Causando en español: os maiores fenômenos do Netflix em 2018

Nem “Stranger Things”, nem “13 Reasons Why”. Até agora, os dois maiores sucessos de repercussão do Netflix de 2018 foram em castelhano, provando que o público mundo afora está sedento por conteúdo envolvente, seja ele na língua que for.

Case 1: La casa de papel

Quando “La casa de papel” estreou no canal Antena 3 na Espanha, em maio de 2017, ela seguia a formula de muitas séries locais: produção cuidadosa e roteiros envolventes com referências ao universo jovem e um enredo grandioso com alguns ganchos dignos de novela juvenil (que, na realidade, tem sempre apelo universal).

O criador da série, Álex Pina, conhecia muito bem essa receita dado que ele construiu sua carreira na Globomedia, que foi por anos a principal produtora independente do país e que ajudou — através de enormes sucessos como “Un Paso Adelante”; “Los Serrano”; “Los Hombres de Paco”; “El Internado” e “El Barco” —  a construir esse molde.

A nova série de Pina — agora presidente de própria produtora, Vancouver Media —  tratava de um grupo de desajustados com problemas com a lei que são recrutados por uma misteriosa figura, El Profesor, para fazer um roubo gigantesco na Casa da Moeda espanhola. A série era contada através dos olhos da jovem Tokio, interpretada por Ursula Cobréro, uma popular estrela jovem no país.

Na Espanha, “Casa de papel” não foi inicialmente um fracasso mas tampouco foi um grande sucesso. Os 15 episódios –transformados em 22 para distribuição internacional  — foram todos gravados de uma só vez porém foram exibidos ao longo de duas temporada, uma entre maio e junho e outra entre outubro e dezembro. A série recebeu boas críticas e até alguns prêmios e, ajudada por uma promoção grandiosa, começou com ótima audiência antes de desinflar e perder o fôlego. A segunda temporada ficou, inclusive, abaixo da média da emissora.

Mas, apesar do público ibérico não ter dado muita bola, pelo menos de início, o Netflix viu bastante valor na produção e comprou os direitos de distribuição internacional. E, na plataforma de streaming, a série mostrou o seu verdadeiro potencial. Para surpresa geral, se transformou em um fenômeno global que ninguém esperava ser possível, principalmente para uma série que não era nem sequer de lingua inglesa. Ao longo do primeiro semestre de 2018 nenhuma série foi tão comentadas na América Latina e na Europa quanto “La casa de papel”.

O tamanho que a ficção tomou pode ser comprovada pelo fato dela ter virado um verdadeiro sucesso multimídia. A série chegou no Netflix em dezembro de 2017 e, pouco tempo depois, no carnaval brasileiro de 2018, fantasias inspiradas na produção tomavam conta da rua. Apesar das altas temperaturas, o abafado disfarce usado pelos personagens para invadir a Casa da Moeda — um jumpsuit vermelho com uma máscara do pintor Salvador Dali — foi visto em milhares de brasileiros, inclusive a sensação sertaneja Marília Mendonça que optou pela roupa para aproveitar os blocos em Salvador anonimamente.

A série também caiu no gosto dos funkeiros da periferia de São Paulo. Um dos maiores sucessos do ano foi a música “Só Quer Vrau”, uma recriação de “Bella Ciao”, a canção italiana dos anos ’40 usada proeminentemente na produção. No clipe, MC MM e DJ RD trajam a fantasia usado pelos ladrões da série e dançam animadamente a música enquanto assaltam uma instituição financeira, em clara alusão a ficção espanhola. Até o momento, “Só Quer Vrau” já teve 173 milhões de visualizações desde que foi lançado, em maio.

O vídeo foi lançado no canal do Kondzilla, o diretor de vídeos de funk que ajudou a colocar a periferia paulista no topo de todas as paradas e acumula 37 milhões de assinantes no YouTube. E não foi a primeira vez que o canal usou a série como referência: o clipe de “Fuleragem” — outro dos maiores hits de 2018 até o momento, com 220 milhões de views — também tem dançarinos caracterizados como a trupe de “Casa de papel”.

Além de conquistar os sertanejos e os funkeiros, o impacto da série também foi sentido na electronic dance music brasileira. Alok, o principal DJ do país e uma megaestrela do gênero, se juntou ao seu irmão Bhaskar e o duo Jet Lag para remixar a já mencionada “Bella Ciao”.

