How-to: Como ser a revelação musical fenômeno do ano no Reino Unido

Leia antes: A cena musical britânica e sua constante renovação

No post anterior, fiz um repasse detalhado das renovações da cena musical britânicas e das revelações que aparecem ano após ano. E agora, vim ensinar como você também pode seguir os passos de Adele e Ed Sheeran e se transformar no novo fenômeno de vendas do Reino Unido rssssss

Mas falando sério, ao longo de meus anos de observação, percebi que existe uma receita para que as grandes apostas das gravadoras atinjam o seu máximo potencial. Essa receita acaba sendo, na verdade, um ótimo insight da indústria britânica como um todo. Por isso, acho interessante dividir com vocês as várias etapas que ajudaram Sheeran, Sam Smith dentre vários outros a alcançar sucesso meteórico com seus primeiros álbuns.

  • Antes do público, conquiste a indústria: Isso foi essencial para absolutamente todos os ganhadores do Critics’ Choice, afinal de contas, nenhum deles teria ganho o prêmio se eles não tivessem executado esse passo à perfeição. Ser bem conectado dentro do biz é necessário para que tudo esteja alinhado a favor do artista no momento que este tiver a chance de lançar um álbum. Glynne, Jessie J e Emeli Sande conheceram os produtores por detrás de seus sucessos através de carreiras como compositoras. Florence, Bay e Smith também faziam parte do inner circle musical fazia tempo. Além disso, ter essas conexões é importante para conseguir reuniões, fazer shows privados para executivos tanto nos EUA quanto no Reino Unido, ter  early buzz nas principais rádios e na BBC e para, quem saber, ser convidado para ser vocalista convidado em algum hit em potencial, o que nos leva a outro ponto…
  • Hits pré-estreia aumentam seu valor no mercado: Ser vocalista convidado em canções de sucesso aumentam o interesse do público e garantem airplay do material solo do artista nas grandes rádios. Jess Glynne, Emeli Sandé e Sam Smith tiveram impulso enorme graças a participação deles em number one hits de outros artistas e produtores antes de suas estreias oficiais.
  • Tente cultivar uma fanbase antes da seu primeiro single oficial: Lance mixtapes, disponibilize seu trabalho na internet, consiga buzz através de shows pequenos, cante em festivais. Foi assim que Ed Sheeran conseguiu um top 5 hit de imediato quando finalmente teve chance de lançar “The A-Team” mas também funcionou muitíssimo bem para Lily Allen, James Bay, dentre vários outros. Outro bom meio para ganhar divulgação é o BBC Introducing, que destaca novos talentos e dá espaço para novatos tanto na Radio 1 quanto em palcos especiais em festivais de grande porte como Glastonbury, T in the Park, Leeds and Reading e o próprio evento da estação, Radio 1 Big Weekend. Foi através do Introducing que Bastille, George Ezra, Florence & the Machine e Jake Bugg foram apresentados ao público.
  • Tenha credibilidade (ou a ilusão de ter): Mesmo que você seja uma artista puramente pop comercial, como Jessie J, é sempre um bônus criar a ilusão de que você é um ~artista de verdade~ que acrescenta algo de novo a cena. Fazer a estréia no Jools Holland — um programa bastante popular entre music snobs e conhecido por destacar música boa e musicos autênticos — é um ótimo começo e foi a plataforma de lançamento de basicamente todas as revelações citadas nesse post. Ser incluso no line-up do Glastonbury e outros festivais mais “sérios” também é muito bom, assim como ter alguma cobertura na imprensa especializada. Outro ponto importante: ganhar destaque na Radio 1, a rádio da BBC que, apesar de ser comercial, também tem credibilidade. Seja hyped pelas personalidades da emissora e tente aparecer no Radio 1 Live Lounge — onde artistas cantam versões stripped down de seus hits e fazem covers de sucessos de terceiros — para mostrar sua versatilidade e dotes vocais.
  • Mas também seja comercial: A Radio 1 é um bom começo mas, para ter um hit, é essencial ter airplay nas rádios top 40 comerciais, sobretudo a Captial FM, a estação líder entre jovens. Para isso, claro, a música tem que estar de acordo com as tendências do momento. Televisão também é muito importante: é preciso ir em pelo menos um talk-show de destaque (Graham Norton na BBC1 é o mais cobiçado mas Jonathan Ross na ITV também é uma boa alternativa) e, para os que tem estomago, The X Factor segue sendo um prime spot de divulgação, mesmo em plena decadência. Cantar no evento anual de caridade da BBC — Children in Need ou Comic Relief — é ótimo mas ainda melhor é uma música sua escolhida como o “single oficial” do evento (como aconteceu com Sam Smith; James Bay; Ellie Goulding e Jess Glynne). Além de Glastonbury, não dá para dispensar festivais mais comerciais — como o V Festival — e eventos grandiosos organizados pela rádio. O Radio 1 Big Weekend é um must mas o Capital FM Summertime Ball ou o Capital FM Jingle Bell Ball também são um big deal, principalmente para os que tem uma sonoridade e imagem mais pop.
  • Para pais e filhos: Os jovens gostarem de você é muito importante mas, para vender muito, é bastante útil ter as mães e os pais e os tios e as tias do Reino Unido inclinados a comprar sua música, afinal são eles que mais compram CD. Aparecer na TV, claro, ajuda o artista a atingir esse público mas os singles têm que ser atuais o suficiente para estar na Capital FM mas também melódicos na medida certa para conseguir airplay nas rádios voltadas ao público acima dos 30, como Radio 2, Magic ou Heart. Ou seja, evite ter um guest rapper. E cuidado: exposição em rádios adultas é bom para vender CD mas, se você quiser manter a imagem de hip e cool, não se associe demais a esse público. Evite, por tanto, eventos “de velho”. Entrar na playlist da Radio 2 é bom mas deixe o Radio 2 Live in Hyde Park, o grandioso evento organizado pelo estação, para Elton John; Rod Stewart e Bryan Adams ou para artistas que os jovens já decidiram que não querem mais (tipo Leona Lewis). O lugar do artista cool é no Radio 1 Big Weekend.
  • Tenha ambições de conquistar a América: O artista precista ter ambição e a confiança de que conseguirá penetrar o mercado dos EUA. A verdade é que ele provavelmente não conseguirá, mesmo se tiver obtido grande sucesso no Reino Unido, mas todos os A&R de gravadoras e empresários só apostam em que eles acreditam que tem chance de conquistar a muitíssimo valiosa Terra do Tio Sam. Esteja disposto para ir no programa da Ellen, em programas matinais e late night talk shows e shows de rádio e e shows para executivos do outro lado do Atlântico. Conseguir um slot para cantar no Saturday Night Live já é meio caminho andado e você já pode se considerar vitorioso se conseguir um top 10 hit ou uma indicação a Best New Act no Grammy.
  • Timing é tudo: O álbum deve ser lançado bem próximo de um single bem pancada, que tenha probabilidade altíssima de virar hit e represente o som e a vibe do artista. Stay with Me de Sam Smith e Hold my Hand de Jess Glynne e Hold Back the River do James Bay e Next to Me de Emeli Sandé e Starry Eyed de Ellie Goulding foram todos lançados bem próximos aos respectivos álbuns. Por outro lado, o CD de Tom Odell chegou as lojas meses depois de Long Way Down, o maior hit dele, o que possivelmente colaborou para que as vendas não fossem tão altas quanto esperado.
  • Corra para o abraço: Caso você obtenha sucesso nos passos acima, você será convidado para uma grandiosa performance no BRIT Awards do ano seguinte ao lançamento do seu álbum e, quiçás, ganhara um prêmio. Possivelmente, será o ápice da sua carreira, então aproveite. Os mais sortudos conseguiram sustentar o sucesso por mais álguns álbuns ou algum tipo de sucesso nos EUA, mas não todos. Boa sorte!
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A constante renovação da cena musical britânica

A indústria fonográfica do Reino Unido — a terceira maior a nível global (atrás dos EUA e do Japão) — é uma das mais dinâmicas do mundo e é origem de vários dos artistas mais influentes da história (Beatles; Rolling Stones; Queen; Spice Girls; Oasis) e da contemporaneidade (Adele; Ed Sheeran; Coldplay).

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Adele, maior estrela do mundo, made in UK

Mas, claro, é uma indústria que depende, acima de qualquer coisa, do mercado interno. E esse mercado não é moleza: o público britânico é bastante influenciado pelas tendências do momento e sedento por novidades. Para mantê-los satisfeitos, é necessário uma constante renovação e criação de novos talentos ano após ano.

A shelf life do artista do momento não precisar ser duradoura. Muito pelo contrário: muitos só duram 1 álbum. A longevidade não é importante, o hype a curto prazo que é. Se ele durar — alguns conseguem — ótimo. Se não, não tem problema: novos artistas — mais condizentes com o que é cool no momento — surgirão para substituí-lo.

Apesar disso ser relativamente comum em todo o mundo, o ritmo no Reino Unido é particularmente frenético e, para que essa renovação possa acontecer, a indústria britânica conta com a total colaboração da mídia local — estações de TV e de rádio sabem promover artistas a perfeição, criando hype e dando espaço para que as apostas do momento possam brilhar. Um elemento importante desse aparato todo são duas premiações específicas que tem como objetivo apresentar quem serão os hot new acts da temporada. São elas: BBC Sound of... e o BRIT Critics’ Choice.

A enquete da BBC é a mais hypada por ser mais eclética e ousada. Porém, o Critics’ Choice — que serve como uma categoria da principal premiação da música britânica, o BRIT Awards — é bem mais comercial e, por tanto, mais certeiro.

