On my pop radar: maio/2015

Esse blog tem um objetivo claro: falar de cultura pop, de um lugar (relativamente) imparcial. Quase sempre dou uns pitacos mas esses raramente são o foco dos posts. Pois então, isso é o total oposto do que vocês podem esperar dessa nova coluna do site, On my pop culture radar, que será totalmente pessoal. Como o título indica, aqui eu falarei sobre o que está no MEU radar, ou seja, o que está me empolgando e me envolvendo na cultura pop no momento: seriados; musicas; livros; filmes e demais assuntos. A idéia é que ela seja mensal mas, né? Não prometo nada. Até porque sou mega exigente e nem todo mês tem coisas que me empolgam na cultura pop.

Essa primeira coluna vai ser supersized porque, além de abril, vai incluir algumas coisinhas que me empolgaram bastante em março, a começar por….

Broad City

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Full disclaimer: não tenho hábito de acompanhar seriados (*gritos de choque do público*). A minha déficit de atenção não me permite acompanhar nada por muito tempo e, sério, a maior parte das séries são ruins. Tenho amigos que acompanham cinco, seis seriados e penso “como eles agüentam?!“.

A lista de seriados que tentei assistir nos últimos tempos (últimos tempos = últimos 6 anos) é relativamente grande. Alguns, bem poucos, eu consegui assistir duas temporadas completas (Girls, não sei como nem porque e Gossip Girl… eu era jovem, não me julguem) e, outros, eu checked out no fim da primeira temporada e never looked back (Modern Family. Que eu amei com loucura no primeiro semestre de 2010 e hoje acho tosquíssimo; True Blood porque, na época, eu estava sem internet e não tinha o que fazer; Parks & Recreations, que eu gostei mas nunca tive motivação de ver mais, mesmo amando Amy Poehler e Aziz Ansari e querendo muito chegar no episódio do treat yo’ self ).

De resto, acho que nunca consegui passar de poucos episódios, seja porque achei novelesco e formulaico demais (Empire; Scandal) seja porque eu gostei do que vi mas simplesmente esqueci da existência do programa (How to Get Away with Murder. Que, alias, preciso binge watch um dia desses). Alguns seriados eu assisti o primeiro episódio e pensei “hmm, meio boring mas, a julgar pelo que as pessoas dizem, deve ficar fantástico depois. Tenho que continuar assistindo!” daí procedi a nunca mais assisti-los (Dexter, que eu sei que tem uma temporada final merda; Breaking Bad, que eu sei que tem uma temporada final mara); outros eu dozed off nos primeiros 20 minutos e desisti (Games of Throne; Orange is the New Black) e ainda teve aqueles que tentei mas simplesmente não entendi o hype (Homeland). Tem seriado que eu já vi um monte de episódio fora de ordem e penso “tão divertido! Um dia tenho que assisti-lo na integra” e daí nunca o faço (30 Rock; The Office) e outros vejo a repercussão e os números e concluo que  “nossa, todo mundo fala que é tão bom! Tenho muito que acompanhar!” mas no fundo penso “eh… not really” (True Detectives; Walking Dead). Alguns até comprei o DVD (em tempos pré-Netflix/Popcorn Time) e assisti — e gostei — do primeiro episódio antes de nunca mais tocar nele (Downton Abbey. Alias, pena que comprei em Londres, pq bem que eu poderia devolver…. apesar de que duvido que eles aceitassem devolução de algo comprado em 2010, né).

Como você pode ver, eu sei os seriados que bombam e todo mundo curte. E eu tento (a não ser que sejam Two and a Half Man ou Big Bang Theory. Esses podem arder no mármore do inferno). Mas não costuma dar muito certo. Toda vez que vejo a lista de seriados do Netflix ou do Popcorn Time vejo dezenas de coisas que eu penso “quando eu tiver tempo…”. Mas daí, quando tenho tempo, prefiro fazer outras coisas. E quando, por algum acaso, decido ver um seriado, em geral fico inquieto e numa vibe tipo “poderia estar fazendo coisa melhor” e “preciso de uma Ritalina para assistir isso”.

Enfim, não sou de ver seriado. Mas, quando vejo, daí prefiro comédia hands down. Elas me atraem porque são fáceis de assistir e são leves. Com drama, eu sou exigente e espero muito do roteiro. É muito fácil cair em formulas fáceis; inverossímeis e clichês. Comédias, por outro lado, só têm um pré-requisito: me fazer rir. Me fez rir, cumpriu sua função.