O Brasil foi um dos primeiros países onde a dimensão do fenômeno ficou clara mas o sucesso de “Casa de papel” foi muito além: a América Latina inteira se rendeu a série e, rapidamente, ela também estourou na Europa onde, assim como aqui, ela invadiu a cultura pop em geral.

A França foi outros dos países onde a série ressoou pesadamente. Se o Brasil tem o funk e o sertanejo como os gêneros mais populares, a nação européia é completamente rendida ao rap e diversos nomes do gênero recorreram a “Casa de papel” para obter hits ao longo do primeiro semestre do ano.

O duo SKG foi um dos primeiros a surfar na onda, lançando uma música intitulada como a série, “Casa de papel”, e um clipe inspirado na mesma no fim de fevereiro. Não demorou para viralizar, acumulando mais de 43 milhões de visualizações no Youtube até o momento. No mesmo dia, Gradur, um gigante nome do universo urbano, também lançou um single que tira casquinha do fenômeno espanhol, “Sheguey 12“. Um mês mais tarde, outro astro, Remy, fez um freestyle em cima de “Bella Ciao” e, logo depois, Maitre Gims, o rapper que mais vende discos no país, se juntou a outros nomes famosos, como seu irmão Dadju; Vitaa; Slimane e Maestro, para também gravar sua versão da canção italiana, que alcançou a posição #2 nas paradas da single local.

Como se isso tudo não fosse o suficiente, o DJ francês Hugel ainda fez um remix dance da canção italiana, que foi um sucesso na França e um sucesso ainda maior na Alemanha, onde o single chegou a segunda posição.

Isso sem contar o impacto da série nas redes sociais. Ursula Cobrero, a jovem protagonista, tinha 1 milhão de seguidores no Instagram nas semanas que antecederam a estréia da série no Netflix. Nos 10 meses seguintes, graças ao sucesso global, o número sextuplicou: a atriz agora acumula 6 milhões de followers. Alvaro Morte, que interpreta o Professor, foi de 35 mil a 3 milhões no mesmo período. Jaime Lorente, que fez o papel de Denver, também alcançou 3 milhões (ele tinha 100 mil no mês de dezembro de 2017).

Miguel Herán, que interpretou o par romântico da protagonista, Rio, já demonstrou que a série tinha grande potencial de engajamento nas redes sociais mesmo na Espanha. Quando a segunda temporada da série estreou na Antena 3, em 16 de outubro, ele tinha 71 mil seguidores. Uma semana depois do fim da exibição da mesma na TV espanhola, em primeiro de dezembro, ele tinha superado a barreira do milhão. Com o sucesso internacional da série, ele também alcançou a casa dos 3m.

Foram poucas as ficções — americanas ou não — que tomaram conta de tantas vertentes da cultura pop. Na Suécia ou na Argentina, todo mundo parecia estar viciado na “Casa de papel”. Não foi surpresa quando o Netflix confirmou que a série tinha se tornado a produção de lingua estrangeira mais vista da plataforma na história.

A série, porém, não conseguiu transcender a barreira do idioma em territórios de lingua inglesa, onde seu sucesso foi mais limitado. Isso, inclusive, foi um assunto explorado numa matéria de capa sobre a plataforma de streaming na revista New York de 14 de junho.

“Ted Sarandos (CEO e criador do Netflix) e eu estávamos comentando sobre a peculiaridade de Casa. Como ela é gigantesca em todos os mercados estrangeiros porém relativamente pequena nos EUA, no Canadá e no Reino Unido”, comentou Eric Barmack, o responsável por séries internacionais, para a publicação. Barmack até considerou produzir uma versão americana mas a idéia foi rejeitada por grande parte das equipes estrangeiras do Netflix e, junto com Pina, o criador da série, ele estava analisando possibilidades como um spin-off ambientado nos EUA.

Em todo o caso, o pouco sucesso (relativo) no universo English-speaking não chega a ser uma preocupação dado a repercussão avassaladora em todo o restante do universo. Uma terceira temporada — algo que tinha sido descartada inicialmente pela emissora detentora da série, Antena 3 — já foi confirmada.

