The Great British Fuck Up

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2016 não está sendo um ano fácil no Reino Unido. Para começar, o país decidiu, num voto histórico e apertado, deixar a União Europeia, o que causou a maior crise política da história recente do país, além de muita incerteza e angustia. Como se isso não fosse o suficiente, outra decisão chocante está causando revolta. Em setembro foi anunciado que, a partir de 2017, The Great British Bake Off, o programa de TV mais popular do país, deixará a programação da BBC. A competição de confeiteiros migrará para uma emissora comercial, arriscando assim perder a essência que fez dele um fenômeno.

As duas situações, claro, são bastante diferentes entre si e a comparação tem fins humorísticos. Mas nem tanto assim: o fim da jornada do Bake Off na BBC1 realmente foi uma notícia que, num ano difícil, caiu como água fria na população. Comparações entre a mudança de canal e o Brexit foram lugar comum na mídia e nas redes sociais.

O reality culinário começou sua jornada na BBC2 antes de migrar para o canal principal da emissora pública em 2014, depois de 4 anos de popularidade crescente. Desde então, se estabeleceu como a emissão mais vista do país, obtendo números de audiência que pareciam inimagináveis no cenário fragmentado e concorrido do mundo contemporâneo. A final da temporada passada teve 15.6 milhões de espectadores, de longe a maior audiência de 2015.

Em termos de repercussão, Bake Off ultrapassou o burburinho causado pelo The X Factor em seu ápice, entre 2008 e 2012. Em termos de audiência, também. Como já falei antes, o apelo do programa de competição culinária é oposto ao grandioso show de talento da ITV1: a ausência de drama e exageros.

The Great British Bake Off é um programa relaxante e minimalista, onde os confeiteiros se ajudam entre si, os jurados sempre fazem críticas positivamente construtivas, o cenário é bucólico e em tons pastéis e todo mundo parece estar se divertindo e tirando máximo proveito da experiência. Momentos de tensão ou de conflito são raros e a competição preza por um clima enormemente otimista.

Com sua doçura e celebração da diversidade da população britânica, Bake Off é um antídoto perfeito em tempos de incerteza, xenofobia, recessão e crise política. De fato, a atual temporada, que está sendo exibida pela BBC1 desde o fim de agosto, tem obtido recordes históricos de audiência (algo notável dado os já gigantescos números das temporadas passadas).

A mudança para outro canal coloca em risco toda essa dinâmica, cuidadosamente cultivada pela BBC. Por isso, a notícia foi bastante mal recebida pelo público britânico.

Acabou-se o que era doce?

No dia 12 de setembro, a BBC anunciou, através de um comunicado em tom amargo, que, por decisão da produtora, The Great British Bake Off mudaria de emissora: “Junto com a Love Productions, nós investimos [no programa] e o transformamos no enorme sucesso que ele é hoje. Fizemos uma oferta considerável para mantê-lo na nossa programação mas não chegamos a um acordo monetário. Os recursos da BBC não são infinitos”.

A nota acabava com um apelo: “GBBO é um programa feito pela BBC e temos a esperança de que a produtora mude de ideia para que Bake Off possa continuar sendo exibido sem anúncios na BBC One”.

Mas alas, não era para ser. Algumas horas mais tarde, foi confirmado que o programa mais popular do Reino Unido migraria para o Channel 4. Apesar de também ser um canal público, a emissora é mantida através de publicidade, diferente da BBC cujos recursos são frutos das taxas e do license fee pago pelos cidadãos do país. Sem a necessidade de prestar contas para a população, a emissora ofereceu mais de 25 milhões de libras por ano pelo formato, 10 milhões acima do valor que a Beeb estava disposta a desembolsar. O contrato é válido por 3 anos.

O risco da mudança, porém, era bem claro para todos: modificar a formula ganhadora que transformou o programa em um fenômeno social.

O anúncio da transição mal tinha sido feito e Sue Perkins e Mel Giedoryc, as amadas apresentadoras, confirmaram que não concordavam com a mudança e, por tanto, não continuariam na atração. A dupla, que nunca perde a oportunidade de fazer bem-humorados trocadilhos, divulgou um comunicado em que diziam que não iriam “follow the dough. Dough significa, literalmente, massa de confeitaria mas também é uma gíria para dinheiro.

A decisão firme delas — que não aceitaram nem ouvir a proposta milionária dos donos do formato — foi lamentada mas também bastante elogiada. “Muito respeito as duas”, escreveu o badalado ator e apresentador James Corden no Twitter.

O impacto da notícia ficou ainda mais claro na manhã seguinte: o fim de Bake Off na BBC foi manchete em literalmente todos os periódicos, desde os tabloides como The Sun, Mirror e Daily Mail até os títulos mais sérios e respeitáveis, como o The Guardian e o The Times.

Na semana seguinte, a cartada final: Mary Berry, a celebrada cozinheira e a mais querida dentre os jurados, também confirmou que não iria continuar no programa por lealdade a BBC. Novamente, a decisão causou frustração mas o consenso foi que ela fez a coisa certa. “Eu quero que Mary Berry apareça nas notas de 20 libras”, sugeriu um usuário no Twitter (no começo do ano, foi decidido que o pintor William Turner estamparia as notas). Outro usuário reimaginou a oração do Ave Maria e a dedicou a cozinheira televisiva enquanto mais um concluiu que a saída dela do programa era a prova cabal que o apocalipse tinha chegado.

Com a saída de Mary, foi confirmado que o único integrante original que seguiria na atração era o chef Paul Hollywood, indiscutivelmente o menos popular do time.

Sem suas principais estrelas, a questão na mente de todos é: qual o sentido dessa mudança a longo prazo? Vale a pena desembolsar mais de 75 milhões de libras por um formato e, no processo, perder o elenco responsável por fazer com que o programa seja tão valioso?

São perguntas que a maior parte do público preferiria que não estivessem sequer sendo feitas. Mas, mesmo a contragosto, a partir de 2017 elas serão respondidas.

Read more: Por ser, de longe, o maior programa da TV britânica, a mudança de canal do GBO causou uma controvérsia brutal. Mas o mercado televisivo britânico é enormemente competitivo e feroz e casos como esse não são tão raros. Leia mais  para saber de algumas disputas recentes.

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Copa do Mundo de Futebol Feminino explode

A seleção estado-unidense comemora a vitória na Copa do Mundo de Futebol Feminino
A seleção estado-unidense comemora a vitória na Copa do Mundo de Futebol Feminino

Diferente de todo o resto do planeta, futebol não é exatamente o esporte favorito dos EUA. O fato de ser um esporte de nicho permitiu com que as mulheres, em geral discriminadas no mundo esportivo, tomassem posse da modalidade. O fruto disso foi uma seleção feminina fortíssima, tri-campeã da Fifa’s Women World Cup. E a terceira vitória, contra o Japão, na noite de domingo, dia 5, bateu recordes históricos de audiência no país: 26.7 milhões de espectadores, a partida de futebol mais assistida ever na terra do tio Sam. Para colocar isso em contexto, a final da NBA desse ano, a mais vista desde 1998, reuniu apenas 19.9 milhões de pessoas. Até agora, as únicas emissões televisivas que superaram a final da Copa do Mundo Feminina em audiência ao longo de 2015 foram o colossal Superbowl (114.4 milhões); as playoffs da liga universitária de futebol americano (33.3 milhões na final; 28 milhões para as duas semi-finais) e a final do basquete universitário (28..3 milhões).

O recorde anterior para um jogo de futebol nos EUA tinha sido a final da Copa de 2014. O jogo da Alemanha contra Argentina reuniu 26.5 milhões de espectadores, sendo 17.3 na ABC e 9.2 na emissão em espanhol, na Univision. Para um jogo dos EUA, o recorde tinha sido 24.7 milhões na partida da seleção nacional contra Portugal, também na Copa masculina do ano passado (17.1 na ESPN; 6.5 na Univision). O recorde anterior do futebol feminino foi a final da Copa Feminina de 1999, quando os EUA perderam para China nos pênaltis, reunindo 18 milhões de pessoas na frente da TV.