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Mesmo assim, isso não significa que eu assista muita comédia. Mesmo as que me fazem rir, eu nunca assisti integralmente ou então, assisto numa velocidade penosa, super lenta (ainda to tipo no sexto ep de The Unbreakable Kimmy Schmidt que eu sei que vocês todos assistiram em tipo um dia). Mas um seriado recente foi paixão a primeira assistida: Broad City. Foi o primeiro seriados em ANOS onde eu esperava de madrugada, ansiosamente, pelo novo episódio. Vi tudo assim que foi lançado, amei muitíssimo e ainda não o superei (a segunda temporada já acabou faz mais de um mês. E a terceira, só em janeiro do ano que vem).

Broad City é criado por Ilana Glazer e Abbi Jacobson, que interpretam versões um pouco humoristicamente exagerada delas mesmo. No seriado, Ilana e Abbi são duas garotas que vivem em Nova Iorque cujas vidas são uma bagunça infinita (eu me identifquei plenamente e sei que não fui o único), mas, mesmo assim, estão dispostas a se divertir ao máximo e tirar proveito de qualquer situação. Abbi é mais certinha e conta com o estimulo de Ilana, que é bem porra louca, para sair de sua zona de conforto. Juntas, elas são hilariantes, passando por todo tipo de aventura na selva urbana que é NYC.

O seriado é tudo que eu amo: urbano; identificável; inteligente; inovador; sem papas na língua; hilário. Ouvi falar dele pela primeira vez no começo do ano passado, logo depois que a primeira temporada tinha sido concluída nos EUA. No Twitter, tava todo mundo buzzing about it, até Lady Gaga (que proclamou que Broad City era seu programa favorito. Natalie Portman foi outra que disse a mesma coisa) e resolvi ir checar o que todo esse hype was about. Assisti a primeira temporada em tempo recorde.

Um ano se passou e a segunda temporada chegou. Eu gostei da primeira temporada mas nem me empolguei tanto assim com a chegada de novos episódios. Primeiro, porque já tinha se passado tanto tempo e, segundo, porque eu achei que a qualidade foi caindo ao longo da primeira temporada.

Mas bom, fui lá assistir os novos episódios e, pqp, meu amor pela serie foi consolidado, cristalizado e oficializado com uma série de tatuagens pelo meu corpo, incluindo Broad City, amor verdadeiro amor eterno no meu pé. A primeira temporada foi boa mas a segunda, na minha opinião, à excedeu. Certos episódios (tipo o do consolo) eu ainda rio só de pensar sobre.

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Mais do que a qualidade do seriado em si, ele me empolga pela quantidade de talento carne fresca que ele introduziu, começando pelas próprias Abbi e Ilana, altamente talentosas e que estão dando um fresh take e uma nova roupagem à comédia americana. Ambas estão escrevendo filmes no momento e acho que a indústria de entretenimento só tem a ganhar. Elas oferecem uma nova perspectiva e acho isso positivo e super importante para combater a estagnação que a indústria sofre de maneira geral.

Alias, sendo sincero, o talento de Abbi e Ilana me “irritou” um pouco. No seriado, elas são super identificáveis com a vida messy delas mas, na real, elas são gênias e roteiristas e showrunners super eficientes e accomplished. Absurdo elas nos enganarem e fazer a gente acreditar que elas são just like us quando, na real, elas são bem mais talentosas.

Mas bom, inveja aside, Ilana e Abbi, e todo o talento delas, são mais do que bem vindas. E a nós, resta tentar colocar nossas vidas em ordem e esperar a terceira temporada. Espero que ela seja igualmente boa, porque senão vou começar a me arrepender de todas as tatuagens que fiz….

(e não gente, não fiz nenhuma tatuagem relacionada a Broad City (ainda). Foi só uma piadinha).

Como faço para assistir Broad City?: olha, eu sempre costumo incentivar a opção legal, seja no Netflix ou no site oficial da emissora. Mas, como essa opção não existe no Brasil, todos os episódios estão disponíveis aqui ou, se você prefere vê-los legendados (tanto em português quanto em inglês), no app Popcorn Time.

Amy Schumer

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A primeira vez que vi Schumer foi em algum episódio de Girls, no comecinho de 2013. Alguém comentou que ela era uma comediante muito divertida e, por algum motivo, resolvi ir atrás do trabalho dela. Achei o stand-up Mostly Sex Stuff e, logo nos primeiros cinco minutos, já estava rendido e apaixonado. Claramente não fui o único porque, desde que o especial cômico dela foi ao ar, a carreira dela despontou de maneira absurda.