E, inclusive, esse anuncio me fez refletir: é óbvio que existe enorme apetite para uma nova temporada da série. Porém, na minha opinião, isso é um enorme erro. Essa mania das companhias americanas de quererem espremer as séries até a última gota faz até sentido monetariamente mas é um desserviço a todo mundo. Isso ficou super claro com a adolescente “13 Reasons Why” que foi um fenômeno sem igual para a plataforma. Apesar da primeira temporada ser uma história completa, a sede por $$$ fez eles insistirem em renová-la e a segunda temporada não só matou muito do buzz da série como foi quase que universalmente mal recebida e iniciou uma onda de backlash em relação a ficção. É claro que isso não os impediu de renovar para uma ainda mais desnecessária terceira temporada.

Eu, em particular, não acho “Casa de papel” grandes coisas (e não tenho interesse em “13 reasons”). Mas o público obviamente se apaixonou e se envolveu com a série de uma maneira muito rara. Essa recepção calorosa já foi o ápice da série — porque alargar o que todo mundo já considera perfeito e arriscar saturar a audiência e diminuir a qualidade geral dos roteiros e da série no coletivo popular? (pensem, por exemplo, como “Sex and the City 2” manchou uma das franquias mais amadas de todos os tempos).

Acho a mesma coisa de “Big Little Lies”, a sensação da HBO que assisti e gostei bastante e que, apesar de ter sido planejada para apenas uma temporada (e ter sido muito bem recebida com esse conceito), irá ganhar uma continuação. Em contrapartida, aplaudo os produtores de “Game of Thrones” que souberam que está na hora de colocar um ponto final naquilo, mesmo existindo apetite infinito para mais dezenas de temporada.

Tanto a Netflix quanto a HBO foram capazes de ir contra diversos mal hábitos das grandes emissoras — dando mais liberdade aos roteiristas e tendo um modelo que não os deixa a mercê de anunciantes, etc. — mas esse — espremer o que rende muito dinheiro até a última gota — foi um vicio que eles não conseguiram largar.

De qualquer maneira, a proposta principal do Netflix não é colocar roteiro e qualidade acima da ganância e sim dar ao público o que ele quer. E é óbvio que o público, pelo menos por enquanto, quer mais “Casa de papel”.

Case 2: Luís Miguel, La Serie.

Conseguir dar ainda mais força para a carreira de um dos cantores mais bem sucedidos de todos os tempos é uma tarefa bastante difícil. Mas foi exatamente isso que “Luis Miguel, La Serie” — a ficção baseada na vida do fenômeno da música latina — fez.

Dizer que Luís Miguel é um ícone seria um understatement. O mexicano é uma lenda viva e um fenômeno sem igual desde o início da sua adolescência nos anos 80; tem incontáveis hits reconhecidos por quase todo mundo em países de língua hispânica e sua vida — separações, casamentos, a sua turbulenta família — é bem novelesca e causa fascínio desde sempre. Por isso, uma série biográfica — feita com a aprovação do mesmo — foi um prato cheio para o público. Mas, mesmo que as expectativas já fossem altas, a repercussão de “Luis Miguel” ainda assim surpreendeu.

A série, produzido pelo titã da TV global Marc Burnett, e com Diego Boneta no papel título, não teve um alcance global como “Casa de papel”. Isso, porém, foi proposital: a distribuição do produto foi concentrado apenas para os EUA, Espanha e América Latina. Diferente da maior parte das séries originais do Netflix, a ficção também não foi lançada de uma só vez mas, ao invés disso, episódios inéditos eram liberados semanalmente.

O motivo disso? A série teve distribuição internacional simultânea pelo Netflix mas ela foi produzida para ser exibida na TV dos EUA, na emissora hispânica Telemundo que, obviamente, optou por seguir o modelo tradicional de um episódio a cada 7 dias.

Mas o formato semanal funcionou e significou que, entre domingo a noite e segunda-feira, um assunto dominava as redes sociais latina: a turbulenta vida de Luismi. Ao longo dos 6 dias seguintes, o burburinho e as expectativas só aumentavam.

