas diurnas e noturnas. No Chile, que sempre teve faixas fixas para dramaturgia brasileira, o interesse nas produções nacionais foi revivido. Depois de anos sem emplacar uma novela na TV colombiana, Avenida Brasil se instalou no horário nobre de um dos principais canais locais com grande sucesso. No México, foi a primeira vez que uma novela da Rede Globo foi exibida na TV aberta e o sucesso da trama de JEC significou a abertura de um horário noturno para nossas produções. Isso sem contar os números altíssimos no Uruguai, na Venezuela, no Peru, no Paraguai….

A questão é que, assim como no Brasil, onde Avenida Brasil reviveu muito momentaneamente o interesse maciço do público em novela das 8, a Rede Globo não parece ter produções igualmente fortes para prender o interesse dos espectadores mundo afora. Avenida Brasil não é a regra e sim a exceção. Sim, Amor à Vida está tendo resultados dignos nos países que está sendo exibido e, ainda em 2015, João Emanuel Carneiro volta com uma nova trama mas a verdade é que a herdeira do apetite do grande público latino-americano por grandiosas produções internacionais não parece ter sido a Globo, que foi a pioneira da tendência, e sim a Turquia.

Em todo o caso, o mercado brasileiro é forte e gigantesco o suficiente para a Globo não ter praticamente nenhuma dependência do mercado externo. O sucesso internacional é apenas um bônus, a cereja no topo. O importante mesmo é o sucesso nacional. Mas nem aqui no Brasil a emissora conseguiu repetir o sucesso e isso fica clara quando constatamos que nada que o canal exibiu, nem mesmo a Copa do Mundo, conseguiu chegar perto dos 51 pontos registrados pelo capitulo final de Avenida Brasil em outubro de 2012.

Mas a Globo tem pouco com que se preocupar quando comparado com os executivos televisivos chilenos ou argentinos. Na Argentina, particularmente, a dramaturgia local sempre foi o ponto central da TV, liderando com facilidade os níveis de audiência e sendo exportada para todo o mundo. Contudo, desde 2012, nenhum canal — nem a Telefe, nem o Canal 13 — consegue emplacar um enorme sucesso e todas as histórias que conquistaram o público são títulos internacionais que, pela primeira vez na história, estão dominando o horário nobre das duas principais emissoras do país.

No Canal 13, Noche & Dia, a grande aposta nacional do canal, estrelando grandes nomes locais, tem penado para conseguir metade da audiência da novela turca. A emissora teve que deixar o orgulho de lado e aceitar que o programa importado, não a produção própria, era a grande estrela do canal. Por isso, os horários foram invertidos: Mil y Una Noches agora é exibido no horário nobre, as 22hs, enquanto Noche & Dia foi movido para as 23hs. A maior audiência da Telefe também é uma lata, Amor à Vida, que apesar de não ter chegado perto do sucesso da turca também tem feitos números respeitáveis.

Pelo menos na Argentina, os produtores locais ainda tem esperança de reviver o interesse do público nas ficções nacionais. A Telefe irá produzir três novelas para 2015, incluindo uma super produção dirigida por Juan José Campanella, ganhador do Oscar por El Secreto de tus Ojos. Já o Trece também prepara duas ficções noturnas, incluindo um thriller com o respeitado ator Julio Chavez. Mas, enquanto esses programas não chegam, as turcas continuam sua dominação, com Mil y una Noches liderando com folga as audiências nacionais no Trece e, em breve, também desembarcam na Telefe.

Além da Argentina e do Chile, Las Mil y Una Noches também está sendo exibida na Colômbia e no Peru e, em breve, estreia no México e no Brasil, na Bandeirantes.

As novelas turcas


Produções impressionantes; paisagens exóticas e enredos tradicionais e machistas . Uma formula ganhadora. Antes de julgar, lembre-se: isso também descreve grande parte dos grandes sucessos brasileiros e internacionais (Crepúsculo e 50 Tons de Cinza anyone?).

Sendo justo, os turcos conseguem pegar umas ideias pavorosas e fazer a coisa de maneira tão sedutora que faz com que você quase releve o nível de errado da coisa toda, o que não deixa de ser um talento. Além disso, quando eles querem, eles também são capazes de fazer programas com ótimos scripts e bastante thought-provoking. E, mesmo com os enredos tradicionalistas e machistas, uma das grandes inovações das novelas turcas foi mostrar mulheres independentes e bem-sucedidas no mundo islâmico, quebrando estereótipos e gerando admiração entre as mulheres do Oriente Médio (e também bastante polêmica).

Antes de chegar na América Latina, as novelas turcas causaram uma verdadeira revolução (e bastante controvérsia) no Oriente Médio e na Europa do Leste. Em alguns países árabes, alguns consideraram as temáticas muito polêmicas; em outros países, o sucesso das produções causou preocupação pelas implicações políticas, já que muitos países têm relações conturbadas com a Turquia. A controvérsia não atrapalhou em nada os números recordes de audiência, que ajudaram a consolidar a imagem da Turquia como um país que sabe equilibrar as tradições do mundo árabe com a modernidade ocidental. O país lucra centenas de milhões de dólares por ano com a venda de suas ficções.