Esse mês, Amy foi nomeada uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista TIME e está prestes a lançar um filme, estrelado e roteirizado pela própria, com direção do celebradíssimo Judd Aptow e participações de Jon Heder; Vanessa Bayer; LeBron James; Ezra Miller; Tilda Swinton; Marisa Tomei e Daniel Radcliffe. Ela também tem um bem-sucedido programa de sketchesInside Amy Schummer, que acaba de estrear sua terceira temporada e tem tido momentos de enorme repercussão, como a paródia de Friday Night Lights; o vídeo que satiriza a obsessão atual da cultura pop americana com bundas e, claro, o segmento que teve participação de Tina Fey, Julia Louis-Dreyfus e Patricia Arquette.

Apesar de me divertir com alguns sketches, nunca acompanhei ou me entusiasmei muito com o programa de Schumer. Mas, mesmo assim, fui lembrado o quanto a adoro com as várias aparições que ela fez nas últimas semanas para promover tanto o filme quanto o seu programa. Ela está completamente apaixonante na capa da Entertainment Weekly e foi o único ponto positivo de um chatíssimo MTV Movie Awards (“metade de vocês não tem idéia de quem eu sou; a outra metade acha que eu sou a Meghan Trainor”). Além disso, seu mini-stand up no A Night of Million Stars foi maravilhoso. O filme dela, Trainwreck, foi muitíssimo bem-recebido no SXSW e chega aos cinemas dos EUA em julho.

Assim como Abbi e Ilana, Schumer é uma muito bem-vinda voz da nova geração de cômicos americanos. E, por favor, que ela continue ganhando especiais televisivos porque os stand-up dela me matam de tanto rir.

Natasha Leggero

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Como vocês podem ver, sou um gigantesco fã de comediantes mulheres. Eu nunca compartilhei da ideologia de que “mulheres não são engraçadas˜, primeiro porque eu não sou babaca e segundo porque todas as minhas humoristas favoritas — Tina Fey; Amy Poehler; Mindy Kailing — são mulheres. Então, é com muita felicidade que eu vejo essa nova era da indústria cômica americana onde mulheres, que foram discriminadas por tanto tempo, estão cada vez ganhando maior protagonismo. A revelação do momento parece ser Chelsea Peretti, que está em Brooklyn Nine-Nine e acaba de ganhar um especial no Netflix (além disso, ela é irmã do fundador do Buzzfeed!) mas, apesar de que a acho muito talentosa, o humor brando dela não é exatamente o meu tipo, que pefiro algo um pouco mais…. ácido? Como, por exemplo, o da fantástica Natasha Leggero.

Minha introdução a Leggero foi através do roast do Justin Bieber, exibido no finalzinho do ano passado. Roasts, para quem não sabe, são especiais televisivos onde alguma personalidade é “homenageada” por comediantes através das piadas mais ofensivas e absurdas possíveis. Nunca tinha assistido nenhum roast mas, pelo que vi no documentário da Joan River ou li sobre no livro de Mindy Kailing, nunca fui grande fã da idéia.

Mas, por algum motivo, fiquei curioso para ver o roast do Bieber. As piadas que tinham sido filtradas na imprensa realmente me fizeram rir (eu ainda estou puto que a melhor piada do ato do Hannibal Burress foi cortada, alias) e, né? Justin é exatamente o tipo de pessoa que a gente quer ver levar umas patadas.

O especial, como um todo, foi bastante divertido. Sim, teve as piadas sexistas desnecessárias e algumas coisas de mal gosto mas, no geral, foi bem engraçado e quase todos os participantes me fizeram rir. Martha Stewart arrasou e Pete Davidson e Hanniball também foram divertidos mas minha favorita foi, sem duvida nenhum, Natasha Leggero. O set dela foi tão bom que eu revi ele umas três vezes e fui atrás do especial do Comedy Central dela (muito divertido). Mesmo se o resto do roast fosse uma porcaria, ele já teria valido a pena por me apresentar a ela. Espero que, assim como Schumer, ela seja abraçada pela indústria e tenha a chance de mostrar ao mundo todo seu potencial.

Podcast Serial

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Até recentemente, mal sabia o que era um podcast e nunca tinha me interessado pelo conceito. Sei lá, a idéia de ouvir alguém falando coisas no seu ouvido através do seu reprodutor de MP3 ou celular — tipo um programa de rádio — me parecia meio dispensável.