Enquanto a série foi um grande sucesso em quase todos os territórios — gerando enorme repercussão desde os EUA até a Argentina — não é surpresa que foi no México onde o fenômeno foi mais perceptível. Um dia depois da exibição do primeiro episódio, nada menos que 27 músicas de Luismi invadiram o top 200 do Spotify no país, um recorde. As redes sociais explodiram com discussões sobre a vida do artista, com canais do YouTube dedicado a análise de cada capitulo acumulando milhões de visualizações. Nas boates, bares e restaurantes do México, o reggaeton perdeu espaço para os hits nostálgicos do cantor, que está embalando o verão local. “Culpable o No”, um hit de 1988, se tornou inescapável depois que o quarto episódio da série revelou a história por detrás da canção.

O motivo de tanto sucesso é a fascinação que o público hispânico tem com Luis Miguel. E a série — apesar de ser autorizada  pelo mesmo — prometeu não se esquivar das polêmicas da vida do cantor. A promoção foi muito focada em um dos assuntos que mais intrigam o público (e que não costuma ser tratado pelo astro): a misteriosa desaparição de Marcela, a mãe do artista, que sumiu em meados dos anos 80 em meio de muita especulação.

Todo esse interesse veio em ótimo momento para o cantor, que estava passando por um período meio turbulento com diversos cancelamentos de show e vários processos, vindo de ex-empresários, agentes e da mãe de dois dos filhos deles, além de um perceptível aumento de peso.

Mas não existe crise que uma boa série biográfica não resolva.

Causando na Argentina: um aterrorizante Clan domina as bilheterias do país

  • Na Argentina, o filme El Clan está batendo todos os recordes alcançados por Relatos Selvagens ao longo do ano passado. Enquanto o filme de Damian Szifrón — a maior bilheteria de um filme local na história do país, com mais de 3.4 milhões de ingressos vendidos — demorou 11 dias para superar a barreira de 1 milhão de espectadores, El Clan chegou a marca em apenas nove. A estréia do filme superou em mais de 10% o primeiro final de semana de Relatos Selvagens e levou 505 mil espectadores ao cinema (53% de todo o público naquele final de semana).
  • O filme de Pablo Trapero conta a história real do clan Puccio, um caso que fascinou e aterrorizou a Argentina em meados dos anos 80. Os Puccio pareciam uma típica família de classe alta do idílico e afluente bairro de San Isidro, na Grande Buenos Aires. Mas, por detrás da faixada de família perfeita, escondia-se um grupo de criminosos que, entre 1982 e 1985, sequestrou quatro pessoas e, apesar de ter recolhido os resgates, matou três das vítimas. A aterrorizante história é um dos casos policiais mais assustadoramente celebres do país vizinho e, trinta anos depois, segue gerando repercussão.
  • Guillermo Francella, que interpreta Arquimedes Puccio, patriarca da família e a mente por detrás dos crimes, foi vital para transformar El Clan num dos filmes mais esperados do ano. Francella é um dos maiores nomes na Argentina, um sucesso tanto na TV quanto no cinema. Apesar de ser mais fortemente associado a comédia, o ator tinha surpreendido com seus dotes dramáticos em El Secreto de tus Ojos, filme de 2009 que levou o Oscar de Melhor Filmes Estrangeiro e que, até ser superado por Relatos no ano passado, detinha o recorde de maior bilheteria de um filme local. Para El Clan, Francella passou por uma extrema transformação e, através de maquiagem pesada e próteses, sua fisionomia foi drasticamente alterada para transformá-lo num sósia do famoso sequestrador. O resultado foi tão assombrosamente perfeito que, meses antes da estréia, o longa já era assunto por todo o país e o trailer já tinha acumulado milhões de visualizações.
  • Além de Francella, o filme tem Peter Lanzani, um ex-teen idol e protagonista de novelas adolescentes, no papel de Alex Puccio, o filho mais velho que, além de sequestrador e assassino, era um exímio jogador de rugby (um esporte muito popular entre a classe alta portenha).
  • Assim como Relatos Selvagens, o longa foi co-produzido por Pedro Almodovar e pela Telefe, uma das maiores emissoras do país, o que garantiu uma promoção intensa (o canal também esteve por detrás de O Segredo de seus Olhos). A direção é de Pablo Traperos, que, apesar de bastante aclame (Carancho, seu filme de 2010, foi indicado ao Oscar de Filme Estrangeiro), nunca tinha dirigido um blockbuster. Seu último filme, Elefante Blanco, lançado em 2012 e estrelando Ricardo Darín, alcançou 800 mil ingressos vendidos, um resultado bastante digno para um filme local mas que El Clán superou em pouco mais de uma semana.

