Causando no Japão: o sucesso histórico de Kimi no Na Wa/Your Name

kiminonawa2

Essa semana, a animação Kimi no Na Wa, traduzida como Your Name para o mercado ocidental, completa 6 meses no top 5 das maiores bilheterias da semana do Japão. Desde sua estreia, em agosto de 2016, o filme segue movimentando número recorde de pessoas para as salas de cinema. Ainda com fôlego impressionante, já foram vendidos 18.35 milhões de bilhetes, deixando mais de 24 bilhões de ienes (U$230 milhões) no box office do país oriental. Um resultado histórico.

No Japão, um filme é considerado um blockbuster quando ele alcança a marca de 5 bilhões de ienes (cerca de U$40 milhões). Mas, em raras ocasiões, um longa pode virar um fenômeno social, atraindo pessoas de todas as idades e virando onipresente no panorama pop japonês. Quando isso acontece — como foi o caso de Frozen em 2014 ou Titanic em 1997 — o céu é o limite.

Até o momento, Kimi no Na Wa é o quarto filme com maior recorde de público e de arrecadação na Terra do Sol Nascente. A expectativa é que, até o final da sua trajetória, ele chegue pelo menos ao terceiro lugar. Os possíveis alvos a serem desbancados são a animação da Disney, Frozen (a segunda maior bilheteria da história); Titanic (que, por enquanto, o supera em arrecadação) e o filme de 1965, Tokyo Olimpiad (que o supera em número de ingressos vendidos). Ultrapassar A Viagem de Chihiro, o filme de 2004 do Studio Ghibli que é o único a ultrapassar 30 bilhões de ienes arrecadados no Japão, é uma meta bastante improvável porém não impossível.

Independentemente da sua performance no Japão, o desempenho espetacular do longa na China (mais de U$80mi) e na Coreia do Sul (U$30mi) já fez com que a obra de Makoto Shinkai se consolidasse como o longa japonês com maior arrecadação da história a nível global: U$ 320 milhões de dólares. E o número não para de crescer.

Kimi No Na Wa trata sobre dois adolescentes — uma garota num vilarejo no campo e um rapaz de Tóquio — que, misteriosamente, começam a trocar de corpo nas semanas que antecedem a passagem de um raro cometa pelo Japão. Essa singela história — com alguns elementos já bastante conhecidos — acabou se transformando num sucesso histórico. O que ajudou a fazer com que esse filme se destacasse de maneira tão contundente?

Contendo as expectativas

Em 2014, Hayao Miyazaki, o proprietário e principal criador do Studio Ghibli, anunciou sua aposentadoria. Considerado o maior mestre da animação japonesa — e uma força sem igual nas bilheterias do país — a notícia causou muito burburinho e, rapidamente, começaram as especulações acerca de quem seria capaz de preencher um pouco a lacuna gigantesca que seria deixada. O nome mais óbvio: Momoru Hosoda.

As animações de Hosoda — A Garota Que Conquistou O Tempo (2006) e Summer Wars (2009) — obtiveram bilheterias discretas mas alcançaram grande repercussão graças aos DVDs e subsequentes emissões na TV paving the way para seu filme de 2012, Wolf Children, se tornar um notável sucesso de bilheteria. Seu lançamento de 2015, O Rapaz e o Monstro, teve grande apoio de marketing e ultrapassou a marca de 5 bilhões de ienes arrecadados, algo raro para uma animação japonesa que não faz parte de uma propriedade já conhecida ou não tem assinatura Ghibli.

Mas, enquanto os olhos estavam em Hosoda, o wild card era, na verdade, Makoto Shinkai. Um premiadíssimo diretor e roteirista de animações, Shinkai obteve respaldo crítico e sucesso de nicho com seus filmes anteriores — como 5 Centimeters Per Second — mas, diferente do outro, nunca tinha chegado perto de um sucesso mainstream.

Esse fato fez com que muitos contivessem as expectativas em relação ao que era, sem duvida nenhuma, sua obra com maior apelo popular, Kimi no Na Wa. Em entrevista para o Hollywood Reporter, o produtor do filme, Genki Kawamura, afirmou que eles esperavam uma bilheteria bem modesta: “[o filme anterior de Shinkai] Garden of Words lucrou 150 milhões de ienes [o longa foi exibido apenas em 23 salas] então nós achávamos que, na melhor das hipóteses, lucraríamos 10 vezes isso”.

Na minha opinião, a frase de Kawamura contém muito da modéstia que é considerado etiqueta básica no Japão e, quase sempre, carrega uma pitada de insinceridade. Enquanto não tenho duvidas de que ninguém esperava que o filme fosse se tornar a maior bilheteria da história do cinema japonês, a verdade é que o marketing polpudo que o filme recebeu indicava que a Toho — a gigantesca distribuidora da animação — esperava mais do que 1.5 bilhão de ienes na bilheteria.

Para começar, assim como os filmes de Miyazaki e de Hosoda, Kimi No Na Wa teve a emissora NTV — uma das quatro principais redes privadas do país — como parceira de promoção, enchendo sua programação de reportagens acerca do filme que destacavam a animação excepcional, o premiado diretor e demais aspectos que poderiam atrair o público.

Além disso, numa promotional partneship bem significativa, a água mineral mais vendida do país — Suntory Tennensui — colocou os protagonistas do longa em seus anúncios televisivos a serem exibidos ao longo do verão. Os personagens também estamparam uma campanha imprensa da JR East — a maior empresa rodoviária do Japão — que promovia o turismo em Tóquio.

Até a popular banda Radwimps — que ficou responsável pela trilha sonora da animação — se jogou de cabeça na promoção. Com 13 anos de atividade e diversos discos de Platina, o grupo sempre evitou aparecer na TV mas, para promover a trilha sonora, aceitaram fazer uma primeira aparição no icônico Music Station, o mais importante programa musical da TV japonesa. Eles cantaram Zen Zen Zense.