Binbir Gece (As Mil e Uma Noites)
93 episódios exibidos entre 2006 e 2009 no Kanal D, na Turquia. Antes de conquistar o Chile e a Argentina, a novela tinha sido exibida com enorme sucesso no Oriente Médio e na Europa do Leste.

Com um filho doente, Sherazade precisa desesperadamente de dinheiro para operá-lo. Sem ninguém a quem recorrer, ela pede ajuda a Onur, o dono da empresa de construção na qual ele trabalha. Ele concorda em dar o dinheiro, com uma condição: ela terá que passar a noite com ele. Sherazade aceita e, depois dessa noite, Onur não consegue mais tirar a mulher de sua cabeça. Nasce assim um complicado e intenso romance, cheio de culpa e reviravoltas.

As Mil e Uma Noites é, até o momento, o maior fenômeno da Turquia a nível internacional e é responsável por desatar a febre das novelas turcas no Chile, onde conseguiu níveis históricos de audiência, e no resto da América Latina. Ela atualmente lidera com folga as audiências da Argentina, obtendo números que produções locais não conseguem em anos.

Fatmagül’ün Suçu Ne? (Que culpa tem Fatmagul?)
81 episódios, exibidos entre 2010 e 2012 no Kanal D. O seriado foi um sucesso no seu país natal mas também se consolidou como um dos maiores sucessos da história do Paquistão, onde já foi reprisado três vezes.

Baseado numa história real, Fatmagul é uma garota simples que cria ovelhas em um pequeno povoado na costa da Turquia, e está prestes a se casar com o pescador Mustafa. Uma noite, ela encontra três rapazes alterados por drogas e álcool que a estupram. Os rapazes — Salim, Erdogan e Kerim — estão reunidos para celebrar a despedida de solteiro de Salim, filho do empresário mais rico da região. Um quarto rapaz do grupo, Kerim, que desmaiou de bêbado antes do estupro, assume a culpa e, para proteger a imagem dos negócios do pai de Salim, é obrigado a casar com Fatmagul. Ambos se mudam para Istambul mas Mustafa, o ex-noivo da moça, promete se vingar de todos que destruíram seu amor. Apesar desse argumento pavoroso, li gente dizendo que a série é sobre Fatmagul tentando se recuperar do abuso que sofreu e seguir adiante e que a série tem seu valor e consegue fazer jus ao tema complicado. Hmm… não sei não.

Fatmagul foi a substituta de Las Mil y una Noches no Chile. Apesar de não ter conseguido os níveis históricos de audiência da antecessora, a turca é atualmente o programa mais visto do país. Na Argentina, a Telefe já comprou os direitos.

Ezel
71 episódios, exibidos entre 2009 e 2011 pela ShowTV e pela ATV. Uma das séries mais premiadas da Turquia, com mais de dez reconhecimentos nacionais e internacionais, incluindo Best Script Format no C21 Awards e Best Drama no Seoul International Drama Awards.

Omer é um jovem, vivendo uma vida normal de classe média em Istanbul. Um dia ele conhece a bela Eysan e ambos se apaixonam perdidamente. Os dois, junto com dois amigos de infância de Omer, são coagidos, pelo mafioso pai de Eysan, a roubar um cassino. O roubo dá errado e Omer é traído pelo amor de sua vida e seus dois melhores amigos e acaba sendo condenado a vida na prisão. Enquanto isso, Eysan descobre que está gravida do filho do seu namorado, agora preso. Passam-se 12 anos e, graças a um grande incêndio, Omer consegue finalmente escapar. Com a ajuda de um ex-companheiro de cela, ele consegue reconstruir sua vida e modificar, através de plásticas, sua aparência. Sob uma nova identidade, Omer, agora conhecido como Ezel, promete se vingar de todos aqueles que o traíram.

Ezel é exibido logo após Fatmagul no Chile e é a segunda maior audiência do país atualmente.

Muhteşem Yüzyıl (O Maravilhoso Século)
139 episódios, exibidos entre 2011 e 2014 pela ShowTV e pela Star TV. A super produção histórica conta a história do Sultão Suileman, o Magnifico e sua conquista do Império Otomano. A retratação dramática e um pouco escandalosa da idolatrada figura histórica causou enorme polêmica na Turquia mas também rendeu audiências altíssimas, desatando uma febre por novelas épicas.

A produção foi uma das séries turcas mais exportadas, tendo chegado aos EUA; França; Itália; Espanha; Israel e outras dezenas de países. A popularidade enorme da série na Grécia e na Macedônia causou controvérsias políticas e na Macedônia, especificamente, foram introduzidos regulamentações para limitar o número de séries turcas nos canais locais.

No Chile, onde está sendo exibida como nome de El Sultán, a novela foi a grande aposta do canal 13 para 2015 que se rendeu as produções turcas depois dos sucessos excepcionais no Mega. Apesar da produção não ter obtido tanto respaldo quanto as do concorrente, El Sultán é o programa mais visto da emissora.