Ter o selo de escolhido do Sound of… dá uma aura de credibilidade e expectativa para o artista e garante uma cobertura decente nos veículos da emissora pública britânica, incluindo airplay na influente Radio 1.

Receber o Crticis’ Choice, porém, significa o apoio integral dos executivos das principais gravadoras e respaldo não só da BBC mas também das estações de rádio comercial e emissoras de TV privada (principalmente a Capital FM, a principal rádio top 40 do país, e a ITV, o canal que exibe os BRIT). Apesar do nome aludir a críticos, a escolha é feita, na verdade, pelos executivos das grandes gravadoras.

Através dos escolhidos nas premiações, vamos dar uma olhada em como a indústria britânica se renovou ao longo da última década.

2008:

BRIT Critics’ Choice: Adele
BBC Sound of 2008: Adele

Em 2008, o Sound Of… estava em seu sexto ano mas só então começava a exercer maior influência. Indo na mesma onda de promover novos artistas, o BRIT Crtics’ Choice foi criado. Ambos se alinharam perfeitamente, selecionando a mesma artista como vencedora: Adele. Bem óbvio o quão acertada foi essa decisão, não é mesmo? Mas é hilário voltar ao tempo e ver que, naquele então, a escolha foi quase injusta.

A aposta unânime em Adele foi obviamente motivada pelo fenômeno chamado Amy Winehouse. A cantora tinha se tornado um dos maiores nomes da música global e seu álbum, Back to Black, tinha sido o mais vendido do ano anterior no Reino Unido. A demanda por música naquele mesmo estilo — tanto no mercado interno quanto internacionalmente — era enorme e, claro, todas as gravadoras queriam emular o fenômeno.

Sendo assim, não é difícil entender porque as fichas foram depositadas em Adele: mais do que o indiscutível talento, a cantora e compositora também tinha voz soulful, influências da música black americana e letras cheias de angustia. Como Winehouse, ela tinha um jeitão working class da capital britânica e uma personalidade contagiante. Ela tinha muito menos vícios que a sensação do momento (obviamente um ponto positivo) mas não dizia não para um cigarrinho e uma birita. Até a formação musical de ambas era a mesma: a prestigiosa escola de artes BRIT School.

Acontece que, em 2008, quem acabou abocanhando o filão foi, na verdade, Duffy. 19, o CD de Adele, foi o 16º mais vendido do ano. O mais vendido? Rockferry, da cantora galesa, que vendeu 1.7 milhão de unidades e ainda deu origem ao maior hit de 2008, a inescapável Mercy.

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Adele com seus primeiros Grammy em 2009

Para observadores de charts, a escolha de Adele foi, no mínimo, short-sighted uma vez que o verdadeiro fenômeno tinha sido a outra cantora com voz soulful. Que, aliás, tinha ficado em segundo lugar na enquete da BBC. Que irônico, né? Duffy ficou atrás de Adele numa enquete; acabou vendendo o triplo e sendo o maior fenômeno do ano e hoje em dia….. bem, nós sabemos como essa história acabou, né?

Mas apesar de ter sido ofuscada naquele então, a verdade é que Adele não decepcionou: o seu primeiro álbum foi um sucesso bastante digno. Impulsionado pelas críticas e prêmios, ele estreou diretamente no topo das paradas britânicas e vendeu 500 mil unidades. O single Chasing Pavement alcançou o segundo lugar no single charts.

A indústria, aliás, tinha convicção de que, independentemente de vendas, Adele era a escolhida: num shocking twist, foi ela, não sua rival mais bem sucedida (risosss), que ganhou o Grammy de Melhor Artista em 2009 mas foi só em 2011, com o lançamento de 21, que a londrina emergiu como um dos maiores fenômenos comerciais da história da indústria. Duffy, por sua vez, caiu no anonimato. O mundo dá voltas.

No longínquo ano de 2008…

+ The X Obsession: o show de talento The X Factor, exibido na ITV, continuava sua ascendência absurda de audiência e, em sua quinta temporada, se estabelecia como maior fenômeno social do país. A vencedora da temporada 2006 do programa, Leona Lewis, alcançava 3 milhões de unidades vendidas com Spirit. Lançado no ano anterior, o álbum se tornava o disco de estreia mais vendido da história do país. A inclusão de Cheryl Cole no painel de jurados do programa a transformou prontamente na maior it girl da Grã-Bretanha e também ajudou o girl group do qual ela formava parte, Girls Aloud, a atingir ápice de popularidade. Out of Control, o quinto álbum do grupo, superou a venda de todos os CDs anteriores dela em apenas 1 mês, obtendo disco de platina dupla.

+ Rock, o rei: Rock seguia sendo o estilo mais rentável do país e quase todos os CDs mais vendidos pertenciam ao gênero. O maior fenômeno eram os americanos do Kings of Leon que, impulsionados pelo enorme sucesso da música Sex On Fire, tinham vendido 1.2 milhão de cópias de Only by the Night. No ano seguinte, Use Somebody também seria um gigantesco hit, ajudando o álbum a ultrapassar 2 milhões de unidades. Eles substituiriam The Killers — que continuavam com altíssimas vendas no país — como a banda yankee de maior sucesso no mercado.

Coldplay também ultrapassou 1 milhão de unidades com o seu quarto álbum, Viva La Vida or Death and All His Friends. O grupo continuava sendo o maior e mais duradouro fenômeno do rock contemporâneo mundo afora mas o CD seria o primeiro deles a não ultrapassar a barreira de 2 milhões no UK.

Além de Duffy, os outros 2 CDs de estreia mais vendidos do ano também eram de bandas de rock: os irlandeses do The Script, com seu som meloso, e a sensação jovem Scouting for Girls. Outros sucessos notáveis incluíram o Greatest Hits dos Stereophonics e o quinto álbum do Nickelback (todos em coro: eca). Impulsionado pelo sucesso da música Rockstar, All The Right Reasons, o quinto álbum dos canadenses, alcançou platina dupla.

+ Pop time: além de Leona e Girls Aloud, poucos atos pop britânicos obtiveram sucesso expressivo mas ninguém conseguiu chegar perto dos números atingidos pelo Take That. Reunidos em 2006, uma década depois do primeiro término, a boyband substituiria Coldplay como o grupo mais rentável do país. O segundo álbum da nova fase deles, The Circus, vendeu 1.5 milhão de unidades em apenas 30 dias. Depois, ultrapassaria 2 milhões de unidades, sendo o terceiro álbum  consecutivo deles — contando com o Greatest Hits — a ultrapassar essa barreira. Era um prenuncio do takeover do pop…

Do pop internacional, o maior fenômeno era Rihanna. Depois de vender 1 milhão de unidades no ano anterior e ficar 14 semanas no topo com Umbrella, o relançamento de Good Girl Gone Bad foi responsável por mais 800 mil unidades em 2008. P!nk também era um sucesso notável: em poucos meses,  Funhouse se aproximava a 600 mil cópias e, no ano seguinte, se transformaria no terceiro álbum dela a ultrapassar a barreira do milhão no país.

+ O retorno do single: a morte do single físico fez com que a venda de músicas individuais alcançassem números historicamente baixos em meados dos anos 2000. Mas, em 2008, o iTunes — e as vendas digitais — crescia no Reino Unido e o mercado de singles voltava a andar a passos bastante largos. Os maiores sucessos do ano incluíram Mercy de Duffy e o single de estreia de Katy Perry, I Kissed A Girl.

[Top 10 álbuns] 1. Rockferry – Duffy / 2. The Circus – Take That / 3. Only by the Night – Kings of Leon / 4. Spirit – Leona Lewis / 5. Viva La Vida or Death and All His Friends – Coldplay / 6. Good Girl Gone Bad – Rihanna / 7. Day & Age – The Killers / 8. Out of Control – Girls Aloud / 9. Funhouse – Pink / 10. Scouting for Girls – Scouting for Girls.
[Top 10 singles] 1. Hallellujah (The X Factor winning single) – Alexandra Burke / 2. Hero – The X Factors Finalists 2008 / 3. Mercy – Duffy / 4. I Kissed A Girl – Katy Perry / 5. Rockstar – Nickelback / 6. American Boy – Estelle ft. Kanye West / 7. Sex On Fire – Kings of Leon / 8. Now You’re Gone – Basshunter / 9. 4 Minutes – Madonna ft. Justin Timberlake & Timbaland/ 10. Black & Gold – Sam Sparro.
[Best-selling debut albums] 1. Rockferry – Duffy / 2. Spirit – Leona Lewis [2007] / 3. Scouting for Girls – Scouting for Girls / 4. The Script – The Script/ 5. 19 – Adele
[Million-selling albums] Cinco
[Álbuns 500k+] 14
[Million-selling singles] Zero
[Singles 500k+] 3

2009:

Brit Critics’ Choice: Florence & the Machine
BBC Sound of 2008: Little Boots

2009 foi o ano que o Crtics’ Choice se provou muito mais certeiro do que a enquete da BBC. A premiação do BRIT apostou na roqueira Florence & the Machine que de fato se transformou num dos maiores fenômenos do ano e em um dos maiores expoentes do rock britânico mundo afora (além de uma das únicas mulheres com posição de destaque no gênero). Já a emissora pública apostou na cantora de electropop e DJ Little Boots que, apesar de obter um Disco de Ouro com seu CD de estreia, não causou muito impacto.

Lungs, o CD de Florence, vendeu 516 mil unidades no Reino Unido em 2009. Dentre atos locais não relacionados ao X Factor, foi o álbum de estreia mais vendido. No total, o álbum alcançaria 1.6 milhão de unidades comercializadas no país graças a vendas altíssimas também ao longo do ano seguinte.