Esse ano, a FOX teve a exclusividade da exibição em inglês da Copa (a transmissão em espanhol nos EUA, que contribuiu com 1.27 milhão no número final, ficou para Telemundo). A emissora arrecadou 40 milhões de dólares com os jogos de acordo com a AdWeek, um aumento de 400% em relação ao campeonato de 2011. Ainda é um número modesto comparado com outros esportes e até mesmo com a Copa masculina mas, depois da audiência monstra desse ano, está mais que óbvio que esse valor crescerá exponencialmente em 2021.

As meninas do Team USA foram recebidas com grande fanfare em Nova Iorque nessa sexta-feira, dia 11. Elas desfilaram, sob chuva de confete, pelo centro da cidade, reunindo milhares de pessoas. O prefeito, Bill de Blasio, presenteou as 23 jogadoras com a chave da cidade.

E não é só nos EUA onde a WWC está crescendo consideravelmente em popularidade. No Japão, a outra seleção estrela do campeonato, as partidas também tiveram altíssimas audiências. Mesmo sendo exibida em um horário ingrato — segunda-feira, as 7:45 da manhã — a final teve audiência de 17.2%. No Japão, audiências acima de 15% já são consideradas excepcionais. As Nadeshiko, como a seleção nipônica é conhecida, perderam para as americanas de 2 a 5, uma revanche depois da vitória do time japonês em 2011. Naquele então, a final atingiu 16% de audiência (as 3 da manhã).

Chuva de confetes e multidão na chegada das garotas a Nova Iorque
Chuva de confetes e multidão na chegada das garotas a Nova Iorque

Além do Japão e dos EUA, o outro país que a Copa do Mundo feminina bombou foi a França. Apesar de ter uma seleção bastante forte, o grupo M6, que detinha os direitos de exibição, provavelmente não esperava grandes coisas , o que explica eles terem relegado as partidas para o canal secundário do grupo, o W9. Eles foram surpreendidos quando o jogo das bleu contra Alemanha reuniu 4.124 milhões de espectadores, quase que dobrando a oferta da emissora principal da companhia (que conseguiu 2.5 com um episódio do americano NCIS). Apesar de ser exibido por uma emissora que não faz parte do pacote básico (ela é um canal aberto, porém disponível apenas para quem tem TV digital), o jogo ficou em segundo lugar geral de audiência na noite, perdendo, por pouco, para a emissora líder do país, a TF1 (que exibia o reality show Kohlanta que, por causa da partida, registrou um número particularmente baixo). O índice registrados pelo jogo na W9 foi a maior audiência da história das emissoras de TV abertas digitais no país.

No Reino Unido, o resultado também foi animador. O time feminino acabou em quarto lugar — o melhor resultado da seleção inglesa desde 1966 — e os jogos triplicaram a audiência da BBC Three, incluindo 1.7 milhão de espectadores para a partida em que as inglesas derrotaram as alemãs.

Diferente dos EUA, é claro que a WWC não chegou perto da Copa masculina nem na França, nem no Reino Unido, nem no Japão. O jogo dos bleu contra a Alemanha na Copa de 2014 reuniu 17 milhões. No Japão, a partida dos Blue Samurai contra a Costa do Marfim atingiu 45% do audiência. No Reino Unido, o jogo da seleção inglesa contra o Uruguai teve 14 milhões de espectadores. Nos três países, as respectivas partidas foram as emissões televisivas mais vistas do ano.

Falando em Copa de 2014, a Alemanha — grandes vencedores do campeonato — também tinha um dos times femininos mais fortes na Copa Feminina. Não a toa, o jogo contra as francesas — que as germânicas ganharam — foi considerado um dos pontos altos da competição. Mas, apesar disso, o país pouco se importou com a Copa feminina, talvez ainda cega com a vitória do ano passado. No país, os jogos foram exibidos sem nenhum estardalhaço na emissora pública ZDF, conseguindo share de apenas 9%. Quem sabe até 2021 o país não acorde para o potencial das suas jogadoras, não é o mesmo? E o mesmo, claro, vale para o Brasil.

On my pop radar: maio/2015

Esse blog tem um objetivo claro: falar de cultura pop, de um lugar (relativamente) imparcial. Quase sempre dou uns pitacos mas esses raramente são o foco dos posts. Pois então, isso é o total oposto do que vocês podem esperar dessa nova coluna do site, On my pop culture radar, que será totalmente pessoal. Como o título indica, aqui eu falarei sobre o que está no MEU radar, ou seja, o que está me empolgando e me envolvendo na cultura pop no momento: seriados; musicas; livros; filmes e demais assuntos. A idéia é que ela seja mensal mas, né? Não prometo nada. Até porque sou mega exigente e nem todo mês tem coisas que me empolgam na cultura pop.

Essa primeira coluna vai ser supersized porque, além de abril, vai incluir algumas coisinhas que me empolgaram bastante em março, a começar por….

Broad City

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Full disclaimer: não tenho hábito de acompanhar seriados (*gritos de choque do público*). A minha déficit de atenção não me permite acompanhar nada por muito tempo e, sério, a maior parte das séries são ruins. Tenho amigos que acompanham cinco, seis seriados e penso “como eles agüentam?!“.

A lista de seriados que tentei assistir nos últimos tempos (últimos tempos = últimos 6 anos) é relativamente grande. Alguns, bem poucos, eu consegui assistir duas temporadas completas (Girls, não sei como nem porque e Gossip Girl… eu era jovem, não me julguem) e, outros, eu checked out no fim da primeira temporada e never looked back (Modern Family. Que eu amei com loucura no primeiro semestre de 2010 e hoje acho tosquíssimo; True Blood porque, na época, eu estava sem internet e não tinha o que fazer; Parks & Recreations, que eu gostei mas nunca tive motivação de ver mais, mesmo amando Amy Poehler e Aziz Ansari e querendo muito chegar no episódio do treat yo’ self ).

De resto, acho que nunca consegui passar de poucos episódios, seja porque achei novelesco e formulaico demais (Empire; Scandal) seja porque eu gostei do que vi mas simplesmente esqueci da existência do programa (How to Get Away with Murder. Que, alias, preciso binge watch um dia desses). Alguns seriados eu assisti o primeiro episódio e pensei “hmm, meio boring mas, a julgar pelo que as pessoas dizem, deve ficar fantástico depois. Tenho que continuar assistindo!” daí procedi a nunca mais assisti-los (Dexter, que eu sei que tem uma temporada final merda; Breaking Bad, que eu sei que tem uma temporada final mara); outros eu dozed off nos primeiros 20 minutos e desisti (Games of Throne; Orange is the New Black) e ainda teve aqueles que tentei mas simplesmente não entendi o hype (Homeland). Tem seriado que eu já vi um monte de episódio fora de ordem e penso “tão divertido! Um dia tenho que assisti-lo na integra” e daí nunca o faço (30 Rock; The Office) e outros vejo a repercussão e os números e concluo que  “nossa, todo mundo fala que é tão bom! Tenho muito que acompanhar!” mas no fundo penso “eh… not really” (True Detectives; Walking Dead). Alguns até comprei o DVD (em tempos pré-Netflix/Popcorn Time) e assisti — e gostei — do primeiro episódio antes de nunca mais tocar nele (Downton Abbey. Alias, pena que comprei em Londres, pq bem que eu poderia devolver…. apesar de que duvido que eles aceitassem devolução de algo comprado em 2010, né).