Mas, no fim do ano passado, um podcast em especifico, Serial, parecia estar dominando todas as conversas. Todo mundo estava dizendo que era fantástico e ele estava sendo parodiado no Saturday Night Live e, pasmén, até pela Sesame Street. Curioso como sou, claro que fui atrás para ver do que ele se tratava e o que li sobre o conceito — uma investigação sobre um assassinato envolvendo adolescentes de Baltimore em 1999 — me deixou intrigado. Parecia interessante e diferente. Mas ai fiz o que em geral faço: me prometi que ia ouvir quando tivesse tempo e daí esqueci sobre a existência dele.

Mas not really. Por algum motivo, Serial ficou na minha cabeça e, semana passada, tinha que levar meu cachorro para passear e queria algo para ouvir e me distrair. Ao invés de escutar alguma playlist do Spotify, me lembrei de Serial e pensei “porque não?”. Baixei o app de Podcast da Apple no meu celular, peguei meu fone e saí.

Cinqüenta minutos depois e estava completamente viciado. Tinha entendido porque esse podcast em específico tinha causado tanta comoção e porque gente como Beau Willimon, criador de House of Cards, e Danny Zucker, produtor de Modern Family, tinham proclamado Serial o “melhor programa de 2014”, mesmo sem ele nunca ter sido exibido na TV (e alias, apesar de várias ofertas de Hollywood, os produtores negaram todas). Ouvi os 12 episódios seguintes em três dias e, graças a eles, todos aqueles momentos de ficar preso no trânsito ou ter que ir passear com o cachorro ficaram enormemente prazerosos. Fazia anos desde que eu não ficava tão envolvido com algo.

Serial investiga o assassinato de Hae Min Lee, uma popular e querida estudante de 18 anos na cidade americana de Baltimore. Seu ex-namorado, Adnan Syed, foi acusado de tê-la matado e condenado a prisão perpetua. Quinze anos depois, uma advogada, amiga de infância de Adnan, entrou em contato com a jornalista Sarah Koening, produtora do prestigiado This American Life, e chamou a atenção dela para a história. Junto com sua equipe, Koening começou a reinvestigar o caso e achou vários buracos que fazem dele muito mais complicado do que ele parecia a primeira vista.

O podcast é contado através de 12 episódios e cada um deles foca num aspecto do caso. Koening é quem guia o ouvinte e ela faz isso com maestria. Cada capitulo é muitíssimo bem contado e, além da narração da jornalista, eles contam com entrevistas com várias pessoas próximas aos jovens envolvidos, inclusive com o próprio Adnan, que cedeu horas e horas de entrevista direto da penitenciária onde cumpre sua pena. Claro que a expectativa é que, ouvindo o podcast, cheguemos a uma conclusão sobre a culpa de Adnan mas, óbvio, isso é muito mais complexo do que parece. De qualquer maneira, todos os episódios vão te manter on the edge of your seat e, apesar da história dark, ela é contada de uma maneira muito leve e envolvente, com momentos engraçados e tocantes (é difícil não chorar no episódio 9).

Claro que o lado negativo do podcast é que ele é integralmente em inglês e, por ser apenas audio, ele não tem legendas. Contudo, se você tem o nível de fluência necessário, faça a si próprio esse favor e comece a escutar Serial. Te prometo que você não vai se arrepender e ainda vai transformar todos aqueles momentos penosos — ficar preso no trânsito; estar no transporte público; fazer jogging — em momentos de muito prazer. Você pode baixá-los gratuitamente através do seu app de podcasts favorito ou, se preferir, pode ouvir todos no site oficial do programa.

Drama japonês Date

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Adoro ver seriados bem-sucedidos de países além dos EUA. Já assisti seriados espanhóis, dinamarqueses, suecos, ingleses, australianos e franceses e novelas argentinas, colombianas e sul-coreanas. São uma ótima oportunidade para expandir a perspectiva e se familiarizar com métodos alternativos de produção e de storytelling e sair desse vício que tudo deve ser made in USA.

Dentre todos esses mercados estrangeiros, um dos que eu sou mais familiarizado é com o japonês. Sempre tive enorme interesse pela cultura nipônica e, entre 2005 e 2007, assisti um monte de doramas (do inglês, drama). Daí, como aconteceu com as produções americanas, fiquei cansado dos clichês e formulas do gênero e perdi um pouco do entusiasmo. Mesmo assim, até hoje, ainda acompanho as audiências, o que está causando burburinho e as novas ofertas e volta e meia assisto algum episódio.