A aposta em Florence fazia pleno sentido dado o momento: as paradas do ano anterior comprovavam que rock era altamente popular e que o mercado estava pronto para novos nomes do gênero. A britânica era uma aposta diferente do habitual mas o star quality dela era indiscutível.

Depois de ganhar o Crtitics’ Choice, a cantora levou, no ano seguinte, o prêmio principal do BRIT, Album of the Year, elevando ainda mais as vendas do CD. Lungs também vendeu mais de 1 milhão nos EUA, onde a música “Dog Days Are Over” foi um grande hit e Florence foi indicada ao Grammy de Best New Act.

Apesar de não ter obtido tanto sucesso, a escolha de Little Boots não foi aleatória. O british electropop também estava passando por um momento auspicioso, gerando hits marcantes como That’s Not My Name Shut Up And Let Me Go dos Ting Tings e In For The Kill e Bulletproof de La Roux. Além disso, 2009 também foi o ano de ascensão de Lady Gaga que colocaria o pop eletrônico nas paradas do mundo.

Mesmo assim, Boots não teve grande impacto. Hands, o seu CD de estreia, obteve números dignos, atingindo 100 mil cópias e gerando um top 10 hit, Remedy. Mas isso não foi o suficiente para ela nem sequer aparecer entre os 50 discos mais vendidos do ano.

No longínquo ano de 2009…

+ O império do pop: The X Factor se confirmava como a maior obsessão nacional e, em simultâneo, pop virava o estilo reinante no país com a ascensão de Lady Gaga, que teve o maior hit do ano (Poker Face) e o segundo CD mais vendido (The Fame somado ao relançamento The Fame Monster).

Gaga se juntava a outros fenômenos monstros do pop norte-americano: Black Eyed Peas com The E.N.D. e Beyoncé com I Am… Sasha Fierce. Todos ultrapassaram a barreira de 1 milhão de unidades vendidas assim como Michael Bublé com Crazy Love. Evidentemente, esses artistas todos participaram do The X Factor para promover seus respectivos lançamentos.

+ Simon Cowell takeover: artistas relacionados a The X Factor — como a boyband JLS e Cheryl Cole, em sua estreia solo — dominavam as paradas e obtinham vendas altíssimas, ofuscando outros grandes nomes do pop local daquele então (Paolo Nutini, Lily Allen, Robbie Williams).

Susan Boyle, a estrela viral revelada em outro programa de Simon Cowell, Britain’s Got Talent, se provava o maior fenômeno de 2009: seu primeiro álbum, I Dreamed A Dream, vendeu 1.63 milhão de unidades em 1 mês e foi o mais vendido do ano, excedendo até as expectativas otimistas da Sony.

Em contrapartida, Leona Lewis provou que a data de validade para estrelas de show de talento costumam chegar rápido: depois de quebrar todos os recordes com seu álbum de estreia e obter um hit global com Bleeding Love, o segundo álbum dela, Echo, vendeu apenas 1/6 do antecessor e marcou o começo do fim para a londrina.

+ Singles: impulsionado pela popularização do iTunes, o mercado de singles continuava em pleno crescimento e só deu Black Eyed Peas, Lady Gaga e atos relacionados ao The X Factor nas paradas. Poker Face, o maior sucesso do ano, vendeu 862 mil unidades. Uma campanha do Facebook para bloquear o ganhador do talent show de Simon Cowell do topo das paradas no natal também alçou Rage Against the Machine para a lista dos mais vendidos de 2009.

Enquanto no ano anterior apenas 4 singles ultrapassaram a barreira dos 500k, em 2009 esse número quadruplicou, prova de que o mercado digital no UK estava dando saltos gigantescos.

[Top 10 álbuns] 1. I Dreamed A Dream – Susan Boyle / 2. The Fame+The Fame Monster – Lady Gaga / 3. Crazy Love – Michael Bublé / 4. The E.N.D. – Black Eyed Peas / 5. Only by the Night – Kings of Leon / 6. JLS – JLS / 7. I Am… Sascha Fierce – Beyoncé / 8. Sunny Side Up – Paolo Nutini / 9. It’s Not Me, It’s You – Lily Allen / 10. Reality Killed The Video Star – Robbie Williams.
[Top 10 singles] 1. Poker Face – Lady Gaga / 2. I Gotta Feeling – The Black Eyed Peas / 3. Just Dance – Lady Gaga / 4. Fight for this Love – Cheryl Cole / 5. The Climb (X Factor winning single) – Joe McElderry / 6. In For The Kill – LaRoux / 7. Boom Boom Pow – The Black Eyed Peas / 8. Killing In The Name Of – Rage Against the Machine / 9. Bad Boys – Alexandra Burke (ganhadora do X Factor 2008) ft. Flo-Rida / 10. Meet Me Halfway – The Black Eyed Peas
[Best-selling debut albums] 1. I Dreamed A Dream – Susan Boyle / 2. The Fame+The Fame Monster – Lady Gaga / 3. JLS – JLS / 4. 3 Words – Cheryl Cole / 5. Lungs – Florence & the Machine
[Million-selling albums] Cinco
[Álbuns 500k+] 18
[Million-selling singles] Zero
[Singles 500k+] 12

2010:

BRIT Crtics’ Choice: Ellie Goulding
BBC Sound of 2010:
Ellie Goulding

Depois de errar em 2010, a BBC voltou a apostar no mesmo nome que o Crtics’ Choice: Ellie Goulding.

Goulding tinha algumas características similares a Florence, o fenômeno do ano anterior: uma apresentação — em termos de look, voz e repertório — marcante e peculiar. Com seu som synthopop e sua voz folk, ela atendia a demanda do momento, em que Lady Gaga e o dance pop reinavam, mas também trazia algo de novo. Além disso, ela já tinha bastante buzz, mesmo antes da estreia do seu primeiro álbum. Representada pela poderosa empresária Sarah Stenett, ela fez um bem-recebido debut no prestigioso programa de Jools Holland e já tinha algum hype na imprensa.

Como de costume, a aposta em Ellie deu resultados: Lights, seu primeiro CD, estreou no topo  e deu origem a um top 10 hit (Starry Eyed), atingindo Disco de Platina antes do fim do ano. Mais tarde, ela foi chamada para cantar a música do anuncio natalino da rede de varejo John Lewis, um cover de Your Song. A canção foi enormemente bem-recebida (Kate Middleton, fã da versão, inclusive a chamou para cantá-la no Casamento Real), capitaneando o relançamento do álbum que acabou sua trajetória com 850 mil unidades vendidas. Ela ainda obteve sucesso nos EUA com a música Lights.

O álbum de lançamento serviu como trampolim para uma bem-sucedida carreira internacional.

Highlights de 2010

+ O céu não é o limite: Entre 2006 e 2009, o Take That tinha passado a barreira de 2 milhões de cópias vendidas com uma compilação e dois álbuns de estúdio e feito a turnê mais bem sucedida de todos os tempos, The Circus Tour. Parecia impossível crescer ainda mais. Mas daí, Robbie Williams anunciou seu retorno para o grupo depois de quase duas décadas — algo antes considerado semi impossível dado a quantidade de ressentimento entre as duas partes e a proporção que a carreira solo de Williams tomou — e o álbum resultante, Progress, vendeu 1.8 milhão de cópias em apenas 1 mês. No ano seguinte, se transformou no quarto CD do grupo a ultrapassar a barreira dos 2 milhões. A turnê Progress Live vendeu mais de 1 milhão de ingressos, superando a excursão anterior e sendo, até hoje, a mais bem sucedida da história do país.

+ Made in America, bought in the UK: O Reino Unido se estabelecia como o principal mercado de Rihanna (maior, inclusive, do que os EUA em termos de CDs vendidos); o álbum de Alicia Keys — que teve vendas medianas nos EUA — se mostrava um enorme sucesso no país (impulsionado pela boa aceitação de Empire State of Mind Part II nas rádios adulto contemporâneas locais e uma elogiada performance no The X Factor); Gaga continua seu reinado e a volta do Eminem foi muito bem recebida (surpresa para ninguém, dado o tamanho da sua popularidade no país).

+ Homemade success: Vitorioso no BRIT Awards e impulsionado por um relançamento, o álbum de estreia de Florence vendeu ainda mais em seu segundo ano. O sucesso surpresa do ano foi o CD conceitual do rapper Plan B, The Defamation of Strickland Banks, que misturava soul rap e cujas faixas contavam a história de um rapaz que foi posto na prisão por um crime que ele não cometeu. O blue-eyed jazz de Paolo Nutini também se provou um sucesso duradouro.

+ Revelações: Além de Ellie, a outra revelação do ano foi o rapper Tinie Tempah e Olly Murs, popularizado — aonde mais? — no The X Factor. Pixie Lott, com seu teen pop, e a banda de folk rock Mumford & Sons também obtiveram bons resultados com seus CDs lançados no ano anterior.

[Top 10 álbuns] 1. Progress – Take That / 2. Crazy Love – Michael Bublé / 3. The Fame + The Fame Monster – Lady Gaga / 4. Loud – Rihanna / 5. The Defamation of Strickland Banks – Plan B / 6. Sunny Side Up – Paolo Nutini / 7. The Element of Freedom – Alicia Keys / 8. Lungs – Florence & the Machine / 9. Recovery – Eminem / 10. Sigh No More – Mumford & Sons
[Top 10 singles] 1. Love The Way You Lie – Eminem; Rihanna / 2. When We Colide (The X Factor Winner Single) – Matt Cardle / 3. Just The Way You Are – Bruno Mars / 4. Only Girl (In This World) – Rihanna / 5. OMG – Usher ft. will.i.am / 7. Airplanes – B.o.B. ft. Hayley Williams / 8. California Gurls – Katy Perry / 9. We No Speak America – Yolanda Be Cool vs. DCUP / 10. Pass Out – Tinie Tempah
[Best-selling debut albums] 1. Lungs – Florence & the Machine [2009] / 2. Sigh No More – Mumford & Sons [2009] / 3. Olly Murs – Olly Murs / 4. Turn It Up – Pixie Lott [2009] / 5. Lights – Ellie Goulding
[Million-selling albums] Três
[Álbuns 500k+] 16
[Million-selling singles] Zero
[Álbuns 500k+] 18

2011

BRIT Critcs’ Choice: Jessie J
BBC Sound of 2011: Jessie J

Katy Perry, Lady Gaga, Rihanna… as princesas pop dominavam as paradas e o Reino Unido queria ter uma diva para chamar de sua. E assim, Jessie J entra na história.