Como você pode ver, eu sei os seriados que bombam e todo mundo curte. E eu tento (a não ser que sejam Two and a Half Man ou Big Bang Theory. Esses podem arder no mármore do inferno). Mas não costuma dar muito certo. Toda vez que vejo a lista de seriados do Netflix ou do Popcorn Time vejo dezenas de coisas que eu penso “quando eu tiver tempo…”. Mas daí, quando tenho tempo, prefiro fazer outras coisas. E quando, por algum acaso, decido ver um seriado, em geral fico inquieto e numa vibe tipo “poderia estar fazendo coisa melhor” e “preciso de uma Ritalina para assistir isso”.

Enfim, não sou de ver seriado. Mas, quando vejo, daí prefiro comédia hands down. Elas me atraem porque são fáceis de assistir e são leves. Com drama, eu sou exigente e espero muito do roteiro. É muito fácil cair em formulas fáceis; inverossímeis e clichês. Comédias, por outro lado, só têm um pré-requisito: me fazer rir. Me fez rir, cumpriu sua função.

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Mesmo assim, isso não significa que eu assista muita comédia. Mesmo as que me fazem rir, eu nunca assisti integralmente ou então, assisto numa velocidade penosa, super lenta (ainda to tipo no sexto ep de The Unbreakable Kimmy Schmidt que eu sei que vocês todos assistiram em tipo um dia). Mas um seriado recente foi paixão a primeira assistida: Broad City. Foi o primeiro seriados em ANOS onde eu esperava de madrugada, ansiosamente, pelo novo episódio. Vi tudo assim que foi lançado, amei muitíssimo e ainda não o superei (a segunda temporada já acabou faz mais de um mês. E a terceira, só em janeiro do ano que vem).

Broad City é criado por Ilana Glazer e Abbi Jacobson, que interpretam versões um pouco humoristicamente exagerada delas mesmo. No seriado, Ilana e Abbi são duas garotas que vivem em Nova Iorque cujas vidas são uma bagunça infinita (eu me identifquei plenamente e sei que não fui o único), mas, mesmo assim, estão dispostas a se divertir ao máximo e tirar proveito de qualquer situação. Abbi é mais certinha e conta com o estimulo de Ilana, que é bem porra louca, para sair de sua zona de conforto. Juntas, elas são hilariantes, passando por todo tipo de aventura na selva urbana que é NYC.

O seriado é tudo que eu amo: urbano; identificável; inteligente; inovador; sem papas na língua; hilário. Ouvi falar dele pela primeira vez no começo do ano passado, logo depois que a primeira temporada tinha sido concluída nos EUA. No Twitter, tava todo mundo buzzing about it, até Lady Gaga (que proclamou que Broad City era seu programa favorito. Natalie Portman foi outra que disse a mesma coisa) e resolvi ir checar o que todo esse hype was about. Assisti a primeira temporada em tempo recorde.

Um ano se passou e a segunda temporada chegou. Eu gostei da primeira temporada mas nem me empolguei tanto assim com a chegada de novos episódios. Primeiro, porque já tinha se passado tanto tempo e, segundo, porque eu achei que a qualidade foi caindo ao longo da primeira temporada.

Mas bom, fui lá assistir os novos episódios e, pqp, meu amor pela serie foi consolidado, cristalizado e oficializado com uma série de tatuagens pelo meu corpo, incluindo Broad City, amor verdadeiro amor eterno no meu pé. A primeira temporada foi boa mas a segunda, na minha opinião, à excedeu. Certos episódios (tipo o do consolo) eu ainda rio só de pensar sobre.

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Mais do que a qualidade do seriado em si, ele me empolga pela quantidade de talento carne fresca que ele introduziu, começando pelas próprias Abbi e Ilana, altamente talentosas e que estão dando um fresh take e uma nova roupagem à comédia americana. Ambas estão escrevendo filmes no momento e acho que a indústria de entretenimento só tem a ganhar. Elas oferecem uma nova perspectiva e acho isso positivo e super importante para combater a estagnação que a indústria sofre de maneira geral.

Alias, sendo sincero, o talento de Abbi e Ilana me “irritou” um pouco. No seriado, elas são super identificáveis com a vida messy delas mas, na real, elas são gênias e roteiristas e showrunners super eficientes e accomplished. Absurdo elas nos enganarem e fazer a gente acreditar que elas são just like us quando, na real, elas são bem mais talentosas.

Mas bom, inveja aside, Ilana e Abbi, e todo o talento delas, são mais do que bem vindas. E a nós, resta tentar colocar nossas vidas em ordem e esperar a terceira temporada. Espero que ela seja igualmente boa, porque senão vou começar a me arrepender de todas as tatuagens que fiz….

(e não gente, não fiz nenhuma tatuagem relacionada a Broad City (ainda). Foi só uma piadinha).

Como faço para assistir Broad City?: olha, eu sempre costumo incentivar a opção legal, seja no Netflix ou no site oficial da emissora. Mas, como essa opção não existe no Brasil, todos os episódios estão disponíveis aqui ou, se você prefere vê-los legendados (tanto em português quanto em inglês), no app Popcorn Time.

Amy Schumer

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A primeira vez que vi Schumer foi em algum episódio de Girls, no comecinho de 2013. Alguém comentou que ela era uma comediante muito divertida e, por algum motivo, resolvi ir atrás do trabalho dela. Achei o stand-up Mostly Sex Stuff e, logo nos primeiros cinco minutos, já estava rendido e apaixonado. Claramente não fui o único porque, desde que o especial cômico dela foi ao ar, a carreira dela despontou de maneira absurda.

Esse mês, Amy foi nomeada uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista TIME e está prestes a lançar um filme, estrelado e roteirizado pela própria, com direção do celebradíssimo Judd Aptow e participações de Jon Heder; Vanessa Bayer; LeBron James; Ezra Miller; Tilda Swinton; Marisa Tomei e Daniel Radcliffe. Ela também tem um bem-sucedido programa de sketchesInside Amy Schummer, que acaba de estrear sua terceira temporada e tem tido momentos de enorme repercussão, como a paródia de Friday Night Lights; o vídeo que satiriza a obsessão atual da cultura pop americana com bundas e, claro, o segmento que teve participação de Tina Fey, Julia Louis-Dreyfus e Patricia Arquette.

Apesar de me divertir com alguns sketches, nunca acompanhei ou me entusiasmei muito com o programa de Schumer. Mas, mesmo assim, fui lembrado o quanto a adoro com as várias aparições que ela fez nas últimas semanas para promover tanto o filme quanto o seu programa. Ela está completamente apaixonante na capa da Entertainment Weekly e foi o único ponto positivo de um chatíssimo MTV Movie Awards (“metade de vocês não tem idéia de quem eu sou; a outra metade acha que eu sou a Meghan Trainor”). Além disso, seu mini-stand up no A Night of Million Stars foi maravilhoso. O filme dela, Trainwreck, foi muitíssimo bem-recebido no SXSW e chega aos cinemas dos EUA em julho.

Assim como Abbi e Ilana, Schumer é uma muito bem-vinda voz da nova geração de cômicos americanos. E, por favor, que ela continue ganhando especiais televisivos porque os stand-up dela me matam de tanto rir.

Natasha Leggero

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Como vocês podem ver, sou um gigantesco fã de comediantes mulheres. Eu nunca compartilhei da ideologia de que “mulheres não são engraçadas˜, primeiro porque eu não sou babaca e segundo porque todas as minhas humoristas favoritas — Tina Fey; Amy Poehler; Mindy Kailing — são mulheres. Então, é com muita felicidade que eu vejo essa nova era da indústria cômica americana onde mulheres, que foram discriminadas por tanto tempo, estão cada vez ganhando maior protagonismo. A revelação do momento parece ser Chelsea Peretti, que está em Brooklyn Nine-Nine e acaba de ganhar um especial no Netflix (além disso, ela é irmã do fundador do Buzzfeed!) mas, apesar de que a acho muito talentosa, o humor brando dela não é exatamente o meu tipo, que pefiro algo um pouco mais…. ácido? Como, por exemplo, o da fantástica Natasha Leggero.