Era impossível prever a proporção que o filme alcançaria mas estava claro que a Toho tinha confiança de que tinham algo especial em mãos.

As chaves do sucesso

kiminonawa1

No Japão — mais ainda do que na maior parte dos outros mercados — o boca a boca é enormemente importante para fazer com que um filme bombe. Nem o marketing mais exaustivamente onipresente é capaz de transformar um longa em grande sucesso se ele realmente não despertar o interesse do público.

Sendo assim, apesar da campanha muito bem efetuada de Kimi No Na Wa, o verdadeiro motivo do seu sucesso foi que ele struck a chord com a sociedade japonesa de uma maneira que pouquíssimos filmes são capazes de fazer.

As chaves para o sucesso sem precedentes são muitas mas começam, claro, pelo fato de que o Japão é um mercado bastante receptivo para animações. Os filmes do Studio Ghibli, por exemplo, não tem como foco principal crianças e sim pessoas de todas as idades. Muitos filmes da Disney — como Frozen, por exemplo — devem a sua popularidade não apenas ao público infantil mas também a mulheres de diferentes gerações que lotaram as salas de cinema por meses.

Enquanto muitas das propriedades animadas do Japão — como Pokemon e Yokai Watch — são focadas em crianças pequenas, muitas das franquias mais lucrativas — como Detetive Conan, Evangelion e One Piece — são direcionadas a jovens e adultos.

Sendo assim, Kimi No Na Wa nunca foi rotulado como “filme de criança” só pelo fato dele ser animado. Muito pelo contrário: seu apelo foi, de imediato, intergeracional, atraindo famílias, adolescentes e adultos.

Existem vários motivos que nos levam a entender o apelo imediato, a começar pela sua fantástica animação que recriou Tóquio em seus mais mínimos detalhes, além dos cenários lindos, típicos do interior do país. O filme homenageia a capital — com recriações idênticas de paisagens urbanas — mas também a vida provinciana, retratando costumes dos pequenos vilarejos locais.

Outro elemento foi a música: as canções do Radwimps — usadas extensivamente nos anúncios televisivos e nos trailers — caíram de imediato no gosto do público, ajudando a colocar o filme no imaginário popular.

Mas, acima de tudo,  a história — bastante melancólica, cheia de simbolismos e eventos que refletem bastante a realidade, os anseios e as tradições da sociedade japonesa — era certeira, tocando o coração do público nipônico de maneira que poucos longas-metragens são capazes de fazer.

Logo na primeira semana, em agosto, o filme já registrou uma bilheteria enorme, acima de qualquer expectativa. E seis meses depois, ele continua forte e já excedeu absolutamente todas as expectativas.

Tudo dominado

O sucesso de Kimi No Na Wa foi completamente multimídia: além de ser líder total de bilheteria no Japão, a música tema do filme, Zen Zen Zense, está próxima a alcançar 1 milhão de unidades vendidas, sendo o maior sucesso do ano. Outras 5 músicas da trilha já obtiveram certificação de platina. A trilha sonora completa, toda composta pelos RADWIMPS, passou semanas em primeiro lugar, com mais de 500k unidades comercializadas. O livro mais vendido de 2016? A novela do filme, escrito pelo próprio diretor e roteirista, que vendeu 1.2 milhão de cópias, mais do que o dobro do segundo colocado.

Sendo assim, a animação alcançou o topo das bilheterias, das paradas musicais e dos livros mais vendidos.

Os resultados obtidos foram tão espetaculares que Kimi No Na Wa foi apontado como o principal motivo para que 2016 fosse um ano histórico para o mercado cinematográfico japonês que bateu recorde de arrecadação (235.5 bilhões de ienes, cerca de U$2.25 bilhões) e teve a maior quantidade de ingressos vendidos desde 1974 (180 milhões).

O único percalço no caminho da animação foi que, provavelmente por ter uma distribuidora relativamente pequena nos EUA, ele não conseguiu uma indicação como Melhor Animação ao Oscar. Isso, claro, multiplicaria infinitamente sua projeção no Ocidente e também acrescentaria milhões a sua arrecadação no Japão.

Mas, apesar disso, o filme teve excelente resultado em suas early screenings na Europa e, claro, tem quebrado todos os recordes na Ásia. Também recebeu indicações recordes no Japan Academy Prize, que tem grande importância no mercado local. E, premiações aparte, o sucesso dele junto ao público é indiscutível e histórico.

Sucessor do Ghibli

Mas retornando ao tópico lá de cima sobre quem seria o sucessor de Hayao Miyazaki: a resposta é que, provavelmente, ninguém. Não só porque o papel histórico de Miyazaki é único mas também porque o próprio já parece ter voltado atrás.

Já é de conhecimento público que Hayao trabalha em uma nova animação que deve ser anunciada publicamente em breve. Não é a primeira vez que o mestre desiste da aposentadoria: nos anos 90, ele também se despediu, para voltar, em 1997, com o record breaking Princesa Mononoke.

A diferença é que, dessa vez, o criador do Studio Ghibli terá outro animador, Makoto Shinkai, capaz de atrair multidões tão significativas quanto ele, um fato, até então, inédito.

Nessa competição todo mundo deverá sair ganhando.