Jessie tinha uma pedigree impressionante: um diploma da BRIT School, aquela mesma escola de arte que formou Winehouse e Adele, e selo de aprovação de Dr. Luke, na época o produtor mais cobiçado do mundo, algo bem auspicioso para uma wannabe pop startlet da Inglaterra. A cantora ajudou na composição de Party in the USA, que virou um dos maiores hits de Luke na voz de Miley Cyrus.

A conexão com o produtor do momento, uma voz potente, uma ambição sem tamanho, um look impactante…. Jessie era o pacote perfeito e a indústria britânica a impulsionou e a hypou de uma maneira quase inédita. Ao mesmo tempo que seu bubblegum pop foi instantaneamente abraçado por todas as rádios teen do país, como a Capital FM e a Kiss FM, ela tinha uma aura de credibilidade perfeitamente calculada: sua estreia foi no Jools Holland, um programa conhecido por destacar ~artistas de verdade~ e ela também foi inclusa no line-up do Glastonbury, o festival mais prestigioso do país (e do mundo).

Todas as estrelas estavam alinhadas para que Jessie J fosse o novo fenômeno e ela não decepcionou: seu primeiro single, Do It Like A Dude, foi um gigantesco sucesso no UK e a música seguinte, Price Tag (produzida por Dr. Luke), foi um hit ainda maior, alcançando o topo das paradas de singles. Seu CD já chegou com vendas altas. Ela excursionou o mundo, apareceu em todos os programas e premiações imagináveis. E, claro, como era obrigatório naqueles anos, o álbum teve um relançamento, ultrapassando 1 milhão de unidade vendidas e obtendo mais um single chart-topper, Domino.

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Jessie J canta com a perna quebrada no festival de Glastonbury

Mas a verdade é que hype não se sustenta sozinho. E, por mais que Jessie J fosse talentosa e tivesse música catchy, ela não acrescentava absolutamente nada de novo a cena musical, como o Pitchfork apontou em sua impiedosa crítica do álbum de estreia, Who You Are. “Jessie parece ser um excedente da demanda por divas pop”, notou o site. “Na melhor das hipóteses, ela parece uma versão simplificada e mais idiota da Lily Allen. Na pior, alguém que você torceria para ser eliminado logo de um reality show de canto”.

Apesar disso, Jessica cumpriu o seu papel e ascendeu como a diva pop made in UK que ela foi programada para ser. O sucesso nos EUA e no resto do mundo — algo que era dado como certo — nunca chegou de maneira significativa, apesar do buzz e de alguns hits. E, depois de 2 anos, o público britânico também cansou dela e, por lá, ela também caiu no esquecimento. Um sucesso passageiro e que deu, bem rapidamente, o que tinha que dar.

Enquanto as atenções estavam focados em Jessie, a verdadeira revelação do ano foi um ruivo chamado Ed Sheeran. Ao longo dos últimos anos, o jovem cantor/compositor — na época com apenas 20 anos — estava causando barulho com seus mixtapes e shows ao vivo, arrastando multidões cada vez maiores. Já com uma fanbase de respeito, ele assinou com a Warner Music e seu primeiro single, The A Team, foi um sucesso de imediato e seu álbum estreou direto no topo, vendendo bem ao longo de todo o ano. Era só o começo de uma carreira meteórica.

Highlights de 2011

+ Um fenômeno chamado Adele: 2011 foi o ano que Adele deixou de ser apenas uma cantora bem-sucedida para se transformar em um dos maiores fenômenos da indústria fonográfica da história. No Reino Unido, o buzz em torno dela estava crescendo exponencialmente no fim de 2010, quando seu cover de Make You Feel My Love de Bob Dylan, incluso em seu primeiro CD, virou um gigantesco hit, impulsionado por uma performance de um finalista no The X Factor local.

Rollin’ in the Deep, o primeiro single de 21, foi um sucesso e ajudou o CD a estrear em primeiro lugar com ótimas vendas. E do topo o álbum não saiu ao longo de todo o ano. A performance dela de Something Like You no BRIT Awards foi outro momento que ajudou a transforma-la numa lenda.

No fim de 2011, 21 de Adele tinha vendido 3.772 milhões de unidades. Um fenômeno desses era, ate então, completamente inimaginável: nunca na história do Reino Unido um álbum tinha vendido essa quantidade de cópias em apenas 1 ano.

+ Florence is back: Depois de ganhar o Critics’ Choice em 2009 e obter sucesso extraordinário com Lungs, Florence & the Machine volta com Ceremonials, seu segundo álbum. No UK, os números deram uma diminuida mas seguiram bastante bons: 300k nos primeiros 2 meses e 715k no total (além de um number 1 single, com Spectre). Internacionalmente, as vendas foram tão espetaculares quanto o anterior: nos EUA, por exemplo, Ceremonials também vendeu 1 milhão.

+ American pop: Apesar da força de Jessie J, o pop americano seguia rei. Bruno Mars, o cantor estado-unidense com hits inescapáveis como Just The Way You Are e Grenade, se provou um sucesso enorme no Reino Unido, com seu álbum ultrapassando 1 milhão de unidades vendidas. Depois da recepção impressionante de The Fame e The Fame Monster, Born this Way, o segundo álbum de Gaga, começou com vendas altíssimas mas rapidamente perdeu o fôlego. Rihanna, por sua vez, se confirmava como a cantora pop mais bem-sucedida do país e Loud, seu quarto álbum, alcançava 2 milhões de unidades comercializadas. Diferente de Good Girl Gone Bad — o CD anterior da caribenha, que também alcançou a marca — Loud chegou a esse número sem um relançamento.

+ Rock is dead: Antes o maior gênero do país, rock tinha virado um after thought nas paradas britânicas. Só o Coldplay ainda conseguia blockbuster numbers. Provando que a fanbase de Oasis — a maior banda dos anos 90 no país — continuava numerosa, o novo projeto de Noel Gallagher, High Flying Band, também foi um sucesso de vendas assim como o já mencionado segundo álbum de Florence & the Machine. As outras únicas bandas de rock que obtiveram vendas expressivas ao longo do ano foram  Elbow, Kasabian e Foo Fighters.

[Top 10 álbuns] 1. Adele – 21 / 2. Christmas – Michael Bublé / 3. Doo-Woop & Hooligans – Bruno Mars / 4. 19 – Adele / 5. Mylo Xyloto – Coldplay / 6. Loud – Rihanna / 7. Born this Way – Lady Gaga / 8. Who You Are – Jessie J / 9. + – Ed Sheeran / 10. Talk That Talk – Rihanna
[Top 10 singles] 1. Someone Like You – Adele / 2. Moves Like Jagger – Maroon 5; Christina Aguilera / 3. Party Rock Anthem – LMFAO / 4. Price Tag – Jessie J / 5. We Found Love – Rihanna / 6. Give Me Everything – Pitbull ft. Ne-Yo, Afrojack & Nayer / 7. Grenade – Bruno Mars / 8. The A-Team – Ed Sheeran / 9. Rollin’ in the Deep – Adele / 10. On the Floor – Jennifer Lopez ft. Pitbull
[Best-selling debut albums] 1. Doo-Woops & Hooligans – Bruno Mars [2010] / 2. 19 – Adele [2008] / 3. Who You Are – Jessie J / 4. + – Ed Sheeran / 5. Noel Gallagher’s High Flying Band – Noel Gallagher’s High Flying Band
[Million-selling albums] Quatro
[500k+ álbuns] 13
[Million-selling singles] Dois
[500k+ singles] 23

2012

BRIT Critics’ Choice: Emeli Sandé
BBC Sound of 2012: Michael Kiwanuka

Em 2012, a demanda por Adele era tão gigantesca que sobrou até para uma xará: Adele Emily Sandé, mais conhecida como Emeli Sandé. Brincadeiras a parte, aquele foi realmente o ano da escocesa, que — com seu indiscutível talento — surfou na onda da musica soulful e reflexiva que, mesmo pré-Adele, sempre foi uma categoria que bomba muito. Como de costume, o BRIT Critics’ Choice acertou em cheio em escolher a cantora e compositora como sua aposta para o ano.

Assim como Jessie J, a ganhadora do ano anterior, Sandé tinha uma carreira prolífica como compositora mas tinha ambição de se transformar em uma estrela. Em 2010, ela teve a chance de demonstrar seus dotes ao ser chamada por seu amigo e frequente colaborador, o produtor Naughty Boy, para cantar o refrão de Never Be Your Woman, do rapper Wiley. A música foi um sucesso, atingindo o top 10 britânico, e fez dela um nome cobiçado pelas gravadoras.

No verão de 2011, Eméli lançou seu primeiro single, a música dance urbana Heaven. Abraçada pelas rádios, a canção alcançou a segunda posição. Em outubro, ela colabarou com o rapper Professor Green em Read All About It. A canção teve um grande marketing push, com uma performance ao vivo no The X Factor na data de lançamento e foi um gigantesco sucesso, estreando diretamente no topo.