Minha introdução a Leggero foi através do roast do Justin Bieber, exibido no finalzinho do ano passado. Roasts, para quem não sabe, são especiais televisivos onde alguma personalidade é “homenageada” por comediantes através das piadas mais ofensivas e absurdas possíveis. Nunca tinha assistido nenhum roast mas, pelo que vi no documentário da Joan River ou li sobre no livro de Mindy Kailing, nunca fui grande fã da idéia.

Mas, por algum motivo, fiquei curioso para ver o roast do Bieber. As piadas que tinham sido filtradas na imprensa realmente me fizeram rir (eu ainda estou puto que a melhor piada do ato do Hannibal Burress foi cortada, alias) e, né? Justin é exatamente o tipo de pessoa que a gente quer ver levar umas patadas.

O especial, como um todo, foi bastante divertido. Sim, teve as piadas sexistas desnecessárias e algumas coisas de mal gosto mas, no geral, foi bem engraçado e quase todos os participantes me fizeram rir. Martha Stewart arrasou e Pete Davidson e Hanniball também foram divertidos mas minha favorita foi, sem duvida nenhum, Natasha Leggero. O set dela foi tão bom que eu revi ele umas três vezes e fui atrás do especial do Comedy Central dela (muito divertido). Mesmo se o resto do roast fosse uma porcaria, ele já teria valido a pena por me apresentar a ela. Espero que, assim como Schumer, ela seja abraçada pela indústria e tenha a chance de mostrar ao mundo todo seu potencial.

Podcast Serial

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Até recentemente, mal sabia o que era um podcast e nunca tinha me interessado pelo conceito. Sei lá, a idéia de ouvir alguém falando coisas no seu ouvido através do seu reprodutor de MP3 ou celular — tipo um programa de rádio — me parecia meio dispensável.

Mas, no fim do ano passado, um podcast em especifico, Serial, parecia estar dominando todas as conversas. Todo mundo estava dizendo que era fantástico e ele estava sendo parodiado no Saturday Night Live e, pasmén, até pela Sesame Street. Curioso como sou, claro que fui atrás para ver do que ele se tratava e o que li sobre o conceito — uma investigação sobre um assassinato envolvendo adolescentes de Baltimore em 1999 — me deixou intrigado. Parecia interessante e diferente. Mas ai fiz o que em geral faço: me prometi que ia ouvir quando tivesse tempo e daí esqueci sobre a existência dele.

Mas not really. Por algum motivo, Serial ficou na minha cabeça e, semana passada, tinha que levar meu cachorro para passear e queria algo para ouvir e me distrair. Ao invés de escutar alguma playlist do Spotify, me lembrei de Serial e pensei “porque não?”. Baixei o app de Podcast da Apple no meu celular, peguei meu fone e saí.

Cinqüenta minutos depois e estava completamente viciado. Tinha entendido porque esse podcast em específico tinha causado tanta comoção e porque gente como Beau Willimon, criador de House of Cards, e Danny Zucker, produtor de Modern Family, tinham proclamado Serial o “melhor programa de 2014”, mesmo sem ele nunca ter sido exibido na TV (e alias, apesar de várias ofertas de Hollywood, os produtores negaram todas). Ouvi os 12 episódios seguintes em três dias e, graças a eles, todos aqueles momentos de ficar preso no trânsito ou ter que ir passear com o cachorro ficaram enormemente prazerosos. Fazia anos desde que eu não ficava tão envolvido com algo.

Serial investiga o assassinato de Hae Min Lee, uma popular e querida estudante de 18 anos na cidade americana de Baltimore. Seu ex-namorado, Adnan Syed, foi acusado de tê-la matado e condenado a prisão perpetua. Quinze anos depois, uma advogada, amiga de infância de Adnan, entrou em contato com a jornalista Sarah Koening, produtora do prestigiado This American Life, e chamou a atenção dela para a história. Junto com sua equipe, Koening começou a reinvestigar o caso e achou vários buracos que fazem dele muito mais complicado do que ele parecia a primeira vista.

O podcast é contado através de 12 episódios e cada um deles foca num aspecto do caso. Koening é quem guia o ouvinte e ela faz isso com maestria. Cada capitulo é muitíssimo bem contado e, além da narração da jornalista, eles contam com entrevistas com várias pessoas próximas aos jovens envolvidos, inclusive com o próprio Adnan, que cedeu horas e horas de entrevista direto da penitenciária onde cumpre sua pena. Claro que a expectativa é que, ouvindo o podcast, cheguemos a uma conclusão sobre a culpa de Adnan mas, óbvio, isso é muito mais complexo do que parece. De qualquer maneira, todos os episódios vão te manter on the edge of your seat e, apesar da história dark, ela é contada de uma maneira muito leve e envolvente, com momentos engraçados e tocantes (é difícil não chorar no episódio 9).

Claro que o lado negativo do podcast é que ele é integralmente em inglês e, por ser apenas audio, ele não tem legendas. Contudo, se você tem o nível de fluência necessário, faça a si próprio esse favor e comece a escutar Serial. Te prometo que você não vai se arrepender e ainda vai transformar todos aqueles momentos penosos — ficar preso no trânsito; estar no transporte público; fazer jogging — em momentos de muito prazer. Você pode baixá-los gratuitamente através do seu app de podcasts favorito ou, se preferir, pode ouvir todos no site oficial do programa.

Drama japonês Date

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Adoro ver seriados bem-sucedidos de países além dos EUA. Já assisti seriados espanhóis, dinamarqueses, suecos, ingleses, australianos e franceses e novelas argentinas, colombianas e sul-coreanas. São uma ótima oportunidade para expandir a perspectiva e se familiarizar com métodos alternativos de produção e de storytelling e sair desse vício que tudo deve ser made in USA.

Dentre todos esses mercados estrangeiros, um dos que eu sou mais familiarizado é com o japonês. Sempre tive enorme interesse pela cultura nipônica e, entre 2005 e 2007, assisti um monte de doramas (do inglês, drama). Daí, como aconteceu com as produções americanas, fiquei cansado dos clichês e formulas do gênero e perdi um pouco do entusiasmo. Mesmo assim, até hoje, ainda acompanho as audiências, o que está causando burburinho e as novas ofertas e volta e meia assisto algum episódio.

Alias, parênteses para explicação. No Japão, as ficções televisivas são todas conhecidas como dramas, independentemente do gênero. Os dramas japoneses costumam ser semanais, ter entre 10 e 12 episódios e são sazonais. Ou seja, as ofertas se renovam completamente a cada nova estação e, mesmo os mais bem-sucedidos raramente tem novas temporadas (apesar de que continuações cinematográficas estão cada vez mais populares). Os dramas, junto com programas de variedade, são um staple da TV japonesa e todas as emissoras têm suas apostas, sempre contando com os atores e celebridades mais badalados do momento. Gêneros populares incluem comédias românticas, dramas investigativos e policias e dramas médicos.

No começo desse ano, e estava dando uma olhada no que tinha de novo e, por algum motivo, Date, uma comédia romântica que seria exibido na Fuji TV num dos horários de maior destaque, chamou minha atenção. O porque eu não sei ao certo mas talvez tenha tido a ver com o fato de estrelar Anne, uma atriz super badalada e que eu estava curioso para ver em ação..

Date, como já disse, é uma comédia romântica. Ou seja, as chances de eu gostar eram bem baixas. Primeiro porque doramas românticos, com algumas exceções, são lentos e eu não tenho muita paciência. E segundo porque, de modo geral, a comédia japonesa — espalhafatosa e exagerada — não é minha praia. Mas, mesmo assim, fiquei curioso e, quando o primeiro episódio legendado foi disponibilizado em algum site especializado, fui assistir e gostei. Daí resolvi ver o segundo episódio e, nossa, gostei muito. A cada episódio novo eu ia gostando mais e mais e mais e, quando me dei conta, eu tinha concluído o dorama inteiro.