Copa do Mundo de Futebol Feminino explode

A seleção estado-unidense comemora a vitória na Copa do Mundo de Futebol Feminino
A seleção estado-unidense comemora a vitória na Copa do Mundo de Futebol Feminino

Diferente de todo o resto do planeta, futebol não é exatamente o esporte favorito dos EUA. O fato de ser um esporte de nicho permitiu com que as mulheres, em geral discriminadas no mundo esportivo, tomassem posse da modalidade. O fruto disso foi uma seleção feminina fortíssima, tri-campeã da Fifa’s Women World Cup. E a terceira vitória, contra o Japão, na noite de domingo, dia 5, bateu recordes históricos de audiência no país: 26.7 milhões de espectadores, a partida de futebol mais assistida ever na terra do tio Sam. Para colocar isso em contexto, a final da NBA desse ano, a mais vista desde 1998, reuniu apenas 19.9 milhões de pessoas. Até agora, as únicas emissões televisivas que superaram a final da Copa do Mundo Feminina em audiência ao longo de 2015 foram o colossal Superbowl (114.4 milhões); as playoffs da liga universitária de futebol americano (33.3 milhões na final; 28 milhões para as duas semi-finais) e a final do basquete universitário (28..3 milhões).

O recorde anterior para um jogo de futebol nos EUA tinha sido a final da Copa de 2014. O jogo da Alemanha contra Argentina reuniu 26.5 milhões de espectadores, sendo 17.3 na ABC e 9.2 na emissão em espanhol, na Univision. Para um jogo dos EUA, o recorde tinha sido 24.7 milhões na partida da seleção nacional contra Portugal, também na Copa masculina do ano passado (17.1 na ESPN; 6.5 na Univision). O recorde anterior do futebol feminino foi a final da Copa Feminina de 1999, quando os EUA perderam para China nos pênaltis, reunindo 18 milhões de pessoas na frente da TV.

Esse ano, a FOX teve a exclusividade da exibição em inglês da Copa (a transmissão em espanhol nos EUA, que contribuiu com 1.27 milhão no número final, ficou para Telemundo). A emissora arrecadou 40 milhões de dólares com os jogos de acordo com a AdWeek, um aumento de 400% em relação ao campeonato de 2011. Ainda é um número modesto comparado com outros esportes e até mesmo com a Copa masculina mas, depois da audiência monstra desse ano, está mais que óbvio que esse valor crescerá exponencialmente em 2021.

As meninas do Team USA foram recebidas com grande fanfare em Nova Iorque nessa sexta-feira, dia 11. Elas desfilaram, sob chuva de confete, pelo centro da cidade, reunindo milhares de pessoas. O prefeito, Bill de Blasio, presenteou as 23 jogadoras com a chave da cidade.

E não é só nos EUA onde a WWC está crescendo consideravelmente em popularidade. No Japão, a outra seleção estrela do campeonato, as partidas também tiveram altíssimas audiências. Mesmo sendo exibida em um horário ingrato — segunda-feira, as 7:45 da manhã — a final teve audiência de 17.2%. No Japão, audiências acima de 15% já são consideradas excepcionais. As Nadeshiko, como a seleção nipônica é conhecida, perderam para as americanas de 2 a 5, uma revanche depois da vitória do time japonês em 2011. Naquele então, a final atingiu 16% de audiência (as 3 da manhã).

Chuva de confetes e multidão na chegada das garotas a Nova Iorque
Chuva de confetes e multidão na chegada das garotas a Nova Iorque

Além do Japão e dos EUA, o outro país que a Copa do Mundo feminina bombou foi a França. Apesar de ter uma seleção bastante forte, o grupo M6, que detinha os direitos de exibição, provavelmente não esperava grandes coisas , o que explica eles terem relegado as partidas para o canal secundário do grupo, o W9. Eles foram surpreendidos quando o jogo das bleu contra Alemanha reuniu 4.124 milhões de espectadores, quase que dobrando a oferta da emissora principal da companhia (que conseguiu 2.5 com um episódio do americano NCIS). Apesar de ser exibido por uma emissora que não faz parte do pacote básico (ela é um canal aberto, porém disponível apenas para quem tem TV digital), o jogo ficou em segundo lugar geral de audiência na noite, perdendo, por pouco, para a emissora líder do país, a TF1 (que exibia o reality show Kohlanta que, por causa da partida, registrou um número particularmente baixo). O índice registrados pelo jogo na W9 foi a maior audiência da história das emissoras de TV abertas digitais no país.

No Reino Unido, o resultado também foi animador. O time feminino acabou em quarto lugar — o melhor resultado da seleção inglesa desde 1966 — e os jogos triplicaram a audiência da BBC Three, incluindo 1.7 milhão de espectadores para a partida em que as inglesas derrotaram as alemãs.

Diferente dos EUA, é claro que a WWC não chegou perto da Copa masculina nem na França, nem no Reino Unido, nem no Japão. O jogo dos bleu contra a Alemanha na Copa de 2014 reuniu 17 milhões. No Japão, a partida dos Blue Samurai contra a Costa do Marfim atingiu 45% do audiência. No Reino Unido, o jogo da seleção inglesa contra o Uruguai teve 14 milhões de espectadores. Nos três países, as respectivas partidas foram as emissões televisivas mais vistas do ano.

Falando em Copa de 2014, a Alemanha — grandes vencedores do campeonato — também tinha um dos times femininos mais fortes na Copa Feminina. Não a toa, o jogo contra as francesas — que as germânicas ganharam — foi considerado um dos pontos altos da competição. Mas, apesar disso, o país pouco se importou com a Copa feminina, talvez ainda cega com a vitória do ano passado. No país, os jogos foram exibidos sem nenhum estardalhaço na emissora pública ZDF, conseguindo share de apenas 9%. Quem sabe até 2021 o país não acorde para o potencial das suas jogadoras, não é o mesmo? E o mesmo, claro, vale para o Brasil.