Antes de lançar o seu álbum, em fevereiro de 2012, Eméli já tinha se provado como uma hitmaker impressionante ao longo de 2011. Sendo assim, a aposta nela era mais do que segura. E foi exatamente por esse motivo que o Sound of…, que tinha uma regra que proibia artistas que já tinham atingido o top 20 de serem indicados, a ignorou apesar do grande apoio que a BBC deu a cantora.

Drew Ehrlich Bar Mitzvah
Emeli Sandé, uma das principais estrelas da Cerimônia de Encerramento das Olimpíadas de 2012

Ao invés de Sandé, a enquete da emissora pública apostou em outro cantor soul, que inclusive já tinha excursionado com Eméli e aberto para Adele: Michael Kiwanuka.

Também foi uma boa escolha: o primeiro álbum de Michael, Home Again, estreou em quarto e alcançou Disco de Ouro por mais de 100 mil unidades vendidas. Ele foi abraçado pela crítica, fez turnês bem sucedida e seu segundo álbum, lançado ano passado, estreou no topo. Uma das músicas do novo CD, Cold Little Heart, serviu de abertura para uma das séries mais buzzed de 2017, Big Little Lies.

Mas enquanto Kiwanuka foi um sucesso indie, Eméli — bem mais comercial — foi um sucesso de massa. Seu primeiro álbum, Our Version of Events, estreou direto no topo com altíssimas vendas (113 mil unidades na primeira semana) e foi impulsionado pelo gigantesco sucesso de Next to Me, a balada que se transformou no maior hit da cantora e que melhor representava a vibe melódica do CD.

Na ausência de Adele, que tinha resolvido se afastar totalmente do holofote, Sandé foi a artista que mais apareceu na mídia britânica ao longo de 2012 e, com um CD que vendia como água, foi chamada para todos os eventos mais prestigiosos do ano, indo desde a final do The X Factor até — no big deal — as cerimônias de abertura  e de encerramento das Olimpíadas em Londres (ela teve papel de destaque em ambas).

Todos os 6 singles do álbum atingiram o top 40 britânico, com quatro deles alcançando o top 10. Heaven e Next to Me chegaram ao segundo lugar, enquanto a versão solo dela de Read All About It atingiu a terceira posição. O CD ainda contou com o maroto relançamento em outubro, o que ajudou ainda mais as vendas no período mais palpudo do ano: o Natal. Ao todo, foram 1.4 milhão de unidades vendidas ao longo de 2012. Com as vendas do ano seguinte, Our Versions of Event encerrou sua trajetória com 2.3 milhões de cópias no Reino Unido.

Highlights de 2012

+ O fenômeno continua: Depois de quebrar absolutamente todos os recordes de venda possiveis e imagináveis (e também inimagináveis) em 2011, 21 de Adele vendeu mais 800 mil cópias em 2012 apesar da cantora ter passado quase o ano todo reclusa. Em apenas 2 anos, o álbum tinha desbancado The Dark Side of the Moon de Pink Floyd e Thriller de Michael Jackson e se transformado no sexto álbum mais vendido da história do Reino Unido. Desde então, o álbum já ascendeu para a quarta posição, atrás apenas de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (apenas 100k na frente) e das coletâneas do ABBA e do Queen.

+ Sheeran rises: Depois de vender 791 mil unidades em 2011, o álbum de estréia de Ed Sheeran, +, vendeu quase a mesa quantidade, 784 mil cópias, em 2012. E sem a ajuda de nenhum relançamento. As mais de 1.5 milhão de unidades vendidas por Ed eram uma palhinha do que estava por vir para o jovem cantor e compositor inglês. Outros CDs do ano anterior que continuaram com vendas altíssimas naquele ano: o álbum natalino de Michael Bublé, que ultrapassou 2 milhões de cópias vendidas, e também Mylo Xyloto, de Coldplay.

+ Hype del Rey: A grande revelação do ano foi Emeli Sandé mas ninguém — nem mesmo a escocesa — teve tanto hype pré-lançamento quanto a americana Lana del Rey. Impulsionada apenas pela recepção de seus primeiros dois singles, Video Game e Born to Die, ela apareceu na capa da publicação de música mais prestigiosa do país — a Q — e também da Vogue britânica, um ato inédito para um artista que nem sequer tinha lançado um álbum. O CD, também entitulado Born to Die, vendeu 116k na primeira semana, um número altíssimo, e encerrou o ano com 719 mil cópias. Desde então, ele já atingiu 1 milhão de unidades.

+ Rock is alive: Depois de quase sumir da lista dos mais vendidos no ano passado, o rock mostrou que ainda estava vivo em 2012 com o sucesso gigantesco do segundo álbum da banda de folk rock Mumford & Sons. Depois de uma primeira semana monstra tanto nos EUA (600k) quanto no UK (155k), Sight No More vendeu 573 mil unidades em menos de quatro meses na terra da rainha. Mylo Xyloto, o quinto álbum do Coldplay, também continuou com vendas fortíssimas em 2012, ultrapassando 1 milhão de unidades. Human Born, o quarto álbum dos americanos do The Killers; o greatest hits de Neil Diamond e #3, o terceiro dos irlandeses do The Script, também alcançaram Disco de Platina (300k), assim como os lançamentos de Robbie William e da banda fun., ambos com um pop com uma pegada mais rock.

+ Pop is doing fine: Sheeran, Adele, Emeli, Lana, Mumford… o público consumidor de CDs do Reino Unido estava clamando menos por pop dançante e mais por “músicos de verdade”. Mas vários artistas unashamedly pop continuaram com ótimas vendas como o fenômeno One Direction e Olly Murs, ambos cria do The X Factor, e a sempre bombada Rihanna. Outros atos que alcançaram platina incluiram P!nk, que chegou a 400k com seu quinto álbum, The Truth About Love e os badalados DJs David Guetta e Calvin Harris. E, na lista de singles, claro, só deu pop.

+ James Arthur does the impossible: Em 2012, o The X Factor britânico foi todo remodelado e ganhou um painél de jurados totalmente novo com a saída de Simon Cowell que migrou para a versão americana do programa. Depois de anos de aumento de audiência, o programa começou a dar sinais de cansaço e, pela primeira vez, o número de telespectadores caiu. Apesar disso, o winning single daquele ano — a versão de James Arthur de Impossible, da cantora america Shontelle — foi um verdadeiro fenômeno. Vocês podem ler mais sobre a trajetória do ganhador daquela temporada aqui.

+ Million-selling singles: A morte do mercado de single físico fez com que million-selling singles fossem extinguidos. Mas com a ascenção do iTunes e das vendas digitais, singles voltaram com toda força e, pelo segundo ano consecutivo, duas músicas — Somebody That I Used to Know do belga-australiano Gotye e Call Me Maybe da canadense Carly Rae-Jepsen — atingiram o milhão ao longo do ano.

[Top 10 álbuns] 1. Our Version of Events – Emeli Sandé / 2. 21 – Adele / 3. + – Ed Sheeran / 4. Born to Die – Lana del Rey / 5. Take Me Home – One Direction / 6. Babel – Mumford & Sons / 7. Right Place Right Time – Olly Murs / 8. Christmas – Michael Bublé / 9. Mylo Xyloto – Coldplay / 10. Unapologetic – Rihanna
[Top 10 singles] 1. Somebody That I Used to Know – Gotye ft. Kimbra / 2. Call Me Maybe – Carly-Rae Jepsen / 3. We Are Young – Fun ft. Janelle Monae / 4. Titanium – David Guetta ft. Sia / 5. Impossible (The X Factor Winning Single) – James Arthur / 6. Gangnam Style – PSY / 7. Starships – Nicki Minaj / 8. Domino – Jessie J / 10. Wild Ones – Flo-Rida ft. Sia
[Best-selling debut albums] 1. Our Version of Events – Emeli Sandé / 2. + – Ed Sheeran [2011] / 3. Born to Die – Lana del Rey / 3. Who You Are – Jessie J [2011] / 4. Some Nights – Fun. / 5. Every Kingdom – Ben Howard
[Million-selling albums] Um
[500k+ álbuns] 8
[Million-selling singles] Dois
[500k+ singles] 23

2013

BRIT Critics’ Choice: Tom Odell
BBC Sound of 2013: HAIM

O sucesso de Ed Sheeran e James Arthur no ano anterior serviram para reafirmar o duradouro sucesso de um gênero conhecido como white guy with an acoustic guitar, um combo por vezes piegas e clichê mas que é capaz de vender milhões de discos. Indo nessa onda, o Critics’ Choice — que gosta de apostar no seguro — selecionou Tom Odell, um representante perfeito dessa classe, como a sua grande escolha para 2013.

O Sound of…, se reafirmando como a premiação mais ousada, escolheu as garotas do HAIM, um trio formada por irmãs americanas bem cool com um inovador som pop rock igualmente cool. E meu uso de cool pode estar parecendo irônico mas nem é, elas de fato eram bem cool. Para quem não entendeu, cool é a palavra chave aqui (mas sério, elas são bem legal).

Ao apostar no HAIM, os votantes da enquete da BBC sabiam que elas não iam ser o maior fenômeno do ano. Elas tinham total capacidade para fazer sucesso — e de fato fizeram, pois o álbum delas, Days Are Gone, alcançou Disco de Ouro — mas a escolha era mais pelo fato delas serem interessantes e intrigantes do que pela comerciabilidade em si.

Por isso foi uma surpresa quando Odell — perfeitamente packaged para ser um giga 9sucesso — não vendeu tão mais assim do que elas. Seu álbum de estreia, Long Way Down, vendeu 300 mil unidades, um número ótimo — suficiente para Disco de Platina — mas um pouco aquém se comparado aos ganhadores anteriores do Critics’ Choice.