Alias, parênteses para explicação. No Japão, as ficções televisivas são todas conhecidas como dramas, independentemente do gênero. Os dramas japoneses costumam ser semanais, ter entre 10 e 12 episódios e são sazonais. Ou seja, as ofertas se renovam completamente a cada nova estação e, mesmo os mais bem-sucedidos raramente tem novas temporadas (apesar de que continuações cinematográficas estão cada vez mais populares). Os dramas, junto com programas de variedade, são um staple da TV japonesa e todas as emissoras têm suas apostas, sempre contando com os atores e celebridades mais badalados do momento. Gêneros populares incluem comédias românticas, dramas investigativos e policias e dramas médicos.

No começo desse ano, e estava dando uma olhada no que tinha de novo e, por algum motivo, Date, uma comédia romântica que seria exibido na Fuji TV num dos horários de maior destaque, chamou minha atenção. O porque eu não sei ao certo mas talvez tenha tido a ver com o fato de estrelar Anne, uma atriz super badalada e que eu estava curioso para ver em ação..

Date, como já disse, é uma comédia romântica. Ou seja, as chances de eu gostar eram bem baixas. Primeiro porque doramas românticos, com algumas exceções, são lentos e eu não tenho muita paciência. E segundo porque, de modo geral, a comédia japonesa — espalhafatosa e exagerada — não é minha praia. Mas, mesmo assim, fiquei curioso e, quando o primeiro episódio legendado foi disponibilizado em algum site especializado, fui assistir e gostei. Daí resolvi ver o segundo episódio e, nossa, gostei muito. A cada episódio novo eu ia gostando mais e mais e mais e, quando me dei conta, eu tinha concluído o dorama inteiro.

Acho que a essa altura já ficou bem estabelecido que eu tenho o pior attention span do mundo. Apesar de já ter assistido os primeiros episódios de dezenas de dramas, dá para contar nos dedos das mãos a quantidade dos que eu concluí. Dentre esses, uma parcela foi por obrigação, como um desafio para eu mesmo. Então terminar Date e não perder a empolgação ao longo dos dez episódios foi um huge deal para mim.

Date é a história de duas pessoas sem nenhum tipo de habilidade social com um objetivo em comum: se casar. Hasegawa Hiroki interpreta Takumi Taniguchi que, aos 30 anos, é um NEET e um hikkimori. NEET é uma sigla muitíssimo usada no Japão que significa Not in employment or education, ou seja, são desempregados que não tem a intenção de arranjar trabalho e são sustentados, quase sempre, pelos pais. Já hikkimori é um problema social bem grande no país e descreve pessoas, em geral homens, que se isolam em seus quartos e simplesmente abdicam completamente, para o resto da vida, de qualquer tipo de integração ou contato com o resto da sociedade. Estima-se que existam mais de 1 milhão de hikkimoris no Japão atualmente e, claro, são todos NEETs.

Em contrapartida, Anne é Yoriko Yabushita que, diferente de Takumi, é altamente bem-sucedida e ambiciosa. Ela é uma gênia da matemática e tem um ótimo cargo público, além de se ser extremamente disciplinada; obstinada e exigente consigo mesmo. Porém, ela não tem nenhum tipo de habilidade social e tem um jeito bastante particular, as vezes quase robótico, de lidar com o mundo e com as pessoas.

Ele quer se casar simplesmente para ter alguém, que não seja a sua mãe, para o sustentar. Já ela quer se casar porque, obstinada do jeito que é, se prometeu que iria ter um marido antes dos 30 para assim realizar o desejo de sua falecida mãe, que era tão (ou ainda mais) genial quanto ela e ainda tinha o bônus de ser normal (Yoriko vê a mãe como uma rival, mesmo já tendo se passado mais de uma década desde seu falecimento). Nenhum deles acredita que amor é um elemento essencial para um casamento e ambos encaram o matrimônio como um contrato social. Por tanto, depois de se conhecer num site de relacionamento, eles concordam em se casar, mesmo não nutrindo nenhum tipo de amor entre os dois.

Apesar de ter alguns elementos que pareçam dark, Date é HILÁRIO. Eu ri muito e, como já disse, não costumo gostar de comédia japonesa. Além disso, os roteiros são fantásticos; os personagens, além de divertidos, são MUITO bem desenvolvidos e é muito difícil não se encarinhar e torcer por Yoriko e Takumi. É muito legal ver o relacionamento deles ir crescendo e ambos indo influenciando um ao outro e aprendendo a serem pessoas mais flexíveis e sociáveis.