On my pop radar: maio/2015

Esse blog tem um objetivo claro: falar de cultura pop, de um lugar (relativamente) imparcial. Quase sempre dou uns pitacos mas esses raramente são o foco dos posts. Pois então, isso é o total oposto do que vocês podem esperar dessa nova coluna do site, On my pop culture radar, que será totalmente pessoal. Como o título indica, aqui eu falarei sobre o que está no MEU radar, ou seja, o que está me empolgando e me envolvendo na cultura pop no momento: seriados; musicas; livros; filmes e demais assuntos. A idéia é que ela seja mensal mas, né? Não prometo nada. Até porque sou mega exigente e nem todo mês tem coisas que me empolgam na cultura pop.

Essa primeira coluna vai ser supersized porque, além de abril, vai incluir algumas coisinhas que me empolgaram bastante em março, a começar por….

Broad City

broad city

Full disclaimer: não tenho hábito de acompanhar seriados (*gritos de choque do público*). A minha déficit de atenção não me permite acompanhar nada por muito tempo e, sério, a maior parte das séries são ruins. Tenho amigos que acompanham cinco, seis seriados e penso “como eles agüentam?!“.

A lista de seriados que tentei assistir nos últimos tempos (últimos tempos = últimos 6 anos) é relativamente grande. Alguns, bem poucos, eu consegui assistir duas temporadas completas (Girls, não sei como nem porque e Gossip Girl… eu era jovem, não me julguem) e, outros, eu checked out no fim da primeira temporada e never looked back (Modern Family. Que eu amei com loucura no primeiro semestre de 2010 e hoje acho tosquíssimo; True Blood porque, na época, eu estava sem internet e não tinha o que fazer; Parks & Recreations, que eu gostei mas nunca tive motivação de ver mais, mesmo amando Amy Poehler e Aziz Ansari e querendo muito chegar no episódio do treat yo’ self ).

De resto, acho que nunca consegui passar de poucos episódios, seja porque achei novelesco e formulaico demais (Empire; Scandal) seja porque eu gostei do que vi mas simplesmente esqueci da existência do programa (How to Get Away with Murder. Que, alias, preciso binge watch um dia desses). Alguns seriados eu assisti o primeiro episódio e pensei “hmm, meio boring mas, a julgar pelo que as pessoas dizem, deve ficar fantástico depois. Tenho que continuar assistindo!” daí procedi a nunca mais assisti-los (Dexter, que eu sei que tem uma temporada final merda; Breaking Bad, que eu sei que tem uma temporada final mara); outros eu dozed off nos primeiros 20 minutos e desisti (Games of Throne; Orange is the New Black) e ainda teve aqueles que tentei mas simplesmente não entendi o hype (Homeland). Tem seriado que eu já vi um monte de episódio fora de ordem e penso “tão divertido! Um dia tenho que assisti-lo na integra” e daí nunca o faço (30 Rock; The Office) e outros vejo a repercussão e os números e concluo que  “nossa, todo mundo fala que é tão bom! Tenho muito que acompanhar!” mas no fundo penso “eh… not really” (True Detectives; Walking Dead). Alguns até comprei o DVD (em tempos pré-Netflix/Popcorn Time) e assisti — e gostei — do primeiro episódio antes de nunca mais tocar nele (Downton Abbey. Alias, pena que comprei em Londres, pq bem que eu poderia devolver…. apesar de que duvido que eles aceitassem devolução de algo comprado em 2010, né).

Como você pode ver, eu sei os seriados que bombam e todo mundo curte. E eu tento (a não ser que sejam Two and a Half Man ou Big Bang Theory. Esses podem arder no mármore do inferno). Mas não costuma dar muito certo. Toda vez que vejo a lista de seriados do Netflix ou do Popcorn Time vejo dezenas de coisas que eu penso “quando eu tiver tempo…”. Mas daí, quando tenho tempo, prefiro fazer outras coisas. E quando, por algum acaso, decido ver um seriado, em geral fico inquieto e numa vibe tipo “poderia estar fazendo coisa melhor” e “preciso de uma Ritalina para assistir isso”.

Enfim, não sou de ver seriado. Mas, quando vejo, daí prefiro comédia hands down. Elas me atraem porque são fáceis de assistir e são leves. Com drama, eu sou exigente e espero muito do roteiro. É muito fácil cair em formulas fáceis; inverossímeis e clichês. Comédias, por outro lado, só têm um pré-requisito: me fazer rir. Me fez rir, cumpriu sua função.

broadcitycover2

Mesmo assim, isso não significa que eu assista muita comédia. Mesmo as que me fazem rir, eu nunca assisti integralmente ou então, assisto numa velocidade penosa, super lenta (ainda to tipo no sexto ep de The Unbreakable Kimmy Schmidt que eu sei que vocês todos assistiram em tipo um dia). Mas um seriado recente foi paixão a primeira assistida: Broad City. Foi o primeiro seriados em ANOS onde eu esperava de madrugada, ansiosamente, pelo novo episódio. Vi tudo assim que foi lançado, amei muitíssimo e ainda não o superei (a segunda temporada já acabou faz mais de um mês. E a terceira, só em janeiro do ano que vem).

Broad City é criado por Ilana Glazer e Abbi Jacobson, que interpretam versões um pouco humoristicamente exagerada delas mesmo. No seriado, Ilana e Abbi são duas garotas que vivem em Nova Iorque cujas vidas são uma bagunça infinita (eu me identifquei plenamente e sei que não fui o único), mas, mesmo assim, estão dispostas a se divertir ao máximo e tirar proveito de qualquer situação. Abbi é mais certinha e conta com o estimulo de Ilana, que é bem porra louca, para sair de sua zona de conforto. Juntas, elas são hilariantes, passando por todo tipo de aventura na selva urbana que é NYC.