Acho que a essa altura já ficou bem estabelecido que eu tenho o pior attention span do mundo. Apesar de já ter assistido os primeiros episódios de dezenas de dramas, dá para contar nos dedos das mãos a quantidade dos que eu concluí. Dentre esses, uma parcela foi por obrigação, como um desafio para eu mesmo. Então terminar Date e não perder a empolgação ao longo dos dez episódios foi um huge deal para mim.

Date é a história de duas pessoas sem nenhum tipo de habilidade social com um objetivo em comum: se casar. Hasegawa Hiroki interpreta Takumi Taniguchi que, aos 30 anos, é um NEET e um hikkimori. NEET é uma sigla muitíssimo usada no Japão que significa Not in employment or education, ou seja, são desempregados que não tem a intenção de arranjar trabalho e são sustentados, quase sempre, pelos pais. Já hikkimori é um problema social bem grande no país e descreve pessoas, em geral homens, que se isolam em seus quartos e simplesmente abdicam completamente, para o resto da vida, de qualquer tipo de integração ou contato com o resto da sociedade. Estima-se que existam mais de 1 milhão de hikkimoris no Japão atualmente e, claro, são todos NEETs.

Em contrapartida, Anne é Yoriko Yabushita que, diferente de Takumi, é altamente bem-sucedida e ambiciosa. Ela é uma gênia da matemática e tem um ótimo cargo público, além de se ser extremamente disciplinada; obstinada e exigente consigo mesmo. Porém, ela não tem nenhum tipo de habilidade social e tem um jeito bastante particular, as vezes quase robótico, de lidar com o mundo e com as pessoas.

Ele quer se casar simplesmente para ter alguém, que não seja a sua mãe, para o sustentar. Já ela quer se casar porque, obstinada do jeito que é, se prometeu que iria ter um marido antes dos 30 para assim realizar o desejo de sua falecida mãe, que era tão (ou ainda mais) genial quanto ela e ainda tinha o bônus de ser normal (Yoriko vê a mãe como uma rival, mesmo já tendo se passado mais de uma década desde seu falecimento). Nenhum deles acredita que amor é um elemento essencial para um casamento e ambos encaram o matrimônio como um contrato social. Por tanto, depois de se conhecer num site de relacionamento, eles concordam em se casar, mesmo não nutrindo nenhum tipo de amor entre os dois.

Apesar de ter alguns elementos que pareçam dark, Date é HILÁRIO. Eu ri muito e, como já disse, não costumo gostar de comédia japonesa. Além disso, os roteiros são fantásticos; os personagens, além de divertidos, são MUITO bem desenvolvidos e é muito difícil não se encarinhar e torcer por Yoriko e Takumi. É muito legal ver o relacionamento deles ir crescendo e ambos indo influenciando um ao outro e aprendendo a serem pessoas mais flexíveis e sociáveis.

Assistir Date na integra foi muito fácil (e, em geral, não é nada fácil para mim assistir nada na integra) e tenho que parabenizar o autor, os produtores e o elenco por um trabalho fantástico. Fiquei com vontade de assistir outros trabalhos de Ryota Kosawa, o roteirista, particularmente Suzuki Sensei. Mas bom,  vou deixar isso para quando eu tiver tempo….

O vídeo de American Oxygen da Rihanna

Eu sou uma das milhões de pessoas esperando ansiosamente pelo novo álbum de Rihanna. Depois de ser mimado por anos e anos com lançamentos anuais (que nunca decepcionavam), estava foda agüentar essa seca de música nova, que já durava dois anos.

Mas, quando ela lançou, de surpresa, o primeiro single do novo álbum, FourFiveSeconds, que tinha participação de Kanye West e Paul McCartney, fiquei bastante decepcionado. Depois de dois anos, eu queria algo enlouquecedor, que colocasse fogo na pista de dança e snatched our weaves. Ao invés disso, tivemos uma música mais propícia para cantar com o violão em volta de uma lareira. Boring.

A segunda música lançada, Bitches Better Have My Money, era mais empolgante mas ainda não acertava o ponto. Sem falar que o lançamento deixou claro a bagunça que ia ser a estratégia de promoção desse novo álbum. Tá, OK que ela quer ser inovadora mas sério, tá muito ruim isso ai, Rih, essas estratégias tão todas erradas e acabando com todo seu momentum, que estava num peak moment depois de todo esse tempo de espera.

A terceira música lançada foi American Oxygen. Muita gente não gostou, achou repetitiva e super-produzida demais. Eu adorei. Mas, dentre todas as músicas lançadas, ela teve o pior lançamento, resumindo bem a bagunça da estratégia da equipe da cantora que, depois de todos esses anos, parecem ter perdido a habilidade de promover uma das maiores estrelas pop da atualidade. Para começar, a música foi lançada com uma performance ao vivo que deu muito errado. Daí, ela foi lançada oficialmente, junto com o vídeo, exclusivamente no Tidal que, como nós já estabelecemos, é um fracasso.  Isso só serviu para garantir que a música fosse lançada sem nenhum buzz. Alguns dias depois, a canção e o vídeo foram disponibilizados no YouTube e no iTunes mas ninguém notou porque eles já tinham arruinado o hype inicial e o iTunes se recusou a promover a música na sua página de entrada porque um concorrente (o fracassado Tidal, no caso) tinha tido o lançamento exclusivo.

Mas falando de coisas boas… eu gostei da música. Mas eu só amei ela DE VERDADE depois de ver o vídeo, que eu achei poderosíssimo e super bem feito. A justaposição entre a letra e os visuais é fantástica e, apesar de ter ouvido críticas, dizendo que o vídeo era muito apelativo, eu adorei e achei um ótimo repasso pela história dos EUA, sem whitewash as suas mazelas e exaltando aquilo que é um dos principais pontos fortes dessa superpotência: a sua diversidade e seus imigrantes (como a própria Rihanna), que ajudaram a construir o país e fizeram dele o melting pot que ele é hoje em dia. Achei maravilhoso. Uma pena que foi prejudicada pela estratégia de lançamento desastrosa.

Pull your shit together Rih! E libera logo o R8 que nós estamos afoitos!!

Electra Heart da Marina & the Diamonds

leggero

Os últimos meses foram repletos de lançamentos musicais empolgantes. Teve o EP surpresa de Drake, If You’re Reading This Is Too Late, que quebrou recordes de venda e manteve a qualidade top-notch que eu espero do rapper canadense. Teve How to Pimp a Butterfly, o novo CD de Kendrick Lamar, considerado (justamente) o melhor rapper da atualidade. Teve Title, o primeiro CD de Meghan Trainor (de All About That Bass fame) que eu estava afim de detestar (Meghan me irritava, sorry) mas acabei amando. Apesar de tudo isso, o meu álbum favorito do momento foi lançado em, pasmén, 2012(!!).

Sim, eu sei que a própria Marina acaba de lançar um novo CD, Froot, mas nem ouvi porque minha obsessão com Electra Heart é tanta que eu nunca conseguiria dar uma fair chance para o novo material. Que coisa, né?

Em minha defesa, eu só fui realmente apreciar o álbum no ano passado, enquanto viajava sozinho pela Europa. Até então, apesar de já tê-lo ouvido algumas vezes e ter gostado de alguns singles, eu nunca tinha dado muita bola a ele. Mas ano passado aprendi a apreciar o CD como ele realmente deve ser apreciado: como uma obra de arte do pop. Sério, todas as músicas são catchy e perfeitas. É tipo um CD da Katy Perry, só que com substância.

Obrigado Marina por esse diamante! (e sim, esse trocadilho foi propositalmente rídiculo. #MeDeixa!).