Assistir Date na integra foi muito fácil (e, em geral, não é nada fácil para mim assistir nada na integra) e tenho que parabenizar o autor, os produtores e o elenco por um trabalho fantástico. Fiquei com vontade de assistir outros trabalhos de Ryota Kosawa, o roteirista, particularmente Suzuki Sensei. Mas bom,  vou deixar isso para quando eu tiver tempo….

O vídeo de American Oxygen da Rihanna

Eu sou uma das milhões de pessoas esperando ansiosamente pelo novo álbum de Rihanna. Depois de ser mimado por anos e anos com lançamentos anuais (que nunca decepcionavam), estava foda agüentar essa seca de música nova, que já durava dois anos.

Mas, quando ela lançou, de surpresa, o primeiro single do novo álbum, FourFiveSeconds, que tinha participação de Kanye West e Paul McCartney, fiquei bastante decepcionado. Depois de dois anos, eu queria algo enlouquecedor, que colocasse fogo na pista de dança e snatched our weaves. Ao invés disso, tivemos uma música mais propícia para cantar com o violão em volta de uma lareira. Boring.

A segunda música lançada, Bitches Better Have My Money, era mais empolgante mas ainda não acertava o ponto. Sem falar que o lançamento deixou claro a bagunça que ia ser a estratégia de promoção desse novo álbum. Tá, OK que ela quer ser inovadora mas sério, tá muito ruim isso ai, Rih, essas estratégias tão todas erradas e acabando com todo seu momentum, que estava num peak moment depois de todo esse tempo de espera.

A terceira música lançada foi American Oxygen. Muita gente não gostou, achou repetitiva e super-produzida demais. Eu adorei. Mas, dentre todas as músicas lançadas, ela teve o pior lançamento, resumindo bem a bagunça da estratégia da equipe da cantora que, depois de todos esses anos, parecem ter perdido a habilidade de promover uma das maiores estrelas pop da atualidade. Para começar, a música foi lançada com uma performance ao vivo que deu muito errado. Daí, ela foi lançada oficialmente, junto com o vídeo, exclusivamente no Tidal que, como nós já estabelecemos, é um fracasso.  Isso só serviu para garantir que a música fosse lançada sem nenhum buzz. Alguns dias depois, a canção e o vídeo foram disponibilizados no YouTube e no iTunes mas ninguém notou porque eles já tinham arruinado o hype inicial e o iTunes se recusou a promover a música na sua página de entrada porque um concorrente (o fracassado Tidal, no caso) tinha tido o lançamento exclusivo.

Mas falando de coisas boas… eu gostei da música. Mas eu só amei ela DE VERDADE depois de ver o vídeo, que eu achei poderosíssimo e super bem feito. A justaposição entre a letra e os visuais é fantástica e, apesar de ter ouvido críticas, dizendo que o vídeo era muito apelativo, eu adorei e achei um ótimo repasso pela história dos EUA, sem whitewash as suas mazelas e exaltando aquilo que é um dos principais pontos fortes dessa superpotência: a sua diversidade e seus imigrantes (como a própria Rihanna), que ajudaram a construir o país e fizeram dele o melting pot que ele é hoje em dia. Achei maravilhoso. Uma pena que foi prejudicada pela estratégia de lançamento desastrosa.

Pull your shit together Rih! E libera logo o R8 que nós estamos afoitos!!

Electra Heart da Marina & the Diamonds

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Os últimos meses foram repletos de lançamentos musicais empolgantes. Teve o EP surpresa de Drake, If You’re Reading This Is Too Late, que quebrou recordes de venda e manteve a qualidade top-notch que eu espero do rapper canadense. Teve How to Pimp a Butterfly, o novo CD de Kendrick Lamar, considerado (justamente) o melhor rapper da atualidade. Teve Title, o primeiro CD de Meghan Trainor (de All About That Bass fame) que eu estava afim de detestar (Meghan me irritava, sorry) mas acabei amando. Apesar de tudo isso, o meu álbum favorito do momento foi lançado em, pasmén, 2012(!!).

Sim, eu sei que a própria Marina acaba de lançar um novo CD, Froot, mas nem ouvi porque minha obsessão com Electra Heart é tanta que eu nunca conseguiria dar uma fair chance para o novo material. Que coisa, né?

Em minha defesa, eu só fui realmente apreciar o álbum no ano passado, enquanto viajava sozinho pela Europa. Até então, apesar de já tê-lo ouvido algumas vezes e ter gostado de alguns singles, eu nunca tinha dado muita bola a ele. Mas ano passado aprendi a apreciar o CD como ele realmente deve ser apreciado: como uma obra de arte do pop. Sério, todas as músicas são catchy e perfeitas. É tipo um CD da Katy Perry, só que com substância.