O seriado é tudo que eu amo: urbano; identificável; inteligente; inovador; sem papas na língua; hilário. Ouvi falar dele pela primeira vez no começo do ano passado, logo depois que a primeira temporada tinha sido concluída nos EUA. No Twitter, tava todo mundo buzzing about it, até Lady Gaga (que proclamou que Broad City era seu programa favorito. Natalie Portman foi outra que disse a mesma coisa) e resolvi ir checar o que todo esse hype was about. Assisti a primeira temporada em tempo recorde.

Um ano se passou e a segunda temporada chegou. Eu gostei da primeira temporada mas nem me empolguei tanto assim com a chegada de novos episódios. Primeiro, porque já tinha se passado tanto tempo e, segundo, porque eu achei que a qualidade foi caindo ao longo da primeira temporada.

Mas bom, fui lá assistir os novos episódios e, pqp, meu amor pela serie foi consolidado, cristalizado e oficializado com uma série de tatuagens pelo meu corpo, incluindo Broad City, amor verdadeiro amor eterno no meu pé. A primeira temporada foi boa mas a segunda, na minha opinião, à excedeu. Certos episódios (tipo o do consolo) eu ainda rio só de pensar sobre.

broad city

Mais do que a qualidade do seriado em si, ele me empolga pela quantidade de talento carne fresca que ele introduziu, começando pelas próprias Abbi e Ilana, altamente talentosas e que estão dando um fresh take e uma nova roupagem à comédia americana. Ambas estão escrevendo filmes no momento e acho que a indústria de entretenimento só tem a ganhar. Elas oferecem uma nova perspectiva e acho isso positivo e super importante para combater a estagnação que a indústria sofre de maneira geral.

Alias, sendo sincero, o talento de Abbi e Ilana me “irritou” um pouco. No seriado, elas são super identificáveis com a vida messy delas mas, na real, elas são gênias e roteiristas e showrunners super eficientes e accomplished. Absurdo elas nos enganarem e fazer a gente acreditar que elas são just like us quando, na real, elas são bem mais talentosas.

Mas bom, inveja aside, Ilana e Abbi, e todo o talento delas, são mais do que bem vindas. E a nós, resta tentar colocar nossas vidas em ordem e esperar a terceira temporada. Espero que ela seja igualmente boa, porque senão vou começar a me arrepender de todas as tatuagens que fiz….

(e não gente, não fiz nenhuma tatuagem relacionada a Broad City (ainda). Foi só uma piadinha).

Como faço para assistir Broad City?: olha, eu sempre costumo incentivar a opção legal, seja no Netflix ou no site oficial da emissora. Mas, como essa opção não existe no Brasil, todos os episódios estão disponíveis aqui ou, se você prefere vê-los legendados (tanto em português quanto em inglês), no app Popcorn Time.

Amy Schumer

schumer

A primeira vez que vi Schumer foi em algum episódio de Girls, no comecinho de 2013. Alguém comentou que ela era uma comediante muito divertida e, por algum motivo, resolvi ir atrás do trabalho dela. Achei o stand-up Mostly Sex Stuff e, logo nos primeiros cinco minutos, já estava rendido e apaixonado. Claramente não fui o único porque, desde que o especial cômico dela foi ao ar, a carreira dela despontou de maneira absurda.

Esse mês, Amy foi nomeada uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista TIME e está prestes a lançar um filme, estrelado e roteirizado pela própria, com direção do celebradíssimo Judd Aptow e participações de Jon Heder; Vanessa Bayer; LeBron James; Ezra Miller; Tilda Swinton; Marisa Tomei e Daniel Radcliffe. Ela também tem um bem-sucedido programa de sketchesInside Amy Schummer, que acaba de estrear sua terceira temporada e tem tido momentos de enorme repercussão, como a paródia de Friday Night Lights; o vídeo que satiriza a obsessão atual da cultura pop americana com bundas e, claro, o segmento que teve participação de Tina Fey, Julia Louis-Dreyfus e Patricia Arquette.

Apesar de me divertir com alguns sketches, nunca acompanhei ou me entusiasmei muito com o programa de Schumer. Mas, mesmo assim, fui lembrado o quanto a adoro com as várias aparições que ela fez nas últimas semanas para promover tanto o filme quanto o seu programa. Ela está completamente apaixonante na capa da Entertainment Weekly e foi o único ponto positivo de um chatíssimo MTV Movie Awards (“metade de vocês não tem idéia de quem eu sou; a outra metade acha que eu sou a Meghan Trainor”). Além disso, seu mini-stand up no A Night of Million Stars foi maravilhoso. O filme dela, Trainwreck, foi muitíssimo bem-recebido no SXSW e chega aos cinemas dos EUA em julho.

Assim como Abbi e Ilana, Schumer é uma muito bem-vinda voz da nova geração de cômicos americanos. E, por favor, que ela continue ganhando especiais televisivos porque os stand-up dela me matam de tanto rir.

Natasha Leggero

leggero

Como vocês podem ver, sou um gigantesco fã de comediantes mulheres. Eu nunca compartilhei da ideologia de que “mulheres não são engraçadas˜, primeiro porque eu não sou babaca e segundo porque todas as minhas humoristas favoritas — Tina Fey; Amy Poehler; Mindy Kailing — são mulheres. Então, é com muita felicidade que eu vejo essa nova era da indústria cômica americana onde mulheres, que foram discriminadas por tanto tempo, estão cada vez ganhando maior protagonismo. A revelação do momento parece ser Chelsea Peretti, que está em Brooklyn Nine-Nine e acaba de ganhar um especial no Netflix (além disso, ela é irmã do fundador do Buzzfeed!) mas, apesar de que a acho muito talentosa, o humor brando dela não é exatamente o meu tipo, que pefiro algo um pouco mais…. ácido? Como, por exemplo, o da fantástica Natasha Leggero.