Sendo justo, esse número só foi underwhelming porque as vendas das ganhadoras anteriores tinham sido espetaculares: tirando Ellie Goulding, que vendeu 800 mil unidades de Lights, o CD de estréia de todas as demais tinha ultrapassado 1 milhão de unidades vendidas (Ellie atingiu a marca com seu segundo álbum).

O CD de Odell também foi o primeiro álbum de um ganhador do Critics’ Choice a não ser relançado com faixas bônus desde 19 de Adele. Naquele período, repackaging eram sinais máximo de sucesso (e uma ótima oportunidade de lucrar mais e inflar as vendas).

Dito isso, Odell era realmente um artista bastante talentoso, descoberto por Lily Allen, e seu lançamento, Long Way Down foi sim um sucesso. Só não foi o sucesso esperado, dado a promoção intensa que ele recebeu: o cantor teve a estreia obrigatória e prestigiosa no programa de Jools Holland; foi aos talk shows mais vistos; cantou na final do X Factor e teve seu single, Another Love, seu único top 10 hit, usado numa campanha grande da BBC.

Por outro lado, houve alguns erros estratégicos: o álbum, por exemplo, deveria ter sido lançado durante o ápice de Another Love mas foi postergado para coincidir com o lançamento do CD nos EUA. Essa perda de timing pode ter afetado um pouco o desempenho do lançamento de Odell mas, no final das contas, Disco de Platina não é um resultado para se lamentar.

No fim, Tom foi ofuscado, irônicamente, por outro white guy with a guitar, o que prova que o Critics’ Choice acertou em cheio na categoria mas errou o alvo. Jake Bugg, com um som bem mais rock e um estilo um pouco mais rebelde, foi a revelação solo do ano (apesar de que seu álbum na verdade foi lançado em 2012, o que não o qualificaria para um Critics’ Choice de 2013).

Bugg e Odell aside, a verdade é que foi um ano sem nenhum lançamento gigantesco — seja de novatos ou de veteranos — o que fez de 2013 um ano meio dull em termos de vendas.

Highlights de 2013

+ Uns com tanto… Foi um ano bem fraco para a venda de álbuns, sem um grande sucesso: nenhum CD alcançou a marca do milhão. O mais vendido, Midnight Memories, da boyband One Direction, moveu 685 mil unidades. Em compensação, o mercado digital continuou em plena expansão e, com isso, singles tiveram ano recorde, com 4 músicas alcançando 1 milhão em vendas.

+ Safe choices: O top 10 de álbuns foi totalmente composto por nomes muitíssimo familiares para o público britânico, quase sempre com vendas altas asseguradas: One Direction, Michael Bublé, Artic Monkeys, Rod Steward, Robbie Williams e Gary Barlow, o vocalista do Take That, o grupo que mais vendia discos no país. Um dado curioso: depois de anos de invasão de divas pop, o único álbum de pop americano no top 10 foi Unorthodox Jukebox de Bruno Mars, que, somado com as vendas do ano anterior, se transformaria no segundo álbum dele a ultrapassar 1 milhão de cópias.

+ Segunda chance: Como já repeti diversas vezes, relançamentos eram lugar comum naquele então mas normalmente reservados para álbuns de enorme sucesso. Ellie Goulding inovou e mudou a receita: seu segundo álbum, Halycon, estava com vendas dignas mas mais lentas do que seu álbum de estréia. Ela voltou para o estúdio e o relançou em 2013 com 8 novas faixas. Emplacou dois mega hits, Burn e How Long Will I Love You, o que transformaria o CD, que estava underperforming, no seu primeiro million-seller. Poucos artistas teriam essa chance de refazer um álbum mas isso mostra o grau de confiança da gravadora em Goudling. A julgar pelos resultados, a confiança foi mais do que justifcada.

+ Not so alive: Enquanto Ellie Goulding — ganhadora do Critics’ Choice de 2010 — continuava com êxito, a vencedora do ano seguinte, Jessie J, estava em pleno declínio. Seu segundo álbum, Alive, venderia apenas 100k, uma queda bem marcante considerando que, apenas 2 anos antes, seu CD de estréia tinha vendido 1.1 milhão. Era o começo do fim. A cantora teve, porém, um breve momento de glória no ano seguinte quando Bang Bang, sua colaboração com Nicki Minaj e Ariana Grande, se tornou um sucesso global e atingiu o topo no Reino Unido.

+ Revelações: A grande revelação do ano foi a banda de rock Bastille, impulsionada pelo enorme sucesso da música Pompeii entre o público jovem. O álbum deles vendeu mais de 450 mil unidades. O grupo de drum ‘n’ bass Rudimental também obteve grande sucesso com seu álbum de estréia depois de emplacar dois número 1 — Feel the Love Waiting All Night — no ano anterior. Outras revelações de 2013 incluiram as bandas de rock americanas Imagine Dragon e The Lumineers; o trio London Grammar e o duo eletrônico Disclosure. Todos esses atos obtiveram Disco de Ouro com seus respectivos lançamentos.

[Top 10 álbuns] 1. Midnight Memories – One Direction / 2. Our Version of Events – Emeli Sandé / 3. To Be Loved – Michael Bublé / 4. Swing Both Ways – Robbie Williams / 5. Right Place Right Time – Olly Murs / 6. Unorthodox Jukebox – Bruno Mars / 7. Time – Rod Stewart / 8. AM – Artic Monkeys / 9. Since I Saw You Last – Gary Barlow / 10. Halycon – Ellie Goulding
[Top 10 singles] 1. Blurred Lines – Robin Thicke ft. T.I. & Pharrell Williams / 2. Get Lucky – Daft Punk ft. Pharrell Williams & Nile Rodgers / 3. Wake Me Up – Avicii ft. Aloe Blacc / 4. Let Her Go – Passenger / 5. La La La – Naughy Boy ft. Sam Smith / 6. Roar – Katy Perry / 7. Thrift Shop – Macklemore & Ryan Lewis / 8. Just Give Me A Reason – P!nk ft. Nate Ruess / 9. Counting Stars – OneRepublic / 10. Mirrors – Justin Timberlake
[Best-selling debut albums] 1. Bad Blood – Bastille / 2. Jake Bugg – Jake Bugg (2012) / 3. Home – Rudimental / 4. James Arhtur – James Arthur / 5. The Lumineers – The Lumineers
[Million-selling albums] Zero
[500k+ álbuns] 7
[Million-selling singles] Quatro
[500k+ singles] 20

2014

BRIT Critics’ Choice: Sam Smith
BBC Sound of 2014: Sam Smith

Em 2014, a BBC se juntou novamente ao BRIT para apostar no seguro. Para isso, a emissora publica até mudou as regras da sua enquete, permitindo que o ganhador tivesse top 20 hits desde que a canção em questão não o listasse como o artista principal. O motivo de tanto rebuliço? Sam Smith.

O vocalista de apenas 22 anos era basicamente a Adele versão masculina: soulful vocals perfeitos; dom de composição impressionante para sua curta idade; música melancólica sobre amores perdidos. Uma receita de sucesso infálivel.

Assim como Emeli Sandé — outra artista ao qual ele pode ser comparado em termos de letra e estilo — Smith foi apresentado ao público britânico como vocalista convidado. Sua estreia foi na música Latch, do duo eletrônico Disclosure. Lançada em outubro de 2012, a música alcançou a posição #11 nas paradas britânicas mas foi um sucesso duradouro, vendendo muito e obtendo sucesso internacional (inclusive penetrando o top 10 dos EUA). Alguns meses mais tarde, em maio de 2013, ele foi o cantor do mega hit do produtor Naughty Boy, La La La. O single alcançou o topo e foi um dos maiores sucessos daquele ano.

criticschoice
Noite de sucesso para Sam Smith no Grammy

Smith já tinha, portanto, dois enormes êxitos quando, em dezembro, lançou seu primerio single solo, Money On My Mind. A música foi direto para o primeiro lugar no Reino Unido. Alguns meses mais tarde, em abril de 2014, ele lançaria a música que sintetizaria seu estilo e sua carreira: a balada Stay with Me. A música foi um sucesso no mundo inteiro e preparou a cena para o lançamento do seu álbum, In The Lonely Hour, um sucesso espetacular.

Dentre os escolhidos pelo Critics’ Choice, Sam foi o maior sucesso global desde Adele, em 2008. Seu álbum vendeu bastante a nível global, inclusive nos EUA, dando origem a cinco top 10 hits no Reino Unido e três no país norte-americano. Ele recebeu quatro Grammys, incluindo Melhor Artista e foi escolhido para cantar a música tema de Spectre, o filme de 2015 do James Bond. Writin’ on the Wall, música em questão, atingiu o topo no Reino Unido e recebeu um Oscar. Foi uma ascensão rápida e meteórica.

In the Lonely Hour alcançaria 2.2 milhões de unidades vendidas no Reino Unido em dois anos. Ele se tornaria o terceiro ganhador do Critics’ Choice — junto com Adele e Emeli Sandé — a ter seu álbum de estréia alcançando a marca de 2 mi.

Além de Smith mais um vocalista/compositor revelação arrasou em 2014: George Ezra. Assim como Jake Bugg, sucesso do ano anterior, Ezra — hoje com 23 anos — foi impulsionado pelo BBC Introducing, projeto da emissora pública que divulga novos talentos através de um palco em Glastonbury e airplay na Radio 1. Ele obteve um enorme sucesso com a música Budapest, o que criou grande interesse no primeiro álbum dele, Wanted on Voyage. O CD de estreia eventualmente ultrapassou a marca de 1 milhão.