  • A Telefe, a emissora por detrás do filme, quer lucrar ao máximo com o revivido interesse na história. Por isso, além do filme, o canal também exibirá uma mini-série de 13 episódios, Historias de un Clán. A estréia está prevista para esse mês e o elenco conta com a prestigiosa atriz Cecilia Roth no papel da matriarca, Epifania, e El Chino Darin, filho de Ricardo, no papel de Alex, o filho mais velho. Arquimedes será interpretado por Alejandro Awada.
  • A mini-série, produzida pela Underground, uma das produtoras de confiança da Telefe, estréia com o objetivo de levantar a audiência da emissora que, no momento, está levando uma surra do Canal 13 que domina o horário nobre com o fenômeno turco Las Mil y una Noches.

Kausando na krise: para as Kardashians, o céu é o limite.

irmaskardash

Lembram da época que os reality shows reinavam na TV e na cultura pop americana? Eu cobri bastante esse tempo na primeira encarnação desse blog. Pois bem, esse período acabou: ainda existem dezenas deles no ar mas a saturação fez com que uma parcela considerável do público perdesse o interesse e faz anos que nenhum canal produz uma nova franquia excepcionalmente bem sucedida. Além disso, a quantidade de estrelas de reality fazendo besteira, dando dor de cabeça aos produtores e chefes do canal e colocando as franchises lucrativas que elas protagonizam em perigo não para de aumentar (e, né? That’s what you get quando você dá programa de TV para um monte de gente doida). E todo o esforço que implica em manter os reality stars na linha pode até trazer números bons mas dá zero aclame e prestígio, principalmente se comparado com ficção, e todo mundo sabe que anunciante$$ amam prestígio e odeiam polêmica. Então, as emissoras estão investindo cada vez menos no segmento de “””realidade””” (usando a palavra de forma bem liberal) em função de um maior investimento em ficção (mesmo esses sendo beeeem mais caros de produzir). Afinal, é isso mesmo o que o público está querendo. Isso se reflete na lista dos mais vistos da TV a cabo, antes dominadas por realities, e hoje povoada pelos fenômenos de audiência The Walking Dead (AMC) e Game of Thrones (HBO) e também por Sons of Anarchy (FX); American Horror Story (FX) e diversos outros. Até canais que investiam quase que puramente em reality — MTV, Bravo, E! — estão se rendendo e produzindo séries.

Como baratas depois de um ataque nuclear, as Kardashians — as grandes estrelas dessa era reality que assolou os EUA e o resto do mundo — continuam firmes e fortes. Alias, apesar dos pesares, elas estão mais fortes, mais famosas e mais relevantes do que nunca. Não, elas não passaram incólumes pela crise: Keeping Up with the Kardashians, a nave mãe do fenômeno K, também sofreu com a queda de audiência do gênero e não tem mais os números monstros que obtinha em 2010 e 2011. Por outro lado, elas continuam as grandes estrelas do E! e, dentro da emissora, o poder delas só aumenta: apesar dos números mais discretos, elas são, de longe, a maior audiência da rede que, faz anos, não consegue emplacar nenhum outro reality (a não ser os infinitos spin-offs do klã como Kourtney & Khloe Take Miami; Kim & Kourtney Take New York; Kourtney & Khloe Take the Hamptons etc) e que, ainda por cima, perdeu grande parte das suas outras estrelas rentáveis (com a morte de Joan Rivers, o Fashion Police entrou em caos e, com a saída de Chelsea Handler, o E! não tem mais uma faixa late night altamente lucrativa) fazendo com que a família se tornasse quase que as donas do canal. Já dá para mudar o nome do E! para K!, não acham?

Mas qual o segredo do klã para se manter no topo, mesmo com todas as mudanças no panorama pop? Basicamente, um pacto com demônio uma baita habilidade para dominar a mídia e bombar nas redes sociais. No post a seguir, vamos analisar os três trunfos que tem mantido a família no topo da cadeia alimentar das celebs, mesmo depois de 7 anos (!!) de superexposição. Quer saber o segredo? Então continue reading.

Continue reading “Kausando na krise: para as Kardashians, o céu é o limite.”