Minha introdução a Leggero foi através do roast do Justin Bieber, exibido no finalzinho do ano passado. Roasts, para quem não sabe, são especiais televisivos onde alguma personalidade é “homenageada” por comediantes através das piadas mais ofensivas e absurdas possíveis. Nunca tinha assistido nenhum roast mas, pelo que vi no documentário da Joan River ou li sobre no livro de Mindy Kailing, nunca fui grande fã da idéia.

Mas, por algum motivo, fiquei curioso para ver o roast do Bieber. As piadas que tinham sido filtradas na imprensa realmente me fizeram rir (eu ainda estou puto que a melhor piada do ato do Hannibal Burress foi cortada, alias) e, né? Justin é exatamente o tipo de pessoa que a gente quer ver levar umas patadas.

O especial, como um todo, foi bastante divertido. Sim, teve as piadas sexistas desnecessárias e algumas coisas de mal gosto mas, no geral, foi bem engraçado e quase todos os participantes me fizeram rir. Martha Stewart arrasou e Pete Davidson e Hanniball também foram divertidos mas minha favorita foi, sem duvida nenhum, Natasha Leggero. O set dela foi tão bom que eu revi ele umas três vezes e fui atrás do especial do Comedy Central dela (muito divertido). Mesmo se o resto do roast fosse uma porcaria, ele já teria valido a pena por me apresentar a ela. Espero que, assim como Schumer, ela seja abraçada pela indústria e tenha a chance de mostrar ao mundo todo seu potencial.

Podcast Serial

serial

Até recentemente, mal sabia o que era um podcast e nunca tinha me interessado pelo conceito. Sei lá, a idéia de ouvir alguém falando coisas no seu ouvido através do seu reprodutor de MP3 ou celular — tipo um programa de rádio — me parecia meio dispensável.

Mas, no fim do ano passado, um podcast em especifico, Serial, parecia estar dominando todas as conversas. Todo mundo estava dizendo que era fantástico e ele estava sendo parodiado no Saturday Night Live e, pasmén, até pela Sesame Street. Curioso como sou, claro que fui atrás para ver do que ele se tratava e o que li sobre o conceito — uma investigação sobre um assassinato envolvendo adolescentes de Baltimore em 1999 — me deixou intrigado. Parecia interessante e diferente. Mas ai fiz o que em geral faço: me prometi que ia ouvir quando tivesse tempo e daí esqueci sobre a existência dele.

Mas not really. Por algum motivo, Serial ficou na minha cabeça e, semana passada, tinha que levar meu cachorro para passear e queria algo para ouvir e me distrair. Ao invés de escutar alguma playlist do Spotify, me lembrei de Serial e pensei “porque não?”. Baixei o app de Podcast da Apple no meu celular, peguei meu fone e saí.

Cinqüenta minutos depois e estava completamente viciado. Tinha entendido porque esse podcast em específico tinha causado tanta comoção e porque gente como Beau Willimon, criador de House of Cards, e Danny Zucker, produtor de Modern Family, tinham proclamado Serial o “melhor programa de 2014”, mesmo sem ele nunca ter sido exibido na TV (e alias, apesar de várias ofertas de Hollywood, os produtores negaram todas). Ouvi os 12 episódios seguintes em três dias e, graças a eles, todos aqueles momentos de ficar preso no trânsito ou ter que ir passear com o cachorro ficaram enormemente prazerosos. Fazia anos desde que eu não ficava tão envolvido com algo.

Serial investiga o assassinato de Hae Min Lee, uma popular e querida estudante de 18 anos na cidade americana de Baltimore. Seu ex-namorado, Adnan Syed, foi acusado de tê-la matado e condenado a prisão perpetua. Quinze anos depois, uma advogada, amiga de infância de Adnan, entrou em contato com a jornalista Sarah Koening, produtora do prestigiado This American Life, e chamou a atenção dela para a história. Junto com sua equipe, Koening começou a reinvestigar o caso e achou vários buracos que fazem dele muito mais complicado do que ele parecia a primeira vista.

O podcast é contado através de 12 episódios e cada um deles foca num aspecto do caso. Koening é quem guia o ouvinte e ela faz isso com maestria. Cada capitulo é muitíssimo bem contado e, além da narração da jornalista, eles contam com entrevistas com várias pessoas próximas aos jovens envolvidos, inclusive com o próprio Adnan, que cedeu horas e horas de entrevista direto da penitenciária onde cumpre sua pena. Claro que a expectativa é que, ouvindo o podcast, cheguemos a uma conclusão sobre a culpa de Adnan mas, óbvio, isso é muito mais complexo do que parece. De qualquer maneira, todos os episódios vão te manter on the edge of your seat e, apesar da história dark, ela é contada de uma maneira muito leve e envolvente, com momentos engraçados e tocantes (é difícil não chorar no episódio 9).

Claro que o lado negativo do podcast é que ele é integralmente em inglês e, por ser apenas audio, ele não tem legendas. Contudo, se você tem o nível de fluência necessário, faça a si próprio esse favor e comece a escutar Serial. Te prometo que você não vai se arrepender e ainda vai transformar todos aqueles momentos penosos — ficar preso no trânsito; estar no transporte público; fazer jogging — em momentos de muito prazer. Você pode baixá-los gratuitamente através do seu app de podcasts favorito ou, se preferir, pode ouvir todos no site oficial do programa.

Drama japonês Date

date

Adoro ver seriados bem-sucedidos de países além dos EUA. Já assisti seriados espanhóis, dinamarqueses, suecos, ingleses, australianos e franceses e novelas argentinas, colombianas e sul-coreanas. São uma ótima oportunidade para expandir a perspectiva e se familiarizar com métodos alternativos de produção e de storytelling e sair desse vício que tudo deve ser made in USA.