Obrigado Marina por esse diamante! (e sim, esse trocadilho foi propositalmente rídiculo. #MeDeixa!).

E em maio…

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O que eu estou mais looking forward to em maio é a novela argentina Entre Canibales. Acho que vai ser muito interessante ver uma telenovela dirigida e produzida por um ganhador do Oscar, no caso, Juan Jose Campanella, responsável pelo ótimo O Segredo de seus Olhos (premiado na categoria Melhor Filme Estrangeiro em 2010). A novela conta a história de Ariana, interpretada por Natalia Oreiro, que pretende se vingar do homem que a estuprou durante a adolescência e que, agora, é um político poderoso, candidato a presidência da Argentina.

Será uma super produção, gravada em 4K e com distribuição internacional pela Sony. Três grandes nomes da TV argentina — Oreiro; Joaquín Furríel e o chileno Benjamin Vicuña — interpretaram os papéis principais e a Telefe, emissora responsável pela trama, não está poupando nenhum centavo. Até o título da novela deixa isso claro: Entre Canibales é uma música do Soda Stereo, a banda mais bem-sucedida da história da Argentina (e, indiscutivelmente, da América Latina inteira) e, claro, a canção servirá como música tema da novela. Só os royalties pelos direitos das canções da banda de Gustavo Ceratti já devem ter custado uma fortuna e outras músicas do grupo serão utilizados como trilha-sonora.

Serão 140 capítulos, todos já escritos, e claro o objetivo é enfrentar o furacão turco no canal rivalMil y una Noches, que atualmente é líder de audiência da TV local.

Por que o Tidal é uma perda de tempo

Tidal Launch Event NYC #TIDALforALL

Se você por acaso esbarrou nas redes sociais dos famosos hoje você pode ter ficado com a impressão de que Nicki Minaj, Jay-Z, Rihanna, Madonna et all tinham descoberto a cura do câncer dado o entusiasmo de todos eles em “mudar a história para sempre”. Eles mudaram seus ícones no Twitter para azul piscina e anunciaram uma grandiosa conferência de imprensa em Manhattan para o fim da tarde. A conferência foi uma das maiores congregações de A-listers na história recente da música: Jay; Beyoncé; Kanye West; Madonna; Rihanna; Daft Punk; Nicki Minaj; Alicia Keys; J Cole; Usher; Jason Aldean; Arcade Fire; Deadmau5; Jack White e, via webcam, Chris Martin do Coldplay e Calvin Harris (direto do Brasil). Todos juntos por um motivo mais do que nobre: ganhar mais dinheiro através de um novo serviço de streaming, o Tidal.

Streaming é, hoje em dia, um big business. Não existe a menor duvida de que ouvir músicas através de serviços como Spotify é o futuro e todas as outras opções, seja iTunes ou Torrents, estão ficando obsoletas. Nos EUA e no Reino Unido, os dois principais mercados musicais do Ocidente, streaming já é contabilizado nas paradas oficiais de vendas tanto de CDs quanto de single e, na Suécia, onde o Spotify foi inventado em 2008, mais de 80% do consumo legal de música vem do serviço. A Apple está correndo contra o tempo para lançar sua própria plataforma e a busca por esse segmento foi apontado como um dos principais motivos pelo qual a gigante de Cupertino desembolsou 3 bilhões de dólares pela marca Beats que, além de seus celebres headphones, também tem um serviço de reprodução.

Apesar da concorrência do estado-unidense RDIO e do francês Deezer, o Spotify — disponível em 58 países — é o líder do segmento, mesmo estando presente em menos territórios que os rivais. O serviço, porém, esteve no centro de uma polêmica no final do ano passado quando Taylor Swift, indiscutivelmente a maior vendedora de álbuns e singles nos EUA atualmente, tirou todo o seu catalogo da plataforma; criticou o sistema de royalties da companhia e publicou um op-ed no Wall Street Journal defendendo a importância de se pagar por CDs.

O Spotify, por outro lado, defende que quase todo o dinheiro arrecadado por eles é repassado para as gravadoras. Eles dizem que o valor recebido em royalties é algo que não é decidido por eles e sim pelos selos dos respectivos artistas. E realmente, eles parecem estar falando a verdade, o que explica o porque de, apesar de rendimento superior a 1 bilhão de dólares em 2014 e mais de 10 milhões de usuários pagantes, eles nunca terem dado lucro.