Highlights de 2014

+Sheeranmania: Nem o sucesso meteórico de Sam Smith conseguiu ofuscar Ed Sheeran. Impulsionado por dois number one hits, Sing e Thinkin’ Out Loud (que se tornaria o maior hit dele no mundo), x (lê-se Multiply) venderia 1.7 milhão de unidades em 1 ano. Levou dois anos para o álbum de estréia do cantor, +, alcançar esse número. Sheeran se estabelecia como o maior fenômeno pós-Adele da música britânica — mesmo com Smith também conquistando o mundo com suas baladas de amor.

O sucesso de Sheeran e Smith, aliás, foi responsável por aquecer a indústria fonográfica britânica ao longo de 2014. Os dois blockbuster albums venderam mais de 1 milhão de cópias depois de um ano em que nenhum CD alcançou essa marca. Até o momento, x já vendeu mais de 3 milhões de unidades no UK e quase 9 milhões a nível mundia. Já In the Lonely Hour vendeu 7 milhões de unidades mundo afora, das quais 2.1 foram na Grã-Bretanha.

+ In with the new: Apesar de vários nomes habituais — como One Direction; Olly Murs; Coldplay, Paolo Nutini e Take That (e, pasmén, Pink Floyd) — a lista dos álbuns mais vendidos do ano incluiu novidades como Paloma Faith, um nome que apesar de vender bem não costuma figurar entre os 10 mais, e o novato George Ezra.

+ Take that, Take That!: Ghost Stories, o sexto álbum da banda Coldplay, se transformaria no primeiro álbum do grupo a não ultrapassar a barreira de 1 milhão, empacando na casa dos 900 mil. Por outro lado, faria com que eles retomassem o posto de maior grupo do país: depois de quase 9 anos, eles finalmente ultrapassaram as vendas do Take That. III, o quarto CD da boyband desde 2006 e o primeiro como um trio, foi o primeiro álbum pós-retorno a não ultrapassar 2 milhões de cópias vendidas. Ficou bem longe disso: com as vendas de 2015, o CD moveu 570 mil cópias, um número ótimo mas bem aquém ao que eles eram capazes em anos anteriored.

+ The streaming age: Depois de 5 anos de presença no Reino Unido, o Spotify se consolidava como uma força cada vez mais díficil de ignorar. Milhões de britânicos estavam migrando do iTunes para o streaming e, finalmente, a partir de julho de 2014, streams começaram a ser contabilizados na parada de singles. O ratio escolhido foi 100 streams equivaleriam a uma venda.

[Top 10 álbuns] 1. x – Ed Sheeran / 2. In the Lonely Hour – Sam Smith / 3. Wanted on Voyage – George Ezra / 4. Caustic Love – Paolo Nutini / 5. Ghost Stories – Coldplay / 6. A Perfect Contradiction – Paloma Faith / 7. Four – One Direction / 8. Never Been Better – Olly Murs / 9. The Endless River – Pink Floyd / 10. III – Take That
[Top 10 singles] 1. Happy – Pharrell Williams / 2. Rather Be – Clean Bandits ft. Jess Glynne / 3. All of Me – John Legend / 4. Waves – Mr. Probz / 5. Thinking Out Loud – Ed Sheeran / 6. Ghost – Ella Handerson / 7. Stay with Me – Sam Smith / 8. All About That Bass – Meghan Trainor / 9. Timber – Pitbull, Ke$ha / 10. Budapest – George Ezra
[Best-selling debut albums] 1. In the Lonely Hour – Sam Smith / 2. Wanted on Voyage – George Ezra / 3. If You Wait – London Grammar [2013] / 4. Chapter One – Ella Handerson / 5. Bad Blood – Bastille [2013]
[Million-selling albums] Dois
[500k+ álbuns] 7
[Million-selling singles] Cinco
[500k+ singles] 29

2015

BRIT Critics’ Choice: James Bay
BBC Sound of 2015: Years & Years

Com seu rosto delicado, longas madeixas e chapéu-panamá perpetuamente na cabeça, James Bay — o vencedor do Critics’ Choice Awards em 2014 — parece uma paródia de um white guy with an acoustic guitar. Mas o público britânico o levou bem a sério: seu primeiro single, Let It Go, estreou no top 10 e o seguinte, Hold Back the River, atingiu o segundo lugar e foi um dos maiores sucessos do ano.

Impulsionado pelo sucesso das duas músicas, seu álbum, Chaos and the Calm, estreou no topo, com altíssimas vendas e Bay se manteve no top 40 ao longo de 2 anos, alcançando 600 mil cópias comercializadas no Reino Unido. Acompanhado de seu violão e de seu chapéu, o rapaz de 24 anos foi presença constante na mídia local, aparecendo em todos os principais programas de TV e festivais, incluindo Glastonbury. Ele até acabou sendo indicado a três Grammy, incluindo Best New Act, se provando mais uma aposta com grande retorno para os executivos britânicos e o Critics’ Choice.

A BBC, como de costume, fez uma escolha um pouco mais ousada: o trio eletrônico Years & Years. Os rapazes — com suas músicas irresistivelmente pegajosas — conseguiram emplacar certificação de platina para quatro de seus singles (King, o maior sucesso; Shine; Desire; Eyes Shut) e, claro, estrearam no topo com o álbum de estreia, Comunion, que também acabou certificado Platina por 300 mil cópias em circulação.

Como é possível notar, o ano de 2015 foi um ano rico para novos talentos e, interessantemente, foi uma artista ignorada pelas duas principais premiações que acabou sendo a maior revelação do ano: Jess Glynne.

Assim como vários outros artistas com ascenção meteórica, como Emeli Sandé e Sam Smith, Glynne começou sua carreira nos bastidores, colaborando com diferentes artistas e compondo, antes de estrear como vocalista convidada em uma série de grandes hits. O maior deles foi Rather Be do grupo Clean Bandit, o segundo maior sucesso de 2014, mas ela também emprestou a voz para mais outros dois number 1: My Love, do produtor Route 94 e Not Letting Go, junto ao rapper Tinie Tempah.

Antes de lançar o álbum, ela também se apresentou no circuito de festivais no Reino Unido, incluindo Glastonbury, e lançou dois single solos, Right Here, que alcançou o sexto lugar, e o mega hit Hold My Hand, que atingiu o topo. Na semana de lançamento do seu CD, I Cry When I Laugh, ela obteve seu quinto número 1 com Don’t Be So Hard on Yourself, empatando com Cheryl (ex-Cole) como a cantora britânica solo com mais chart-toppers na história.

Basicamente, a carreira de Glynne foi uma sucessão de sucessos mesmo antes do lançamento do álbum e o seu CD de estreia não só alcançou o topo como finalizou sua trajetória nas paradas com mais de 1 milhão de unidades comercializadas. Assim como Bay, ela obteve total apoio da mídia: as rádios colocaram suas músicas em alta rotação; a BBC escolheu sua balada Take Me Home como tema do seu show de caridade Children in Need; ela fez uma grande performance no BRIT Awards de 2016 e até foi convidada para ser jurada convidada no The X Factor.

Diferente de outras divas pop, o sucesso de Glynne não foi movido por looks marcantes; clipes grandiosos; contas de social media com milhões de seguidores e personalidade larger than life. Pelo contrário, Jess — apesar de um marketing poderoso — tem uma estética bem discreta e seu Instagram tem pouco mais de 500 mil seguidores. Seu sucesso foi movido, acima de tudo, pela grande aceitação de sua música: seu dance pop foi feito sob medida para o gosto do público britânico de 2015.

Highlights de 2015

+ The Fab One: Se tem alguém que é capaz de carregar toda a indústria fonográfica britânica nas costas sozinha, esse alguém é Adele. Não é exagero dizer que a londrina é o maior fenômeno de vendas local desde os Beatles. Em 2015, ela fez seu grande retorno: enquanto nenhum outro artista ultrapassou 1 milhão de cópias, Adele vendeu 2.5 milhões de unidades de 25 em apenas 1 mês.

+ Bieber fever: Justin Bieber também fez um retorno triunfal no Reino Unido depois de três anos de hiato. Impulsionado pelo enorme sucesso de What Do You Mean? e Sorry, o seu novo álbum, Purpose, acabou como o quinto CD mais vendido do ano com menos de 2 meses de venda. O lançamento eventualmente se tornaria o primeiro de Bieber a ultrapassar a marca de 1 milhão no Reino Unido. Taylor Swift foi outro ato norte-americano que alcançou a marca pela primeira vez com 1989. Depois de anos como a cantora pop mais rentável dos EUA, Swift finalmente obteve o trono de maior diva pop do ano no Reino Unido com seu quinto CD, o primeiro dela integralmente pop, sem nenhuma canção com elementos country.

The lasting Factor: Depois de 5 anos de sucesso global estrondoso, a boyband One Direction, revelada na edição de 2009 do The X Factor, anunciou que iria se separar. O álbum final, Made in the AM, foi lançado na mesma semana que Purpose de Bieber, bloqueando o canadense do primeiro lugar. O disco, porém, rapidamente perdeu fôlego e acabou na posição #14. Enquanto 1D se despedia com vendas murchas (mais por falta de promoção do que por queda de popularidade), o girlgroup Little Mix, que ganhou a edição de 2012 do show de talento, gozou de um impressionante aumento de vendas com o terceiro CD delas, Get Weird.

Apesar de uma queda drástica em audiência, a importância de The X Factor para a indústria fonográfica britânica continuava vísivel em 2015. Além de 1D e Little Mix, Olly Murs — segundo lugar da temporada de 2008 — também vendeu mais de 300k cópias ao longo do ano com o relançamento de seu quarto CD.