Dentre todos esses mercados estrangeiros, um dos que eu sou mais familiarizado é com o japonês. Sempre tive enorme interesse pela cultura nipônica e, entre 2005 e 2007, assisti um monte de doramas (do inglês, drama). Daí, como aconteceu com as produções americanas, fiquei cansado dos clichês e formulas do gênero e perdi um pouco do entusiasmo. Mesmo assim, até hoje, ainda acompanho as audiências, o que está causando burburinho e as novas ofertas e volta e meia assisto algum episódio.

Alias, parênteses para explicação. No Japão, as ficções televisivas são todas conhecidas como dramas, independentemente do gênero. Os dramas japoneses costumam ser semanais, ter entre 10 e 12 episódios e são sazonais. Ou seja, as ofertas se renovam completamente a cada nova estação e, mesmo os mais bem-sucedidos raramente tem novas temporadas (apesar de que continuações cinematográficas estão cada vez mais populares). Os dramas, junto com programas de variedade, são um staple da TV japonesa e todas as emissoras têm suas apostas, sempre contando com os atores e celebridades mais badalados do momento. Gêneros populares incluem comédias românticas, dramas investigativos e policias e dramas médicos.

No começo desse ano, e estava dando uma olhada no que tinha de novo e, por algum motivo, Date, uma comédia romântica que seria exibido na Fuji TV num dos horários de maior destaque, chamou minha atenção. O porque eu não sei ao certo mas talvez tenha tido a ver com o fato de estrelar Anne, uma atriz super badalada e que eu estava curioso para ver em ação..

Date, como já disse, é uma comédia romântica. Ou seja, as chances de eu gostar eram bem baixas. Primeiro porque doramas românticos, com algumas exceções, são lentos e eu não tenho muita paciência. E segundo porque, de modo geral, a comédia japonesa — espalhafatosa e exagerada — não é minha praia. Mas, mesmo assim, fiquei curioso e, quando o primeiro episódio legendado foi disponibilizado em algum site especializado, fui assistir e gostei. Daí resolvi ver o segundo episódio e, nossa, gostei muito. A cada episódio novo eu ia gostando mais e mais e mais e, quando me dei conta, eu tinha concluído o dorama inteiro.

Acho que a essa altura já ficou bem estabelecido que eu tenho o pior attention span do mundo. Apesar de já ter assistido os primeiros episódios de dezenas de dramas, dá para contar nos dedos das mãos a quantidade dos que eu concluí. Dentre esses, uma parcela foi por obrigação, como um desafio para eu mesmo. Então terminar Date e não perder a empolgação ao longo dos dez episódios foi um huge deal para mim.

Date é a história de duas pessoas sem nenhum tipo de habilidade social com um objetivo em comum: se casar. Hasegawa Hiroki interpreta Takumi Taniguchi que, aos 30 anos, é um NEET e um hikkimori. NEET é uma sigla muitíssimo usada no Japão que significa Not in employment or education, ou seja, são desempregados que não tem a intenção de arranjar trabalho e são sustentados, quase sempre, pelos pais. Já hikkimori é um problema social bem grande no país e descreve pessoas, em geral homens, que se isolam em seus quartos e simplesmente abdicam completamente, para o resto da vida, de qualquer tipo de integração ou contato com o resto da sociedade. Estima-se que existam mais de 1 milhão de hikkimoris no Japão atualmente e, claro, são todos NEETs.

Em contrapartida, Anne é Yoriko Yabushita que, diferente de Takumi, é altamente bem-sucedida e ambiciosa. Ela é uma gênia da matemática e tem um ótimo cargo público, além de se ser extremamente disciplinada; obstinada e exigente consigo mesmo. Porém, ela não tem nenhum tipo de habilidade social e tem um jeito bastante particular, as vezes quase robótico, de lidar com o mundo e com as pessoas.

Ele quer se casar simplesmente para ter alguém, que não seja a sua mãe, para o sustentar. Já ela quer se casar porque, obstinada do jeito que é, se prometeu que iria ter um marido antes dos 30 para assim realizar o desejo de sua falecida mãe, que era tão (ou ainda mais) genial quanto ela e ainda tinha o bônus de ser normal (Yoriko vê a mãe como uma rival, mesmo já tendo se passado mais de uma década desde seu falecimento). Nenhum deles acredita que amor é um elemento essencial para um casamento e ambos encaram o matrimônio como um contrato social. Por tanto, depois de se conhecer num site de relacionamento, eles concordam em se casar, mesmo não nutrindo nenhum tipo de amor entre os dois.

Apesar de ter alguns elementos que pareçam dark, Date é HILÁRIO. Eu ri muito e, como já disse, não costumo gostar de comédia japonesa. Além disso, os roteiros são fantásticos; os personagens, além de divertidos, são MUITO bem desenvolvidos e é muito difícil não se encarinhar e torcer por Yoriko e Takumi. É muito legal ver o relacionamento deles ir crescendo e ambos indo influenciando um ao outro e aprendendo a serem pessoas mais flexíveis e sociáveis.

Assistir Date na integra foi muito fácil (e, em geral, não é nada fácil para mim assistir nada na integra) e tenho que parabenizar o autor, os produtores e o elenco por um trabalho fantástico. Fiquei com vontade de assistir outros trabalhos de Ryota Kosawa, o roteirista, particularmente Suzuki Sensei. Mas bom,  vou deixar isso para quando eu tiver tempo….

O vídeo de American Oxygen da Rihanna

Eu sou uma das milhões de pessoas esperando ansiosamente pelo novo álbum de Rihanna. Depois de ser mimado por anos e anos com lançamentos anuais (que nunca decepcionavam), estava foda agüentar essa seca de música nova, que já durava dois anos.