E em maio…

schumer

O que eu estou mais looking forward to em maio é a novela argentina Entre Canibales. Acho que vai ser muito interessante ver uma telenovela dirigida e produzida por um ganhador do Oscar, no caso, Juan Jose Campanella, responsável pelo ótimo O Segredo de seus Olhos (premiado na categoria Melhor Filme Estrangeiro em 2010). A novela conta a história de Ariana, interpretada por Natalia Oreiro, que pretende se vingar do homem que a estuprou durante a adolescência e que, agora, é um político poderoso, candidato a presidência da Argentina.

Será uma super produção, gravada em 4K e com distribuição internacional pela Sony. Três grandes nomes da TV argentina — Oreiro; Joaquín Furríel e o chileno Benjamin Vicuña — interpretaram os papéis principais e a Telefe, emissora responsável pela trama, não está poupando nenhum centavo. Até o título da novela deixa isso claro: Entre Canibales é uma música do Soda Stereo, a banda mais bem-sucedida da história da Argentina (e, indiscutivelmente, da América Latina inteira) e, claro, a canção servirá como música tema da novela. Só os royalties pelos direitos das canções da banda de Gustavo Ceratti já devem ter custado uma fortuna e outras músicas do grupo serão utilizados como trilha-sonora.

Serão 140 capítulos, todos já escritos, e claro o objetivo é enfrentar o furacão turco no canal rivalMil y una Noches, que atualmente é líder de audiência da TV local.

Causando na TV latino-americana: teledramaturgia turca

A primeira vista, a Argentina, o Chile, o Afeganistão e o Paquistão são países que não têm quase nada em comum entre si. O gosto televisivo deles, contudo, parece bastante similar: produções turcas dominam a lista de maiores audiências da TV em todos. Mas enquanto o Paquistão e a Turquia são relativamente próximos, tanto geograficamente quanto culturalmente, é difícil entender como a teledramaturgia de um país tão distante conseguiu conquistar de maneira avassaladora o Chile e a Argentina, dois mercados televisivos latino-americanos altamente importantes e bastante concorridos. Por incrível que pareça, Avenida Brasil é chave para entender a ascensão das novelas turcas na América do Sul.

Dentre todos os países latino-americanos, acho que nenhum país é tão orgulhoso de suas produções próprias quanto o Brasil. E é verdade, temos mesmo muito o que nos orgulhar: num país tão fragmentado como o nosso, a teledramaturgia une todas as classes sociais em frente a TV. Temos produção de ponta; exportamos nossas novelas para o mundo todo e ainda por cima ganhamos um montão de Emmy. Acontece que o nosso orgulho acaba contribuindo para que tenhamos um complexo de superioridade. E esse complexo faz com que nem prestemos atenção aos nossos concorrentes de continente.

Sim, as produções mexicanas são muito precárias e formulaicas mas desbancam a Globo como os maiores exportadores e maiores produtores de novela do mundo. Sim, a Argentina não tem 1/10 do tamanho do nosso mercado e nem 1/10 dos nossos orçamentos mas, com muito menos dinheiro que a gente, eles fazem teledramaturgia com produções impressionante, são considerados um polo de produção a nível global (não a toa, as sedes da Disney e da Endemol na AmLat ficam lá)  e são um dos maiores vendedores de formato do mundo (desbancando fácil o Brasil). Sim, a Colômbia tem ainda menos orçamento mas muitas novelas deles têm aclame e repercussão mundial (Café con Aroma de Mujer; Pasión de Gavilanes) e é deles a novela mais bem-sucedida da história, Betty a Feia, que foi adaptada com sucesso extraordinário em países tão diversos como Alemanha, Holanda, México, EUA e China.

Um país que não mencionei acima foi o Chile. A quarta maior economia da América Latina e a mais consolidada (é o único país da America Latina que não precisa de visto para entrar nos EUA), o Chile tem quatro canais grandes que costumam investir em produções próprias. Mas o país não tem a tradição do Brasil, do México e da Colômbia, nem o expertise da Argentina e, por isso, a sua dramaturgia não chama muita atenção no panorama global. Além disso, a boa economia deles faz com que se acomodem. Diferentemente da Argentina, que tem um mercado publicitário muito abalado por sucessivas crises e precisa vender e produzir seus programas para mercados externos, o Chile tem um mercado saudável, um bolo publicitário muito grande e nenhuma grande necessidade de vender formatos, nem novelas. Muito pelo contrário, a impressão é que eles consomem mais do que exportam pois são, afinal de contas, um dos maiores compradores de formatos da Argentina.

Isso não quer dizer que eles não vendem nada — várias sucessos recentes do país foram adaptados pela Telemundo, como Donde Esta Elisa, Alguién que te Mira e Las Vegas e eles também tem vendido vários formatos para a Colômbia e para o México — mas, dentre todos os grandes mercados latinos, os chilenos com certeza são os que têm a teledramaturgia menos estabelecida. Um dos lados positivos disso é que eles têm menos medo de arriscar. E esse lado destemido deles foi o responsável por trazer uma novela turca que começou uma mini revolução no mercado televisivo latino-americano.

2013: Pablo Escobar e Avenida Brasil dominam o Chile

Tudo começou em 2013. O Chile sempre comprou novelas do Brasil, do México, da Colômbia e da Argentina mas as estrelas da TV local sempre foram as produções próprias. Mas, em 2013, as coisas foram diferentes e a teledramaturgia chilena foi completamente ofuscada por duas produções internacionais: Pablo Escobar, El Patrón del Mal, da Colômbia, e Avenida Brasil, do Brasil (duh).

Avenida Brasil dispensa apresentações. Apesar de que, desde os anos 70, as produções brasileiras têm espaço e público fixo na TV chilena, há muito tempo uma novela tupiniquim não tinha tanta repercussão. Mas a novela de João Emanuel Carneiro, com sua impressionaste produção e trama extremamente clássica de amor e vingança, conquistou os chilenos a tal ponto que o 13, canal que exibia a novela, começou a fragmentar os capítulos em diversas partes na esperança de estender a duração da novela (e, consequentemente, os resultados de audiência espetaculares obtidos por ela). As horas de “cenas do capítulo anterior” e os poucos minutos de cenas inéditas não abalaram em nada os números de sintonia e, quando finalmente chegou a hora do capítulo final, ele foi exibido em horário nobre (a novela era exibida a tarde) com números recordes de audiência.

A colombiana Pablo Escobar: El Patrón del Mal, sobre um dos traficantes mais celebres da história, também não ficou muito longe em termos de sucesso, lançando bordões e conquistando o prime time da TV local.

2014: a invasão da Argentina

Ao mesmo tempo que Avenida Brasil chegava ao fim no Chile, a novela desembarcava na Argentina, na Telefe, um dos principais canais do país. Fazia anos desde a última vez que a emissora apostou numa produção brasileira mas o sucesso da ficção nos dois países vizinhos (nós e o Chile, no caso) os motivou a lançar a trama com uma enorme campanha de marketing e como ponto focal da programação de fim de tarde do canal. E a aposta deu resultado: rapidamente, Avenida Brasil era a maior audiência da TV argentina, superando todas as produções locais do horário nobre. Era a primeira vez em quase uma década que um programa internacional liderava as audiências locais (desde a colombiana Pasión de Gavilanes em 2005). Quando Showmatch, o programa de variedade e incontestável líder de audiência da TV local, estava prestes a começar sua nova temporada no canal rival, o Trece (não confundir com o 13 chileno), a Telefe não titubeou em mover a novela brasileira para o horário nobre para enfrentar a oposição. Pela primeira vez, a Telefe colocou uma produção internacional no seu horário noturno central.

A jogada se provou certeira, com a novela global brigando de igual para igual com o programa mais celebre da TV local e, na maior parte das vezes, ganhando da concorrência. O sucesso foi tão gigantesco que o canal levou o elenco para Buenos Aires para apresentar o capitulo final na frente de 8 mil fanáticos no estádio Luna Park e Avenida Brasil foi coroado como o maior fenômeno da TV argentina ao longo de 2014.