+ Rockin’ up the charts: Um álbum de canções de Elvis Presley regravados com a Orquestra Filarmônica Real excedeu as expectátivas, vendendo 880 mil cópias em 2 meses e dando o tom para um ano que foi bem positivo para o rock, principalmente o mais voltado para um público mais velho.

Bandas revelações jovens Royal Blood e Catfish & the Bottlemen receberam Disco de Ouro; Coldplay retornou triunfalmente e veteranos como David Lock, Paul Simon e Jeff Lyne’s ELO obtiveram vendas dignas. Também foi um ano particularmente positivo para white guys with acoustic guitars: além de Bay e Sheeran, George Ezra continuou com vendas altas e o irlandês Hozier chegou fazendo barulho com o enorme sucesso da balada Take Me to Church.

+ Streamed up: Entre 2013 e 2014, o número de streams no Reino Unido duplicou: de 7.5 bilhões para quase 15 bi. Sendo assim, era impossível ignorar os efeitos do método nas paradas britânicas e, depois de adicionar streams à parada de singles, a Offical Chart Company também acrescentou reproduções em ferramentas como Spotify e Apple Music ao números de vendas de álbum. O método usado era a soma das 12 músicas mais reproduzidas do CD dividido por 1000 adicionado ao total de vendas digitais e físicas.

[Top 10 álbuns] 1. 25 – Adele / 2. x – Ed Sheeran / 3. In the Lonely Hour – Sam Smith / 4. If I Can Dream – Elvis Presley / 5. Purpose – Justin Bieber / 6. 1989 – Taylor Swift / 7. I Cry When I Laugh – Jess Glynne / 8. Chaos and the Calm – James Bay / 9. A Head Full of Dreams – Coldplay / 10. Wanted on a Voyage – George Ezra
[Top 10 singles] 1. Uptown Funk – Mark Ronson, Bruno Mars / 2. Cheerleader – OMI / 3. Take Me To Church – Hozier / 4. Love Me Like You Do – Ellie Goulding / 5. See You Again – Wiz Khalifa, Charlie Puth / 6. Hello – Adele / 7. Lean On – Major Lazer & DJ Snake ft. MØ / 8. Hold Back the River – James Bay / 9. What Do You Mean? – Justin Bieber / 10. Sorry – Justin Bieber
[Best-selling debut albums] 1. In the Lonely Hour – Sam Smith [2014] / 2. I Cry When I Laugh – Jess Glynne / 3. Chaos and the Calm – James Bay / 4. Wanted on a Voyage – George Ezra [2014] / 5. Hozier – Hozier
[Million-selling albums] Um
[500k+ álbuns] 9
[Million-selling singles] Sete
[500k+ singles] 42

2016

BRIT Critics’ Choice: Jack Garratt
BBC Sound of 2016: Jack Garratt

Em geral, quando o Critics’ Choice e o Sound of… apostam no mesmo nomes, as chances do sucesso ser explosivo são altas. Não foi o caso em 2016: pela primeira vez, o escolhido, Jack Garratt, teve um álbum que não chegou a Disco de Platina. Nem Ouro. O álbum vendeu 65 mil cópias, um número que não é trágico para o panorama atual mas que deixa a desejar quando comparado ao hype e a absolutamente todos os ganhadores anteriores do Critics’ Choice e do BBC Sound of…

Sendo justo, 2016 foi um período bem sem vida para a indústria musical britânica, com grande parte dos álbuns mais vendidos sendo lançamentos do ano anterior. Prova maior do quão boring estava o cenário: o lançamento de 2016 mais comercializado foi um CD que reunia o tenor Alfie Boe com o ator/cantor de musicais Michael Ball interpretando clássicos da Broadway e sucessos antigos, algo que ninguém com menos de 60 anos ousaria ouvir. Além de “Together”, outro sucesso foi mais um álbum de músicas de Elvis Presley com arranjo da Orquestra Real, uma prova adicional do buying power do público geriátrico.

Mas voltando ao ganhador em questão, Jack Garratt: o rapaz de 25 anos é cantor, compositor e multi-instrumentalista e já faz anos que ele é apontado como um prodígio da musica. Em 2015, ele foi spotlighted pelo BBC Introducing, uma iniciativa da emissora pública para apresentar novos talentos ainda sem gravadoras, e recebeu airplay na influente Radio 1 e convite para cantar em vários festivais importantes. A empresária Sarah Stanett — responsável por fazer Jessie J e Ellie Goulding acontecer — assumiu o controle de sua carreira e ele abriu para Mumford & Sons e foi elogiado por Katy Perry e Sia no Twitter.

Apesar de tudo isso, Garratt não empolgou muito o público britânico. O seu single com melhor pico na parada, Worry, empacou na posição #67. Seu álbum chegou ao terceiro lugar mas as vendas totais ficaram atrás até do novo álbum de Tom Odell, o ganhador do Critics’ Choice de 2013 que, até então, tinha sido a aposta com o resultado mais mediocre (seu segundo álbum, Wrong Crowd, vendeu 76 mil cópias, um resultado até bom). No fim das contas, o álbum dele não figurou entre os 100 mais vendidos.

Sendo justo, nenhum ato revelação empolgou muito o públio. Dentro os 5 CDs de estréia mais vendido, apenas um — da francesa Christine and the Queens — foi lançado em 2016.

Além de Christine, só um artista novato atingiu 100k cópias vendidas: Bradley Walsh. Um ator e apresentador vagamente popular, ele lançou um álbum, Chasing Dreams, cheio de regravações de sucessos do passado e foi o único britânico que conseguiu Disco de Ouro com um CD de estréia. Mais uma vitória para os vovôs e vovós e mais uma prova de que a seca estava intensa.

Um contraste e tanto com o ano anterior que teve estreias impressionantes de bandas de rock (Royal Blood); cantores acústicos (Hozier; James Bay); popstars (Jess Glynne) e atos eletrônicos (Years & Years).

Highlights de 2016

Biggest in Britain: 25 de Adele é o álbum mais vendido pelo segundo ano consecutivo e ultrapassa a barreira de 3 milhões de cópias. Já o sétimo álbum do Coldplay, A Head Full of Dreams, alcança 1 milhão de unidades e reafirma a banda de Chris Martin como a maior vendedora do Reino Unido. Dentre atos norte-americanos, os canadense Justin Bieber e Drake são as grandes sensações e Beyoncé também obtém Disco de Platina com Lemonade.

+ R.I.P. Bowie: A morte de David Bowie impulsiona as vendas da coletânea de sucessos do legendário artista e também assegura vendas altas para seu lançamento póstumo, Blackstar.

+ They have the factor:  Com o fim do One Direction, o girlgroup Little Mix continua sua impressionante ascensão em popularidade e se consolida como o principal ato da SYCO, o selo de Simon Cowell na Sony. Olly Murs, como sempre, também obtém disco de platina com seu quinto álbum, 24 HRS, mostrando impressionante staying power. São os únicos dois artistas oriundos do The X Factor que seguem com popularidade em alta.

+ From France, with love: Depois de abalar a indústria francesa em 2015 com seu inovativo pop, Heloise Letissier, mais conhecida como Christine & the Queens, relançou seu álbum, Chaleur Humaine, todo em inglês para o mercado britânico e o resultado foi o mais puro sucesso. Christine acabou sendo a maior revelação do ano.

Além de Christine, o americano Charlie Puth também obteve Disco de Ouro com seu álbum de estreia. Dentre atos revelações britânicos, além de Bradlet Walsh, o maior vendedor foi a elogiada banda de synthopop Blossom que vendeu 75 mil unidades do seu álbum de estreia.

+ Streaming nation: Com a popularização do streaming, a quantidade de singles que atingiram a barreira de 1 milhão bateu recorde: foram 17 canções chegando na marca. Em dezembro de 2016, a Official Charts Company anunciou que, por causa do enorme crescimento do segmento, iria reajustar a proporção: agora, 150 streams equivaleriam a 1 venda (antes, era 100:1).

[Top 10 álbuns] 1. 25 – Adele / 2. A Head Full of Dreams – Coldplay / 3. Together – Michael Ball & Alfie Boe / 4. Purpose – Justin Bieber / 5. Wonder of You – Elvis Presley / 6. Blackstar – David Bowie / 7.  Glory Days – Little Mix / 8. Views – Drake / 9. I Cry When I Laugh – Jess Glynne / 10. Best of Bowie – David Bowie
[Top 10 singles] 1. One Dance – Drake / 2. 7 Years – Lukas Graham / 3. Cheap Thrills – Sia / 4. I Took a Pill in Ibiza – Mike Poisner / 5. This Is What You Came For – Calvin Harris, Rihanna / 6. Lush Life – Zara Larsson / 7. Closer – The Chainsmokers ft. Halsey / 8. Love Yourself – Justin Bieber / 9. Work – Rihanna, Drake / 10. Can’t Stop This Feeling – Justin Timberlake
[Best-selling debut albums] 1. I Cry When I Laugh – Jesss Glynne [2015] / 2. Chaos and the Calm – James Bay [2015] / 3. Chaleur Humaine – Christine and the Queens / 4. Communion – Years & Years [2015] / 5. In the Lonely Hour – Sam Smith [2014]
[Million-selling albums] Zero
[500k+ álbuns] 3
[Million-selling singles]  16
[500k+ singles] 57

E quanto a 2017? Isso falarei num próximo post mas já posso adiantar que a situação está melhor do que no ano passado.

Mais: As grandes revelações discutidas nessa postagem tiveram vários etapas em comum na sua jornada para o sucesso. Entenda o passo a passo para break um artista no mercado britânico.

Continue reading: Os 60 álbuns mais vendidos no Reino Unido desde 2008

Continue reading A constante renovação da cena musical britânica