Mas, quando ela lançou, de surpresa, o primeiro single do novo álbum, FourFiveSeconds, que tinha participação de Kanye West e Paul McCartney, fiquei bastante decepcionado. Depois de dois anos, eu queria algo enlouquecedor, que colocasse fogo na pista de dança e snatched our weaves. Ao invés disso, tivemos uma música mais propícia para cantar com o violão em volta de uma lareira. Boring.

A segunda música lançada, Bitches Better Have My Money, era mais empolgante mas ainda não acertava o ponto. Sem falar que o lançamento deixou claro a bagunça que ia ser a estratégia de promoção desse novo álbum. Tá, OK que ela quer ser inovadora mas sério, tá muito ruim isso ai, Rih, essas estratégias tão todas erradas e acabando com todo seu momentum, que estava num peak moment depois de todo esse tempo de espera.

A terceira música lançada foi American Oxygen. Muita gente não gostou, achou repetitiva e super-produzida demais. Eu adorei. Mas, dentre todas as músicas lançadas, ela teve o pior lançamento, resumindo bem a bagunça da estratégia da equipe da cantora que, depois de todos esses anos, parecem ter perdido a habilidade de promover uma das maiores estrelas pop da atualidade. Para começar, a música foi lançada com uma performance ao vivo que deu muito errado. Daí, ela foi lançada oficialmente, junto com o vídeo, exclusivamente no Tidal que, como nós já estabelecemos, é um fracasso.  Isso só serviu para garantir que a música fosse lançada sem nenhum buzz. Alguns dias depois, a canção e o vídeo foram disponibilizados no YouTube e no iTunes mas ninguém notou porque eles já tinham arruinado o hype inicial e o iTunes se recusou a promover a música na sua página de entrada porque um concorrente (o fracassado Tidal, no caso) tinha tido o lançamento exclusivo.

Mas falando de coisas boas… eu gostei da música. Mas eu só amei ela DE VERDADE depois de ver o vídeo, que eu achei poderosíssimo e super bem feito. A justaposição entre a letra e os visuais é fantástica e, apesar de ter ouvido críticas, dizendo que o vídeo era muito apelativo, eu adorei e achei um ótimo repasso pela história dos EUA, sem whitewash as suas mazelas e exaltando aquilo que é um dos principais pontos fortes dessa superpotência: a sua diversidade e seus imigrantes (como a própria Rihanna), que ajudaram a construir o país e fizeram dele o melting pot que ele é hoje em dia. Achei maravilhoso. Uma pena que foi prejudicada pela estratégia de lançamento desastrosa.

Pull your shit together Rih! E libera logo o R8 que nós estamos afoitos!!

Electra Heart da Marina & the Diamonds

leggero

Os últimos meses foram repletos de lançamentos musicais empolgantes. Teve o EP surpresa de Drake, If You’re Reading This Is Too Late, que quebrou recordes de venda e manteve a qualidade top-notch que eu espero do rapper canadense. Teve How to Pimp a Butterfly, o novo CD de Kendrick Lamar, considerado (justamente) o melhor rapper da atualidade. Teve Title, o primeiro CD de Meghan Trainor (de All About That Bass fame) que eu estava afim de detestar (Meghan me irritava, sorry) mas acabei amando. Apesar de tudo isso, o meu álbum favorito do momento foi lançado em, pasmén, 2012(!!).

Sim, eu sei que a própria Marina acaba de lançar um novo CD, Froot, mas nem ouvi porque minha obsessão com Electra Heart é tanta que eu nunca conseguiria dar uma fair chance para o novo material. Que coisa, né?

Em minha defesa, eu só fui realmente apreciar o álbum no ano passado, enquanto viajava sozinho pela Europa. Até então, apesar de já tê-lo ouvido algumas vezes e ter gostado de alguns singles, eu nunca tinha dado muita bola a ele. Mas ano passado aprendi a apreciar o CD como ele realmente deve ser apreciado: como uma obra de arte do pop. Sério, todas as músicas são catchy e perfeitas. É tipo um CD da Katy Perry, só que com substância.

Obrigado Marina por esse diamante! (e sim, esse trocadilho foi propositalmente rídiculo. #MeDeixa!).

E em maio…

schumer

O que eu estou mais looking forward to em maio é a novela argentina Entre Canibales. Acho que vai ser muito interessante ver uma telenovela dirigida e produzida por um ganhador do Oscar, no caso, Juan Jose Campanella, responsável pelo ótimo O Segredo de seus Olhos (premiado na categoria Melhor Filme Estrangeiro em 2010). A novela conta a história de Ariana, interpretada por Natalia Oreiro, que pretende se vingar do homem que a estuprou durante a adolescência e que, agora, é um político poderoso, candidato a presidência da Argentina.

Será uma super produção, gravada em 4K e com distribuição internacional pela Sony. Três grandes nomes da TV argentina — Oreiro; Joaquín Furríel e o chileno Benjamin Vicuña — interpretaram os papéis principais e a Telefe, emissora responsável pela trama, não está poupando nenhum centavo. Até o título da novela deixa isso claro: Entre Canibales é uma música do Soda Stereo, a banda mais bem-sucedida da história da Argentina (e, indiscutivelmente, da América Latina inteira) e, claro, a canção servirá como música tema da novela. Só os royalties pelos direitos das canções da banda de Gustavo Ceratti já devem ter custado uma fortuna e outras músicas do grupo serão utilizados como trilha-sonora.

Serão 140 capítulos, todos já escritos, e claro o objetivo é enfrentar o furacão turco no canal rivalMil y una Noches, que atualmente é líder de audiência da TV local.