O sucesso de Avenida Brasil serviu para destacar o ano fraquíssimo das produções locais argentinas, que penavam em chamar a atenção do público local. Um dos poucos destaques de ficção na TV argentina em 2014 foi a colombiana Pablo Escobar: El Patrón del Mal. Diferente do Chile, onde foi exibida num canal grande, Escobar foi comprada na Argentina pelo Canal 9, um canal com audiências bem insignificantes.  Mesmo assim, a novela conseguiu a façanha de triplicar as audiências do horário nobre da emissora e incomodar o Trece, um dos dois grandes líderes.

As turcas desembarcam no Chile

Enquanto Avenida Brasil e Pablo Escobar repetiam, na Argentina, o sucesso que tinham obtidos no Chile, os canais chilenos estavam com dificuldade para repor os dois fenômenos. Inicialmente, ambas as emissoras apostaram no que parecia seguro: o Mega substituiu Escobar por outra narco-novela colombiana, El Cartel de los Sapos, e o 13 (não confundir com o Trece argentino) substituiu Avenida Brasil por outra novela brasileira, Salve Jorge. Ambas decepcionaram e ficaram distantes do enorme respaldo obtido pelas suas antecessoras. E foi ai que a Mega resolveu chutar o balde e apostar no incerto, comprando a novela turca Binbir Gece ou As Mil e Uma Noites. Assim como Avenida Brasil, As Mil e uma Noites tinha uma produção grandiosa e uma história de romance clássica cheia de sensualidade. Se a novela brasileira dublada virou um fenômeno para o 13, porque a turca não poderia repetir esse sucesso para o Mega?

O risco provou-se uma das decisões mais acertadas já feitas pela emissora e, em poucas semanas, Las Mil y una Noches estava obtendo números recordes de audiência, superando inclusive os números obtidos por Avenida Brasil e Pablo Escobar um ano antes. A novela estreou em fevereiro do ano passado e chegou ao fim na primeira semana de 2015. Ao longo dos seus 180 capítulos, teve uma média de 28 pontos, alcançando um pico de quase 39 pontos em um dos capítulos finais em dezembro. Como comparação, o fenômeno Avenida Brasil teve média de 13 pontos e Escobar teve 15, ambos com picos de 26 pontos em seus respectivos capítulos finais.

A internacionalização do horário nobre argentino

Quando Avenida Brasil chegou ao fim na Argentina, em julho de 2014, a Telefe devolveu seu horário nobre para as produções locais, com duas grandes apostas: o romance  Camino al Amor, que reunia os protagonistas e a equipe do mega hit de 2012 do canal, Dulce Amor e a comédia Viudas y Hijos del Rock&Roll, que reunia os protagonistas e a equipe de outro mega hit de 2012 do canal, Graduados. Mas, infelizmente, a tentativa da Telefe de voltar o relógio para 2012 não deu muito certo. Mesmo assim, eles não desistiram e, para 2015, resolveram continuar a tentativa de voltar a tempos de glória passados, dessa vez com a intenção de repetir os resultados de 2014. Para isso, eles voltaram a ceder o horário nobre para uma novela da Globo, Rastros de Mentira (título internacional de Amor à Vida).

A emissora concorrente, Trece (não confundir com o 13 chileno) teve mais visão e notou que o que dava certo no Chile, tinha grandes possibilidades de dar certo na Argentina. Por isso, o canal apostou em Las Mil y una Noche. Foi a primeira vez na história recente que os dois principais canais argentinos apostaram em títulos internacionais (ou latas, como eles chamam) para o horário central. Ambas as produções estrearam juntas, no dia 5 de janeiro. Rastros levou vantagem com 11.5 pontos, mas Noches teve resultado digno, com 10.6 pontos. Mas, enquanto a brasileira ficou estacionada nos 11 pontos, a novela turca decolou e, em sua terceira semana, já está na casa dos 19 pontos de audiência, sendo o programa mais visto da TV argentina.

¿”Las mil y una noches” es la nueva “Avenida Brasil”?, perguntou o jornal Clarin, o periódico mais importante do país. “Nos bares, nos elevadores e nos escritórios, todos falam de Onur e Sherezade como se estivessem falando de João e Maria. E quando a naturalidade dos nomes da ficção se impõem, o fenômeno fica claro”, resumiu a publicação.

As novelas turcas; as novelas brasileiras e a TV latino-americana

Ainda é muito cedo para dizer se as novelas turcas vieram para ficar. Mas, a julgar pelo Chile, parece que sim: com o fim de Las Mil y una Noches, a Mega apostou em duas outras produções turcas, Fatmagul e Ezel. Ambas atualmente lideram com folga a lista de programas mais vistos no país e consolidaram o Mega como o canal mais visto do Chile, elevando toda a programação noturna da emissora. Em breve, uma terceira produção turca, Sila, estreará na faixa diurna do canal. As emissoras rivais também se renderam:  a atual novela do horário central do 13 é a épica El Sultán (Muhteşem Yüzyıl) enquanto o Chilevision investiu em Tormenta de Pasiónes (Öyle Bir Geçer Zaman Ki). Enquanto isso, na Argentina, a Telefe já mostrou que também entrará no jogo e se antecipou ao Trece, comprando os direitos de Fatmagul.

Avenida Brasil (re)abriu muitas portas para a Rede Globo. Foi a primeira vez que uma produção brasileira liderou a audiência da TV argentina e foi um retorno triunfal para as novelas globais na Telefe, que, graças ao sucesso de AvB, continua apostando em títulos brasileiros nas faixas diurnas e noturnas. No Chile, que sempre teve faixas fixas para dramaturgia brasileira, o interesse nas produções nacionais foi revivido. Depois de anos sem emplacar uma novela na TV colombiana, Avenida Brasil se instalou no horário nobre de um dos principais canais locais com grande sucesso. No México, foi a primeira vez que uma novela da Rede Globo foi exibida na TV aberta e o sucesso da trama de JEC significou a abertura de um horário noturno para nossas produções. Isso sem contar os números altíssimos no Uruguai, na Venezuela, no Peru, no Paraguai….

A questão é que, assim como no Brasil, onde Avenida Brasil reviveu muito momentaneamente o interesse maciço do público em novela das 8, a Rede Globo não parece ter produções igualmente fortes para prender o interesse dos espectadores mundo afora. Avenida Brasil não é a regra e sim a exceção. Sim, Amor à Vida está tendo resultados dignos nos países que está sendo exibido e, ainda em 2015, João Emanuel Carneiro volta com uma nova trama mas a verdade é que a herdeira do apetite do grande público latino-americano por grandiosas produções internacionais não parece ter sido a Globo, que foi a pioneira da tendência, e sim a Turquia.

Em todo o caso, o mercado brasileiro é forte e gigantesco o suficiente para a Globo não ter praticamente nenhuma dependência do mercado externo. O sucesso internacional é apenas um bônus, a cereja no topo. O importante mesmo é o sucesso nacional. Mas nem aqui no Brasil a emissora conseguiu repetir o sucesso e isso fica clara quando constatamos que nada que o canal exibiu, nem mesmo a Copa do Mundo, conseguiu chegar perto dos 51 pontos registrados pelo capitulo final de Avenida Brasil em outubro de 2012.

Mas a Globo tem pouco com que se preocupar quando comparado com os executivos televisivos chilenos ou argentinos. Na Argentina, particularmente, a dramaturgia local sempre foi o ponto central da TV, liderando com facilidade os níveis de audiência e sendo exportada para todo o mundo. Contudo, desde 2012, nenhum canal — nem a Telefe, nem o Canal 13 — consegue emplacar um enorme sucesso e todas as histórias que conquistaram o público são títulos internacionais que, pela primeira vez na história, estão dominando o horário nobre das duas principais emissoras do país.