Enfim, o fato é que muitos artistas demonstram descontentamento com o Spotify e afins. Eles afirmam ter pouco controle sobre o material deles na plataforma e reclamam do sistema de pagamento. E realmente, são reclamações justas. Por mais rica que a Taylor Swift seja, não é absurdo que ela espere ter controle e lucro sobre o material que à pertence. E é ai que o “revolucionário” Tidal entra na história: criado, assim como Spotify, na Escandinávia (na Noruega, especificamente), o serviço dá um controle muito maior para os artistas e também mais royalties (até porque todos os presentes hoje na coletiva de imprensa são, aparentemente, co-proprietarios). Mas claro, isso tem um preço bastante salgado para o consumidor: 20 dólares, o dobro do preço cobrado pela versão premium do Spotify.

E o que o público consumidor ganhar com isso? Muito pouco. O maior selling point do Tidal é o fato dele oferecer audio lossless, ou seja, de qualidade perfeita, muito superior ao oferecido pelo Spotify e afins. O detalhe é que quase ninguém tem o equipamento caríssimo necessário para ouvir a diferença no som e, além disso, qualidade perfeita significa arquivos pesadíssimos, uma baita de uma desvantagem para quem escuta esses serviços no celular, já que a maior parte das pessoas não tem internet ilimitado no aparelho e sim algum tipo de plano de dados. O Tidal até oferece um pacote mais barato, de 10 dólares, mas daí a qualidade de som é inferior. Inferior, inclusive, ao oferecido gratuitamente pelo Spotify. Coerência KD?

Obviamente, a maior parte das pessoas parecem ter achado a coisa toda uma palhaçada. A coletiva de imprensa foi uma ego trip absurda, com citações de Nietzche por parte de Alicia Keys e Jay-Z e demais artistas proclamando estarem “fazendo história” e “criando algo revolucionário”. Parece que eles esqueceram que esse treco revolucionário que eles acham que acabam de inventar já existe faz anos e oferece muito mais benefícios para o consumidor. A impressão não poderia ter sido mais negativa: aquele monte de artistas multi-milionários se provando completamente out of touch com a realidade e com o público consumidor de música. A hashtag #TidalForAll, que virou trending topic no Twitter, parecia uma piada com as pessoas, já que 20 dólares por mês definitivamente não é um preço democrático. Além disso, eles parecem não ter se dado conta que a maior parte das pessoas não tem headphones e caixas de som tão hi-tech (que, para eles, deve ser um bem básico e essencial) e, além disso, videoclipes em HD — outro serviço oferecido pelo Tidal — é algo facilmente encontrável no YouTube já faz bastante tempo. Nada da campanha ou do discurso deles foi coerente ou convincente e o serviço, pelo menos até agora, só é potencialmente revolucionário para o bolso deles.

Como se a coisa toda já não fosse ridícula, todo mundo está preocupado com a possibilidade de todos esses artistas que, em tese, têm muito a ganhar com o Tidal tirem seus catálogos do Spotify para tentar forçar o público a optar pela nova plataforma. Obviamente, isso será de uma burrice gigantesca: a maior parte das pessoas que abriu mão de ouvir musica ilegalmente graças ao Spotify iria simplesmente voltar ao Mediafire, ao Zipfile e aos Torrents. O Spotify pode dar menos do que eles acham que merecem mas dá muito mais do que downloads ilegais. Além disso, com a crescente importância de serviços de streaming nos charts britânicos e da Billboard, muitos artistas seriam prejudicados ao limitar seus lançamentos ao Tidal já que, mesmo que ele seja um sucesso, demorará MUITO para ele ter o alcance que o Spotify tem

Enfim, especula-se que os artistas irão oferecer material exclusivo ao Tidal ao invés de tirar as músicas do Spotify. O que é uma opção mais lógica mas mesmo assim meio tosca. Mas enfim, resta esperar para ver o que vai dar…. E nesse meio tempo, torcer para Jay-Z e sua trupe caírem na real. #TeamSpotify

Alias, conterrâneos brasileiros que querem testar a parada, más noticias: o serviço está disponível em 35 países, mas o Brasil não é um deles. Meu conselho é que vocês nem gastem seu tempo com uma campanha de PLEASE COME TO BRAZIL nas redes sociais e baixem logo o Spotify, esse sim revolucionário e que vale a pena o investimento (e não, isso não é um post patrocinado infelizmente. Mas tamos aí qualquer coisa, hein Spotify?).

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