No Canal 13, Noche & Dia, a grande aposta nacional do canal, estrelando grandes nomes locais, tem penado para conseguir metade da audiência da novela turca. A emissora teve que deixar o orgulho de lado e aceitar que o programa importado, não a produção própria, era a grande estrela do canal. Por isso, os horários foram invertidos: Mil y Una Noches agora é exibido no horário nobre, as 22hs, enquanto Noche & Dia foi movido para as 23hs. A maior audiência da Telefe também é uma lata, Amor à Vida, que apesar de não ter chegado perto do sucesso da turca também tem feitos números respeitáveis.

Pelo menos na Argentina, os produtores locais ainda tem esperança de reviver o interesse do público nas ficções nacionais. A Telefe irá produzir três novelas para 2015, incluindo uma super produção dirigida por Juan José Campanella, ganhador do Oscar por El Secreto de tus Ojos. Já o Trece também prepara duas ficções noturnas, incluindo um thriller com o respeitado ator Julio Chavez. Mas, enquanto esses programas não chegam, as turcas continuam sua dominação, com Mil y una Noches liderando com folga as audiências nacionais no Trece e, em breve, também desembarcam na Telefe.

Além da Argentina e do Chile, Las Mil y Una Noches também está sendo exibida na Colômbia e no Peru e, em breve, estreia no México e no Brasil, na Bandeirantes.

As novelas turcas


Produções impressionantes; paisagens exóticas e enredos tradicionais e machistas . Uma formula ganhadora. Antes de julgar, lembre-se: isso também descreve grande parte dos grandes sucessos brasileiros e internacionais (Crepúsculo e 50 Tons de Cinza anyone?).

Sendo justo, os turcos conseguem pegar umas ideias pavorosas e fazer a coisa de maneira tão sedutora que faz com que você quase releve o nível de errado da coisa toda, o que não deixa de ser um talento. Além disso, quando eles querem, eles também são capazes de fazer programas com ótimos scripts e bastante thought-provoking. E, mesmo com os enredos tradicionalistas e machistas, uma das grandes inovações das novelas turcas foi mostrar mulheres independentes e bem-sucedidas no mundo islâmico, quebrando estereótipos e gerando admiração entre as mulheres do Oriente Médio (e também bastante polêmica).

Antes de chegar na América Latina, as novelas turcas causaram uma verdadeira revolução (e bastante controvérsia) no Oriente Médio e na Europa do Leste. Em alguns países árabes, alguns consideraram as temáticas muito polêmicas; em outros países, o sucesso das produções causou preocupação pelas implicações políticas, já que muitos países têm relações conturbadas com a Turquia. A controvérsia não atrapalhou em nada os números recordes de audiência, que ajudaram a consolidar a imagem da Turquia como um país que sabe equilibrar as tradições do mundo árabe com a modernidade ocidental. O país lucra centenas de milhões de dólares por ano com a venda de suas ficções.

Binbir Gece (As Mil e Uma Noites)
93 episódios exibidos entre 2006 e 2009 no Kanal D, na Turquia. Antes de conquistar o Chile e a Argentina, a novela tinha sido exibida com enorme sucesso no Oriente Médio e na Europa do Leste.

Com um filho doente, Sherazade precisa desesperadamente de dinheiro para operá-lo. Sem ninguém a quem recorrer, ela pede ajuda a Onur, o dono da empresa de construção na qual ele trabalha. Ele concorda em dar o dinheiro, com uma condição: ela terá que passar a noite com ele. Sherazade aceita e, depois dessa noite, Onur não consegue mais tirar a mulher de sua cabeça. Nasce assim um complicado e intenso romance, cheio de culpa e reviravoltas.

As Mil e Uma Noites é, até o momento, o maior fenômeno da Turquia a nível internacional e é responsável por desatar a febre das novelas turcas no Chile, onde conseguiu níveis históricos de audiência, e no resto da América Latina. Ela atualmente lidera com folga as audiências da Argentina, obtendo números que produções locais não conseguem em anos.

Fatmagül’ün Suçu Ne? (Que culpa tem Fatmagul?)
81 episódios, exibidos entre 2010 e 2012 no Kanal D. O seriado foi um sucesso no seu país natal mas também se consolidou como um dos maiores sucessos da história do Paquistão, onde já foi reprisado três vezes.

Baseado numa história real, Fatmagul é uma garota simples que cria ovelhas em um pequeno povoado na costa da Turquia, e está prestes a se casar com o pescador Mustafa. Uma noite, ela encontra três rapazes alterados por drogas e álcool que a estupram. Os rapazes — Salim, Erdogan e Kerim — estão reunidos para celebrar a despedida de solteiro de Salim, filho do empresário mais rico da região. Um quarto rapaz do grupo, Kerim, que desmaiou de bêbado antes do estupro, assume a culpa e, para proteger a imagem dos negócios do pai de Salim, é obrigado a casar com Fatmagul. Ambos se mudam para Istambul mas Mustafa, o ex-noivo da moça, promete se vingar de todos que destruíram seu amor. Apesar desse argumento pavoroso, li gente dizendo que a série é sobre Fatmagul tentando se recuperar do abuso que sofreu e seguir adiante e que a série tem seu valor e consegue fazer jus ao tema complicado. Hmm… não sei não.

Fatmagul foi a substituta de Las Mil y una Noches no Chile. Apesar de não ter conseguido os níveis históricos de audiência da antecessora, a turca é atualmente o programa mais visto do país. Na Argentina, a Telefe já comprou os direitos.

Ezel
71 episódios, exibidos entre 2009 e 2011 pela ShowTV e pela ATV. Uma das séries mais premiadas da Turquia, com mais de dez reconhecimentos nacionais e internacionais, incluindo Best Script Format no C21 Awards e Best Drama no Seoul International Drama Awards.

Omer é um jovem, vivendo uma vida normal de classe média em Istanbul. Um dia ele conhece a bela Eysan e ambos se apaixonam perdidamente. Os dois, junto com dois amigos de infância de Omer, são coagidos, pelo mafioso pai de Eysan, a roubar um cassino. O roubo dá errado e Omer é traído pelo amor de sua vida e seus dois melhores amigos e acaba sendo condenado a vida na prisão. Enquanto isso, Eysan descobre que está gravida do filho do seu namorado, agora preso. Passam-se 12 anos e, graças a um grande incêndio, Omer consegue finalmente escapar. Com a ajuda de um ex-companheiro de cela, ele consegue reconstruir sua vida e modificar, através de plásticas, sua aparência. Sob uma nova identidade, Omer, agora conhecido como Ezel, promete se vingar de todos aqueles que o traíram.

Ezel é exibido logo após Fatmagul no Chile e é a segunda maior audiência do país atualmente.

Muhteşem Yüzyıl (O Maravilhoso Século)
139 episódios, exibidos entre 2011 e 2014 pela ShowTV e pela Star TV. A super produção histórica conta a história do Sultão Suileman, o Magnifico e sua conquista do Império Otomano. A retratação dramática e um pouco escandalosa da idolatrada figura histórica causou enorme polêmica na Turquia mas também rendeu audiências altíssimas, desatando uma febre por novelas épicas.

A produção foi uma das séries turcas mais exportadas, tendo chegado aos EUA; França; Itália; Espanha; Israel e outras dezenas de países. A popularidade enorme da série na Grécia e na Macedônia causou controvérsias políticas e na Macedônia, especificamente, foram introduzidos regulamentações para limitar o número de séries turcas nos canais locais.

No Chile, onde está sendo exibida como nome de El Sultán, a novela foi a grande aposta do canal 13 para 2015 que se rendeu as produções turcas depois dos sucessos excepcionais no Mega. Apesar da produção não ter obtido tanto respaldo quanto as do concorrente, El Sultán é o programa mais visto da emissora.